Empreiteiras e veículos de comunicação, uma longa relação

Hoje vai ser rápido aqui, mas muito mais longo fora. Não sei se mencionei aqui – no facebook tenho certeza de que sim -, estou lendo “Estranhas catedrais: as empreiteiras brasileiras e a ditadura civil-militar, 1964-1988”, tese de doutorado na UFF de Pedro Henrique Pedreira Campos, professor do Departamento de História e Relações Internacionais da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, editada pela EdUFF.

A pesquisa trata dos primórdios da relação entre as empreiteiras que hoje estrelam a Lava-Jato e o Estado brasileiro no tempo da ditadura civil-militar de 1964 (aquele tempo em que não havia corrupção no país, segundo alguns). Não vou enganá-lo/a – é leitura difícil mesmo, até por ter havido pouco esforço por parte dos editores para apagar as origens acadêmicas da obra. Estou há dois ou três meses capinando sentado em cima dela e só cheguei a cerca de 60% das 444 páginas (é certo, porém, que fiz leituras paralelas que lhe paralisaram o avanço por uns tempos). No entanto, se você quiser não falar muita besteira sobre a relação de odebrechts, queiroz galvões, andrades gutierrez et caterva com as sucessivas administrações do Brasil, a obra é incontornável.

Para os jornalistas, o capítulo 3 é o mais interessante por enfocar as relações entre a imprensa e as empreiteiras. Nesta parte é que encontramos apanhado sobre como os empreiteiros corrompiam – não há outra palavra – os grandes veículos de comunicação. É este subcapítulo que copiei do livro e disponibilizo em pdf aqui. São umas sete páginas que valem a pena ler.

As fragilidades do Grupo Globo

Não tive acesso completo às demonstrações financeiras do Grupo Globo (Globopar) de 2015, pois, diferente de outros grupos econômicos (como a Abril, por exemplo), não as publicam em português e não permite acesso público, já que não é uma companhia aberta. No entanto, o que escapou por meio de matéria de Samuel Possebon, da newsletter Tela Viva, já demonstra a fragilidade financeira da holding dos Marinho.

Pelo balanço, houve piora nas receitas ( menos 2% em valores nominais no resultado consolidado, ou seja, sem contar a inflação) e no desempenho operacional (menos 16%). Assim, “grosso modo”, entrou menos 2% dinheiro e gastou-se mais 16%. No entanto, o lucro cresceu 30%. A “mágica” foi obtida pela elevação dos ganhos financeiros, especialmente com variação cambial e operações de “hedge”. O que isso quer dizer? Que a disparada do dólar, provocada pela crise política, salvou os Marinho de tomar prejuízo em 2015. Ou seja, eles se beneficiaram financeiramente da instabilidade política instigada pelos veículos do Grupo Globo. Outro componente importante foi a redução no pagamento de impostos, obtida por elisão fiscal (é diferente de evasão, mas não muito): menos 38,7%.

Como paliativo, funcionou ano passado. Este ano, porém, para que os resultados se repitam seria necessário que o dólar continuasse a subir. Esta possibilidade, porém, é remota. Afinal, a crise política precisará ser resolvida e a moeda norte-americana, no mínimo, perderá força em sua subida, podendo mesmo cair. Assim, a recuperação terá que acontecer pelo lado do aumento da receita e/ou da redução da despesa (dando de barato que os advogados e financistas mágicos, comandados, respectivamente por Antônio Cláudio Netto e Sérgio Marques, não conseguirão arranjar outras maneira de escapar dos impostos).

A maior parte da receita do grupo de empresas do grupo, obviamente, vem da publicidade. A Rede Globo, a vaca leiteira, tem uma tremenda vantagem para obter anúncios – é o chamado Bônus por Volume (BV), algo que só existe no Bananão e foi inventado por ela nos anos 60, durante a ditadura militar.

Basicamente, o BV é uma propina legalizada paga às agências de publicidade para direcionarem as verbas que arrancam dos clientes para ela – se, por exemplo, a agência A tem contas no valor total de R$ 100 milhões dos cliente X, Y e Z, a Globo garante a ela receberá um percentual P, que é progressivo dependendo do investimento bruto, se convencer os clientes a anunciarem nela. Para dar argumentos à agência para que esta convença o cliente, a Globo conta com os números de audiência do Ibope, parceiro de décadas. Esses números, porém, começaram a ser postos em dúvida quando a alemã GfK chegou ao Brasil e já há anunciantes bem desconfiados de que estão sendo passados para trás há anos.

Neste quadro, fica fácil entender o quanto a publicidade do governo federal, que sempre foi muito importante, tornou-se caso de sobrevivência para o GG. Uma importância que cresce na medida em que a publicidade, em todos os mercados do mundo, incluindo o do Bananão, está se mudando celeremente para a internet onde a regra do BV não é o investimento bruto, mas o crescimento percentual do total do volume investido pela agência no veículo, em comparação com o ano anterior.

O atual governo não eliminou, mas reduziu drasticamente os valores investidos nos veículos do Grupo Globo, incluindo a TV. Esta é a raiz da campanha do Grupo Globo contra o atual governo, não qualquer preocupação com a corrupção (mesmo porque o próprio Grupo Globo é corrupto). Os Marinho esperam que o governo que suceder atual após o golpe volte a anunciar nos seus veículos, a fim de recuperar a saúde financeira.

No entanto, essa imensa fragilidade econômica levou a uma fragilidade política. Dependente vitalmente do governo golpista, o GG deixa este com a capacidade de também mantê-la em rédea curta. Ora, boa parte deste eventual governo já está comprometida com a corrupção que o GG diz combater (Aécio Neves, Michel Temer e outros). Como o GG dá entender aos que apoiam o golpe que a corrupção acabará no Brasil após a queda do governo do PT e não vai poder entregar o “produto”, será abandonada por boa parte dos ingênuos que nela ainda acreditam – assim, obviamente, em poucos anos, terá sua importância política reduzida a níveis muito menores do que atual, pois contará apenas com os mais fanáticos antiesquerdistas do espectro político, que não são confiáveis, como descobriu o chefe dos Revoltados On Line da pior maneira. Esta perda de importância já pode ser sentida pelos veículos mais frágeis do GG, como o jornal e a revista Época.

Assim, a queda de força política deverá, nos próximos anos, reduzir a margem de manobra dos Marinho pra continuar chantageando os governos. Na verdade, é possível que essa situação se inverta, ainda mais que, também nos próximos anos, a companhia precisará realizar investimentos pesados na digitalização de equipamentos – e em sua constante atualização – e na passagem para o mundo da internet, e a única fonte de dinheiro barato são os bancos estatais, especialmente o BNDES, que já auxiliou os Marinho em outros momentos difíceis.

Tiro longo

A defenestração de Eurípedes Alcântara da chefia de redação da Veja, compreensivelmente, chamou a atenção dos coleguinhas na semana que passou. No entanto, a mudança fundamental ocorreu no escalão mais alto do Grupo Abril, com a saída de Giancarlo Civita da presidência da empresa e a contratação do publicitário Walter Longo para o cargo.

Longo é respeitado na área de publicidade, onde se destaca como palestrante. Do público de fora da confraria, ficou um tanto mais conhecido após ser o braço-direito de Roberto Justus no reality “O Aprendiz”, onde suas frases de efeito faziam sucesso entre aspirantes coxinhas a grandes executivos. Não será a primeira vez que Longo trabalhará na Abril – nos anos 90, foi chamado para salvar a TVA (para quem não se lembra ou nem era nascido, a aventura da Abril na área de televisão paga) do naufrágio. Não conseguiu, talvez por ter se dedicado mais à prestidigitação com números a fim de elevar a confiança do mercado publicitário do que em realmente produzir algo.

Dessa vez, a missão de Longo é ainda mais ingrata. Ele tem em mãos um grupo cujo produto principal foi apanhado bem no meio da revolução digital sem muito tempo para se defender – e nem, demonstrou-se ao longo dos anos, capacidade para tal. A situação da Abril é muito ruim, para dizer o mínimo. Revista, como conhecemos hoje, é um produto mantido por aparelhos, virtualmente (com trocadilho) morto num tempo em que o fluxo de informações não se mede mais por dias, mas por horas e até mesmo minutos.

Assim, a missão do publicitário é tocar, em ritmo de marcha forçada, a migração das revistas que sobraram da Editora Abril para o digital. Mas não é só isso (o que já seria complicado, pois a rota para o digital é cheia de abrolhos e redemoinhos ainda não foram mapeados). O meio Revista (assim como o jornal) apresenta todo um caríssimo esquema de apoio nas áreas de impressão e distribuição. São imensos parques gráficos e um sistema de logística especializado em fazer os exemplares chegarem a tempo e a hora nas mãos dos assinantes. O que fazer com todo esse esquema agora que não é necessário mais imprimir nada e a distribuição é feita diretamente no aparelho móvel nas mãos do leitor? Vender? Para quem, se é o meio todo que está indo pelo ralo?

Ruim, né? Mas tem mais.

Walter Longo terá que cumprir sua missão sem dinheiro e sob dois fogos. De um lado, o governo federal, que impôs cerco publicitário depois daquela capa inacreditável da edição da Veja no fim de semana da eleição de 2014. O governo só mudará a estratégia se for completamente tapado. Até por sua deficiência em leituras teóricas, Nove-Dedos achou que os “barões da mídia” eram apenas inimigos políticos com os quais se podia negociar. Não são. Marinhos, Frias, Mesquitas, Sirotskys etc são inimigos de classe, eles realmente têm desprezo por quem está abaixo deles na escala social – o que inclui a parte da classe média que tanto os veem como exemplo -, o qual se transforma em ódio quando membros das “classes perigosas” exigem seus direitos como seres humanos. O atual governo, composto por gente que, pelo menos supostamente, leu ao menos os livros fundamentais, não terá desculpa se cometer o mesmo erro de N-D.

Só que o cerco publicitário nem é o maior problema de Longo. Pior é o “fogo amigo” que poderá vir da pesadíssima artilharia do Naspers.

O Naspers é um grupo sul-africano de mídia, a maior companhia da África (toda, de qualquer setor) e a sétima maior do mundo em internet, que ajudou a criar e, por décadas, apoiou (e cresceu sob) o regime do “apartheid”. Em 2006, o grupo comprou, por R$ 868 milhões (pouco mais de R$ 1,5 bilhão, corrigido pelo IPCA até janeiro deste ano) 30% do capital do Grupo Abril. Por anos, fiéis a sua história, os sul-africanos fingiram que não viram a política dos Civita de atacar os governos que promovem a inclusão social no país.

Só que tem uma coisa que o Naspers detesta mais do que não-brancos – é perder dinheiro. Até 2010, quando as empresas brasileiras foram obrigadas a adotar a International Financial Reporting Standards (IFRS), as normas de contabilidade internacionais, os Civita ainda conseguiram dar uma enrolada nos sul-africanos. No entanto, depois que as normas permitiram a comparação de resultados, viu-se a situação desastrosa e que a Abril se encontrava, o que foi devidamente registrado em 2014 pelos auditores independentes.

O susto dos sul-africanos foi grande e a pressão começou. No fim do ano passado, como previsto no relatório da auditoria, os Civita tiveram que se coçar e bancar 70% das dívidas, o que deu R$ 450 milhões. Ainda assim, sobrou para o Naspers, que, óbvio, não gostou nada e manteve a pressão sobre a família, que, por fim, teve que largar o osso. No caso, nas mãos de Longo, que, agora, terá que apresentar resultados reais. E bem rápido.

Chegou a hora! Escolha a maior cascata de 2015!

Após um ano inteiro e oito seletivas, das quais participaram 38 concorrentes de altíssimo (ou baixíssimo) nível, finalmente você terá a oportunidade de escolher a maior cascata de 2015. Ela conquistará o King of the Kings, único prêmio a reconhecer os coleguinhas que, arduamente, dia a dia, se esfalfam para esculhambar o jornalismo brasileiro.
Como sempre, antes da lista das finalistas, vamos às regras, que são bem simples:

1. Você poderá escolher até 15 (quinze) concorrentes.
2. A votação terminará domingo que vem, dia 17.

Antes da apresentação oficial, uma dica da organização: normalmente, as cascatas mais recentes levam certa vantagem por estarem mais fresquinhas na cabeça. Para equilibrar um pouco, tente lembrar do impacto (ou não) que a cascata teve quando você a leu e como ela repercutiu à época.

Então (rufar de tambores!), aqui estão as finalistas do King of the Kings-2015!

  1. Corrupção desviou R$ 88 bilhões da Petrobras (Folha)
  2. Lula está com metástase (UOL)
  3. Petrobras cria empresa de fachada para construir gasoduto (O Globo)
  4. Reuters pede aprovação de FHC para publicar que a corrupção na Petrobras começou no governo dele
  5. Repórter assedia adolescente sobrinho de Lula (Veja)
  6. Manchete do Globo de 16 de março (O Globo)
  7. Coleguinhas “esquecem” de ouvir advogada da Odebrecht que encontrou ministro (Todos)
  8. Tinta vermelha de ciclovia mancha carros em São Paulo (TV Globo)
  9. Lula forçou Petrobras a patrocinar escolas de samba do Rio (Valor)
  10. Sonegação da Operação Zelotes é maior que a corrupção na Petrobras, mas mídia não está nem aí (Todos)
  11. CBN tenta culpar Haddad por denúncia sobre irmão de secretário de Alckmin
  12. Irmãos Marinho tentam mostrar que Globo não ajudou a Ditadura de 64 (Valor)
  13. Lula confessa a Mujica que sabia do Mensalão( O Globo)
  14. Ciência sem Fronteiras não paga bolsa de estudantes (TV Globo)
  15. MP investiga Lula por fazer lobby no BNDES  (Época)
  16. Carlos Alberto Sardemberg culpa Lula e Dilma pela crise da Grécia (CBN)
  17. Lula pede “habeas corpus“ para não ser preso na Operação Lava-Jato (Folha)
  18. Venezuela veta entrada de senadores brasileiros (O Globo)
  19. Romário tem conta escondida em banco suíço (Veja) 
  20. Época diz que problemas políticos de Dilma se devem à falta de sexo
  21. Lula tem tríplex no Guarujá dado por empreiteira da Lava-Jato (O Globo)
  22. Escondendo Cunha (Folha)
  23. Barriga de Lauro Jardim provoca admissão de erro do Globo na primeira página
  24. Merval prevê “caminho livre para golpe” e STF, SQN  (O Globo)
  25. Bill Gates processa a Petrobras (Vários)

Solução decrépita

Imagine a cena: o senhor feudal acaba de ouvir do mensageiro, cansado e esfaimado, que chegara das fronteiras de suas terras: aquele canalha do Duque de Zucker armara uma puta cavalaria, cercada por um zilhão de infantes, todos comandados pelo condottieri Larry de Bryn, e vinha com tudo para lhe tomar até a última ovelha, cortando-lhe a cabeça no processo.

Ele não tinha o senso tático de Pierre Terrail, senhor de Bayard, mas, que diabos, até ele sabia o que fazer numa situação como essa. Imediatamente, ordenou que seus camponeses recuassem para dentro da primeira muralha, enquanto os cavaleiros tocavam fogo nas plantações de trigo – depois, plantaria tudo de novo, mas precisaria dos camponeses para fazê-lo, por mais que achasse aqueles seres sujos e desbocados a escória que o Senhor pôs na terra.

Pois Frederic Kachar fez exatamente o contrário – botou os camponeses bem na frente da cavalaria e se fechou, com seus cavaleiros, dentro do castelo, sem ter como sair. Pior. Deixou o trigo publicitário intacto, pronto para ser colhido por Zucker, por De Bryn, pela Condessa de Huffington, pelo Senhor de Vice e quem mais queira.

(Más) comparações históricas à parte, o megapassaralho perpetrado no Globo é de uma burrice siderúrgica, como dizia o João Sem Medo. Não só não resolve o problema básico – a esclerose do modelo de negócios – como ainda impede que, lá na frente, na hipótese de o jornal escapar do cerco das máquinas de fazer dinheiro que são as mídias sociais, graças à mãozinha de um governo tucano, ele possa contar com uma equipe preparada para retomar as atividades com um mínimo de qualidade.

Do jeito que ficou, creio que nem o Facebook se anima muito com a parceria “instant articles”. O que O Globo agregaria ao FB? O jornal daria condições a um jornalista de fazer uma matéria como esta?  Nem quem sobrou lá acredita nisso. Daí terem cunhado a expressão ‘ficaralho” – quem ficou, tende a sofrer com a maior carga de trabalho, maior estresse, mais erros, ou seja, trabalho de pior qualidade, que não agrega valor a ninguém.

Como um médico da Idade Média, ao mandar embora boa parte da redação do Infoglobo (e de toda a empresa), Kachar aplicou sangria num doente atacado pela Peste Negra – e deixou o paciente em estado ainda pior.

Cascata da Reuters com FHC vence segunda seletiva para o KofK-2015

Com quase o dobro do número de eleitores participantes em relação à primeira, chegou ao fim a segunda seletiva para o King of the King-2015. Com 26% dos 103 votos atribuídos, a vencedora foi uma barbada: o oferecimento da Reuters a FHC para deixar de fora de uma matéria a menção de que a corrupção na Petrobras começou no governo dele e não no do PT, como os tucanos (e os veículos de comunicação) fingem que aconteceu. A segunda colocada ficou com um caso de polícia, o assédio de um “repórter” da Veja a um sobrinho adolescente de Lula. Veja abaixo as seis cascatas que garantiram sua presença na final do KofK-2015 marcada para janeiro de 2016.
1. Reuters pede aprovação de FHC para publicar que a corrupção na Petrobras começou no governo dele. (27 votos – 26%)

2. Repórter assedia adolescente sobrinho de Lula (Veja) (20, 19%)

3. Manchete do Globo de 16 de março (14, 14%)

4. Coleguinhas “esquecem” de ouvir advogada da Odebrecht que encontrou ministro (Todos): (11, 11%)

5. Tinta vermelha de ciclovia mancha carros em São Paulo (TV Globo): (11, 11%) http://vadebike.org/2015/03/tinta-ciclovia-av-paulista-manchou-asfalto/

6. Lula forçou Petrobras a patrocinar escolas de samba do Rio (Valor) (8, 8%)

Das quatro candidatas que não se classificaram, três – “Artistas têm nomes na lista do HSBC” (O Globo e UOL), “Lula desmente manchete do Estado de São Paulo” (Estadão) e “Mãe de Taylor Swift proíbe filha de fazer show no Brasil” ( O Globo) – voltam na próxima seletiva, para a repescagem. Já “Sabesp já tem plano para aplicar racionar água em São Paulo” (Folha) está eliminada por não ter se classificado pela segunda vez. A repescagem foi instituída este ano devido ao grande número – e a qualidade (ou falta de ) – de cascatas dos coleguinhas, o que prejudicava boas cascatas perpetradas no início do ano em detrimento das que eram veiculadas mais para o fim. Um exemplo de que essa foi uma boa ideia é que a sexta colocada da segunda seletiva – “Lula forçou Petrobras a patrocinar escolas de samba do Rio” (Valor) – não se classificou na primeira.

O King of the Kings é o único prêmio do país a reconhecer o esforço dos coleguinhas em prol da avacalhação do jornalismo brasileiro e começou a ser atribuído, de forma mais organizada, em 2008, A lista das cascatas vencedoras está na aba “Hall da infâmia do King of the Kings” lá em cima.

Passando a limpo. De uma vez por todas.

A esquerda está dando mole. Ela deveria aproveitar que os militares e o resto da direita fica querendo igualar os dois lados para propor a eles a revogação da Lei da Anistia, de modo a todos poderem responder pelos seus crimes. Assim, poderíamos responder as seguintes perguntas, em processos penais:

1. Quem são as vítimas da esquerda armada e das forças de repressão?

2 Como e em que circunstâncias elas morreram e/ou foram torturadas?

3. Quais são os acusados pelas suas mortes e/ou suas torturas?

4. Onde estão esses supostos assassinos ou torturadores?

  • Estão vivos?
  • Em caso positivo, onde estão?
  • Foram presos e cumpriram pena na época?
  •  Em caso de não terem cumprido pena, os crimes já prescreveram ou não.
  • Caso os supostos assassinos estarem mortos, em que circunstâncias ocorreram suas mortes? Seus corpos se encontram onde?

5. Se os crimes foram outros, quais foram? Quando foram cometidos? Estão prescritos? Seus autores cumpriram pena em algum momento?
Duvi-de-o-dó que os milicos e o resto da direita aceitem a revogação da Leia da Anistia. Os motivos:

1. Os supostos crimes de assassinato e assalto já estariam prescritos há muito tempo – e muito por culpa dos próprios militares, que esconderam ou destruíram os arquivos sobre eles. Já a tortura (seguida ou não de morte) é crime contra a Humanidade e, como tal, imprescritível. Ou seja, os tais “terroristas” não seriam julgados, mas os seus torturadores sim.

2. Aqui o principal. Mesmo que algum “terrorista” fosse julgado, ele/ela o seria como indivíduo, alguém, um CPF, que matou ou roubou, não como parte de nada oficial (grupo guerrilheiro não tinha existência jurídica, né?). Já Brilhante Ustra e outros milicos seriam julgados não só como indivíduos, mas como parte do Estado, já que estavam em funções oficiais ao cometerem suas atrocidades. Ou seja, o Estado brasileiro, por meio de seus agentes das Forças Armadas, estaria sendo julgado por crimes contra a Humanidade. Seria um Tribunal de Nuremberg tupiniquim.

Alguém acha mesmo que os milicos aceitariam encarar essa?