Os jornalistas e sua desconexão do Brasil real

Deu ruim…

Um texto de Carla Jiménez, do El País Brasil, sobre a pesquisa da CNT que apontou a descrença de 90% da população brasileira com o Judiciário levou-me a um desabafo no perfil da Coleguinhas no Facebook. Resumindo para você que tem preguiça de seguir links: pergunto em que país vive a editora-chefe da sucursal brasileira do jornal espanhol para se surpreender com a constatação da pesquisa. Após o desabafo, lembrei-me de que não deveria eu me surpreender com desconexão de Jiménez com a realidade do país em que nasceu (apesar do sobrenome, é brasileira). Há duas décadas tropeço nessa constatação – lembro até quando levei o primeiro encontrão dessa realidade.

O amigão Affonso Nunes parou o arrebentado Chevette no qual me dava carona para o JB – ambos morávamos na Ilha e trabalhávamos lado a lado no copy da editoria de Cidade – no “Rock in Rio”, como chamávamos o estacionamento dos mortais, um descampado de terra que virava um lamaçal quando chovia, lembrando o que ocorria no primeiro RiR, em 1985. Affonso parou ao lado de um Corsa GL. Como não me ligo em carros (nem dirigir sei), notei nada de anormal, mas ele arregalou os olhos. “Olha só!”, falando mais alto do que de costume. Olhei e notei algo interessante – o carro era tão novo que sua placa ainda estava no para-brisa. “É novinho”, disse. “Claro que é! Foi lançado na segunda-feira!”, disso meu amigo, estupefato. Aí prestei atenção – era uma quinta, como aquele carro estava ali? Só se tivesse saído da fábrica antes do lançamento oficial. Se fosse esse o caso, era para estar no estacionamento dos mandachuvas do jornal, o cimentado que ficava no outro lado, não no “Rock in Rio”.

Curiosíssimo, Affonso foi assuntar e trouxe a resposta em 15 minutos. O carro pertencia a uma estagiária da própria editoria de Cidade. Sim, estagiária – uma estagiária tinha um carro recém-saído da fábrica. Mas para nós o mistério estava elucidado: a jovem era filha de um famoso advogado, sócio de banca importante, com amplas possiblidades de obter o mimo para a filha amada sem grandes problemas.

Pouco depois desse episódio, ocorrido em 1996, comecei a Coleguinhas (a página faz 22 anos domingo que vem, dia 27) e nela toquei no caso duas ou três vezes, mas nunca as consequências dele me foram tão claras, levando diretamente ao texto de Carla Jiménez e a meu desabafo. Nele está a explicação do porquê os jornalistas desconectaram-se do resto do país.

Até por volta de meados dos anos 90, o comum nas grandes redações era encontrar gente como Fátima Bernardes – jovem da boa classe média do Méier, que sonhava ser bailarina e acabou estudando jornalismo na UFRJ, para onde se deslocava de ônibus, muitas vezes na companhia de uma amiga com quem partilhava também o curso e o senso de organização dos cadernos, característica que salvou mais de um(a) colega na hora das provas de Nílson Lage. Era até possível encontrar uma hoje famosa colunista do Globo, comentarista da Globonews e condecorada pela ONU, que possuía apenas um tênis e uma sandália para sair quando adolescente em Irajá. Ou este que vos escreve, filho de praça da Marinha, nascido em Recife, morador de Nilópolis, Bonsucesso, Ramos, Estácio, Agostinho do Porto, Pavuna e outros lugares para onde teve que ir por imposição de locadores que exigiam os imóveis alugados dando pouco tempo para a mudança.

Além do subúrbio do Rio (e, no meu caso, Baixada Fluminense), o pessoal do parágrafo anterior, e muitos jornalistas da nossa geração (creio mesmo que a maioria), tínhamos em comum a passagem por escolas públicas, em algum nível (no meu caso, nos três níveis, pois, tirando os três primeiros anos do antigo primário, fui formado no ensino público). E escola pública, de qualquer nível, é uma mistura enorme de classes sociais e gente de vários lugares da cidade, e mesmo do país (quando não do mundo – estudei com uma boliviana e um nigeriano na UFF). Ou seja, se as nossas casas estavam solidamente fincadas no Brasil real, nossas escolas não cortavam esse contato por estarem inseridas no mesmo universo.

Com a destruição do ensino público iniciada pelos militares (esse crime não estará tão explicitado num documento da CIA como o da ordem de Geisel para assassinar opositores à ditadura), os egressos de faculdades privadas de jornalismo começaram a, progressivamente, a tomar as vagas abertas nas redações. Obviamente, há jovens vindos de subúrbios nas faculdades privadas que, vencendo enormes dificuldades, chegam às redações dos grandes veículos, mas não há como negar que são minoria.

A maior parte dos formandos é de gente que, além de poder pagar um curso, tem possibilidade de arranjar um estágio por não precisar trabalhar para pagar o tal curso e mesmo ajudar em casa, podendo assim somar um currículo necessário para iniciar-se profissionalmente – sem contar que os pais têm maior probabilidade de ter contatos certos – o chamado “capital social” – que ajudem os rebentos no  processo. Agregue-se às dificuldades citadas o preconceito que se construiu contra quem vem dos subúrbios, “lugares de pobre”, e chegamos à situação de hoje – de maioria, aqueles que tinham contato diário e de nascença com o Brasil real passaram a ser minoria.

Este fato, na minha pra lá de discutível opinião, está na raiz da surpresa de Carla Jiménez com a avaliação que nós, do Brasil real, temos desde sempre – a Justiça não existe para os poderosos. Carla e outros como ela certamente terão outras surpresas semelhantes se um dia resolverem vir falar conosco, aqui, no Brasil de verdade.

Pesquisa Brasileira de Mídia 2016 (IV): revista, um meio com pouca penetração e credibilidade

Revistas: os bons tempos vão longe

As revistas semanais de informação costumavam provocar grande repercussão com suas matérias de capa. De uns anos para cá, devido à internet, elas foram perdendo leitores a ponto de simplesmente acabarem com as suas versões impressas, como aconteceu com a Newsweek nos EUA, que até voltou a ser impressa, mas não é nem sombra do que foi. No Brasil, esse processo foi mais intenso devido ao comportamento parcial das revistas no processo que culminou com golpe parlamentar de 2016, que fez com sua credibilidade fosse jogada num fosso, embora esse comportamento não tenha sido o único fator.

Esse processo de desgaste é flagrado nos números da Pesquisa Brasileira de Mídia-2016, como se vê abaixo: é de 0% a percentagem dos 15.050 entrevistados que têm o meio como seu principal canal de informação. Mesmo como canal secundário, as revistas não passam de 1%.

A situação de descrença mesmo daqueles que leem suas matérias pode ser vista claramente na tabela abaixo. Em termos de confiança, o meio supera apenas a internet (40% de “confia/confia quase sempre” contra 15%) , ficando bem abaixo dos outros meios tradicionais:

 

 

Como nos jornais, os leitores continuam a preferir as versões impressas às digitais, numa proporção de dois em cada três (lamentavelmente, também como nos jornais, o levantamento não indica os aparelhos de acesso, se computador ou móveis):

 

O leitor de revista impressa gosta muito de filar o exemplar de outros – quase um em cada três leem um exemplar que não comprou:

 

Em termos de leitura, a Veja continua disparado na frente, com 25% da preferência entre os que leem revista, muito à frente de suas concorrentes:

 

Análise

Basicamente, o meio revista está morto e enterrado no Brasil. A repercussão que ainda obtém vem da exposição que outros veículos de maior penetração – ou seja, todos os outros – lhe dão – deixadas à própria sorte, não fariam a cabeça de ninguém. Até porque a credibilidade do meio é muito baixa em relação aos seus concorrentes tradicionais.

É tentador atribuir este déficit de credibilidade à cobertura política parcial das revistas semanais. No entanto, há que se observar que, entre os cinco títulos mais vendidos, estão incluídos as três semanais de maior projeção. Assim, apesar de certamente a parcialidade das semanais influírem na descrença do público com o meio, há que se ver que este público pode/deve estar colocando no mesmo saco o “jornalismo de celebridades”, que, por definição, é pouco crível.

A Veja é, de longe, o veículo mais lido, mas o fato de que praticamente um terço dos leitores acessarem as revistas por meio de exemplares que não foram comprados relativizam essa fidelidade – uma em cada três consumidores folheiam exemplares que estão à mão em salas de espera de consultórios e escritórios. Este fato é também uma má notícia para as editoras, pois quem fila um exemplar não o compra.

Ainda assim, em meio a essa devastação, os Civita ainda reinam, pois, além de seu principal título ser o líder disparado no meio, o segundo e o quinto lugares pertencem à Editora Caras na qual a família possui participação pessoal, mas não se sabe em que percentual, a Editora Caras é uma empresa de capital fechado.

Numeralha: Pesquisa Brasileira de Mídia 2016 (III) – Jornal

 

Depois de uma parada, volto à numeralha da Pesquisa Brasileira de Mídia – 2016 para revolta de alguns/algumas. Mas isso é importante, juro. É a forma de ver como a informação chega ao distinto público em geral e não apenas a nossa bolhinha. Considere o caso do meio jornal. Em princípio, todo mundo leva a sério este meio, mas será ele tão fundamental assim? Pelos dados tabulados na PBM, nem tanto, se considerarmos quantitativamente.

Antes de começar, uma informação metodológica: a base de respondentes é de 4.665 pessoas, aquelas que leem jornais entre o total de 15.050 entrevistados.

Agora, vamos às tabelas e gráficos, começando por recordar a que mostra por quais meios a população chega às informações:

 

Como dá para notar, o jornal é o quarto meio em importância em termos de consumo de informação, sendo a fonte principal de apenas 3 em cada 100 pessoas, menos da metade do terceiro colocado, o rádio, proporção que se mantém mesmo quando consideramos ambos como fonte secundária (12% contra 30%).

A força do meio jornal é a confiança que inspira em seu público. Como se vê na tabela abaixo, os leitores de jornal são os que mais confiam nos veículos de sua preferência, com 59% (“confia” somada a “confia quase sempre”) contra 54% da TV e 57% do rádio.

 

 

Entre os leitores de jornal, a edição impressa é ainda amplamente dominante, com dois terços dos leitores. Infelizmente, o levantamento Secom/Ibope não desce ao detalhe de dividir os acessos digitais por aparelho, juntando dispositivos móveis (celular e tablet) com computador.

 

Em termos de local de compra dos exemplares, metade dos leitores da versão impressa o faz em bancas de jornais, cabendo às assinaturas cerca de 16%, perdendo até para os que filam as gazetas de outros para ler (20%). No entanto, este resultado, bem como em parte o da venda em banca, deve estar influenciado pelos jornais populares, que vendem muito mais e sempre em banca, e são os mais filados também.

 

Análise

Como acontece em outros mercados, o meio jornal vem perdendo leitores a cada ano. Ainda assim, em termos do que em mídias sociais se chamaria engajamento, o meio apresenta um desempenho admirável no Brasil, com 59% confiando na maior parte das vezes nas notícias que lê. Infelizmente, o levantamento Secom/Ibope não faz um recorte dessa confiança em termos de faixa etária e de renda e região do país.

Este tipo de recorte – especialmente o por faixa etária – seria fundamental para saber até que ponto o predomínio da edição impressa permanecerá, pois, em outros mercados, há até a previsão que ela deixe de existir em uma década. De qualquer forma, a redução absoluta no número de leitores já afeta as bancas, apesar de elas ainda serem os locais prediletos para a compra de jornais – elas passaram a ser pequenas lojas de conveniência que vendem diversos tipos de produtos, não apenas as gazetas (algumas, inclusive, sequer as comercializam).

Também seria bom que, nas próximas edições, viesse uma questão, pelo menos, sobre o compartilhamento de notícias por meio dos leitores do meio jornal (e dos outros meios também), como o próprio Ibope faz em seus levantamentos sobre TV. O compartilhamento não seria apenas por mei0 digital (redes sociais, por exemplo), mas também naquela na copa, no almoços de domingo, no churrasco etc.

 

Ilusão de jornalista

Escrevi este post, inicialmente, para a página da Coleguinhas no Facebook. Ela ganhou grande repercussão, então postei no Blog do Iv, no Medium. Aí pensei: “pô, o blog da Coleguinhas, o veículo mais antigo (completa 22 anos mês que vem), não pode deixar de ter esse texto também”. Então, aí vai ele, com foto e tudo:

 

Dentre as auto-ilusões dos coleguinhas, uma das que considero mais estranhas é achar que representa algo individualmente. Jamais entendi isso. Creio que 99,99% não compreende (ou finge não compreender) que, diante do Outro (qualquer Outro, seja militante político, analista financeiro, empresário, jogador de futebol, político…), representamos apenas os veículos (e os patrões) que nos pagam. Quem trabalhou em jornal pequeno e depois num grande, percebe claramente a diferença de tratamento e o que ela diz.

História para exemplificar. Em 88, o Exército (quem mais?) matou três metalúrgicos que faziam piquete na frente da CSN, em Volta Redonda. Foi o estopim de uma batalha. Num determinado momento, um carro da Rede Globo foi cercado pelos trabalhadores, que queriam virá-lo e linchar quem estava dentro. A equipe de O Dia – na época um jornal popular decente e onde eu trabalhava -, comandada por uma amiga de faculdade, conseguiu interpor o carro entre a turba e os colegas. A amiga – que, sem exagero, tem 1,50m – saltou e encarou os trabalhadores. “Nós somos trabalhadores que nem vocês!”, gritou. Os caras pararam. O líder respondeu. “Eles são não. São da Globo. Mas você é do Dia. Tira eles daqui”.

Portanto, caro colega, esqueça essa coisa de passado militante, liberdade de imprensa e tal. Você representa nada disso. Representa o seu patrão e tudo no que ele acredita. Como dizia A.J. Liebling, da New Yorker: ‘Freedom of the press is guaranteed only to those who own one.’ “

A volta das numeralhas: Pesquisa Brasileira de Mídia-2016 – I

TV vai bem, obrigado. Já os impressos…

 

 

Pode confessar, não é feio: estava com saudade das tabelas e gráficos, né? Pois sua ansiedade acabou, as numeralhas de 2018 começam nesta semana com a primeira da série de análises sobre a versão 2016 da Pesquisa Brasileira de Mídia (PBM-2016). Esse tradicional levantamento, realizado pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom), sofreu modificações metodológicas importantes, levadas a cabo pelo Ibope Inteligência, a empresa responsável por ela este ano. Assim, não é possível fazer comparações com a de 2015 na maior parte das vezes. Sempre que for possível, porém, eu farei, ok?
Falando em metodologia, aqui vão as principais variáveis da amostra da pesquisa:

1. O desenho da amostra tomou por base os dados do Censo de 2010 e a PNAD de 2014.
2. Foram ouvidas 15.050 pessoas de 16 anos ou mais das cinco regiões, com a seguinte distribuição:

 

3. A divisão percentual por gênero, faixa etária, instrução e ramo de atividade foi:

Beleza. Agora, vamos à tabela e ao gráfico relativos à pesquisa em si, iniciando pela audiência geral, comparação entre os diversos meios.

 

ANÁLISE

A tabela mostra a razão numérica para algo que já estamos meio cansados de saber – algo só acontece de verdade se a televisão mostrar que aconteceu: quase dois terços da população têm no meio sua primeira opção de informação – e 90% informa-se por ela, mesmo que apresente outro meio como principal fonte de informação.

A internet se firmou de vez como segunda opção de meio de informação, sendo o primeiro para 1 em cada 4 brasileiros, e metade deles informa-se por ele, percentual importante quando observa-se que 61% da população do país acessa a rede – assim, 80% de quem acessa a internet no Brasil informa-se por ela (na TV, esse percentual chega a 93%, já que 97% dos lares brasileiros possuem aparelhos).

Os números mostram claramente que os meios impressos caminham para ser um produto de nicho no Brasil – na melhor das hipóteses – como prevê Mark Thompson, CEO do NYT, para ao mercado norte-americano. Apenas 3 em cada 100 pessoas têm nos jornais seu principal meio de informação, passando para 12 em cada 100 aqueles que se informam por eles. A situação é ainda pior para o meio revista: ninguém, termos percentuais, informa-se primariamente por ele e apenas 1% o faz.

O sempre esquecido rádio é que tem uma boa performance. Mesmo que apenas 7% tenha no meio o caminho primário de obtenção de informações, 30% o têm como meio complementar.

O JB voltou às bancas. E agora?

Ói eu aqui traveiz!

O Jornal do Brasil voltou a circular em bancas, algo que não acontecia desde 2010. Notícia que aquece o coração de muita gente (inclusive o meu), sensação que, porém, vem com uma pergunta: “vai dar certo?”.

Bem, depende do que se chama “dar certo”. Se assim se considerar, por exemplo, fazer concorrência a O Globo, não. A começar do fato de que é impresso nas oficinas e distribuído pelos caminhões do Infoglobo, observa-se, com clareza, que o “novo” Jornal do Brasil fará ainda menos sombra à folha dos Marinho do que aquele que deixou de circular há oito anos. Outro ponto é que Omar Resende Peres – o sublicenciado da marca, pois o licenciado continua sendo Nelson Tanure -, embora se apresente como “brizolista”, possui ótimas relações com os Marinho, tendo até sido concessionário da afiliada da Globo em Juiz de Fora.

Em termos de pluralidade, há possibilidade razoável de que haja maior diversidade de opiniões do que no Globo (algo que, vamos admitir, não é muito difícil), embora dentro de um espectro ideológico que poderíamos definir como de centro liberal, bem longe de qualquer radicalidade, concebendo-se este termo como combate sem tréguas a evidentes males do Brasil, como a desigualdade de renda e oportunidades. O fato de Resende Peres ter, além daquele bom trânsito com os Marinho, relações ao que parece mais do que cordiais com Nélson Tanure também concorre para que haja dúvidas a respeito da disposição do JB de ser um jornal realmente “independente de setores da economia” como afirma o editorial da sua edição de retorno.

Uma questão que tem chamado a atenção é a decisão de Omar Resende Peres de investir na venda em bancas, desdenhando até das assinaturas. É um plano de negócios estranho, mesmo partindo da ideia de que a gráfica e a distribuição são terceirizadas por um valor pequeno – afinal, deverá aproveitar a grande capacidade ociosa do Globo, que cometeu o incrível erro de fazer um enorme parque gráfico quando já estava claro que jornal impresso é coisa do passado, com sobrevida de não mais do que 15 anos. É certo que outro custo importante – o de mão de obra – também não será muito alto pela opção de investir em um grupo pequeno de veteranos há anos fora das redações. O salário de um profissional com este perfil tende a não ser tão alto quanto de um experiente, mas no auge de sua capacidade produtiva, embora mais elevado do que de um novato. Ainda assim, apoiar-se apenas na venda em banca, especialmente no momento econômico deprimido pelo que passa o Brasil e, mais ainda o Rio, é muito arriscado.

A idade média alta do grupo de jornalistas da nova redação também prejudica a perspectiva de que o jornal avance de forma consistente em plataformas digitais, algo fundamental para que se projete no futuro. Desse lado, o que me parece mais promissor é a JB-TV, que Omar Resende Peres menciona em sua entrevista à coluna “Mercado Aberto”, da Folha, citada no parágrafo acima. Tocada por jovens, a iniciativa pode ser a base para o futuro da marca, mas, infelizmente, segundo o próprio empresário, “não tem nada a ver com o jornal impresso”.

Enfim, embora saudando o retorno do JB às bancas, não tenho lá grandes esperanças de que o jornalismo a ser praticado pelo redivivo “diário da Condessa”, embora de bom nível, sirva para mais do que matar a nostalgia de gente já entrada em anos como eu.

Primeira página manipuladora de O Globo sobre as Malas do Geddel é escolhida a maior cascata de 2017

A grande vencedora

 

Por apenas 10 votos, de  total de 1.219, o Globo conquistou o Prêmio King of the Kings-2017, maior reconhecimento no Brasil (o único, a bem da verdade) para os veículos e jornalistas que mais colaboraram com o avacalhamento do jornalismo no país. Este foi o décimo ano seguido que o prêmio concedido. A cascata vencedora foi a primeira página de 6 de setembro do ano passado, que você pode ver acima. Como não consegui apurar a primeira no dia 5 (se alguém souber, é só mandar o nome pelo e-mail aí do lado ou por qualquer meio – sigilo garantido), provisoriamente o título vai para toda cúpula do jornal.

A segunda colocação ficou com a fantástica Taís Herédia pela sua saudação ao desemprego que reduzia a inflação e aumentava o poder de compra dos brasileiros, inclusive os desempregados. Meses depois, Taís passou a ter como comprovar sua inovadora tese econômica na prática, pois foi demitida.

Estas foram as 10 maiores cascatas de 2017 – agradeço muito seu voto e colaboração para o sucesso do pleito e informo que já coleto cascatas para o King of the Kings-2018. Se tiver alguma colaboração, pode enviar que a avaliarei com o máximo prazer.

 

1. O Globo dá foto sobre Malas do Geddel, mas com manchete sobre Lula e Dilma. (100 votos/8%) – Não identificado.

2. Jornalista da GloboNews festeja recessão e desemprego por devolver poder de compra aos brasileiros (90/7%) – Taís Herédia

3. Folha usa foto de manifestação de 2016 para mostrar que protesto do MBL de 2017 foi um sucesso. (80/7%) – Não identificado.

4. Estudante tem a cabeça quebrada por cassetete empunhado por policial e e Folha diz que foi por “homem trajado de PM” (76/6%) – Não identificado.

5. Jornal Nacional torna glamourosa a necessidade de pobres terem de usar lenha para cozinhar (TV Globo) (76/6%) – Mônica Teixeira

6. Mídia esconde depoimento de advogado que expõe tráfico de influência na Lava-Jato (Todos). (76/7%)

7. Maluco conhecido diz ter levado mala de dinheiro para Lula e IstoÉ dá capa (73/6%) – Sérgio Pardellas e Germano Oliveira

8. Delegado da PF diz que não de precisa de provas para prender Lula, apenas “timing” certo (Veja) (72/6%) – Ullisses Campbell

9. Miriam Leitão afirma ter sido agredida por petistas durante voo, mas ninguém vê (O Globo) (70/6%)

10. IstoÉ afirma que PT tem célula dentro da PGR e domina Lava-Jato. (65/5%) – Mário Simas Filho.