Estadão conquista o Troféu Boimate de redação mais cascateira de 2016. Últimas concorrentes ao Kofk são definidas.

Após um ano e quatro seletivas, chegamos às 28 finalistas do King of the Kings-2016, com a escolha das últimas seis candidatas. A definição encerrou também a disputa pelo título de redação mais cascateira do país – a vitória coube aos coleguinhas do Estado de São Paulo, que emplacaram 9 das 28 candidatas a maior cascata do ano (32%). Um desempenho tão excepcional que mesmo que a Veja não fosse “hours concours” a redação do Estadão teria vencido.

Vejam a agora as escolhidas na última seletiva do King of the Kings-2016.

1. O Globo apresenta reforma que ataca direitos trabalhistas como boa para trabalhadores – 44 votos

2. Veja aposta em Marcela para salvar Temer – 36

3. Temer chama entrevista ao Roda-Viva de “propaganda” – 33

4. Só Estadão vê 600 mil pessoas protestando em Copacabana – 21

5. Folha publica notícia antiga para expor blogs de esquerda – 16

6. Lula é indiciado após Lava-Jato anunciar investigação no Governo FHC (Época) – 12
Na semana que vem começa a votação para a escolha da maior cascata de 2016. Prepare-se!

A quarta (e última) seletiva para o King of the Kings-2016

Fim de ano chegando, é hora da última seletiva para a finalíssima do King of the Kings-2016, marcada para janeiro. O KofK, como você talvez saiba, é a única premiação a reconhecer, desde 2008, a determinação e o esforço dos coleguinhas em sua labuta por desmoralizar irremediavelmente o jornalismo brasileiro (os premiados dos anos anteriores estão na faixa lá de cima, no “Hall da Infâmia”). Desde o ano passado, há também o Troféu Boimate, que premia a redação mais cascateira.

Como acontece há alguns anos, desde que os coleguinhas entraram num frenesi cascateiro, espero até o finzinho do ano para realizar a votação das últimas concorrentes. Este ano, como estarei viajando a partir do dia 30, terei de torcer para que nenhuma grande cascata role nos dois dias finais de 2016 para que não haja uma grande injustiça.Se acontecer tentarei atualizar, mas não posso dar certeza.

Bom, antes de passar à lista, seguem as duas regrinhas do pleito:

1. Você pode votar em até sete (6) concorrentes entre as 8 da lista. (ATUALIZAÇÃO: são 9 agora. Tive que botar a capa da Veja com a Marcela #ForaTemer)

2. A votação terminará no domingo, dia 8 de janeiro.

Passemos às concorrentes, pois.

1 .Veja é multada por divulgar pequisa eleitoral sem registro

2. Folha publica notícia antiga para expor blogs de esquerda

3. Lula é indiciado após Lava-Jato anunciar investigação no Governo FHC

4. Temer chama entrevista ao Roda-Viva de “propaganda”

5. IstoÉ insinua ameaça de petistas a delatores

6. Só Estadão vê 600 mil pessoas protestando em Copacabana

7. O Globo apresenta reforma que ataca direitos trabalhista é apresentada como boa para trabalhadores

8. Nove em cada 10 brasileiros atribuem sucesso financeiros a Deus

9. Veja aposta em Marcela para salvar Temer.

“Cross media” tucano

Agora entendi o porquê de a Folha ter requentado a cascata da Veja sobre o uso de computadores de estatais para difamar o Aécio. Foi para o candidato tucano falar do assunto no “Roda Viva” de ontem sem parecer que estava exumando um cadáver enterrado como indigente. Aliás, o “Roda Viva” vai ao ar pela TV Cultura, que pertence ao governo de São Paulo, o qual é exercido por que partido mesmo? Pois é.

O jornalismo se move, mas os coleguinhas…

Dois eventos na semana que passou demonstraram a dificuldade dos coleguinhas em relacionar fatos, mesmo quando eles são próximos pelo tempo e pelo assunto, que, inclusive, é seu ganha-pão. Os dois fatos foram a entrevista dos “ninjas” Bruno Torturra e Pablo Capilé no Roda-Vida, da TV Cultura, e a compra do Washington Post por Jeff Bezos, o criador da Amazon.

O ponto de conexão óbvio entre os dois fatos é que ambos foram protagonizados por gente do mundo digital e em rede que avançaram sobre a comunicação do mundo analógico e hierarquizado O problema parece ser a falta de uma visão mais larga por parte dos jornalistas da grande imprensa. Considere o que aconteceu no Roda-Vida. Durante todo o tempo do programa, a bancada, composta por seis jornalistas que, claramente, se consideram papas da profissão, procurou desqualificar a Mídia Ninja, pondo em questão o fato de o coletivo Fora do Eixo, sua nave-mãe, ter recebido verba de R$ 800 mil da Petrobras, obtida em edital público. Para os papas, isso fere de morte a integridade do MN. Eles, obviamente, esqueceram as verbas governamentais de publicidade recebidas pelos meios de comunicação que lhes pagam os salários.

O meu momento favorito, porém, foi quando a ombudsman da Folha, Suzana Singer, atacou o MN por ser parcial na cobertura das manifestações e atos dos movimentos sociais. Capilé mandou no ângulo ao lembrar –  sem citar nomes – do escândalo do propinoduto tucano escavado no Metrô de São Paulo, dizendo que, no código de imparcial da grande imprensa, um assalto aos cofres públicos como esse é qualificado por cartel ou por ação de quadrilha, dependendo do partido que o praticou. Aí, o apresentador Mário Sérgio Conti tomou as dores e defendeu a tal imparcialidade dos grandes veículos, talvez já pensando de onde virão os próximos salários, já que este Roda-Vida com o MN era o último que ele apresentava: fora demitido pela TV Cultura, sendo substituído na condução dos programas futuros pelo imparcialíssimo Augusto Nunes. Uma maravilha.

O que fez toda essa falta de entendimento mais significativa – e que mostrou o quanto os papas-coleguinhas estão fora da órbita do planeta Terra –, porém, aconteceu fora do estúdio. Numa daquelas ironias que me fazem amar a História de paixão, no mesmo dia em que o Roda-Viva foi ao ar, Jeff Bezos comprou a preço de banana em fim de feira (US$ 250 milhões) o Washington Post, um dos três mais importantes jornais dos EUA.

Obviamente Bezos não é ninja, mas não é esse o ponto. O essencial é que um ser proveniente completamente do mundo digital em rede adquiriu, na bacia das almas, um meio impresso ícone – o jornal que derrubou um presidente dos EUA, catzo! – e obrigou os donos do outro jornal ícone, o New York Times, a mandar um email geral para a redação admitindo estar “atordoados” com a invasão do ser digital, mas assegurando que o NYT não será vendido. Hipótese esta que tinha feito as ações do jornal subirem em Wall Street, et pour cause.

Como a maioria esmagadora dos coleguinhas brasileiros não conseguiram correlacionar os fatos, fica-se com a certeza de que eles não estão sentindo o chão mover-se rápido sob seus pés e muito menos sacar a direção que ele vai tomando. Se não ficarem espertos, serão jogados para o alto, indo fazer companhia àqueles desenhistas de iluminuras de Bíblia pré-Gutemberg.

O corte do Barbeiro

Heródoto Barbeiro e Gabriel Priolli dançaram da TV Cultura. Não dá para provar, mas, por coincidência, ambos contrariaram José Serra ao falarem (o primeiro cara a cara) do alto valor cobrado nos pedágios de São Paulo. Leia aqui e veja aqui.