Com vocês, o Prêmio Marcos de Castro de melhor reportagem na internet

Como quase todo brasileiro, sou muito de reclamar, mas pouco de apresentar soluções ou apontar exemplos positivos. Tentando mudar um pouco esse hábito, estou instituindo o Prêmio Marcos de Castro de melhor reportagem, com o objetivo de ser um contraponto ao tradicional King of the Kings, que há anos reconhece aqueles coleguinhas que se esforçam para avacalhar o jornalismo brasileiro por meio das cascatas mais descabeladas. O Marcos de Castro – homenagem a um dos jornalistas mais íntegros que conheci e meu mestre na arte, hoje quase perdida, de copidescar matérias jornalísticas-, porém, tem algumas regras diferentes do KofK. Vamos a elas:

1. Só concorrem matérias publicadas na internet, podendo ser em texto, vídeo ou outro tipo de narrativa. Veículos impressos, porém, estão fora. O motivo é tentar igualar os concorrentes, pois um veículo impresso denota maior capacidade econômica.

2. Pelo mesmo motivo, só entram na disputa veículos brasileiros que não tenham ligação com grupos jornalísticos, econômicos ou políticos daqui ou de fora. Poderão ter acordos de parceria para publicação de conteúdo, mas não remuneração direta. As matérias também não poderão fazer parte de projeto que tenha recebido apoio de instituições de quaisquer dos tipos citados.

3. Não há problema se os editores dos sites enviarem sugestões de matérias a serem incluídas para disputar o prêmio, dada a sua natureza positiva. Elas serão julgadas pelos leitores como as outras que vierem de outras fontes.

Espero que vocês colaborem com o Prêmio Marcos de Castro tanto quanto ajudam no King of the Kings (e, por meio deste, com Troféu Boimate, que premia a redação mais cascateira). Por fim, aviso que já estou recebendo inscrições.

O presidente Trump, o jornalismo e nós

Vou continuar devendo o restante da análise dos dados da pesquisa da FSB sobre o consumo de mídia dos deputados federais. Não resisto a dar meu pitaco sobre o cataclismo que foi a eleição de Donald Trump para o cargo de homem mais poderoso do mundo, fato amplamente considerado como o fim do mundo conforme o conhecemos. No caso, meu palpite se junta a um dos subtemas mais amplamente debatidos nestes dias – como a mídia fracassou ridiculamente ao prever a vitória de Hillary Clinton, num novo caso “Dewey derrota Truman”.

 

De novo...

De novo…

Sobrou pra todo mundo e pra todo lado. Margaret Sullivan, ex-“editora pública” (algo com mais peso do que um simples ombudsman) do NYT e hoje colunista do Washington Post, afirmou que os coleguinhas norte-americanos botaram na cabeça que o sujeito não podia ganhar e simplesmente decidiram olhar para o outro lado quando viam uma multidão ululante de seguidores de Trump na sua frente. Segundo ela, os bem-educados, urbanos e liberais (lá isso quer dizer de centro-esquerda), moradores de Nova York, Washington D.C. ou da Costa Leste, não quiseram ouvir o que lhes gritavam os habitantes pobres – e, na maioria, brancos – dos estados do Cinturão de Ferrugem (Rust Belt), aquele grupo de estados que acabou dando a vitória ao bilionário, apesar de ele ter tido menos votos do que a concorrente (vá entender por que eles mantêm um sistema eleitoral do Século XVIII…)

Jim Rutemberg, o analista de mídia (é, tem isso lá) do concorrente New York Times, vai pelo mesmo caminho e chega mais longe ao escrever que “se a mídia falhou em apresentar um cenário político baseado na realidade, então ela falhou na sua missão fundamental”. E aí Rutemberg toca no ponto em que eu queria tratar aqui (supernariz de cera, hein?) ao dizer que “política não são apenas números”. Esse é o problema básico. Nada que envolva seres humanos é.

Para entender meu ponto é realmente necessário que você siga este link, que leva a uma matéria do Nexo, uma jovem publicação da qual gosto tanto que sou assinante. Eu espero você ir lá, rolar a tela, dar uma boa olhada e voltar. Vai que é realmente importante.

“Mas que porra é essa?!”, foi o que perguntei ao meu zíper quando vi essa página pela primeira vez. Pois é. Eu, um cara que gosta de dados, fiquei chocado com uma série de oito chiquérrimos gráficos dos mais diversos tipos completamente desacompanhados de quaisquer tabelas ou explicações, a não ser as legendas que os apresentam. Se você não for um analista de dados do IBGE duvido muito que consiga ler este monte de gráficos e decodificá-los em algo inteligível em tempo menor do que os 10 minutos que levei para entender o que estava ali e notar que: a) se você ler os gráficos na ordem da tela, tem uma grande chance de chegar à conclusão oposta ao que eles realmente mostram – que a PEC do Teto atinge o lugar errado se a ideia é mesmo acabar com o déficit público; e b ) que ainda faltam dois grupos de dados (e respectivos gráficos) fundamentais para uma avaliação precisa da atual Emenda Constitucional 55 (ex-241) – o gasto do governo com o pagamento de juros e a relação desse dispêndio com o total de despesas.

E olha que estou falando do Nexo, uma publicação nova e que se baseia em dados, como Aos Fatos, Lupa, Gênero & Número etc. Não é da mídia corporativa, que essa não apenas ignora a população, como fez a americana na eleição de Trump, como, quando presta atenção nela, é para atacá-la, como tem acontecido, por exemplo, com as ocupações de escolas e universidade públicas pelos estudantes.

Partindo do pressuposto que esses veículos não querem fazer o mesmo da mídia corporativa – ou seja, viver mamando nas tetas do Estado por meio de publicidade e jogando no cassino do mercado financeiro, usando o jornalismo como fachada -, talvez o que tenha movido o editor do Nexo que simplesmente tacou um conjunto de dados na página para o leitor virar-se como pudesse tenha a ver com que Sullivan diagnosticou: os profissionais que trabalham nestes veículos têm quase nada a ver com o resto da população brasileira, pois há pouca diversidade social entre eles. Assim, por mais bem-intencionados que sejam, o jornalismo que produzem tem quase tão pouco a ver com a realidade como o praticado pela mídia corporativa e não vai ajudar a muda-la e/ou esclarecer o cidadão (se é isso que eles desejam, claro). Este é ponto bem exposto por Danah Boyd, da New York University.

Há ainda um outro ponto que joga contra o jornalismo que luta para emergir no Brasil e tem a ver com a mesma bolha em que vivem os jornalistas dos novos veículos: eles são pautados pelos que têm o poder. A falta daqueles dois dados (e gráficos) que citei acima mostra bem este fato – como o governo só fala de despesas primárias, parece não ter ocorrido ao pessoal do Nexo que juros também fazem parte das despesas. Outra demonstração é que os jornalistas que gostam de trabalhar com dados ficam procurando pegar os políticos na mentira. Como a eleição de Trump demonstrou, isso não tem quase nenhuma importância – ele mentia em mais de 90% dos casos e elevou a mentira a uma forma distorcida de arte.

Como resolver esses problemas? Não creio que haja uma resposta única e mágica, mas conversando com uma coleguinha, especialista em trabalhar com jornalistas que usam dados em suas matérias, chegamos a uma conclusão óbvia – os jornalistas precisam não apenas trabalhar com dados, mas fazer com que eles façam sentido com a realidade em volta – e uma outra não tão óbvia, a de que os setores mais organizados da sociedade civil devem eles mesmos aprender a lidar com dados a fim de produzir conteúdos que falem de suas realidades e/ou pautar os veículos da Nova Mídia.

Creio que sem essas duas vertentes trabalhando para convergir, dificilmente o jornalismo sobreviverá, aqui e alhures, como uma atividade relevante num mundo no qual ele já perdeu grande parte do poder de influenciar que possuía há apenas duas décadas para redes sociais as quais, vamos ser francos, não estão nem aí para saber se algo que é publicado em suas plataformas é verdade ou não.

Vamos falar de financiamento ao bom jornalismo?

Me dá uma mão?

Me dá uma mãozinha?

 

Vou dar uma paradinha na análise dos dados da pesquisa da FSB sobre o consumo de mídia dos deputados federais para falar sobre um assunto que tem me incomodado nas últimas semanas: como financiar o bom jornalismo.

Não creio que haja mais dúvidas sérias de que a chamada mídia corporativa no Brasil chegou a um estado tal que só resta botar os gatos para jogar terra em cima e esquecer. Simplesmente não quer acompanhar o que se passa no país no momento em que ele caminha, decidido, para o brejo. E não quer por ter vendido seu negócio por um punhado de reais a mais do governo golpista, como fez a Folha (mas não só ela). Acabou como fonte confiável para o cidadão. Foi.

Há muita gente boa que acredita que esse fato não é problema delas – “Posso viver sem jornalismo. Não muda nada na minha vida”, pensam. No entanto, a não ser que se resida num atol do Oceano Pacífico, numa escarpa entre o Butão e o Nepal, numa brenha da Amazônia ou em algum ermo semelhante, infelizmente essa independência é impossível (ao menos, indesejável). Habitando em qualquer lugar influenciado diretamente pelo que hoje entendemos por civilização é fundamental – só para ficar em dois exemplos -, ter acesso a matérias como essa para ter uma ideia do que pode acontecer com seu emprego e o que fazer com suas economias para a aposentadoria, ou essa, para estar atento ao que pensa a geração de seus filhos.

Só que é aquela coisa – não há almoço grátis, como dizia o zura do tio Milton. E nem bom jornalismo, acrescento eu. Dessa forma, temos de meter a mão no buraco do pano se quisermos ter alguém apurando matérias que nos façam pensar, ter uma visão multifacetada da realidade e nos ajude a descobrir o sentido possível num mundo cuja normalidade é o caos. Ok, está ruim para todo mundo, estou sabendo. Mas há maneiras de ajudar ainda assim, creio. Sem pretensão de apresentar uma resposta (o que, no meu caso, marrento que sou, é algo incrivelmente raro), dou meu exemplo de como lido com a situação.

Como não sou exatamente um cara que nada em dinheiro, estabeleci um teto anual, para 2016, de R$ 120,00 para minhas contribuições para cada veículo. É pouquinho, 10 “real” por mês para cada um, por que resolvi pulverizar a contribuições (você pode concentrá-las), contando que, além das assinaturas, os veículos arranjem outras formas de se manter (campanhas de crowdfunding especiais, patrocínios, investimentos de agências internacionais e até mesmo publicidade selecionada). Acredito que as contribuições podem dar um suporte mínimo, pagar uns 50% das contas (incluindo salários razoáveis), e não resolver o problema de sustentabilidade por si sós.

Na prática? Bem, a lista dos veículos dos quais sou assinante atualmente: AzMina, #Colabora, GGN, Nexo e Outras Palavras. Participei ainda de projetos de crowdfunding (aí com contribuições bem variáveis) de: Agência Pública, DCM, Farol do Jornalismo (newsletter semanal) e Observatório da Imprensa. Como dá pra ver, não sou o Pierre Omidyar e não vou construir nenhuma First Look Media, tento fazendo um favor a mim mesmo ao procurar manter o que resta de bom jornalismo aqui no Bananão. Humildemente, sugiro que você pense a respeito de fazer o mesmo.

P.S.: Segue os links, tá?

 

“O argentino que ganhou a Copa”

Pedro Henrique Dias é o nome de batismo, mas ele se assina Díaz porque é fanático pela Argentina, em particular pelo futebol portenho. A paixão levou o carioca da Barra a correr atrás da seleção albiceleste durante a Copa de 2014 por boa parte do país com uma ideia fixa: tocar a taça quando Messi e seus companheiros estivessem dando a volta olímpica no Maracanã. Este fato pode ter acontecido em algum outro universo, não neste. Aqui, o título foi da Alemanha. Só que, ainda assim, Pedro conquistou o título e fez, sozinho, um documentário para prová-lo – incluindo como ludibriou, usando muita malandragem carioca misturada com milonga argentina, o tal “esquema de segurança padrão Fifa”. Abaixo, você pode assistir como Pedro Díaz ganhou sua Copa do Mundo.

A luz sobre o jornalismo do Bananão que vem do cinema

“Personally I’m of the opinion that for the paper to best perform its function it needs to, uh, stand alone.” (Marty Baron, em “Spotlight”)

“(..) esses meios de comunicação estão fazendo de fato a posição oposicionista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada” (Maria Judith Brito, presidente da ANJ e executiva da Folha de São Paulo, em 2010)

As falas de Marty Baron, ali pelos 30 minutos de “Spotlight”, e a de Maria Judith Brito, publicada no Globo em 2010 e jamais desmentida, acaba com qualquer veleidade de comparação entre o jornalismo praticado no filme de Tom McCarthy e o que vemos no Brasil. Seria como comparar o basquete da NBA e da NBB – há três árbitros, que apitam sob as mesmas regras básicas, o objetivo é botar uma bola laranja dentro de um aro com redinha furada pendurada num suporte alto…E ponto, acabaram-se as semelhanças. Tecnicamente, são jogos diferentes.

A diferença entre o compromisso ético e profissional com o trabalho jornalístico que guia o time Spotlight e seus chefes e aquele comportamento com que lidamos no dia a dia no Bananão, resulta no que vemos estampado nas páginas de jornais (e assistimos na TV e ouvimos no rádio) daqui. E essa diferença de comprometimento tem como base as duas frases e no contexto em que elas foram ditas.

A fala de Baron é uma resposta ao cardeal Law no primeiro encontro entre os dois – uma tradição sempre que um editor-chefe assumia o Boston Globe – quando este propõe que seja mantida a colaboração entre Igreja e o jornal, igualmente tradicional. Já a de Maria Judith foi proferida quando ela atacava, em nome da ANJ, o Programa Nacional de Direitos Humanos, lançado naquela época pelo governo.

Há um óbvio choque entre as duas versões do papel do jornalismo que, também obviamente, acaba por refletir-se na atuação diária dos jornalistas. Os profissionais do Boston Globe, claro, se guiam pela premissa de seu editor-chefe, enquanto os empregados dos veículos que fazem parte da ANJ tendem a trabalhar segundo o cânone expresso pela presidente da entidade. Claro que há várias exceções à praxe, mas se quisesse garantir o emprego, um jornalista do Boston Globe sabia que estaria mais seguro seguindo a orientação de Baron, enquanto o de jornal membro da ANJ tentará manter-se o mais próximo possível da orientação de Maria Judith que sua consciência permitir. E, como se sabe, a crise está aí…

Outro ponto de diferença marcante nas duas frases está nas entrelinhas (“leia as entrelinhas” é o slogan que está no cartaz brasileiro de “Spotlight”). Se os veículos se engajam na oposição a um governo, quando a oposição se transformar em governo – algo inevitável numa democracia – segue-se que eles vão apoiá-lo, como o cardeal Law desejava que o Boston Globe continuasse a apoiar a Igreja. Essa cobrança de posição política é repetida em outras situações durante o filme e mostra o perigo para o jornalismo quando os veículos (e os jornalistas) se afastam da receita de Baron em direção à pregada por Maria Judith.

Voltando à crise…Em artigo publicado em seu jornal, o patrão de Maria Judith, Otávio Frias Filho, comentando “Spotlight”, falou da crise pelas quais passam os veículos, a qual seria a culpada pelas falhas dos jornais (assim mesmo, no geral) e cita os cortes na redação do próprio Boston Globe como prova das “transformações” que os jornais estão passando.

Bem, também bem no início do filme, Baron encontra “Robby” Robinson, o editor da equipe Spotlight, e trava-se o seguinte diálogo:

“MARTY
Not necessarily. Uh, but from what I understand readership is down, the Internet is cutting into the Classified business and, uh, I think, uh, I’m going to have to take a hard look at things.

ROBBY
So you anticipate more cuts?

MARTY
I would assume so, yes, but what I’m more focused on right now is finding a way to make this paper essential to its readers.

ROBBY
I’d like to think it already is.

MARTY
Fair enough. I just think we can do better”

A ação se passa entre 2000 e 2002, ou seja, há quase um década e meia, os jornais de lá já se preocupavam com a corrosão de sua base de receita causada pela internet e com a queda do número de leitores. A resposta deles aos problemas foi fazer um jornalismo ainda melhor, tornando o produto indispensável aos leitores. Os “publishers” daqui (e as aspas não são apenas porque a palavra é estrangeira) passaram quase o mesmo período tentando nos convencer que estava tudo bem e, quando isso se tornou impossível, a solução foi (está sendo) tentar derrubar um governo eleito legitimamente a fim de voltar a mamar nas verbas da publicidade oficial federal (nas dos outros estratos governamentais nunca deixaram de mamar). Melhorar o produto, tornando-o essencial para seus consumidores, seja em que plataforma for? Elevar o nível da administração para tornar a empresa mais rentável? Ah…Isso dá trabalho, além de transformar em empresa capitalista um órgão que sempre foi uma gazua ou um pé de cabra de seus donos, com os quais eles iam (vão) para cima dos cofres públicos.

Sem contar que, convenhamos, a Spotlight era um equipe de quatro pessoas, trabalhando feito mouras numa sala apertada, com alguns computadores. O que eles gastaram mesmo em quantidades industriais, pelo que se vê no filme, foi sola de sapato, retinas, sinapses, óleo de peroba (ou seu equivalente de lá), papel e tempo, muito tempo. Tudo bem que tempo é dinheiro, mas, ainda assim, o investimento para produzir uma série que abalou o mundo não foi dos maiores, certo? E é mais ou menos o mesmo  que é gasto em qualquer grande reportagem. Nada que uma grande (ou mesmo média) empresa jornalística brasileira não possa despender.

Assim, diante de tudo isso, só resta a nós, distinto público, ir ao cinema e lá, como se fôssemos uma Cecília, heroína de “A Rosa Púrpura do Cairo”, sonhar com o dia em que um jornalismo de qualidade será praticado no Bananão.

Reuters Institute: TV ainda é a maior fonte de notícias, mas as mídias sociais avançam

Estava eu posto em sossego, já tendo escrito a coluna da semana (ensino como montar e desmontar uma cascata), quando me cai sob os olhos a edição 2015 do Reuters Institute Digital News Report, pesquisa da instituição do mesmo nome, que faz parte da Universidade de Oxford. O levantamento sobre o consumo de informação por meios digitais (e sua relação com os analógicos) abrange 12 países (inclusive o nosso) e existe há quatro anos.
Dei uma olhada nos números do Brasil e na análise geral e vi, entre outros dados interessantes, que:

• Quem pensa que a TV morreu para o jornalismo se engana. Na maior parte dos países, ela é não só a maior fonte de notícias, mas o meio que tem maior credibilidade. No Brasil, este último item não foi aferido pela pesquisa e, se contando, as mídias sociais, o meio perde de pouco para as notícias via rede. Só que o site líder de notícias on line é o G1, o site da Rede Globo.

• Mark Zuckerberg, porém, ganha cada vez mais poder na seara. Além de dono do Facebook, possui ainda o zap-zap (o relatório informa que nós o chamamos assim) e do Instagram. Estes três (e mais Google, You Tube e Twitter) são a porta de entrada das gentes quando se quer informar sobre o que vai pelo mundo.

• O brasileiro é o segundo mais crédulo entre os consumidores de notícias, só perdendo para os finlandeses (os mais incrédulos? Foi uma surpresa, pelo menos para mim e, talvez, para você – veja lá).

• Talvez por isso, seja o que mais passa adiante as notícias que vê na internet entre os 12 países pesquisados.

• O acesso digital às notícias é dominado pelos smartphones.

• A soma dos dois últimos itens faz com que sejamos os campeões mundiais no uso do zap-zap como fonte inicial para as novas.

• Se quer que sua mensagem tenha mais chance de aparecer na selva de conteúdo da internet , use e abuse do vídeo.

E tem muito mais (e olha que nem consegui ler as 112 páginas do relatório completo, que inclui alguns ensaios ).
Sobre nós, porém, uma nota metodológica importante: os dados considerados são apenas o que eles chamam de “urban Brazil”. Não definem bem o que seja – Barra do Garças (MT) e seus 60 mil habitantes são urbanos? – e alertam que, na leitura dos dados, esse fato deve estar sempre presente. Ainda assim, acho eu, a pesquisa não é inválida no que se refere ao Brasil, já que como a pesquisa é sobre consumo de notícias pela internet e, como sabemos (e lamentamos), esse acesso praticamente só existe mesmo no Brasil urbano, os números são de valia.

Para facilitar a leitura e a consulta, dividi o relatório completo em dois: num só a análise geral; noutro só os dados brasileiros. Espero que se divirtam com as tabelas, gráficos e percentagens tanto quanto eu.

Semana que vem, voltamos às nossas cascatas velhas de guerra, se nada de mais interessante acontecer pelo caminho.

E aí, ICIJ?

O Brasil tem cinco jornalistas integrando o ICIJ (International Consortium of Investigative Journalists) – o nome deles aqui – aquele grupo de jornalistas investigativos que publicou a lista dos miliardários que usavam (usam?) o HSBC para desviar dinheiro para a Suíça a fim de livrar-se de impostos – nos casos bons, porque tinha muito corrupto e bandido no rol – em matérias que você pode ler aqui.

Perguntas bestas: os coleguinhas brasileiros têm acesso à lista dos patrícios malandros? Em caso positivo, pretendem publicá-la? Quando? Se não pretendem, por quê? Se não têm a lista, por quê ? São jornalistas investigativos de Segunda Divisão?

Enquanto esperamos as respostas, que tal passar o tempo lendo a matéria do Opera Mundi com Gabriel Zucman, colaborador de Thomas Piketty, e especialista em evasão fiscal? Ele calcula que, a cada ano, cerca de U$ 200 bilhões são desviados para paraísos fiscais. E, como as respostas dos coleguinhas talvez demorem muito, também pode dar tempo de ler as explicações de Peter Oborne sobre os motivos que o levaram a demissão de um belo cargo no Telegraph, cuja cobertura do caso foi influenciada pelo HSBC, um grande anunciante do jornal (a tradução é meio caída, mas ainda assim vale a leitura).