Investimentos em publicidade da Administração Direta do Governo Federal (2011-2016) – III (Revista)

Estou objetivo hoje. Sem mais delongas, vamos aos dados sobre o investimento em publicidade da Administração Direta do Governo Federal entre 2011 e 2016, nas editoras das três principais editoras de revistas do país.

Antes da análise, faço um alerta: o investimento acima não é num título específico, mas nos diversos títulos de cada editora. Assim, a grana que foi para a Abril não quer dizer que tenha ido para a Veja, mas para todo o imenso portfólio da empresa.

ANÁLISE

1. O que salta aos olhos é a diferença entre os investimentos de 2015 e 2016. Percentualmente, o salto foi de 849.14%, tornando o ano o mais profícuo da série para as editoras em sua relação com as AD do Governo Federal, superando o de 2011.

2. Olhando os dados de 2016 mais de perto e separando-se os investimentos do ano em primeiro e segundo semestres, chega-se a esta tabela:

3. Fica bastante claro que o salto aludido no item 1 aconteceu no segundo semestre, cuja variação em relação ao primeiro semestre foi de 1.018,87%.

4. Não é preciso ter uma memória privilegiada para lembrar que a grande mudança no Governo Federal ocorrida entre o primeiro e o segundo semestres de 2016 foi a troca de presidentes. É muito difícil não correlacionar os dois fatos.

5. No período observado, a Abril foi a editora mais bem aquinhoada com as verbas da AD do GF, superando a soma das outras duas grandes do setor no país em 155,10%, conforme a tabela abaixo:

6. Até março deste ano, a distribuição de verbas publicitárias era a seguinte:


7. Sim, nos primeiros três meses do ano o segmento revista da Três Editorial, responsável pela IstoÉ, não recebeu um centavo da AD do GF em investimento publicitário.

Gastos com publicidade? Isso é LAI de sua conta, cidadão? (Horrível, hein?)

Há um mês, capino sentado para conseguir os dados sobre os dispêndios de publicidade do governo federal em 2016. Como você talvez lembre, fazia um acompanhamento bem pormenorizado desse tipo de uso do dinheiro público usando dados da Secom, que o tornava públicos desde o ano 2000. Para surpresa de ninguém, o governo golpista interrompeu essa divulgação, o que me obrigou a recorrer à Lei de Acesso à Informação (LAI).
O primeiro pedido aconteceu no dia 6 de abril e recebeu a seguinte resposta:

“Prezado senhor, em atenção ao pedido de acesso à informação cadastrado sob o número 00077.000427/2017-71, esclarecemos que a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República – SECOM não é responsável pela informação sobre os gastos de publicidade de cada órgão do Governo Federal (administração direta e indireta), mas tão somente das atividades de sua responsabilidade e que foram realizadas pelas agências de propaganda devidamente contratadas. Ressaltamos que as agências de propaganda foram contratadas pela SECOM, após processo licitatório, para a prestação de serviços de publicidade previstos na Lei nº 12.232/2010. Sendo responsáveis pela contratação de fornecedores de serviços de produção e da compra de espaços publicitários junto aos veículos de comunicação. As agências atuam por ordem e conta da SECOM, nos termos da Lei 4.680/1966. As informações sobre pagamentos efetuados pela SECOM aos veículos de comunicação e os fornecedores de serviços de produção, por intermédio das agências de propaganda estão disponíveis em http://sistema1.planalto.gov.br/secomweb2/demanda/execucaocontratual. Nesse ambiente, é possível gerar arquivos excel que permitem a aplicação de filtros para facilitar a ordenação e agrupamento de dados conforme seu interesse. Portanto, temos que entre as competências da SECOM, para a gestão da comunicação social do Poder Executivo Federal, estabelecidas pela Lei n° 10.683/2003 (art. 2°-B, incisos I e V) e pelo Decreto n° 6.555/2008 (art. 6°, incisos I a XVI), não estão previstas atribuições para produzir, controlar, custodiar ou centralizar dados referentes às ações de publicidade dos demais órgãos (administração direta e indireta). Essas informações podem ser obtidas mediante solicitação direta a cada um dos órgãos. Não obstante ao descrito acima, a SECOM disponibiliza dados em PDF de valores investidos em veiculação de todos os órgãos, no endereço http://www.secom.gov.br/atuacao/midia/acoes-programadas. Esses dados são fornecidos pelo Instituto para Acompanhamento da Publicidade (IAP), que considera os valores constantes nos Pedidos de Inserção (PI) fornecidos voluntariamente pelas agências de propaganda contratadas por integrantes da administração direta e indireta do Poder Executivo Federal. PI é o documento emitido pela agência de propaganda ao veículo de comunicação confirmando a compra do espaço publicitário. Tal metodologia de apuração pode suscitar inconsistências de informação ou falhas em dados dos veículos, todas de integral responsabilidade do Instituto responsável pela consolidação das informações. Diante do exposto, deve-se reiterar que a base de dados em questão não representa as ações efetivamente desenvolvidas pelos diversos órgãos do Governo Federal e, consequentemente, nem os gastos totais pagos aos veículos. As informações acima foram disponibilizadas pelo Diretor do Departamento de Mídia da Secretaria Especial de Comunicação Social da Secretaria-Geral da Presidência da República. Salientamos que, de acordo com o art. 15 da Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527/2011) e com o art. 21 do Decreto nº 7.724/2012, há possibilidade de recurso no prazo de 10 (dez) dias, que deverá ser dirigido ao Secretário de Publicidade e Promoção da Secretaria Especial de Comunicação Social da Secretaria-Geral da Presidência da República. Destacamos ainda que dispomos de um canal de comunicação direto com o cidadão, o “”Fale com a Secom””, disponível no endereço http://www.secom.gov.br/fale-com-a-secom, em que também podem ser solicitadas informações sobre temas de competência da Secretaria. Atenciosamente, Serviço de Informações ao Cidadão Palácio do Planalto – http://www.planalto.gov.br/acessoainformacao”

É um belíssimo exemplo de caô burocrático:

1. A Secom realmente não é legalmente “responsável pela informação sobre os gastos de publicidade de cada órgão do Governo Federal (administração direta e indireta), mas tão somente das atividades de sua responsabilidade e que foram realizadas pelas agências de propaganda devidamente contratadas”. Só que sempre foi assim e, não obstante, a Secretaria fazia a divulgação do resultado consolidado desde 2000, como está no link lá de cima.
2. Até aquele desagradável barro vermelho de Brasília sabe que nenhum órgão da Administração Direta ou Indireta dispende um centavo em publicidade sem o “de acordo” da Secom.
3. “Não obstante ao descrito acima, a SECOM disponibiliza dados em PDF de valores investidos em veiculação de todos os órgãos, no endereço http://www.secom.gov.br/atuacao/midia/acoes-programadas. Esses dados são fornecidos pelo Instituto para Acompanhamento da Publicidade (IAP), que considera os valores constantes nos Pedidos de Inserção (PI) fornecidos voluntariamente pelas agências de propaganda contratadas por integrantes da administração direta e indireta do Poder Executivo Federal”.
Essa afirmação é falsa como uma nota de três reais, pois a Secom disponibiliza coisa alguma via IAP e quem diz isso é o próprio instituto em seu site: “Os dados processados pelo IAP só são disponíveis para consultas procedidas pela SECOM. Tais dados não podem ser publicados nem fornecidos a outras entidades. (…)”

Como sou chato pra caramba, recorri, mas também como sou burro que nem uma porta, o fiz diretamente ao ministro da Casa Civil, quando ainda tinha que passar pelo superior do cara que me negou o pedido, ainda na Secom (o que me foi gentilmente esclarecido por um rapaz, cujo nome esqueci, que me ligou de Brasília no dia da Greve Geral). Assim, refiz o segundo pedido e a resposta foi a seguinte:

“Prezado cidadão, em atendimento ao recurso de 1° Instância interposto ao pedido de informação registrado sob o NUP 00077.000427/2017-71, encaminhamos anexo arquivo em PDF, contendo resposta ao recurso interposto por Vossa Senhoria. As informações acima foram prestadas pelo Secretário de Publicidade e Promoção da Secretaria Especial de Comunicação Social da Secretaria-Geral da Presidência da República. Informamos que, de acordo com o art. 15 da Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527/11) e com o art. 21 do Decreto nº 7.724/2012, há possibilidade de recurso no prazo de 10 (dez) dias, que será dirigido ao Ministro da SecretariaGeral da Presidência da República. Atenciosamente, Serviço de Informações ao Cidadão Palácio do Planalto – http://www.planalto.gov.br/acessoainformacao.”

Obviamente recorri e agora só me resta esperar a CGU dizer que é isso mesmo e o cidadão que vá se queixar ao Chico I. Caso queira saber como correu todo esse palpitante ping-pong burocrático, clique aqui.

Porém, como dizia Vó Sinhá, “quem não tem cão, caça com gato”. Por isso, a partir da semana que vem, vou seguir o conselho da Secom e passarei a publicar os dados referentes aos gastos em publicidade da Administração Direta. Eles são ínfimos, se comparados ao despendido pela Administração Indireta (empresas de economia mista e aquelas que concorrem no mercado), mas servirão como indicativo da forma com que está sendo gasto nosso dinheiro em publicidade.
Não, não pense que vou desistir mesmo que sejam negados todos os recursos, partirei para os principais órgãos, como foi sugerido pela própria Secom (“Essas informações podem ser obtidas mediante solicitação direta a cada um dos órgãos”). Aí veremos no que dará.

Foto da Folha leva primeira seletiva do King of the Kings-2017. Equilíbrio marca Troféu Boimate.

A Folha, que colocou foto de uma manifestação de 2016 pelo impeachment de Dilma como se fosse o do fracassado ato do MBL de 26 março passado, venceu a primeira seletiva para o King of the Kings-2017, que escolherá a maior cascata do ano, com 77 dos 544 votos computados (14%). Numa demonstração de que a competição será muito equilibrada em 2017, o Troféu Boimate para a redação que mais procura enganar seu público não teve uma que se destacasse – cinco tiveram um voto (o outro não contou por ser uma cascata geral). O KofK e o Boimate procuram reconhecer aqueles jornalistas e empresas que mais se destacam na busca pelo total avacalhamento do jornalismo praticado no Brasil – a história e a galeria dos premiados estão na faixa lá em cima.

Veja os resultados da seletiva:

1. Folha usa foto de manifestação de 2016 para mostrar que protesto do MBL de 2017 foi um sucesso. (77 votos/14% do total)

2. Maluco conhecido diz ter levado mala de dinheiro para Lula e IstoÉ dá capa. (72/13%)

3. Exame usa exemplo de Mick Jagger para defender reforma da Previdência. (71/13%)

4. Apresentadora da Record diz que índios deviam ficar sem remédios contra malária para morrerem. (61/11%)

5. Delegado da PF diz que não de precisa de provas para prender Lula, apenas “timing” certo. (Veja) (57/10%)

6. PF afirma que carne é enxertada com papelão e vitamina C é cancerígena e veículos publicam sem checar (Vários). (57/10%)

 

As quatro cascatas que não conseguiram classificar-se para a final, a ser disputada em janeiro de 2018, terão nova oportunidade na segunda seletiva. Foram elas:

Estado de São Paulo acusa erradamente juiz do Amazonas de ligação com facção criminosa e ele passa a ser ameaçado por outra.

Site 247 recebe informação de leitor, não checa e publica que presidente do Bird criticou governo por acabar com programas sociais

Procuradores da PGR dão “coletiva em off” para vazar nomes da Lista da Odebrecht. (Vários)

Elio Gaspari defende que Temer deve ficar porque “ruim com ele, pior sem ele”. (Folha e Globo).

Com saudade? Pois vamos à primeira seletiva do King of the Kings-2017!

Já estamos em abril! Rápido, né? Então, já é hora da primeira seletiva do King of the Kings de 2017! Selecionei dez matérias e sei que você vai reclamar (“mas teve muito mais”) e devo concordar. No entanto, como faço há alguns anos – desde que os coleguinhas de redação perderam de vez a noção e a vergonha e passaram a cascatear como se não houvesse amanhã -, tenho sido muito rígido na escolha das cascatas que chegam à seletiva: elas precisam ser bem escancaradas, cabeludas mesmo, para chegarem ao seu escrutínio.
Como sempre, comecemos pelas regras:

1. Você pode votar em até seis (6) concorrentes entre as dez da lista.
2. Você ainda terá uma nova chance de votar nas quatro não classificadas, pois elas voltarão na próxima seletiva.
3. A votação terminará no próximo domingo, 9 de abril.

Agora, às concorrentes:

1. Estado de São Paulo acusa erradamente juiz do Amazonas de ligação com facção criminosa e ele passa a ser ameaçado por outra.

2. Apresentadora da Record diz que índios deviam ficar sem remédios contra malária para morrerem.

3. Exame usa exemplo de Mick Jaegger para defender reforma da Previdência.

4. Delegado da PF diz que não de precisa de provas para prender Lula, apenas “timing” certo. (Veja)

5. Maluco conhecido diz ter levado mala de dinheiro para Lula e IstoÉ dá capa.

6. Site 247 recebe informação de leitor, não checa e publica que presidente do Bird criticou governo por acabar com programas sociais

7. Procuradores da PGR dão “coletiva em off” para vazar nomes da Lista da Odebrecht. (Vários)

8. PF afirma que carne é enxertada com papelão e vitamina C é cancerígena e veículos publicam sem checar (Vários).

9. Folha usa foto de manifestação de 2016 para mostrar que protesto do MBL de 2017 foi um sucesso.

10. Elio Gaspari defende que Temer deve ficar porque “ruim com ele, pior sem ele”. (Folha e Globo).

 

Empreiteiras e veículos de comunicação, uma longa relação

Hoje vai ser rápido aqui, mas muito mais longo fora. Não sei se mencionei aqui – no facebook tenho certeza de que sim -, estou lendo “Estranhas catedrais: as empreiteiras brasileiras e a ditadura civil-militar, 1964-1988”, tese de doutorado na UFF de Pedro Henrique Pedreira Campos, professor do Departamento de História e Relações Internacionais da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, editada pela EdUFF.

A pesquisa trata dos primórdios da relação entre as empreiteiras que hoje estrelam a Lava-Jato e o Estado brasileiro no tempo da ditadura civil-militar de 1964 (aquele tempo em que não havia corrupção no país, segundo alguns). Não vou enganá-lo/a – é leitura difícil mesmo, até por ter havido pouco esforço por parte dos editores para apagar as origens acadêmicas da obra. Estou há dois ou três meses capinando sentado em cima dela e só cheguei a cerca de 60% das 444 páginas (é certo, porém, que fiz leituras paralelas que lhe paralisaram o avanço por uns tempos). No entanto, se você quiser não falar muita besteira sobre a relação de odebrechts, queiroz galvões, andrades gutierrez et caterva com as sucessivas administrações do Brasil, a obra é incontornável.

Para os jornalistas, o capítulo 3 é o mais interessante por enfocar as relações entre a imprensa e as empreiteiras. Nesta parte é que encontramos apanhado sobre como os empreiteiros corrompiam – não há outra palavra – os grandes veículos de comunicação. É este subcapítulo que copiei do livro e disponibilizo em pdf aqui. São umas sete páginas que valem a pena ler.

Acusação de suborno do NYT pelo PT vence o King of the Kings de maior cascata de 2016

A acusação do colunista da Época Guilherme Fiúza de que o New York Times recebeu pagamento do PT para criticar #foraTemer, publicada em junho, foi eleita como maior cascata de 2016 pelos leitores da Coleguinhas. No pleito, que contou com o maior número de sufrágios (2.670) dentre as suas nove edições, a cascata da semanal da Editora Globo susperou por apenas dois votos – 171 a 169 – a segunda colocada, o lero da Veja de que Lula pediria asilo na Itália para escapar da Lava-Jato, chorumelada em março.

Abaixo as Dez Mais das cascatas de 2016, com seus respectivos autores (quando identificados):

 

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Alguns comentários sobre a eleição cascatal de 2016:

1. O título individual foi da Época, mas o melhor desempenho cascatal por equipe foi da redação do Estado de São Paulo, que, por este motivo, conquistou o Troféu Boimate

2. A redação do jornal cinquentecentão de São Paulo também teve o maior número de cascatas entre as Top Ten (3)

3. Metade das Dez Mais foi publicada em revistas semanais, com Época e Veja dividindo a primazia, com duas cascatas cada.

4. Numa divisão por assunto, a tentativa de encobrir o golpe de estado parlamentar e a Lava-Jato diretamente foram objeto de três cascatas cada, ficando ataques pessoais à presidente Dilma e o RP puro e simples para o Golpista, com duas.

Rufem os tambores! Que comece a eleição da maior cascata de 2016!

Não, meu caro/minha cara, 2016 ainda não acabou – sobrou um compromisso importante a ser quitado: a eleição da maior cascata do ano. Esta é a nona vez que o pleito é realizado de maneira seguida (em era anterior da Coleguinhas, era realizado de maneira esporádica). O King of the Kings – desculpe a falta de modéstia – é único no cenário do jornalismo brasileiro por não haver outro que reconheça o esforço e a determinação dos coleguinhas na busca pela completa desmoralização da própria profissão, quebrando aquele contrato tácito de que o jornalista deveria apenas contar a verdade da melhor maneira que pudesse a fim de que o leitor fizesse seu julgamento. Caso você tenha interesse em ver os premiados desde 2008 e a origem do nome do prêmio é só ir em “Hall da Infâmia do King of the kings”, aí na aba superior.
Este ano, são 28 cascatas na disputa e as regras e dicas para a eleição são as seguintes:

1. Você pode votar em até 14 concorrentes. Não é proibido de votar em menos, mas, francamente, creio que você vai é achar o número bem limitado, dada a qualidade das cascatas (e a consequente falta de vergonha na cara das matérias).

2. Como é uma final – o que obriga a uma responsabilidade maior no ato de votar -, o prazo normal de uma semana será estendido para duas, a fim de que você pese com calma antes sufragar suas escolhidas. Assim, a eleição termina em 29 de janeiro.

3. Caso você tenha alguma dúvida sobre uma ou mais cascatas específicas, os links para elas estão aqui do lado direito.

Então, vamos lá! Vote! Premie aqueles que mais tentaram engabelá-lo/a com mentiras, meias-verdades e manipulação.