A circulação da Veja e o “crowdfunding”

Na série sobre o desempenho da circulação dos veículos impressos no primeiro trimestre de 2016, chegou a vez das revistas, começando pela de maior circulação, a Veja. Mas antes de ir aos números e gráficos, mais uma vez lembro da campanha de “crowdfunding” que pus no Catarse, visando manter este serviço que minha fonte no IVC se foi. A campanha entra em seu último mês (termina em 29 de setembro) e, não vou lhe enganar, não vai muito bem, precisando ainda de muita força. Se você puder colaborar, com qualquer quantia que seja, vai ser de grande ajuda. Se quiser conhecer mais do projeto e dar uma força, é só clicar aqui.

Bem, agora vamos aos números da revista que é o carro-chefe, tanque de guerra e pé-de-cabra de cofre público dos Civita.

 

Veja: 3tri-2015_1tri-2016



Analisando o primeiro par tabela/gráfico, temos o seguinte (atenção: todos os números se referem à média de circulação das edições de cada mês do período, ou seja, a quatro ou cinco edições mensais e não apenas a uma edição específica):

1. Comparando os meses extremos do período (outubro/2015 com março/2016), temos que houve um decréscimo na circulação total de 3,5%, com uma queda equilibrada nos três tipos de edição (impressa, híbrida e digital): 3,6% (impressa), 3% (híbrida) e 3,5% (digital).

2. Na comparação do primeiro subperíodo de três meses (outubro-dezembro de 2015), a circulação geral caiu bem menos do que no período inteiro, apenas 1,4%, graças a um acréscimo na edição híbrida (de 1,2%) e reduções menores nas edições impressa (-1,8%) e digital (-2,1%).

3. No primeiro trimestre de 2016, no entanto, houve uma reversão forte na edição híbrida, que passou ao campo negativo de maneira muito forte, caindo 3%. Esta reversão impediu os Civita de comemorar uma maior melhoria geral na circulação, que subiu 0,2%, graças à edição impressa que reverteu o resultado, crescendo 0,8% no período, enquanto a digital caía 0,9%, ainda assim em ritmo menor do que no trimestre anterior.

4. Na comparação entre os dois últimos trimestres, pode-se observar que a circulação da Veja vem mostrando uma certa tendência à estabilidade, com o que parece ser uma decisão dos leitores fiéis à quase cinquentenária publicação de definir-se pela edição impressa (em sua maioria) ou pela digital, abrindo mão da possibilidade de ler a revista em dois formatos.

Veja: 1tri-2015_1tri-2016


Passando à comparação de um período maior – 1º trimestre de 2015 com o mesmo período de 2016 -, temos:
1. No confronto entre o subperíodo entre janeiro e março de 2015 e o de janeiro-março de 2016 (já visto no item 3 acima), vemos que houve um crescimento na circulação total de 1% em janeiro-março/2015 (contra um de 0,2% no mesmo período do ano seguinte), com bom desempenho da edição digital (2,6%), acompanhada com mais modestos, na mesma direção, das edições híbrida (1,4%) e impressa (0,9%).

2. Estas boas notícias para os Civita, porém, perderam-se ao longo do ano, como se vê na comparação entre os meses extremos dos dois trimestres. Há uma queda importante, de 5,7%, na circulação geral na comparação entre março de 2015 e o mesmo mês deste ano. Esta redução foi puxada pelo mau desempenho da edição impressa que caiu 7,2% entre os dois meses de março, o que tornou vãos o ótimo desemprenho da edição digital (+ 6,3%) e o bom da edição híbrida (+ 3,1%).

3. Importante observar que a edição impressa da Veja caiu do patamar de 1 milhão de exemplares na passagem de 2015 para 2016. Esta mudança de patamar já acontecera em meados de 2015, mas houver um retorno ao anterior rapidamente, o que não aconteceu em 2016 – no primeiro trimestre do ano, a circulação impressa manteve-se mais de 50 mil exemplares abaixo do milhão de exemplares.
Podemos observar, pelos números acima, que a circulação geral da Veja apresentou uma leve melhora nos primeiros três meses de 2016, num movimento que ainda é necessário observar se é consistente – o que se verá apenas acompanhando mais dois trimestres. Esta ligeira recuperação, porém, ainda está longe de apontar um retorno nem mesmo a 2015, um patamar histórico já baixo para a publicação. Isto ocorre porque o principal motor da circulação, a edição impressa, caiu abaixo de 1 milhão de exemplares e não demonstra força para retomar o antigo desempenho.

O “CROWDFUNDING”

Se você gostou desta análise e quer ver outras, por favor, me ajude a manter o serviço contribuindo na “vaquinha virtual” no Catarse. Vamos lá! Tem recompensa a partir de 20 “real”. É só clicar aqui e colaborar. Agradeço a ajuda desde já.

A circulação do Globo e o “crowdfunding”

Nesta semana analisarei os números de circulação de O Globo. O esquema é o mesmo: comparação entre os dois últimos trimestres e entre os primeiros trimestres de 2015 e 2016. E também se mantém o aviso/pedido: ainda está aberto o “crowdfunding” para que eu consiga manter este serviço. Se você quiser apoiar, clique aqui – qualquer quantia será recebida com muita gratidão.

Agora, aos números.

O Globo - 3 tri-2015x1tri-2016
1. O primeiro par tabela/gráfico mostra que o jornal dos Marinho teve um desempenho bem melhor que seus concorrentes paulistas nos seis meses compreendidos entre outubro de 2015 e março de 2016. Enquanto a circulação total média, de segunda a domingo, do Estado de São Paulo caiu 5,9% e a da Folha, 3,7%, a do Globo ficou praticamente estável (- 0,3%) – de 295.687 para 294.932.

2. Olhando-se mais de perto, por tipo de edição, a digital foi a que assegurou essa estabilidade – invejável no momento atual da imprensa brasileira -, com um crescimento de 10,4%, entre outubro e março (de 61.095 para 67.458), embora já mostrando desaceleração de um trimestre para o outro (de 8,7% para 5%).

3. A edição impressa, se não apresentou estabilidade total, teve uma queda bem pequena no período de seis meses, de menos 2% (de 186.494 para 182.749), bem abaixo da elevação da Folha (1,7%) e próxima à queda do Estadão no período (3,1%). No entanto, ao contrário da digital, a circulação apresentou pequena aceleração de um semestre para outro – de 0%, entre outubro e dezembro, para mais 1,4%, no trimestre seguinte, o que a faz seguir mais de perto a da Folha, no total do período.

4. As assinaturas híbridas (digital+papel) do diário carioca apresentaram um comportamento errático no período estudado. Depois de elevação de 6,5% no trimestre entre outubro e dezembro de 2015 (de 48.098 para 51.214), este tipo de assinatura amargou uma queda de 13,7% (51.801 para 44.725), levando a variação em seis meses a ser negativa em 7%. O desempenho ficou bem abaixo do crescimento da Folha no período (4,8%), mas ainda bem distante da desastrosa queda de 22,4% do Estadão.

 

Vamos, agora, confrontar o desempenho da circulação do Globo nos primeiros três meses de 2015 com o mesmo período de 2016.

O Globo - 1tri-2015x1tri-2016

1. Considerando-se o total da circulação, o jornal carioca apresentou um desempenho bem melhor do que seus concorrentes paulistas, mas, ainda assim, longe de ser confortável. O diário da Irineu Marinho apresentou queda de 8,8% (321.919 para 294.932), na comparação entre março de 2015 e o mesmo mês deste ano, enquanto os números da Folha e do Estado foram, respectivamente, de 15,2% e 16,2%.
2. O problema do jornal dos Marinho é que somente a circulação digital tem aumentado (0,5% no primeiro tri de 2015 e de 4,9% em igual período de 2016), num total de 3,3% de março contra março. Enquanto isso, a circulação impressa caiu de 9,4% (março contra março) e a híbrida, de 17,5%. Assim, a queda, em números absolutos, considerando os dois meses extremos do período foi de 321.919 para 294.932.
3. No comparativo de circulação total de trimestre contra trimestre, no primeiro de 2015, houve uma aceleração de 0,2%, contra uma outra de 0,5% no mesmo período deste ano. Estas duas acelerações combinadas, porém, não foram capazes de inverter a queda geral ocorrida no ano de 2015.

Os dados mostram que, como seus concorrentes paulistas, O Globo alcançou uma estabilidade, nos primeiros meses de 2016, num patamar bem abaixo da circulação de 2015. A edição digital até vem tendo um bom desempenho, mas as reduções nas circulações impressas e, principalmente, híbrida jogam para baixo o total. Assim, a reversão deste quadro só ocorrerá com uma aceleração maior das assinaturas digitais, algo que parece estar um tanto distante.

O “CROWDFUNDING”

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O “crowdfunding” e o IVC da Folha

Nesta semana, prosseguindo a análise dos números do IVC dos principais meios de comunicação impressos do país, vamos aos resultados da Folha de São Paulo. Antes, porém, um minuto para os nossos comerciais.

A campanha de “crowdfunding” para a manutenção deste serviço continua aberta. Agora que não disponho mais da fonte que fornecia os dados “de grátis”, precisarei pagar por eles e, para isso, preciso de sua ajuda. No momento, o projeto possui seis apoiadores – a quem agradeço de todo o coração -, mas há necessidade de muitos mais. Há tempo ainda, pois a campanha só termina em 29 de setembro. Para colaborar om qualquer quantia, é só clicar aqui. Conto com sua ajuda!

Então, vamos aos números do jornal dos Frias.

20160814_folha_3tri2015_1tri2016
1. O primeiro par tabela/gráfico 1 (3º tri/2015 x 1ºtri/2016) demonstra uma queda
na circulação total de 3,7%% (de 320.230, em outubro/2015, para 308.251, em março deste ano), na média de segunda a domingo bem menor do que o de seu concorrente direto no mercado, o Estadão, cuja redução chegou a 5,9%

2. A queda foi puxada pela edição digital, com uma redução de 9,5% (97.028 para 87.778) diferindo frontalmente com o Estado, cuja assinatura da edição digital cresceu 5,7% no período observado.

3. Por outro lado, as assinaturas híbridas do jornal dos Frias cresceram 4,8% (de 46.033 para 48.237) na comparação do último trimestre de 2015 para o primeiro de 2016, também contrastando com o mesmo tipo de assinatura do jornal dos Mesquita, que teve uma estrondosa queda de 22,4% no período.

4. Também há desacordo nos números entre os dados de circulação dos dois jornais paulistas é quanto à circulação impressa. Enquanto, no caso da Folha, ela subiu 1,7% (169.390 para 172.236), no Estadão, ela caiu 3,1%.
O segundo par tabela/gráfico mostra o confronto entre os dados dos primeiros três meses de 2015 com os do mesmo período deste ano.

20160814_folha_1tri2015_1tri2016

1. A comparação entre os primeiros trimestres dos dois últimos anos reforça a ideia de que há uma estabilidade na base de assinantes da Folha. Enquanto no período, em 2015, houve uma redução da base geral de 0,5% (365.428 para 363.582), em 2016, este percentual foi de apenas 0, 1% (308.596 para 308.251).

2. No entanto, esta estabilidade está sendo obtida num patamar muito mais baixo na comparação com o início de 2015. Assim, em março de 2015, a circulação média total da Folha era de 363.582, mas caiu para 308.251, um ano depois, redução de 15,2%.
3. Nas assinaturas digitais, houve uma aceleração na perda de leitores de -2,7%, no primeiro tri de 2015 (102.894 para 100.029) para -9,5%, no mesmo período deste ano (item 2 referente ao primeiro par tabela/gráfico, acima).

4. Nas assinaturas de jornal impresso, porém, a Folha conseguiu uma reversão. De uma redução de 0,9% nos primeiros três meses de 2015 (de 204.229 para 202.468), o jornal do Frias obteve um crescimento de 1,7%, no mesmo período deste ano, conforme o item 4 da análise do primeiro par tabela/gráfico.

5. Já nas assinaturas híbridas, um fenômeno interessante. Houve aumento na circulação nos primeiros trimestres tanto de 2015 quanto de 2016, e até uma aceleração no mesmo sentido neste ano (elevação de 4,8%, em 2015, e de 6%, em 2016), mas estes percentuais são enganosos. É houve uma enorme queda na base de assinantes deste segmento: em janeiro de 2015, ele era de 58.305, caindo 21,9% no mesmo mês deste ano (para 45.497). O resultado é que, em março do ano passado, o número de assinaturas era de 61.085, mas, no mesmo mês de 2016, era de 48.237, ou seja, menos 21%. Assim, foi este segmento o grande responsável pela queda de 15,2% no patamar geral apontada no item 2 acima.

De todos estes dados, pode-se deduzir que a Folha estabilizou seu número de assinantes gerais, mas num patamar muito abaixo do que estava há pouco mais de um ano. Também pode-se observar que o jornal tem encontrado ainda maior dificuldade de fazer a migração para o digital do que seu concorrente direto, o que não deixa de ser surpreendente dado o marketing da Folha basear-se, há décadas, na contraposição de sua modernidade com o conservadorismo do Estadão.

O “CROWDFUNDING

Bem, e aí? Legal? Gostou das análises? Então me ajude a mantê-la contribuindo na “vaquinha virtual” no Catarse. Vamos lá! Tem recompensa a partir de 20 “real”. É só clicar aqui e colaborar. Novamente agradeço a ajuda.

A circulação do Estadão e o “crowdfunding” no Catarse

Alguns amigos e amigas, que acompanham a Coleguinhas há alguns anos e apoiam a campanha de “crowdfunding” que lancei no Catarse , sugeriram que eu explicasse o que são os números do Instituto de Verificador de Circulação (IVC) e a importância da manutenção de seu acompanhamento por alguém independente dos veículos de comunicação. Dessa forma, argumentaram, quem não é jornalista entenderia a questão e se disporia ajudar. Bem, vou fazer melhor- em vez de explicar, mostrarei um exemplo real. Assim, vamos à análise dos dados do primeiro trimestre da circulação d’O Estado de São Paulo.
Os dados vão ser agrupados de duas maneiras, visando confrontar a variação da circulação do jornal dos Mesquita. Na primeira dupla tabela/gráfico, abaixo, estão os dados comparando a circulação do último trimestre de 2015 com o primeiro tri de 2016; no segundo par, está a comparação entre o primeiro tri de 2015 com o mesmo período deste ano. Ao fim de tudo, vem análise.
Então, vamos lá.

 

Gráfico 1

Estadão - Gráfico 3 tri x 1tri

 

Gráfico 2

Gráfico Estadão - 1tri-2105x1tri-2016

 

1. O par tabela/gráfico 1 (3º tri/2015 x 1ºtri/2016) indica que a circulação do Estadão sofreu um queda na passagem do ano, com redução de uma média de circulação total de 221.103 exemplares para 208.034 (- 5,9%).

2. A redução foi puxada pelas assinaturas híbridas (digital mais impresso), com – 22,4%, enquanto as digitais puras reduziram 4,9% e as assinatura impressas tenderam à estabilidade, com 3,1%.

3. O segundo par tabela/gráfico mostra que a situação do Estadão deteriorou-se de um ano para cá, com uma queda na circulação total de 16,2%, mas que pode estar chegando a um momento de estabilidade, pois a redução na comparação de trimestres separados por 12 meses foi cerca de três vezes maior que a queda entre os trimestres consecutivos.

4. A boa notícia – a única do levantamento – para o jornal dos Mesquita vem das assinaturas digitais, que, no comparativo entre os primeiros trimestres de 2015 e 2016 apontou uma elevação de 5,7% no número médio desta forma de assinaturas.

5. O desempenho razoável das assinaturas digitais, porém, nem de longe foi capaz de fazer frente à queda das assinaturas impressas, de – 11,6% no confronto entre os dois primeiros semestres dos dois anos, e à desastrosa performance das assinaturas híbridas, que reduziram à metade (menos 51,3%) em um ano.

6. Os números demonstram que o Estadão até vai bem na obtenção de assinaturas digitais, mas não foi capaz de deter a sangria do número de leitores, que abandonaram dm grande número no último ano. O consolo dos Mesquita é que o desempenho dos dois últimos trimestres parece demonstrar que a velocidade da queda reduziu-se, embora a redução não tenha parado.

O “CROWDFUNDING”

Então, gostou? É este serviço que me proponho a manter, se você me ajudar contribuindo na “vaquinha virtual” que iniciei no Catarse semana passada e se estende até 29 de setembro. Vamos lá! Tem recompensa a partir de 20 “real”. É só clicar aqui e colaborar. Desde já, agradeço a ajuda.

Precisamos falar sobre o IVC

“Poderia estar roubando, poderia estar matando, mas estou aqui pedindo…” (camelôs nos ônibus)
“All I need is my buddies” (“With a little help from my friends” –  Lennon e McCartney)

Tenho uma notícia boa e uma ruim. A boa é que começo nova rodada de numeralha do IVC semana que vem; a ruim é que pode ser a última se você não me der uma mãozinha.

Como os camelôs de ônibus, venho pedir uma ajudinha aos meus amigos para continuar com um serviço que há anos mantenho na Coleguinhas. Trata-se da divulgação dos números de circulação de jornais e revistas do IVC. Até hoje, tive a ajuda de uma fonte, mas ela não está mais disponível e, por isso, vou precisar assinar o serviço. Assim, estou abrindo uma “vaquinha virtual” – vulgo “crowdfunding” – para continuar com acesso aos dados. O serviço só está disponível para PJs, mas já acertei com um coleguinha ceder o CNPJ da empresa dele.
A categoria a que posso aderir é a Assinante. Na tabela abaixo, estão os valores desta categoria que podem ser encontrados no site do IVC.

 

Tabela para cálculo da Contribuição Mensal

Catarse_Tabela de Contribuições

O ideal seria assinar a terceira modalidade, mas o preço é bem salgado – R$ 23.461,20, que, somados aos 13% de comissão do Catarse, daria R$ 26.511,16 – e, por isso, meu objetivo é atingir o necessário para a segunda faixa, cujo valor total é de R$ 13.255,58, já contando a comissão catártica. Claro que se vocês forem generosos com as doações e elas atingirem o valor maior será a maravilha das maravilhas. Mas não se acanhe se não puder contribuir com o mínimo para levar uma recompensa – mesmo R$ 10,00 serão recebidos com gratidão de todo o coração.

Como se pode ver na tabela, a segunda faixa permite a escolha do recebimento de dados de Rio ou São Paulo e mais três estados. Escolhi São Paulo por lá estarem as sedes de dois dos três maiores jornais do país e das editoras das três semanais mais importantes, e do Rio Grande do Sul, Distrito Federal e Pernambuco, representando uma região cada (fora o Norte).
Recompensas…O pessoal do Catarse recomenda recompensas…Bem, só tenho para oferecer os próprios dados pelo tempo que durar a assinatura. Então, a distribuição das recompensas:

Catarse_recompensas
Se por acaso, a arrecadação atingir a cifra que permita ter acesso aos dados totais, as recompensas ganham o adendo de dados sobre as edições digitais (web) dos veículos escolhidos:

catarse_premios extras

O prazo para atingir o total da vaquinha é de 60 dias e as contribuições (que podem ser anônimas) devem ser realizadas por cartão de crédito ou boleto bancário no site do Catarse, no método comum das compras na internet: você faz um cadastro no site (se já não o tiver feito antes) e segue as instruções das telas. Bem fácil.
Caso não haja arrecadação suficiente, o Catarse devolve a contribuição (o processo é explicado aqui) e não se fala mais no assunto, certo?

Mas se, por acaso, a arrecadação superar o mínimo, mas não atingir o suficiente ter acesso aos números totais, usarei para pagar o que der de meses destes, a fim de termos uma visão mais completa. Quando a grana acabar, faço outra campanha.🙂

Bem, o link para a campanha é  www.catarse.me/circulacao-de-jornais-e-revistas – nele, você pode assistir um vídeo no qual explico um pouco mais sobre o porquê desse projeto.  E se você nunca leu uma coluna em que divulgo e analiso os números do IVC,  clique aqui. Desde já, obrigado a todos e todas que se dispuserem a ajudar.

A fraude da Folha e o chute no balde

A fraude – desculpe aí, mas Glenn Greenwald e Erick Dau estão certos, não tem outra palavra – que a Folha cometeu ao divulgar pesquisa dizendo que 50% dos brasileiros querem que #foraTemer continue no governo, quando a verdade inteiramente diferente, quase oposta, para mim confirma que os donos dos veículos impressos de comunicação simplesmente chutaram o balde, desistiram do negócio – ou passaram a considerá-lo apenas um acessório de outros, em ramos diferentes. Confirma porque não foi o primeiro desatino editorial cometido nos últimos anos: centenas, talvez milhares, de matérias anteriores insuflaram o golpe de estado ora em andamento, os exemplos são numerosos e os mais significativos podem ser consultados por quem se interessar no Hall da Infâmia do King of the Kings (aí em cima).

Você pode argumentar que não foi o Otavinho que editou a lambança. Poderia ser assim se fosse uma cascata normal, dessas que a Folha edita três ou quatro vezes por semana. Essa não. Mentir deliberadamente para o leitor não está na alçada da direção de redação – arriscado demais, é decisão para dono, para quem manda, para quem toma as decisões estratégicas.

E sabe do que mais? Do ponto de vista de um dono de jornal, de cara que pensa apenas na última linha do balanço, aquela em que se vê se houve lucro ou prejú, a decisão de Otavinho é defensável.

Dê uma olhada nesta dupla tabela/gráfico. Ela foi montada a partir daquela pesquisa realizada pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República publicada ano passado, com dados apurados no fim de 2014, que vimos exaustivamente por aqui, e antes, portanto, da “débâcle” da circulação ocorrida ao longo de 2015 e início deste ano e apontada pelos números de IVC, também vistos por aqui (aliás, falaremos sério sobre os dados do IVC semana que vem, ok?).

 

 

Frequência de leitura de jornais por idade
Não precisa nenhum estatístico para ver qual o problema. Três em cada quatro brasileiros simplesmente não leem jornal. Nunca. Muito ruim, mas há mídia em situação pior – as revistas. Veja (com trocadilho, por favor).

 

Frequência de leitura de revistas por idade
O problema dos veículos impressos não se restringe ao Brasil, obviamente, e os dados obtidos pelo Pew Research Center e divulgados há pouco demonstram isso nos Estados Unidos. Esta situação se estende a quase todos os países, nos quais os jornais há muito deixaram de ser fontes primárias de notícias, como se vê nos gráficos abaixo, retirados do Digital News Report, edição 2015, publicado pelo Reuters Institute de Oxford – o primeiro mostra a variação dos meios como fontes primárias de notícias na Alemanha e na Dinamarca; o segundo a distribuição desta mesma variável por 15 países, incluindo o Bananão.

 

Reuters Institute Digital News Report 2015_Variação de fontes de notícias_Alemanha e Dinamarca.png

 

Reuters Institute Digital News Report 2015_Fontes de notícias por país.png
A diferença entre lá fora e aqui é a atitude dos “publishers” no que diz respeito ao declínio inexorável dos veículos impressos. Enquanto potências como New York Times e o grupo Axel Spring, da Alemanha, se viram procurando tornar suas reputações, construídas durante décadas, fontes de receitas por meio de novas ferramentas e produtos, os donos de veículos brasileiros definiram que, já que suas reputações nunca valeram de muito mesmo, vão radicalizar o que sempre fizeram: usar as publicações como armas apontadas para os Executivos visando tomar deles o que puderem em termos de publicidade oficial.

É dentro deste conceito que pode ser vista a fraude perpetrada pela Folha e capturada (haha) pelo The Intercept. Como jamais desenvolveram capacidades gerenciais reais, dedicando-se apenas a aprender as melhores formas de mamar nas tetas governamentais, os “publishers” tupinambás resolveram raspar o tacho – armaram o golpe e, agora, com o governo de #foraTemer no poder, partem com tudo para cima das verbas publicitárias manejadas pelo notório Eliseu Padilha. Se, pela boa, conseguirem emplacar um tucano em 2018 (se não alcançarem a meta de melar as eleições presidenciais até lá, o que seria melhor), terão mais cinco anos (é o novo período de mandato presidencial, lembra?) para saquear o que restar – se sobrar algo.

Se der tudo errado e a esquerda voltar ao poder, então se verá o que fazer. Uma opção para todos seria a “solução Abril”: vender parte minoritária das ações (como os Civita fizeram para o Naspers, em 2006) e/ou ir fundo no “branded content” (matéria ou publicações inteiras que falam de um tema de forma jornalística, mas pagas por anunciante ou grupo de anunciantes – um passo além do publieditorial, pois não há aviso de que é matéria paga em lugar algum). A autorização, por parte de #foraTemer, permitindo que o Grupo Globo repasse indiretamente as suas concessões poderia ser um passo preliminar para a primeira ideia. O Grupo Folha da Manhã, nesse contexto, está numa posição muito boa, pois, hoje, o jornal, além de arma para assaltar os cofres públicos, é pouco mais do que um gerador de tráfego para o UOL, a “rede Globo” dos Frias.

Assim, quando mestre Bob Fernandes pergunta se os donos das empresas de comunicação não sabem que as pessoas estão vendo a hipocrisia deles no processo político pelo qual o país passa atualmente, a resposta é sim. Sabem. Só não se importam.

P.S.: Você seguiu os links, certo?

 

O caminhão que atropelou a Folha

Bi-bi!!

Bi-bi!!

Foi muito divertido. Sacanear jornal, em especial a Folha, é sempre legal. Só que não passou disso, fazer festa com a cara daquele pessoal cheio de si, vizinho da Boca do Lixo. Não teve nada de “teoria da conspiração”, jogos de sutilezas, mensagens subliminares e coisa e tal, apenas incompetência e um processo industrial que induziria ao erro até gente bem mais competente do que os editores folhosos e de outros jornais.

Deve ter acontecido mais ou menos assim (os profissionais de redação podem parar de ler aqui, pois o que se segue é o dia a dia, não tem novidade, só vale para quem não é jornalista; é, mas nunca viveu um fechamento, ou é estudante).

Por volta das 18 horas começaram a chegar os primeiros informes sobre o atentado em Nice. A ordem foi baixar tudo o que já estivesse quase pronto. A página do anúncio deve ter sido uma dessas – e ele não devia estar sendo visto pela diagramação (não conheço o sistema da Folha, mas é possível que se veja apenas o anúncio “riscado” e não ele em si, mas, mesmo que seja, não faria diferença para a sequência dos eventos).

Assim, quando chegaram informações mais consistentes sobre a tragédia, inclusive a de que a arma fora um caminhão, a página com o anúncio já escorrera do cérebro de quem a tinha diagramado – que pode nem ter sido quem fechou a dedicada ao atentado. Toda a atenção, todo o foco, estava em fechar a página “quente” (na verdade, pelando) no horário (por volta das 20h30, no caso da edição nacional, cuja primeira fecha por volta das 21h). A prova de que foi mais ou menos dessa maneira é que a página do atentado é típica daquelas feitas em cima da hora: fotão (ou duas fotos grandes) no alto, com o título e uma matéria de tamanho médio, com os detalhes básicos e alguma pesquisa.

Descido o primeiro clichê no horário (ou quase), começou-se, imediatamente – no máximo depois de uma ida ao banheiro e/ou um café – a edição do segundo. Aqui duas possibilidades:

1. O sistema da Folha permite que a página do primeiro clichê seja vista no modo wysiwyg (acrônimo em inglês de “o que você vê é o que você tem”), ou seja, como a página foi impressa. Se tiver sido assim, percebeu-se logo o desastre.

2. O sistema só deixa ver o anúncio riscado como no primeiro clichê. Neste caso, a crise só foi detonada lá pelas 23h, quando o primeiro clichê foi levado à redação e o secretário teve tempo de olhá-lo, depois de todos terem desacelerado do tumulto do fechamento. E aí foi um salve-se-quem-puder de novo.

Meu palpite é que ocorreu a segunda hipótese. É que alguns colegas informaram que, na edição que circulou em São Paulo, o lugar do anúncio foi tomado por avisos e editais, um desperdício de espaço em página ímpar (as páginas mais caras de um impresso por serem as primeiras em que pousamos os olhos ao folheá-las). Na edição paulista, o anúncio foi pra contracapa do primeiro caderno (“cabeça” no jargão).

OOPS!!

OOPS!!

Certo, houve incompetência no processo – a boa norma (e a prudência) diz que o editor deve dar uma olhada nos anúncios que vão em suas páginas para não dar sopa pro azar -, mas o problema foi mesmo a falta de filtros provocada pelo enxugamento das redações, o que aumenta enormemente a probabilidade de erros em um processo de per si já totalmente endoidecido que é o fechamento de uma edição diária de jornal.

Pensando bem, está aí um bom assunto para o ombudsman abordar na edição de amanhã, né?