“King of the kings”

Chamava-se Victor Alberto Combothanassis, era argentino, mas, radicado no Brasil, passou a ser conhecido como Vítor (sem o “c” e com acento no “i”) Combo. Figura folclórica da velha redação do Globo, onde trabalhou por mais de 30 anos, cobrindo de crimes passionais a terremotos na Nicarágua, passando por guerras no Oriente Médio e chegando à chefia de reportagem, mesmo após os fatos aqui relatados.

Época de festas juninas, os céus do Rio costumavam ficar crivados de grandes balões. Por orientação do então editor-chefe, Milton Coelho da Graça, Vítor Combo foi incumbido de procurar algumas das turmas construtoras daqueles gigantes de papel de seda — que faziam a alegria da garotada, mas levavam os bombeiros à loucura, provocando, muitas vezes, terríveis incêndios ao cair com a bucha ainda acesa.

Como fizera, certa vez, num braço brasileiro da Máfia (produzindo reportagem intitulada: “Brasil, corredor do contrabando”), o valente repórter se infiltrou em um grupo de baloeiros. E, certo dia, chegou à redação com a notícia sensacional, que virou alto da primeira página: “King of Kings” põe em alerta os bombeiros do Rio.

O “Rei dos Reis”, segundo Victor, seria o maior balão de todos os tempos. De dimensões dinossáuricas  (da altura de um prédio de cinco andares!), com capacidade de levantar um fusca (!!!), carregaria penduricalhos (lanternas, fogos de artifício, buchas suplementares etc) de enlouquecer de angústia qualquer bravo soldado do fogo.

A notícia teve enorme repercussão. Até o governador Leonel Brizola deu entrevistas, exortando a população a não soltar balões e dizendo que a polícia seria colocada de prontidão, para evitar que o “monstro” pusesse a cidade em risco. Pautados pelos textos de Combo, policiais e bombeiros deram batidas em vários pontos do Rio, esquadrinhando festas juninas, clubes e morros ( e nós, repórteres, junto). Em vão. Mas Vítor seguia produzindo reportagens sobre o “King”, que estaria prestes a alçar voo.

Após duas semanas de noticiário intenso, Milton Coelho da Graça começou a desconfiar .“Ô Vitor, ou esse balão gigante aparece ou vou achar que isso tudo é uma tremenda “cascata”…” O repórter pediu mais um tempinho e… sumiu! Reapareceu dias depois, com uma foto que ele mesmo fizera e na qual um balão de tamanho impossível de se identificar — por falta de outras referências, na fotografia escura, batida à noite — ardia em chamas.

– Lambeu, chefe! A turma do “King of the Kings” driblou a polícia e os bombeiros, mas bateu um ventão na hora em que ele subia e o bicho “lambeu” … – disse Vítor, a cara mais cândida.

E a foto do triste fim do “maior balão do mundo” foi parar, claro, também, na primeira página, transformando em cinzas o caso. Mas não para a Coleguinhas, que, todos os anos, o recorda na homenagem que faz aos jornalistas descendentes espirituais de Vítor Combo.

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