Não há só cascata: vamos à primeira seletiva do Prêmio Marcos de Castro de bom jornalismo na internet!

Após duas semanas de cascatas, é hora do lado A do jornalismo brasileiro – vamos à primeira seletiva para o Prêmio Marcos de Castro, criado este ano visando reconhecer o bom trabalho jornalístico realizado por veículo independentes na internet e contrabalançar o King of the Kings, que premia as cascatas. As regras gerais da premiação já foram informadas em outro post, mas há ainda as específicas para a votação, portanto, vamos a elas:

1. Você pode votar em seis (6) das onze indicadas.

2. As cinco que não forem classificadas voltarão para disputar todas as seletivas do ano.

3. A votação vai até 23 de abril.

Ainda antes de passar às concorrentes, mais três pontos:

a. “Full disclosure”: Lúcio de Castro, da Agência Sportlight, é filho de Marcos de Castro, que dá nome ao troféu;

b. Aconselho vivamente ler todas as matérias. Ao contrário das cascatas, que, em geral, são bem conhecidas, as boas matérias não circulam muito (há um estudo recente que indica este ponto, o qual enfocarei em breve). Dessa forma, é pouco provável que você tenha lido todas como eu – o mais certo é que tenha lido nenhuma.

c. Os editores dos sites, caso desejem, podem fazer campanha por suas matérias.

Agora sim, vamos aos exemplos do bom jornalismo brasileiro na internet.
1. Rede Riba abre restaurantes em pontos caros do Rio graças a ajuda de Sérgio Cabral e Eduardo Paes (Lúcio de Castro, Agência Sportlight)

2. Hábito alemão: todos na sauna, todos nus (Renata Malkes, Projeto Colabora)

3. Vídeo mostra seguranças do Habib´s arrastando menino que apareceu morto logo depois (Kaike Dalapola, Ponte Jornalismo)

4. Renan Calheiros explica como Eduardo Cunha manda no governo Temer (Tales Faria, Poder360)

5. Sem alarde, governo reduz em 20% rede de farmácias populares (Sérgio Spagnuolo, Aos Fatos)

6. O preconceito do mercado de trabalho com as pessoas de mais 50 anos (Cátia Moraes, Projeto Colabora)

7. Política pública de mobilidade ignora diferenças de gênero e idade (Natália Mazotte, Gênero&Número)

8. Agências de vigilância privada ajudaram Forças Armadas na repressão durante a ditadura militar (Ciro Barros e Iuri Barcelos, Agência Pública)

9. Rei dos Ônibus do Rio recebe benesses do comitê que organizou os Jogos Olímpicos do Rio (Lúcio de Castro, Agência Sportlight)

10. Sarney briga na Justiça por aposentadorias de R$ 73 mil depois de ter sido obrigado a devolver dinheiro (Joelma Pereira e Édson Sardinha, Congresso em Foco)

11. Buscador abre dados de todos os processos da Lava-Jato (Laura Diniz, Márcio Falcão, Livia Scocuglia, Gustavo Gantois, Jota)

 

A quarta (e última) seletiva para o King of the Kings-2016

Fim de ano chegando, é hora da última seletiva para a finalíssima do King of the Kings-2016, marcada para janeiro. O KofK, como você talvez saiba, é a única premiação a reconhecer, desde 2008, a determinação e o esforço dos coleguinhas em sua labuta por desmoralizar irremediavelmente o jornalismo brasileiro (os premiados dos anos anteriores estão na faixa lá de cima, no “Hall da Infâmia”). Desde o ano passado, há também o Troféu Boimate, que premia a redação mais cascateira.

Como acontece há alguns anos, desde que os coleguinhas entraram num frenesi cascateiro, espero até o finzinho do ano para realizar a votação das últimas concorrentes. Este ano, como estarei viajando a partir do dia 30, terei de torcer para que nenhuma grande cascata role nos dois dias finais de 2016 para que não haja uma grande injustiça.Se acontecer tentarei atualizar, mas não posso dar certeza.

Bom, antes de passar à lista, seguem as duas regrinhas do pleito:

1. Você pode votar em até sete (6) concorrentes entre as 8 da lista. (ATUALIZAÇÃO: são 9 agora. Tive que botar a capa da Veja com a Marcela #ForaTemer)

2. A votação terminará no domingo, dia 8 de janeiro.

Passemos às concorrentes, pois.

1 .Veja é multada por divulgar pequisa eleitoral sem registro

2. Folha publica notícia antiga para expor blogs de esquerda

3. Lula é indiciado após Lava-Jato anunciar investigação no Governo FHC

4. Temer chama entrevista ao Roda-Viva de “propaganda”

5. IstoÉ insinua ameaça de petistas a delatores

6. Só Estadão vê 600 mil pessoas protestando em Copacabana

7. O Globo apresenta reforma que ataca direitos trabalhista é apresentada como boa para trabalhadores

8. Nove em cada 10 brasileiros atribuem sucesso financeiros a Deus

9. Veja aposta em Marcela para salvar Temer.

A tragédia e os gatos-mestres do jornalismo

Nessa semana, não tive cabeça para fazer contas e analisar gráficos e o texto vai ser curto. Como quase todo mundo (veremos que nem todos), fiquei abalado pela tragédia do voo da Chapecoense e mais ainda porque nela morreu um velho amigo. Se já estava mal, fiquei ainda pior ao me deparar com casos descontrolados e, ao que parece, incuráveis, do Transtorno do Gato-Mestre (TGM). A gato-mestrice pode ser descrita como a insopitável vontade de dar palpites sobre assuntos a respeito do qual nada se entende e/ou procurar lados obscuros de temas que são ou foram muito debatidos, não para descobrir realmente algo novo ou contribuir para o aumento do conhecimento sobre eles, mas apenas para parecer inteligente e, recentemente, em busca de cliques e curtidas.

Como é possível depreender da descrição, a TGM tende a atacar em maior escala algumas profissões, destacando-se, dentre elas, o jornalismo – eu mesmo sou um exemplo com 20 anos de existência. Alguns profissionais, no entanto, quando desenvolvem a TGM, tornam-se casos agudos e, com frequência, sem remissão. Tive a infelicidade de me deparar com alguns assim nessa semana, sendo o mais grave o de certo coleguinha que, em sua página no Facebook (plataforma que está para a gato-mestrice como os ratos estiveram para a Peste Negra), perguntou quem tinha pagado a passagem dos companheiros de profissão mortos no desastre.

Apoiado por seus iguais – os gatos-mestres, em geral, andam em bando, numa relação de cooperação e rivalidade das mais interessantes para quem aprecia os aspectos psicológicos das relações humanas -, o coleguinha trouxe à baila a questão como forma de demonstrar (como se ainda fosse necessário diante do que se passa no país há anos) que as empresas jornalísticas têm interesses ocultos além daqueles de informar o público de maneira fidedigna. Não lhe passou pela cabeça, porém, por exemplo, levantar a questão sobre como eram os contratos de trabalho dos colegas mortos, pois, se forem de pessoas jurídicas, abrir-se-á (também sei usar mesóclise, não é difícil) brecha para que os patrões eximam-se de pagar indenizações trabalhistas. Esta possibilidade foi levantada por outro colega, amigo de quatro das vítimas e que, apesar de sua ampla capacidade profissional, é notavelmente resiliente à gato-mestrice. Ele, como eu, sobrevive há tempo demais no ramo e sabe do que são capazes os “barões da mídia”. Por que o coleguinha não pensou nisso? Porque isso não o faz parecer mais “esperto”, “crítico”, “atento”, blá-blá-blá, e não lhe aumenta o número de curtidas e/ou seguidores (as)

Como tratei do assunto com o gato-mestre? De maneira civilizada e gentil, mandei-o se foder.

Enfim, meu amigo foi enterrado hoje. Descansará em paz, enquanto continuarei por aqui, neste vale de lágrimas, até chegar a minha vez. Por que chegará a vez de todos, até dos gatos-mestres.

Vamos falar de financiamento ao bom jornalismo?

Me dá uma mão?

Me dá uma mãozinha?

 

Vou dar uma paradinha na análise dos dados da pesquisa da FSB sobre o consumo de mídia dos deputados federais para falar sobre um assunto que tem me incomodado nas últimas semanas: como financiar o bom jornalismo.

Não creio que haja mais dúvidas sérias de que a chamada mídia corporativa no Brasil chegou a um estado tal que só resta botar os gatos para jogar terra em cima e esquecer. Simplesmente não quer acompanhar o que se passa no país no momento em que ele caminha, decidido, para o brejo. E não quer por ter vendido seu negócio por um punhado de reais a mais do governo golpista, como fez a Folha (mas não só ela). Acabou como fonte confiável para o cidadão. Foi.

Há muita gente boa que acredita que esse fato não é problema delas – “Posso viver sem jornalismo. Não muda nada na minha vida”, pensam. No entanto, a não ser que se resida num atol do Oceano Pacífico, numa escarpa entre o Butão e o Nepal, numa brenha da Amazônia ou em algum ermo semelhante, infelizmente essa independência é impossível (ao menos, indesejável). Habitando em qualquer lugar influenciado diretamente pelo que hoje entendemos por civilização é fundamental – só para ficar em dois exemplos -, ter acesso a matérias como essa para ter uma ideia do que pode acontecer com seu emprego e o que fazer com suas economias para a aposentadoria, ou essa, para estar atento ao que pensa a geração de seus filhos.

Só que é aquela coisa – não há almoço grátis, como dizia o zura do tio Milton. E nem bom jornalismo, acrescento eu. Dessa forma, temos de meter a mão no buraco do pano se quisermos ter alguém apurando matérias que nos façam pensar, ter uma visão multifacetada da realidade e nos ajude a descobrir o sentido possível num mundo cuja normalidade é o caos. Ok, está ruim para todo mundo, estou sabendo. Mas há maneiras de ajudar ainda assim, creio. Sem pretensão de apresentar uma resposta (o que, no meu caso, marrento que sou, é algo incrivelmente raro), dou meu exemplo de como lido com a situação.

Como não sou exatamente um cara que nada em dinheiro, estabeleci um teto anual, para 2016, de R$ 120,00 para minhas contribuições para cada veículo. É pouquinho, 10 “real” por mês para cada um, por que resolvi pulverizar a contribuições (você pode concentrá-las), contando que, além das assinaturas, os veículos arranjem outras formas de se manter (campanhas de crowdfunding especiais, patrocínios, investimentos de agências internacionais e até mesmo publicidade selecionada). Acredito que as contribuições podem dar um suporte mínimo, pagar uns 50% das contas (incluindo salários razoáveis), e não resolver o problema de sustentabilidade por si sós.

Na prática? Bem, a lista dos veículos dos quais sou assinante atualmente: AzMina, #Colabora, GGN, Nexo e Outras Palavras. Participei ainda de projetos de crowdfunding (aí com contribuições bem variáveis) de: Agência Pública, DCM, Farol do Jornalismo (newsletter semanal) e Observatório da Imprensa. Como dá pra ver, não sou o Pierre Omidyar e não vou construir nenhuma First Look Media, tento fazendo um favor a mim mesmo ao procurar manter o que resta de bom jornalismo aqui no Bananão. Humildemente, sugiro que você pense a respeito de fazer o mesmo.

P.S.: Segue os links, tá?

 

Oito cascatas garantem vaga no King of Kings-2016. Estadão é virtual campeão do Troféu Boimate.

A terceira seletiva do King of the Kings-2016 visava classificar mais sete finalistas para a grande final da premiação, em janeiro de 2017. No entanto, um empate na sétima colocação forçou a classificação de mais uma concorrente. Dessa forma, já são 22 as cascatas que disputarão a edição 2016 do único prêmio dedicado a reconhecer os jornalistas que mais se destacaram no esforço de esculhambar a própria profissão no Brasil neste ano.

Em termos de “cascatas por equipe”, a redação do Estado de São Paulo dificilmente perderá o “Troféu Boimate” – mesmo faltando dois meses para o fim de 2016, o time editorial do tradicional jornal dos Mesquita conta com nove indicações, número igual à soma de todos os outros concorrentes. No entanto, é bom lembrar que a Veja, por seu histórico, é “hours concours”, não disputando o título por equipes, apenas o individual.

Conheça abaixo as oito classificadas na terceira seletiva para a finalíssima do kofK-2016, na qual foram computados 150 votos:
1. Temer confessa que não houve motivo para o golpe, mídia esconde e colunista do Estado que tenta desmentir passa vexame – 21 votos (14%)
2. Folha manipula resultado de pesquisa para favorecer Temer e é flagrada – 17 (11%)
3. Época mente ao dizer que Dilma furou fila da aposentadoria – 17 (11%)
4. Folha mostra delações contra Lula e esconde as que falam de FHC e Renan – 15 (10%)
5. Estado de São toma desmentido do Procurador da Suíça por manipulação – 15 (10%)
6. Estado de São Paulo manipula pensamento de Marc Bloch e toma descompostura da neta do historiador – 13 (9%)
7. Colunista do Globo calunia Lula durante o dia e se retrata na madrugada – 11 (7%)
Veja plagia capa da Newsweek para atacar Lula – 11 (7%)

Tem eleição para o King of the Kings também! Vamos à terceira seletiva!

Não é só na eleição para vereador e prefeito que você tem possiblidade de exercer o direito do voto. Começa hoje a terceira seletiva para a final do prêmio King of the Kings-2016, que, como você talvez saiba, desde 2008 reconhece o esforço dos coleguinhas das redações em esculhambar completamente o jornalismo do país. A finalíssima do prêmio, que já tem 14 concorrentes (veja ao lado), será em janeiro de 2016.
Desta vez, vou fazer um pedido especial. É que o Facebook, por algum motivo que não sei exatamente qual é, mas desconfio, cortou minha possiblidade de impulsionar a publicação, visando que ela chegue ao conhecimento de um número maior de pessoas. Como a plataforma, só apresenta os posts a apenas 4% dos meus amigos e seguidores gratuitamente, eis que o colégio eleitoral fica restrito. Assim, mais do que nunca, preciso que você compartilhe o King of the Kings. Desde já, muito obrigado pela ajuda.
Vamos às regras do pleito:

1. Você pode votar em até sete (7) concorrentes entre as 14 da lista.

2. Você ainda terá uma nova chance de votar nas sete não classificadas, pois voltarão em outras seletivas.

3. A votação terminará no domingo, dia 9 de outubro.

 

Agora, as concorrentes:

1. Folha mostra delações contra Lula e esconde as que falam de FHC e Renan.

2. Colunista do Globo calunia Lula durante o dia e se retrata na madrugada.

3. Valor depõe Dilma Rousseff.

4. Estado de São Paulo mente sobre investigação e é desmentido pela Procuradoria da Suíça.

5. Estado de São Paulo infla lista de apoio a Moro.

6. Estado de São Paulo não ouve defesa de Lula sobre sítio de Atibaia.

7. Veja mente sobre salário de Aderbal Freire-Filho.

8. Estado de São Paulo manipula pensamento de Marc Bloch e toma descompostura da neta do historiador.

9. Folha manipula resultado de pesquisa para favorecer Temer e é flagrada.

10. Veja é multada por divulgar pequisa eleitoral sem registro.

11. Veja plagia capa da Newsweek para atacar Lula.

12. Temer confessa que não houve motivo para o golpe, mídia esconde e colunista do Estado que tenta desmentir passa vexame.

13. Folha publica notícia antiga para expor blogs de esquerda.

14. Época mente ao dizer que Dilma furou fila da aposentadoria.

 

A economia dos passaralhos

Toda vez que há um passaralho, como o que pousou na sucursal da Folha no Rio (e a levou embora de vez), vem a questão: “o que esses caras estão fazendo? Vão acabar com o próprio negócio! ”. Também sempre me perguntei isso, inclusive desta vez, mas pode ser que, finalmente, tenha começado a encontrar uma resposta coerente nesta matéria publicada na Carta Capital sobre a tese de doutorado da economista Thereza Balliester Reis, apresentada na Universidade de Paris.

Se a gente olhar os movimentos das empresas editoras sob o prisma da financeirização da economia brasileira (desculpe, mas você vai ter que seguir o link e ler a matéria), eles têm lá sua lógica, assim como a defesa intransigente da “austeridade”. Esta deixa de fora o mercado financeiro, mas atinge em cheio gastos sociais, e não está dando certo em lugar nenhum há anos, só que, aqui, garante uma taxa de juros real enorme, muito acima da que é praticada por países de nosso tope econômico por todo o mundo.

Para entender o processo macro que está por trás da tese de Ballestier Reis precisa antes dar uma olhada na tese central de Thomas Piketty em seu famoso “O Capital no Século XXI. Nele, o economista francês (não deve ser coincidência) diz que num ambiente em que o crescimento “r” seja mais baixo que o retorno do capital “g” (r<g), o dinheiro cria dinheiro. Assim, numa economia como a nossa, na qual os juros reais ficam cerca de 10% acima da média mundial para países do mesmo naipe ao longo de décadas (como mostra a matéria do link – já leu, né?) e apresenta um crescimento mínimo, quando não negativo, o resultado apurado pela fórmula de Piketty vai parar no cocuruto do Cristo Redentor.

Então, o processo nas empresas de comunicação fica sendo mais ou menos este:

1. Elas cortam os custos, como a Folha fez com a sucursal do Rio;

2. O que sobra é passado ao mercado financeiro, onde rende horrores pela fórmula de Piketty;

3. Uma parte do lucro é investido na manutenção da aparelhagem de suporte à vida que mantém respirando o negócio supostamente principal, e outra, provavelmente bem maior, é usada em consumo e enviado para paraísos fiscais (né, Luizinho Frias? Né, Irmãos Marinho?)

Pode-se argumentar que é um esquema que não pode manter-se muito tempo, pois a qualidade do produto cai e, com esta queda, os leitores/telespectadores/ouvintes se mandam. É argumento válido, mas só até certo ponto, pois apresenta duas limitações principais:

1. Como você leu na matéria da Carta (pô, você leu, né?), há um grupo formado, em sua maior parte, por pessoas das classes dominantes do país, mas também da classe média mais afluente (ou nem tanto) que também tem o rentismo como fonte de renda muito importante, talvez principal. Suspeito seriamente que seja este pessoal o principal responsável por ter-se mantido praticamente estável a circulação de jornais e revistas nos últimos trimestres, como mostram os números do IVC que apresentei aqui nas semanas anteriores. São os fiéis que sustentam a igreja de pé para que os pastores preguem e que também pagam o dízimo para que fiquem no púlpito.

2. Como até as pedras e o Ricardo Gandour sabem, a circulação informacional mudou de tal forma com as redes sociais que a chamada “qualidade da informação” ficou em segundo plano (quando não em terceiro ou quarto). Não importa se é opinião ou fato, se é verdade ou não, o que importa é que circule muito, de várias formas, incessantemente – o golpe de estado no Bananão e Trump disputando as eleições na Corte demonstram o fato claramente. Assim, um grupo pequeno pode manter a máquina em funcionamento, não necessitando nem mesmo que seja particularmente bom na realização da tarefa que lhe compete – esta fraqueza técnica, claro, desvaloriza ainda mais seu trabalho, valor já bem reduzido pelo fato dele não ser mais tão essencial assim para manutenção do negócio.

Claro que a “financeirização” das empresas de comunicação tende a funcionar melhor com conglomerados de grande porte – tipo Globo e Folha (se somada ao UOL) – e nem tanto com empresas menores, mas mesmo estas podem jogar no cassino se conseguirem apertar os custos o suficiente para sobrar dinheiro a fim de entrar na brincadeira. É na busca de voltar a ter o antigo tamanho que a Abril, por exemplo, está negociando com a Editora Caras a retomada dos 18 títulos que vendeu há dois anos. Com eles de volta, Walter Longo, contratado pelos Civita no início do ano para salvar a empresa, espera poder entrar na ciranda e com um bom cacife, alimentado pelo tal GoBox.