Vem aí o Wikitribune

Um fato muito importante a respeito do jornalismo aconteceu semana passada aconteceu, mas com a barafunda que tomou conta do país, pouca gente prestou atenção: Jimmy Wales, fundador da Wikipedia, lançou a proposta do Wikitribune, um portal de notícias que funcionará nos moldes da plataforma que mandou para rede, em 2001, a fim de “consertar o jornalismo”, como definiu, pouco modestamente. Explica aí, Jimmy:

Não sei se a proposta de Wales foi influenciada pelo estudo “The Plataform Press: how Silicon Valley reengineered journalism” assinado por Emily Bell e Taylor Owen, do Tow Center for Digital Journalism (creio que não, pois este veio à lume há pouco mais de um mês), mas ataca alguns dos principais problemas detectados por ele, principalmente o fato de que as plataformas fizeram o possível para negar que  eram empresas de mídia, mas quando os fatos as colocaram contra a parede, ainda assim tergiversaram e arrumaram uma forma meio doida de combater as notícias falsas , sempre com o intuito de fugir de uma responsabilidade que, para Bell e Owen, está no cerne da atividade jornalística: a missão cívica, política, de informar da melhor forma possível sua audiência.

A ideia de Jimmy Wales vai resolver o problema? Tenho lá minhas dúvidas. Afinal, um portal de notícias acende paixões bem mais intensas do que um de artes ou de filosofia  por envolver a luta pela dominância da visão de mundo (hoje se chama “narrativa”, pois não?). Há muito mais possibilidade de guerras de edições  e discussões intermináveis. A existência de jornalistas profissionais, em tese, ajudaria a, pelo menos, reduzir o problema, mas ainda assim…E há outra questão: o projeto é voltado para língua inglesa, certo? E nos outros países, como funcionaria? Só à base de voluntários? Quem seriam? Os “fact checkers” da “International Fact-Checking Network”?

Apesar de todas essas dúvidas, a proposta do fundados da Wikipedia tem o mérito de trazer o distinto público para dentro da discussão, lhe dando responsabilidade direta na resolução do problema, em vez de ficar olhando, bestificado. Vou realmente torcer para que funcione e até estou disposto a ajudar, dentro de minhas parcas luzes e disponibilidade de tempo.

Seguem o texto original dos pesquisadores do Tow, em mobi (para e-readers, tipo Kindle) e pdf, e uma compilação do resumo realizado pelo pesquisador brasileiro Moreno Osório, que o enviou, em quatro partes, por meio de sua newsletter semanal, o Farol de Jornalismo.

Com saudade? Pois vamos à primeira seletiva do King of the Kings-2017!

Já estamos em abril! Rápido, né? Então, já é hora da primeira seletiva do King of the Kings de 2017! Selecionei dez matérias e sei que você vai reclamar (“mas teve muito mais”) e devo concordar. No entanto, como faço há alguns anos – desde que os coleguinhas de redação perderam de vez a noção e a vergonha e passaram a cascatear como se não houvesse amanhã -, tenho sido muito rígido na escolha das cascatas que chegam à seletiva: elas precisam ser bem escancaradas, cabeludas mesmo, para chegarem ao seu escrutínio.
Como sempre, comecemos pelas regras:

1. Você pode votar em até seis (6) concorrentes entre as dez da lista.
2. Você ainda terá uma nova chance de votar nas quatro não classificadas, pois elas voltarão na próxima seletiva.
3. A votação terminará no próximo domingo, 9 de abril.

Agora, às concorrentes:

1. Estado de São Paulo acusa erradamente juiz do Amazonas de ligação com facção criminosa e ele passa a ser ameaçado por outra.

2. Apresentadora da Record diz que índios deviam ficar sem remédios contra malária para morrerem.

3. Exame usa exemplo de Mick Jaegger para defender reforma da Previdência.

4. Delegado da PF diz que não de precisa de provas para prender Lula, apenas “timing” certo. (Veja)

5. Maluco conhecido diz ter levado mala de dinheiro para Lula e IstoÉ dá capa.

6. Site 247 recebe informação de leitor, não checa e publica que presidente do Bird criticou governo por acabar com programas sociais

7. Procuradores da PGR dão “coletiva em off” para vazar nomes da Lista da Odebrecht. (Vários)

8. PF afirma que carne é enxertada com papelão e vitamina C é cancerígena e veículos publicam sem checar (Vários).

9. Folha usa foto de manifestação de 2016 para mostrar que protesto do MBL de 2017 foi um sucesso.

10. Elio Gaspari defende que Temer deve ficar porque “ruim com ele, pior sem ele”. (Folha e Globo).

 

Vamos falar de financiamento ao bom jornalismo?

Me dá uma mão?

Me dá uma mãozinha?

 

Vou dar uma paradinha na análise dos dados da pesquisa da FSB sobre o consumo de mídia dos deputados federais para falar sobre um assunto que tem me incomodado nas últimas semanas: como financiar o bom jornalismo.

Não creio que haja mais dúvidas sérias de que a chamada mídia corporativa no Brasil chegou a um estado tal que só resta botar os gatos para jogar terra em cima e esquecer. Simplesmente não quer acompanhar o que se passa no país no momento em que ele caminha, decidido, para o brejo. E não quer por ter vendido seu negócio por um punhado de reais a mais do governo golpista, como fez a Folha (mas não só ela). Acabou como fonte confiável para o cidadão. Foi.

Há muita gente boa que acredita que esse fato não é problema delas – “Posso viver sem jornalismo. Não muda nada na minha vida”, pensam. No entanto, a não ser que se resida num atol do Oceano Pacífico, numa escarpa entre o Butão e o Nepal, numa brenha da Amazônia ou em algum ermo semelhante, infelizmente essa independência é impossível (ao menos, indesejável). Habitando em qualquer lugar influenciado diretamente pelo que hoje entendemos por civilização é fundamental – só para ficar em dois exemplos -, ter acesso a matérias como essa para ter uma ideia do que pode acontecer com seu emprego e o que fazer com suas economias para a aposentadoria, ou essa, para estar atento ao que pensa a geração de seus filhos.

Só que é aquela coisa – não há almoço grátis, como dizia o zura do tio Milton. E nem bom jornalismo, acrescento eu. Dessa forma, temos de meter a mão no buraco do pano se quisermos ter alguém apurando matérias que nos façam pensar, ter uma visão multifacetada da realidade e nos ajude a descobrir o sentido possível num mundo cuja normalidade é o caos. Ok, está ruim para todo mundo, estou sabendo. Mas há maneiras de ajudar ainda assim, creio. Sem pretensão de apresentar uma resposta (o que, no meu caso, marrento que sou, é algo incrivelmente raro), dou meu exemplo de como lido com a situação.

Como não sou exatamente um cara que nada em dinheiro, estabeleci um teto anual, para 2016, de R$ 120,00 para minhas contribuições para cada veículo. É pouquinho, 10 “real” por mês para cada um, por que resolvi pulverizar a contribuições (você pode concentrá-las), contando que, além das assinaturas, os veículos arranjem outras formas de se manter (campanhas de crowdfunding especiais, patrocínios, investimentos de agências internacionais e até mesmo publicidade selecionada). Acredito que as contribuições podem dar um suporte mínimo, pagar uns 50% das contas (incluindo salários razoáveis), e não resolver o problema de sustentabilidade por si sós.

Na prática? Bem, a lista dos veículos dos quais sou assinante atualmente: AzMina, #Colabora, GGN, Nexo e Outras Palavras. Participei ainda de projetos de crowdfunding (aí com contribuições bem variáveis) de: Agência Pública, DCM, Farol do Jornalismo (newsletter semanal) e Observatório da Imprensa. Como dá pra ver, não sou o Pierre Omidyar e não vou construir nenhuma First Look Media, tento fazendo um favor a mim mesmo ao procurar manter o que resta de bom jornalismo aqui no Bananão. Humildemente, sugiro que você pense a respeito de fazer o mesmo.

P.S.: Segue os links, tá?

 

Tem eleição para o King of the Kings também! Vamos à terceira seletiva!

Não é só na eleição para vereador e prefeito que você tem possiblidade de exercer o direito do voto. Começa hoje a terceira seletiva para a final do prêmio King of the Kings-2016, que, como você talvez saiba, desde 2008 reconhece o esforço dos coleguinhas das redações em esculhambar completamente o jornalismo do país. A finalíssima do prêmio, que já tem 14 concorrentes (veja ao lado), será em janeiro de 2016.
Desta vez, vou fazer um pedido especial. É que o Facebook, por algum motivo que não sei exatamente qual é, mas desconfio, cortou minha possiblidade de impulsionar a publicação, visando que ela chegue ao conhecimento de um número maior de pessoas. Como a plataforma, só apresenta os posts a apenas 4% dos meus amigos e seguidores gratuitamente, eis que o colégio eleitoral fica restrito. Assim, mais do que nunca, preciso que você compartilhe o King of the Kings. Desde já, muito obrigado pela ajuda.
Vamos às regras do pleito:

1. Você pode votar em até sete (7) concorrentes entre as 14 da lista.

2. Você ainda terá uma nova chance de votar nas sete não classificadas, pois voltarão em outras seletivas.

3. A votação terminará no domingo, dia 9 de outubro.

 

Agora, as concorrentes:

1. Folha mostra delações contra Lula e esconde as que falam de FHC e Renan.

2. Colunista do Globo calunia Lula durante o dia e se retrata na madrugada.

3. Valor depõe Dilma Rousseff.

4. Estado de São Paulo mente sobre investigação e é desmentido pela Procuradoria da Suíça.

5. Estado de São Paulo infla lista de apoio a Moro.

6. Estado de São Paulo não ouve defesa de Lula sobre sítio de Atibaia.

7. Veja mente sobre salário de Aderbal Freire-Filho.

8. Estado de São Paulo manipula pensamento de Marc Bloch e toma descompostura da neta do historiador.

9. Folha manipula resultado de pesquisa para favorecer Temer e é flagrada.

10. Veja é multada por divulgar pequisa eleitoral sem registro.

11. Veja plagia capa da Newsweek para atacar Lula.

12. Temer confessa que não houve motivo para o golpe, mídia esconde e colunista do Estado que tenta desmentir passa vexame.

13. Folha publica notícia antiga para expor blogs de esquerda.

14. Época mente ao dizer que Dilma furou fila da aposentadoria.

 

Ninja 1 x 0 Folha e o fim do jornalismo. Ou não.

Vou dar uma paradinha nas análises dos dados do IVC sobre a circulação de jornais e revistas (falta só a IstoÉ) para falar rapidamente de dois eventos que, a meu ver estão relacionados: o enésimo passaralho na Folha e o engajamento da página da Mídia Ninja no facebook superando o do jornal dos Frias, do Estado, do Globo e da Veja somados. Como em geral ocorre nos pós-passaralhos, houve choro, ranger de dentes e vaticínios mais ou menos apocalípticos sobre o fim do jornalismo. Discordo. O jornalismo não vai acabar. O que está indo para o espaço não é ele, mas o modelo de negócios em que as empresas jornalísticas se baseavam.

Abaixo vai uma lista de links para os textos (e imagens) que baseiam a minha afirmação (desculpe, mas você vai ter um trabalhinho também…):

“Como o Facebook engoliu o jornalismo” – É parte da palestra ministrada pela fantástica Emily Bell, diretora do Tow Centre for Digital Journalism da Columbia Graduate School of Journalism, no Centre for Research in the Arts, Social Sciences and Humanities da Universidade de Cambridge, onde é professora convidada no período 2015-2016. O texto foi escrito antes de Mark ter mudado de ideia e meio que colocado de lado o projeto de ser o canal de distribuição dos veículos, muito provavelmente por ter visto que não precisa mais deles.

“O jornalismo nunca foi um produto comercial” – E por que Mark pode acreditar que não precisa mais dos veículos? A resposta está nesta entrevista de Robert G. Picard, do Reuters Institute, da Universidade de Oxford, que, como eu, crê que o jornalismo pode sobreviver às empresas que editam jornais, desde que os jornalistas façam o seu trabalho direito (o que, no Brasil, vamos convir, não acontece há anos).

“Todos querem seus dados! O WhatsApp não me deixa mentir” – Neste link vem o aprofundamento do que Picard menciona acima – que os anunciantes podem chegar melhor ao público sem precisar pagar às editoras por isso – e fará com que o valor do trabalho do jornalista caia cada vez mais se os profissionais insistirem em viver num mundo que entrou em colapso (aliás, o veículo em que esta matéria foi publicada é um exemplo de um caminho pelo qual o jornalismo e os jornalistas podem enveredar para sobreviver).

“Quem escolhe o que você lê?” – O mundo novo, porém, traz perigos ainda maiores do que o antigo, conforme explica este vídeo, parte de uma série sobre os riscos que corre a internet (em um veículo que aponta outra vertente para o futuro do par jornalismo/jornalistas).

“Dear Mark. I am writing this to inform you that I shall not comply with your requirement to remove this picture” – Quer um exemplo do perigo mencionado no vídeo? Pois tome este, recentíssimo, da semana passada, que aconteceu na Noruega e não acabou por aí – seguiu com uma recomendação de que, para evitar este tipo de problemas, o Facebook…contratasse jornalistas! Só que Mark não acha uma boa ideia – aliás, pensa exatamente o oposto.

 

Facebook “mistura-e-manda” – I

O facebook tem um monte de problemas, mas um dos que mais me irrita é que não posso (ou não sei e aí a irritação fica com minha burrice) encadear links. Não adianta botar hashtags porque elas ficam perdidas da mesma maneira. Assim, resolvi reviver o “mistura-e-manda”, um tipo de post que escrevia em outras era da Coleguinhas, com o objetivo de pôr links que fazem parte de um (ou mais) temas, pelo menos dentro de minha caótica cachola – sempre com o que escrevi no post.

Para começar, aí vão quatro:
O abraço de tamanduá corporativo no jornalismo
O jornalismo brasileiro veiculado pelos grandes meios não se tornou este desastre de uma hora para outra, e nem devido apenas aos interesses dos seus donos em arranjar dinheiro com um governo ilegítimo que eles puseram no Planalto. O processo vem de longe e este ótimo documentário, exibido em 2009 e que levou três anos para ser produzido, demonstra as raízes do que vivemos em 2016. Vale muito ver (de novo se for o caso) e divulgar.

Aquarius só para maiores
Quem produzir cultura no Brasil nos próximos anos, precisará levar muito a sério a possibilidade de só ter a internet como plataforma para divulgar obras contra o “fascismo light” (leve, por enquanto) que vai assolando o país aos poucos. Pelo menos, aquelas que tiverem o objetivo de atingir um público mais abrangente.

“Manual do Perfeito Empreendedor” ou economia para coxinhas
Está desempregado?! Está empregado, mas o seu patrão é um mala-sem-alça-de-papelão-na-chuva?!
Seus problemas acabaram!
É só seguir o “Manual do Perfeito Empreeendedor”, veiculado pela GloboNews! O MPE não apenas permitirá conseguir o emprego dos sonhos, mas, dependendo apenas de sua ambição, talento e determinação, levá-lo-á à riqueza!
(Se você seguir o MPE e não conseguir sucesso é porque “tu é” um idiota irremediável, sua besta!)

Uma entrevista de emprego na redação

 

#aGlobodedveserdestruida

Os gastos em publicidade do governo federal (2000-2015) – I

Desde 2000 (ou seja, ainda durante o tucanato), em algum momento de abril ou maio, a Secretaria de Comunicação da Presidência da República divulga os gastos do governo federal com publicidade. Com a extinção da Secom, porém, é muito provável que este saudável hábito de transparência administrativa seja extinto junto, ressurgindo a caixa-preta do século passado.

Assim sendo, já que provavelmente assistimos o seu funeral, darei um tratamento especial, diferente do que fiz em 2014, ao levantamento deste ano, dividindo a análise dos dados em três colunas – a primeira, unindo o Total Geral e a TV; a segunda, Jornal e Revista; a terceira, Rádio, Internet, Mídia Exterior e Cinema. Esta divisão se explica, principalmente, pelo fato da enorme preponderância da participação da TV na distribuição das verbas de publicidade, com o meio abocanhando, em 13 dos 16 anos do levantamento, mais de 60% do total de verbas (tabela e gráfico 2).

Outro ponto da coluna desta semana é que, além do total geral, apresento também a divisão das verbas pelas administrações direta e indireta, como faz (ou fazia) a Secom, mas sem mais comentários, já que os meus neurônios derreteram durante o processamento dos dados antes de chegar neles (quem quiser acesso aos dados originais, eles podem ser encontrados no site da Secom, junto com muitos outros, pelo menos até hoje – aconselho a baixar tudo, como eu fiz).

As seguintes explicações estarão na primeira tabela, mas para não correr o risco de você não vê-las, vão aqui:

• Os valores correntes de investimentos em Mídia (veiculações) foram obtidos pelo processamento de cópias de pedidos de inserção (PIs) e indexados pelo índice IGPM-FGV: índice médio, ano a ano. Índice médio do ano base 2015: 586,426.

• A base de dados fornecida pelo IAP (Instituto para Acompanhamento da Publicidade), atualizada em 20/04/2016. (N. da C: Até 2011, os dados de programação eram abertos pelo IAP (exemplo), mas, infelizmente, a partir deste ano, os dados são acessados apenas pela Secom, via web. Como a secretaria foi extinta, seria interessante saber a cargo de quem ficará o acesso a estes dados);

• Os valores não incluem: publicidade legal, produção e patrocínios.

• Os valores de 2015 são correntes (nominais).

Tudo entendido? Então vamos lá, mas com calma, que dá uma certa canseira. Primeiro, o gráfico e a tabela do total geral.

20160515_tabela_grafico_publicidade_governo_direta_indireta_total geral

Agora, os destaques do total geral:

1. Maior investimento: R$ 2.616.069.081,00 (2013).

2. Menor investimento: R$ 1.148.613.046,00 (2003).

3. Diferença entre o menor e o maior investimento: R$ 1.467.456.035,00

4. Diferença entre o menor e o maior investimento em termos percentuais: 127,75%

5. Dos cinco anos com maiores investimentos, três (2013, 2012 e 2014) ocorreram nos cinco anos do período Dilma, e dois (2009 e 2010) nos oito anos do período Lula.

6. A maior redução de investimento de um ano para o outro aconteceu de 2014 para 2015 – R$ 591.470.711,00 (- 24%)

Agora, gráfico e tabela da TV:

20160515_tabela_grafico_publicidade_governo_direta_indireta_TV_total geral

Os destaques:

1. Em 13 dos 16 anos do levantamento, a parcela de TV superou os 60% dos investimentos totais em mídia.

2. A maior participação ocorreu em 2014 (66,7%) – muito provavelmente devido à Copa do Mundo; a menor, em 2000 (54,4%)

3. O maior investimento, em termos absolutos, foi realizado em 2013 (R$ 1.692.423.230,71).

4. O menor investimento, em termos absolutos, ocorreu em 2003 (R$ 700.005.221,46).

5. A diferença percentual entre o maior e menor investimento foi de 141,8%.

6. Dos cinco anos com maior participação da TV no total geral de investimentos em mídia, quatro ( 2014, 2015, 2013 e 2012) estiveram no período Dilma.

7. A maior redução de investimento de um ano para o outro aconteceu de 2014 para 2015 – R$ 408.920.027,00 (- 25%).

20160515_grafico_publicidade_governo_direta_indireta_TV_variacao investimento

8. A redução do investimento em TV de 2014 para 2015 (R$ 408.920.027,00) equivaleu a 69% do total da redução ocorrida em todas as mídias no mesmo período (R$ 591.470.711,00).

9. Como os governos, de 2003 a 2014, liberaram cerca de 45% das verbas investidas em TV para a TV Globo, pode-se calcular que a Estrela da Morte tenha perdido, de 2014 para 2015, cerca de R$ 185 milhões. Se partimos de 2013 – ano com o maior dispêndio com mídia de todo o período com o meio (R$ 1.692.423.230,71) -, a redução de receita atingiu mais de R$ 200 milhões.

10. Quadro dos investimentos por emissora disponibilizados pela Secom (dados disponíveis até 2012).

Análise

Em geral, neguinho reclamava da preponderância da TV nos planos de mídia dos governos do PT. É uma queixa justa se você parte de um ponto de vista – o de que era preciso desconstruir a hegemonia dos meios de comunicações tradicionais (aviso: eu parto desse ponto de vista). O problema é que os governos na Era PT não se coadunaram com esta proposta, mas pelos tais “critérios técnicos”, sempre defendidos pela mídia tradicional.

Pior (pelo menos do meu ponto de vista). Os governos petistas criaram um, para mim (sou paranoico, lembra?), estranho Comitê de Negociação, que, como o nome diz, negociava as verbas de publicidade com representantes de veículos. Democrático, certo? Mais ou menos. É que este comitê não era aberto ao público e nem suas atas (se é que existiam) publicadas e, assim, há grande a probabilidade de esse comitê ter se transformado num canal de lobby, institucionalizado, mas sem regulação. Tão esquisito quanto esse comitê foi a falta de interesse (talvez até mesmo de conhecimento) de associações, coletivos e veículos que sempre clamaram por mudanças na distribuição de verbas publicitárias governamentais em questionarem a existência dele ou, ao menos, seus métodos de trabalho.

Diante desse quadro, não há muito o que reclamar que a distribuição da grana da publicidade fosse, em sua maior parte, para o meio TV, que é mesmo o que atinge maior público. E, se você for olhar com cuidado, há até uma sub-representação do meio em relação às verbas. Estudos como este mostram que, somadas TV aberta e fechada, o meio tem 72% do “share” da publicidade, o mesmo que a PBM-2015 encontrou, em termos de audiência, na pesquisa referente a 2014 (deve ser outra pesquisa importante a morrer no governo do “Novo Brasil”).

Por fim, os links para as outras tabelas, segmentadas em órgãos da administração. Divirta-se você também com os números. Eles são gente boa.

Direta

20160515_tabela_total_geral_direta

Indireta

20160515_tabela_total_geral_indiretas_empresas de mercado

 

#aGlobodeveserdestruida