A economia dos passaralhos

Toda vez que há um passaralho, como o que pousou na sucursal da Folha no Rio (e a levou embora de vez), vem a questão: “o que esses caras estão fazendo? Vão acabar com o próprio negócio! ”. Também sempre me perguntei isso, inclusive desta vez, mas pode ser que, finalmente, tenha começado a encontrar uma resposta coerente nesta matéria publicada na Carta Capital sobre a tese de doutorado da economista Thereza Balliester Reis, apresentada na Universidade de Paris.

Se a gente olhar os movimentos das empresas editoras sob o prisma da financeirização da economia brasileira (desculpe, mas você vai ter que seguir o link e ler a matéria), eles têm lá sua lógica, assim como a defesa intransigente da “austeridade”. Esta deixa de fora o mercado financeiro, mas atinge em cheio gastos sociais, e não está dando certo em lugar nenhum há anos, só que, aqui, garante uma taxa de juros real enorme, muito acima da que é praticada por países de nosso tope econômico por todo o mundo.

Para entender o processo macro que está por trás da tese de Ballestier Reis precisa antes dar uma olhada na tese central de Thomas Piketty em seu famoso “O Capital no Século XXI. Nele, o economista francês (não deve ser coincidência) diz que num ambiente em que o crescimento “r” seja mais baixo que o retorno do capital “g” (r<g), o dinheiro cria dinheiro. Assim, numa economia como a nossa, na qual os juros reais ficam cerca de 10% acima da média mundial para países do mesmo naipe ao longo de décadas (como mostra a matéria do link – já leu, né?) e apresenta um crescimento mínimo, quando não negativo, o resultado apurado pela fórmula de Piketty vai parar no cocuruto do Cristo Redentor.

Então, o processo nas empresas de comunicação fica sendo mais ou menos este:

1. Elas cortam os custos, como a Folha fez com a sucursal do Rio;

2. O que sobra é passado ao mercado financeiro, onde rende horrores pela fórmula de Piketty;

3. Uma parte do lucro é investido na manutenção da aparelhagem de suporte à vida que mantém respirando o negócio supostamente principal, e outra, provavelmente bem maior, é usada em consumo e enviado para paraísos fiscais (né, Luizinho Frias? Né, Irmãos Marinho?)

Pode-se argumentar que é um esquema que não pode manter-se muito tempo, pois a qualidade do produto cai e, com esta queda, os leitores/telespectadores/ouvintes se mandam. É argumento válido, mas só até certo ponto, pois apresenta duas limitações principais:

1. Como você leu na matéria da Carta (pô, você leu, né?), há um grupo formado, em sua maior parte, por pessoas das classes dominantes do país, mas também da classe média mais afluente (ou nem tanto) que também tem o rentismo como fonte de renda muito importante, talvez principal. Suspeito seriamente que seja este pessoal o principal responsável por ter-se mantido praticamente estável a circulação de jornais e revistas nos últimos trimestres, como mostram os números do IVC que apresentei aqui nas semanas anteriores. São os fiéis que sustentam a igreja de pé para que os pastores preguem e que também pagam o dízimo para que fiquem no púlpito.

2. Como até as pedras e o Ricardo Gandour sabem, a circulação informacional mudou de tal forma com as redes sociais que a chamada “qualidade da informação” ficou em segundo plano (quando não em terceiro ou quarto). Não importa se é opinião ou fato, se é verdade ou não, o que importa é que circule muito, de várias formas, incessantemente – o golpe de estado no Bananão e Trump disputando as eleições na Corte demonstram o fato claramente. Assim, um grupo pequeno pode manter a máquina em funcionamento, não necessitando nem mesmo que seja particularmente bom na realização da tarefa que lhe compete – esta fraqueza técnica, claro, desvaloriza ainda mais seu trabalho, valor já bem reduzido pelo fato dele não ser mais tão essencial assim para manutenção do negócio.

Claro que a “financeirização” das empresas de comunicação tende a funcionar melhor com conglomerados de grande porte – tipo Globo e Folha (se somada ao UOL) – e nem tanto com empresas menores, mas mesmo estas podem jogar no cassino se conseguirem apertar os custos o suficiente para sobrar dinheiro a fim de entrar na brincadeira. É na busca de voltar a ter o antigo tamanho que a Abril, por exemplo, está negociando com a Editora Caras a retomada dos 18 títulos que vendeu há dois anos. Com eles de volta, Walter Longo, contratado pelos Civita no início do ano para salvar a empresa, espera poder entrar na ciranda e com um bom cacife, alimentado pelo tal GoBox.

A circulação da IstoÉ e o “crowdfunding”

Enfim chegamos à última análise de números de circulação de jornais e revista, com os dados da IstoÉ. Segundamente (porque, primeiramente Fora Temer!), vamos ao comercial: faltam 15 dias para terminar a minha campanha de crowdfunding. Vou explicá-la de novo: a “vaquinha virtual” é para manter o acompanhamento da circulação, que faço desde 2010 sem custos (tinha uma fonte). Explico tudo direitinho no vídeo que se pode acessar por este link – e você também pode ler no texto abaixo dele. Desde já, agradeço a sua ajuda.

Agora vamos aos números da IstoÉ, que são bem interessantes – gráficos e tabelas primeiro.

Tabela e gráfico 1
20160911_ivc_istoe_4tri_2015-1tri-2016

 

Tabela e gráfico 2

20160911_ivc_istoe_1tri_2015-1tri-2016

 

1. O que salta aos olhos no gráfico 1 é a circulação média de março de 2016, que atingiu 331.591 exemplares, contra uma média de 313.387 nos cinco meses anteriores, resultado 6% maior. O fenômeno se deveu à edição 2413, na qual foram publicadas as denúncias do ex-senador Delcídio Amaral contra a presidente Dilma Rousseff. Esta edição vendeu cerca de 45 mil exemplares a mais do que a anterior e 37 mil a mais do que a seguinte.

2. Esta variação obriga a retirada de março da amostra. Tomando-se esta providência observa-se que, nos cinco meses anteriores, a circulação média mensal da semanal no primeiro trimestre de 2016 variou entre 312,7 mil e 314,4 mil exemplares, mostrando, assim, estabilidade na comparação entre o último trimestre de 2015 (314,7 para 312,5), como ocorreu também com suas concorrentes Veja e Época.

3. Também retirando março de 2016 da série do primeiro trimestre do ano é possível observar que houve uma redução de patamar na média de circulação média na comparação do primeiro tri de 2015 como janeiro e fevereiro de 2016. No entanto, diferentemente de suas concorrentes, a redução da média da IstoÉ foi menor, caindo apenas 3 mil exemplares (1%).

 

O “CROWDFUNDING”

As análises referentes à circulação do primeiro trimestre de 2016 de jornais e revistas terminaram. Se você achar importante este serviço continuar, por favor me ajude a mantê-lo contribuindo na “vaquinha virtual” no Catarse. Vamos lá! Tem recompensa a partir de 20 “real”. É só clicar aqui e colaborar. De novo, agradeço a ajuda desde já.

Grupo Globo fica com todo o Valor

Comentários rápidos sobre a compra, pelo GG, dos 50% do Valor que pertenciam à Folhapar, com o que se sabe até o momento o momento, o que é quase nada:

1. A Folha vendeu para fazer caixa, já que, obviamente, aquela história de que a economia ia melhorar com a saída da Dilma e depois da aprovação das reformas é conversa para coxinha ficar de olho grelado. Não vai rolar publicidade oficial suficiente para o monte de goela larga que está abrindo a bocarra para o Eliseu Padilha. Existe o UOL, certo, mas este tem seus próprios interesses e problemas (João Alves Queiroz Filho, dono da Hypermarcas e de 30% da empresa, está no meio da Lava-Jato, por exemplo) e não vai ficar bancando um negócio que não tem perspectivas de melhorar.

2. O Grupo Globo também não vai bem das pernas, mas deve ter sido obrigado a fazer o negócio porque, muito provavelmente, há um acordo de acionistas dizendo que se um sócio quiser vender a parte dele, deve oferecer ao outro primeiro, mas se este não se interessar, pode vender para quem quiser. Diante da perspectiva de ter um sócio com interesses não tão afinados com os seus como os Frias, os Marinho meteram a mão no buraco do pano.

3. O negócio, porém, pode vir a ser bom para o Grupo Globo, pois vem ao encontro da ideia do homem forte da Infoglobo, Frederic Kachar, de praticar um plano de sinergia total com os ativos da empresa. Já havia a ideia de juntar as operações da Época com as do Globo e agregar o Valor pode ser bem legal, pois dá mais cacife naquela briga de foice no escuro por verba publicitária do governo golpista mencionada no item 1.

4. E você sabe como é: o que é bom para os Marinho tem uma alta probabilidade de ser ruim para seus empregados. Nesse caso não deve ser diferente. É grande a chance de haver um passaralhinho na área de economia do Globo nos próximos meses – afinal, para quê ter duas pessoas cobrindo o mesmo setor? Podem rolar algumas cabeças nas sucursais do Valor também, mas, pela lógica, a guilhotina deve funcionar mais na redação do Globo.

5. Dizer que o negócio depende de aprovação do Cade é não é só pro-forma como uma piada – o Cade vai lá contrariar interesses de quem comandou o golpe?

Ninja 1 x 0 Folha e o fim do jornalismo. Ou não.

Vou dar uma paradinha nas análises dos dados do IVC sobre a circulação de jornais e revistas (falta só a IstoÉ) para falar rapidamente de dois eventos que, a meu ver estão relacionados: o enésimo passaralho na Folha e o engajamento da página da Mídia Ninja no facebook superando o do jornal dos Frias, do Estado, do Globo e da Veja somados. Como em geral ocorre nos pós-passaralhos, houve choro, ranger de dentes e vaticínios mais ou menos apocalípticos sobre o fim do jornalismo. Discordo. O jornalismo não vai acabar. O que está indo para o espaço não é ele, mas o modelo de negócios em que as empresas jornalísticas se baseavam.

Abaixo vai uma lista de links para os textos (e imagens) que baseiam a minha afirmação (desculpe, mas você vai ter um trabalhinho também…):

“Como o Facebook engoliu o jornalismo” – É parte da palestra ministrada pela fantástica Emily Bell, diretora do Tow Centre for Digital Journalism da Columbia Graduate School of Journalism, no Centre for Research in the Arts, Social Sciences and Humanities da Universidade de Cambridge, onde é professora convidada no período 2015-2016. O texto foi escrito antes de Mark ter mudado de ideia e meio que colocado de lado o projeto de ser o canal de distribuição dos veículos, muito provavelmente por ter visto que não precisa mais deles.

“O jornalismo nunca foi um produto comercial” – E por que Mark pode acreditar que não precisa mais dos veículos? A resposta está nesta entrevista de Robert G. Picard, do Reuters Institute, da Universidade de Oxford, que, como eu, crê que o jornalismo pode sobreviver às empresas que editam jornais, desde que os jornalistas façam o seu trabalho direito (o que, no Brasil, vamos convir, não acontece há anos).

“Todos querem seus dados! O WhatsApp não me deixa mentir” – Neste link vem o aprofundamento do que Picard menciona acima – que os anunciantes podem chegar melhor ao público sem precisar pagar às editoras por isso – e fará com que o valor do trabalho do jornalista caia cada vez mais se os profissionais insistirem em viver num mundo que entrou em colapso (aliás, o veículo em que esta matéria foi publicada é um exemplo de um caminho pelo qual o jornalismo e os jornalistas podem enveredar para sobreviver).

“Quem escolhe o que você lê?” – O mundo novo, porém, traz perigos ainda maiores do que o antigo, conforme explica este vídeo, parte de uma série sobre os riscos que corre a internet (em um veículo que aponta outra vertente para o futuro do par jornalismo/jornalistas).

“Dear Mark. I am writing this to inform you that I shall not comply with your requirement to remove this picture” – Quer um exemplo do perigo mencionado no vídeo? Pois tome este, recentíssimo, da semana passada, que aconteceu na Noruega e não acabou por aí – seguiu com uma recomendação de que, para evitar este tipo de problemas, o Facebook…contratasse jornalistas! Só que Mark não acha uma boa ideia – aliás, pensa exatamente o oposto.

 

A circulação da Época e “crowdfunding”

Nesta semana, a análise de circulação será revista semanal do Grupo Globo, a Época, enfocando o primeiro trimestre deste ano, em relação aos primeiro e quarto períodos trimestrais de 2015. Antes, porém, pausa para uma autopromoção. Para manter este serviço, que antes era 0800 graças a uma fonte, preciso pagar. Para recolher fundos, abri uma campanha de “crowdfunding” no Catarse. Se você gostar da que vai ler e achar a manutenção deste serviço importante, é só clicar aqui e contribuir com qualquer quantia até 29 de setembro. Desde já, fico muito grato.

Agora, aos números da Época. O primeiro ponto a ser observado é que a semanal dos Marinho, diferente da Veja, não apresenta assinaturas híbridas (digitais+papel), o que facilita a análise e deixa a nu a irrelevância da circulação digital da revista, que não chega a 2.500 em meio a uma circulação total de mais de 360 mil exemplares. Desta forma, as análises da semanal dos Marinho é bem mais curta do que dos veículos já estudados (que bom, hein?). Por este fato também os pares tabelas/gráficos vão seguidos um do outro e analisados em conjunto.

 

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Circulacao Epoca 1tri_2016-1tri_2015
1. A comparação entre os meses extremos do período de seis meses entre outubro e março (primeiro par tabela-gráfico), aponta uma queda de 1,2% na circulação, indicando estabilidade na circulação geral, o que está em linha com o que aconteceu em todas as publicações impressas, em maior ou menor grau.

2. Já na comparação entre os primeiros trimestres de 2015 e 2016 (segundo par tabela-gráfico), há uma diferença mais notável. Entre janeiro e março do ano passado, a circulação da Época cresceu 1,5%, enquanto apresentou uma pequena queda de 0,3% no mesmo período deste ano.

3. O resultado acima seria melhor se a comparação entre os meses de janeiro não apresentasse uma queda de 4%, indicando uma mudança de patamar (para baixo) da circulação na virada do ano, com uma queda de 5,5% entre dezembro e janeiro.

4. Este fato não é incomum, dado que estes são meses de férias e de pagamento de contas anuais e aquelas contraídas por conta das Festas. O problema mesmo é que a recuperação não chegou com um nível que se poderia esperar, fazendo com que a tendência de queda se mantivesse, embora em níveis menores, mas, ainda assim, invertendo a tendência demonstrada entre janeiro e março de 2015.

5. O grande problema da Época, porém, é mesmo sua fraquíssima inserção digital, que chega a merecer mesmo a qualificação de ridícula. Ela é muito perigosa para a longevidade da publicação, pois ela praticamente não tem presença na mídia digital (internet ou apps) que é para onde caminha o meio revista.
O “CROWDFUNDING”

Gostou da análise? Acha importante a sociedade ter acesso a estes números? Então por favor me ajude a manter o serviço contribuindo na “vaquinha virtual” no Catarse. Vamos lá! Tem recompensa a partir de 20 “real”. É só clicar aqui e colaborar. De novo, agradeço a ajuda desde já.

Facebook “mistura-e-manda” – I

O facebook tem um monte de problemas, mas um dos que mais me irrita é que não posso (ou não sei e aí a irritação fica com minha burrice) encadear links. Não adianta botar hashtags porque elas ficam perdidas da mesma maneira. Assim, resolvi reviver o “mistura-e-manda”, um tipo de post que escrevia em outras era da Coleguinhas, com o objetivo de pôr links que fazem parte de um (ou mais) temas, pelo menos dentro de minha caótica cachola – sempre com o que escrevi no post.

Para começar, aí vão quatro:
O abraço de tamanduá corporativo no jornalismo
O jornalismo brasileiro veiculado pelos grandes meios não se tornou este desastre de uma hora para outra, e nem devido apenas aos interesses dos seus donos em arranjar dinheiro com um governo ilegítimo que eles puseram no Planalto. O processo vem de longe e este ótimo documentário, exibido em 2009 e que levou três anos para ser produzido, demonstra as raízes do que vivemos em 2016. Vale muito ver (de novo se for o caso) e divulgar.

Aquarius só para maiores
Quem produzir cultura no Brasil nos próximos anos, precisará levar muito a sério a possibilidade de só ter a internet como plataforma para divulgar obras contra o “fascismo light” (leve, por enquanto) que vai assolando o país aos poucos. Pelo menos, aquelas que tiverem o objetivo de atingir um público mais abrangente.

“Manual do Perfeito Empreendedor” ou economia para coxinhas
Está desempregado?! Está empregado, mas o seu patrão é um mala-sem-alça-de-papelão-na-chuva?!
Seus problemas acabaram!
É só seguir o “Manual do Perfeito Empreeendedor”, veiculado pela GloboNews! O MPE não apenas permitirá conseguir o emprego dos sonhos, mas, dependendo apenas de sua ambição, talento e determinação, levá-lo-á à riqueza!
(Se você seguir o MPE e não conseguir sucesso é porque “tu é” um idiota irremediável, sua besta!)

Uma entrevista de emprego na redação

 

#aGlobodedveserdestruida

A circulação da Veja e o “crowdfunding”

Na série sobre o desempenho da circulação dos veículos impressos no primeiro trimestre de 2016, chegou a vez das revistas, começando pela de maior circulação, a Veja. Mas antes de ir aos números e gráficos, mais uma vez lembro da campanha de “crowdfunding” que pus no Catarse, visando manter este serviço que minha fonte no IVC se foi. A campanha entra em seu último mês (termina em 29 de setembro) e, não vou lhe enganar, não vai muito bem, precisando ainda de muita força. Se você puder colaborar, com qualquer quantia que seja, vai ser de grande ajuda. Se quiser conhecer mais do projeto e dar uma força, é só clicar aqui.

Bem, agora vamos aos números da revista que é o carro-chefe, tanque de guerra e pé-de-cabra de cofre público dos Civita.

 

20160828_veja_3tri-2015_1tri-2016



Analisando o primeiro par tabela/gráfico, temos o seguinte (atenção: todos os números se referem à média de circulação das edições de cada mês do período, ou seja, a quatro ou cinco edições mensais e não apenas a uma edição específica):

1. Comparando os meses extremos do período (outubro/2015 com março/2016), temos que houve um decréscimo na circulação total de 3,5%, com uma queda equilibrada nos três tipos de edição (impressa, híbrida e digital): 3,6% (impressa), 3% (híbrida) e 3,5% (digital).

2. Na comparação do primeiro subperíodo de três meses (outubro-dezembro de 2015), a circulação geral caiu bem menos do que no período inteiro, apenas 1,4%, graças a um acréscimo na edição híbrida (de 1,2%) e reduções menores nas edições impressa (-1,8%) e digital (-2,1%).

3. No primeiro trimestre de 2016, no entanto, houve uma reversão forte na edição híbrida, que passou ao campo negativo de maneira muito forte, caindo 3%. Esta reversão impediu os Civita de comemorar uma maior melhoria geral na circulação, que subiu 0,2%, graças à edição impressa que reverteu o resultado, crescendo 0,8% no período, enquanto a digital caía 0,9%, ainda assim em ritmo menor do que no trimestre anterior.

4. Na comparação entre os dois últimos trimestres, pode-se observar que a circulação da Veja vem mostrando uma certa tendência à estabilidade, com o que parece ser uma decisão dos leitores fiéis à quase cinquentenária publicação de definir-se pela edição impressa (em sua maioria) ou pela digital, abrindo mão da possibilidade de ler a revista em dois formatos.

Veja: 1tri-2015_1tri-2016


Passando à comparação de um período maior – 1º trimestre de 2015 com o mesmo período de 2016 -, temos:
1. No confronto entre o subperíodo entre janeiro e março de 2015 e o de janeiro-março de 2016 (já visto no item 3 acima), vemos que houve um crescimento na circulação total de 1% em janeiro-março/2015 (contra um de 0,2% no mesmo período do ano seguinte), com bom desempenho da edição digital (2,6%), acompanhada com mais modestos, na mesma direção, das edições híbrida (1,4%) e impressa (0,9%).

2. Estas boas notícias para os Civita, porém, perderam-se ao longo do ano, como se vê na comparação entre os meses extremos dos dois trimestres. Há uma queda importante, de 5,7%, na circulação geral na comparação entre março de 2015 e o mesmo mês deste ano. Esta redução foi puxada pelo mau desempenho da edição impressa que caiu 7,2% entre os dois meses de março, o que tornou vãos o ótimo desemprenho da edição digital (+ 6,3%) e o bom da edição híbrida (+ 3,1%).

3. Importante observar que a edição impressa da Veja caiu do patamar de 1 milhão de exemplares na passagem de 2015 para 2016. Esta mudança de patamar já acontecera em meados de 2015, mas houver um retorno ao anterior rapidamente, o que não aconteceu em 2016 – no primeiro trimestre do ano, a circulação impressa manteve-se mais de 50 mil exemplares abaixo do milhão de exemplares.
Podemos observar, pelos números acima, que a circulação geral da Veja apresentou uma leve melhora nos primeiros três meses de 2016, num movimento que ainda é necessário observar se é consistente – o que se verá apenas acompanhando mais dois trimestres. Esta ligeira recuperação, porém, ainda está longe de apontar um retorno nem mesmo a 2015, um patamar histórico já baixo para a publicação. Isto ocorre porque o principal motor da circulação, a edição impressa, caiu abaixo de 1 milhão de exemplares e não demonstra força para retomar o antigo desempenho.

O “CROWDFUNDING”

Se você gostou desta análise e quer ver outras, por favor, me ajude a manter o serviço contribuindo na “vaquinha virtual” no Catarse. Vamos lá! Tem recompensa a partir de 20 “real”. É só clicar aqui e colaborar. Agradeço a ajuda desde já.