Pesquisa Brasileira de Mídia 2016 (V): rádio, meio abrangente, com credibilidade e em mutação

 

“O brasileiro não vive sem rádio” era antigo bordão que se ouvia na Rádio Globo, no início das transmissões esportivas e encerrava uma verdade da época (há uns 30 anos): o meio era fundamental para a informação e o lazer daqueles dentre nós que não tinham acesso total à TV. Essa realidade mudou muito – com a aumento exponencial da venda de TVs (hoje almoçar ou jantar num restaurante comum sem ter pelo menos um aparelho sobre nossas cabeças é quase impossível) e a chegada da internet (principalmente após a explosão dos dispositivos móveis), o rádio ficou para trás. Ainda assim, como se vê na nossa já familiar tabela abaixo, o meio ainda é relevante no acesso à informação por parte dos brasileiros (aqui aquele ponto também já tradicional – a amostra é de 9.880 entre as 15.050 ouvidas pela PBM-2016):

 

 

Essa relevância fica ainda mais evidente quando se observa que, em termos de credibilidade (“confia” e “confia quase sempre”), o rádio supera em quase quatro vezes a internet (57% a 15%) e até mesmo a TV – mas dentro da margem de erro – por 57% a 54%:

 

A tabela abaixo traz uma novidade extremamente interessante. Algo surpreendentemente, os celulares já superam os tradicionais aparelhos embarcados nos carros como aqueles em que se mais ouve rádio. Não dá para saber não só porque a pergunta não foi feita, mas também por falta de comparação histórica, mas é bem possível que os celulares tenham vindo substituir o venerável radinho de pilha, que não é visto mais nem nos ouvidos dos torcedores, onde eram onipresentes a ponto de as vinhetas das emissoras ecoarem pelos estádios.

 

Como seria de se esperar, ouve-se mais rádio nos dias de semana, mas observe-se que a vantagem dos que ouvem com mais frequência nos fins de semana sobre aqueles que são fiéis ao meio e o ouvem igualmente todos os dias, está dentro da margem de erro, mostrando a fidelidade de seu público.

Se houve mudanças em algumas características do meio, uma delas permanece: a extrema pulverização da audiência, como mostra a tabela, que reúne as cinco mais ouvidas, segundo a PBM-2016:

 

ANÁLISE

1. Comete erro aqueles que não anunciam em rádio. O veículo ainda é muito relevante para os brasileiros e apresenta alto grau de credibilidade.

2. As rádios FMs dominam completamente o mercado, como demonstram as cinco primeiras colocadas no ranking das mais ouvidas.

3. A tendência é que o acesso por celulares aumente no futuro, já que o acesso à internet por meio de dispositivos móveis tem crescido exponencialmente e ainda apresenta espaço para aumentar.

4. A aceleração do uso de celulares para acessar programas de rádio é previsível também pela crescente audiência dos podcasts no país. Embora o ritmo desse crescimento seja mais lento do que em outros mercados – EUA, por exemplo –, é perceptível e tende a aumentar.

5. Caso os ouvintes jovens continuem a fazer aumentar a audiência dos podcasts – e o mercado publicitário se volte para eles -, as rádios tradicionais, que já sofrem com a dispersão característica do meio, sofrerão um golpe duríssimo e, em alguns casos, fatais.