Agência Sportlight e Ponte emplacam duas matérias cada na final do Prêmio Marcos de Castro e lideram Troféu Elaine Rodrigues

Um brinde à Sportlight e à Ponte

 

A Agência Sportlight fez barba e cabelo na primeira seletiva do Prêmio Marcos de Castro de Jornalismo na Internet ao emplacar as suas duas representantes entre as seis classificadas para a final da premiação. Com isso, a agência-de-um-homem-só – Lúcio de Castro, filho do homenageado – assumiu a liderança do Troféu Elaine Rodrigues, que reconhece a redação que emplacou o maior número de matérias na final, mas não sozinha: a Ponte Jornalismo também pôs duas matérias na finalíssima e divide a primeira colocação.

O resultado da primeira seletiva foi o seguinte:

  1. Eletrobras contrata, sem licitação, agência de comunicação para falar mal de si mesma. (Agência Sporlight) – 15 votos (23%).
  2. Operador de Aécio em Furnas abriu empresa em paraíso fiscal mesmo com Lava-Jato em andamento (Agência Sportlight) – 8 (12%)
  3. Alunos negros enfrentam racismo de colegas e até professores em sala de aula (Ponte Jornalismo) – 8 (12%).
  4. Salgueiro: cidade do Sertão de Pernambuco é o espelho de destruição de economia do país pelo golpe de 2016 (Marco Zero) – 8 (12%).
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  5. Governo de Pernambuco desmonta programa de sucesso contra violência e mortes crescem 75% em cinco anos (Ponte Jornalismo) – 7 (11%)
  6. Como os planos de saúde, recordistas em reclamação, se tornaram tão poderosos (Agência Pública) 7 (11%).

 

As três matérias que não se classificaram e voltam na próxima seletiva para a repescagem são:

Elza Berquo, a pioneira na pesquisa demográfica no Brasil (Revista da Fapesp).

PM de Minas persegue e tortura jovem apenas por que pode (Agência Pública)

Moça do asfalto sobre a Rocinha e aprende como é a vida em meio aos tiroteios. (Colabora)

Vamos à 1ª seletiva do Prêmio Marcos de Castro de Jornalismo Independente na Internet – 2018

Rosalind Russell como Hildy Johnson em “His girl friday” (“Jejum de amor”), 1940

 

Pensou que não tinha Prêmio Marcos de Castro e Troféu Elaine Rodrigues este ano? Nada disso. Terá sim, apenas, este ano, defini que teremos menos seletivas, pois me tornei ainda mais rigoroso e escolherei poucas matérias para cada rodada, e estas serão três no máximo (o processo valerá para o King of the Kings, que homenageia as maiores cascatas perpetradas pelos nossos jornalistas).

Antes de anunciar as concorrentes, porém, vamos às regras:

1. Você poderá votar em até 5 candidatas. As três não classificas, porém, voltam na próxima seletiva parta uma nova chance.

2. O prazo da eleição será de uma semana. Assim, a votação termina no dia 3 de junho.

E ainda dois pedidos: leia todas as matérias – vale a pena, eu garanto; e vote nas cinco candidatas a que tem direito, como forma de homenagear os jornalistas que tentam, contra muitos obstáculos, fazer um bom jornalismo. A gente se queixa da grande mídia – especialmente do Grupo Globo – e suas cascatas, mas não damos a mínima força para quem procura trabalhar com honestidade. Aí, não dá para reclamar, certo?

Enfim, vamos lá.

1. Operador de Aécio em Furnas abriu empresa em paraíso fiscal mesmo com Lava-Jato em andamento (Agência Sportlight).

2. Eletrobras contrata, sem licitação, agência de comunicação para falar mal de si mesma (Agência Sportlight)

3. Elza Berquo, a pioneira na pesquisa demográfica no Brasil (Revista da Fapesp)

4. Alunos negros enfrentam racismo de colegas e até professores em sala de aula (Ponte Jornalismo)

5. Governo de Pernambuco desmonta programa de sucesso contra violência e mortes crescem 75% em cinco anos (Ponte Jornalismo)

6. Salgueiro: cidade do Sertão de Pernambuco é o espelho de destruição de economia do país pelo golpe de 2016 (Marco Zero)

7. PM de Minas persegue, sequestra e tortura jovem apenas por que pode (Agência Pública)

8. Moça do asfalto sobre a Rocinha e aprende como é a vida em meio aos tiroteios (Colabora)

9. Como os planos de saúde, recordistas em reclamação, se tornaram tão poderosos (Agência Pública)

A volta do Mapa do Tesouro do bom jornalismo na internet

Não tem como errar.

Tirando os diretamente empregados nela, creio que poucos discordam que a grande mídia brasileira atualmente é de gato jogar terra em cima. Então como nos manter razoavelmente bem informados do que vai pelo país e pelo mundo? Há uns meses, fiz uma lista bem pessoal de diversos veículos que fornecem olhares diferentes sobre o mundo. As listas – foram duas – eram acompanhadas de comentários de três ou quatro linhas sobre assunto principal e a maneira como o trabalhava o site Dessa vez, não haverá comentários maiores, apenas uma indicação do tema principal. Mais uma coisa: se você conhecer algum veículo que considere bacana, envie-me, que vou dar uma olhada e, se gostar (sim, é discricionário mesmo), ponho na lista, ok?

Vamos lá então.

Feminismo

AZMina

Geledés: Com o viés de raça.

Gênero & Número: Com base em jornalismo de dados.

Mulheres 50+ : Dedicado às mulheres de mais de 50 anos.

Geral

Agência Pública: Jornalismo investigativo, com uma parte dedicada a meio ambiente e outra à checagem de dados, o Truco.

Agência Sportlight: Jornalismo investigativo.

Aos Fatos: Checagem de dados.

Farol Reportagem: Jornalismo voltado para Santa Catarina.

Marco Zero Conteúdo – Jornalismo voltado para Pernambuco, tem parceria com a Agência Pública no Truco, a parte de checagem de dados.

Meus Sertões: Foco na região semiárida do Nordeste, com concentração na Bahia.

My News: Canal no YouTube.

Nexo: Inclui jornalismo de dados, colunistas, podcast e clipping qualitativo enviado por e-mail.

Opera Mundi: Foco em notícias internacionais e sua análise.

TV dos Trabalhadores (TVT): Notícias e análise, com sinal aberto em São Paulo, por parabólica para todo o país e canal no YouTube.

Volt Data Lab: Jornalismo de dados.

 

Mídia

Farol do Jornalismo: Tendências e análise por e-mail semanal.

Observatório da Imprensa: Análise.

Objethos: Análise e teoria.

 

Política

Conexão Jornalismo: Notícias e análise.

Congresso em Foco: Notícias e análise.

Diário do Centro do Mundo: Clipping e análise.

Fórum – Notícias e análise.

GGN – Análise.

Os Divergentes: Análise.

Poder360: Notícias e análise.

Tijolaço: Análise.

 

Segurança Pública e Justiça

Consultor Jurídico: Notícias e análise.

Jota: Notícias e análise.

Justificando: Notícias e análise, com canal no YouTube.

Ponte Jornalismo: Notícias sobre segurança pública e direitos humanos.

 

Sustentabilidade

Projeto Colabora: Notícias e análise, com envio de clipping diário qualitativo sobre estes assuntos enviado por e-mail.

Mapa do tesouro: onde encontrar jornalismo de qualidade na internet

A Infoglobo mandou mais 30 embora na outra semana e passou os jornalistas que sobraram para nova redação, no prédio erguido na Marques de Pombal, fruto de uma operação pra lá de estranha e que deu até em demissão de poderoso. A medida de economia – por que se tratou disso, certo? – foi disfarçada pela desculpa de transformar a cultura do jornal de impresso para o “digital first”, um santo graal que nem jornais mais ricos e com direção bem mais competente, como NYT, Washington Post, The Guardian ou El País, alcançaram.

Como o desenvolvimento previsível da ação é uma queda ainda maior da qualidade do produto, os cidadãos terão que se virar sozinhos para ter acesso a jornalismo de qualidade – não apenas “conteúdo” supostamente do mesmo quilate. Aí bate a perplexidade: onde um jornalismo assim pode ser encontrado? Bom lugar para você começar é este levantamento divulgado em meados do ano passado pela Agência Pública e que continua sendo incrementado com a ajuda dos internautas. Quem quiser ir além, pode consultar este estudo oriundo do México, também de 2016, com indicações de toda a América Latina.

Esses dois estudos já bastam, mas como sou gato-mestre (jornalista sempre é, não tem jeito), ponho aqui uma listinha própria, que comecei a publicar na página da Coleguinhas na plataforma do Zuck. Não é exaustiva e tive como outro critério de escolha, além do que considero qualidade jornalística (que pode ser muito diferente do que você considera), a ausência de militância política explícita. Assim, veículos que admiro, acompanho e com os quais até contribuo, como Conexão Jornalismo, Tijolaço, GGN, Outras Palavras, Diário do Centro do Mundo, Sul21 e outros, ficaram de fora. Ok? Vamos lá:

Agência Pública: É dos poucos que não tem problemas de grana (um de seus financiadores é a Open Society, de George Soros). Mantém gente boa no seu conselho consultivo, como Ricardo Kotscho e Leonardo Sakamoto, mas quase fica de fora da lista pela mania, típica da mídia corporativa, de ouvir só um lado em alguns temas – na série “Amazônia em Disputa” (financiada pela norte-americana Climate and Land Use Alliance, mantida pelas fundações Ford, Packard (HP), Moore (Intel) e Cargill) só foi enfocado quem era contra hidrelétrica, por exemplo. No entanto, do jeito que anda o jornalismo no Brasil, e como eles só vacilam mesmo no tema meio ambiente, botei na listinha.

Agência Sportlight: É a caçula da lista, tendo começado há dois meses, e também um prodígio – a segunda matéria publicada (sobre o estranho crescimento da rede de restaurante Riba) já virou destaque na Veja-Rio. É tocada por Lúcio de Castro, um repórter multipremiado, e filho (aqui vai a primeira de uma série de avisos ao leitores sobre minhas ligações pessoais) do imenso, magnífico, Marcos de Castro. Ele foi um dos mais brilhantes jornalistas com que convivi. Por uns 15 dias, no Globo, tentou me ensinar a ser um bom redator – não conseguiu, evidentemente, mas não por culpa dele – e, anos depois, em protesto contra uma demissão injusta minha pela qual se sentiu responsável (não era), pediu demissão do JB em solidariedade.

Aos Fatos: Tendo como diretora de jornalismo a vascaína fanática Tai Nalon, o AF assume o estilo zagueiro-zagueiro do Odvan: checa as afirmações dos políticos, confrontando-as com dados públicos e atribui-lhes um selo: verdadeira, imprecisa, exagerada, falsa ou insustentável. Sem firula. O AF faz parte do International Fact-Checking Network (IFCN), que, como o nome diz, é uma rede internacional de checadores, aquela que foi chamada pelo Facebook para combater as notícias falsas. Bruzundanga-Bananão é representado no consórcio também pela Agência Lupa e a já citada Agência Pública.

AZMina – Sabe a doçura feminina? Não passou nem no bairro aqui. É a revista eletrônica de um projeto educacional voltado para conscientização, empoderamento (ok, também não gosto da palavra, mas o conceito é meio novo, daqui a pouco a gente acostuma), defesa e auxílio das mulheres. É extremamente focado o que faz a publicação ser muito consistente, apesar da multiplicidade e diversidade das colaboradoras.

Gênero & Número: As questões de gênero e o jornalismo de dados se encontraram, deram aquela mirada, se aproximaram e, de repente, apareceu este bebê. O G&N ainda está engatinhando, mas já virou xodó do Vovô Iv, ao ser tão promissor e necessário por enfocar o universo feminino e de outros gêneros partindo de dados.

Marco Zero Conteúdo – Os conterrâneos não negam a raça – vão direto ao ponto: “Para manter a independência, não recebemos patrocínios de governos, empresas públicas ou privadas. Por isso, precisamos da doação das pessoas que acham importante para a sociedade e para a democracia a existência de um jornalismo que investigue as questões com profundidade, qualidade e independência”. Tem parceria com a Agência Pública no Truco, a checagem de dados de declarações de políticos, mas voltado só para Pernambuco.

Meus Sertões: Mais Nordeste, dessa vez no semiárido. A ideia é “descobrir e contar histórias relacionadas às 1.133 cidades do semiárido brasileiro”, pois a região “apesar de sua diversidade, costuma ser retratada de forma preconceituosa pelos meios de comunicação, com ênfase na seca e tragédia. Nossa proposta é mostrar todos os aspectos da vida sertaneja, debater questões cruciais e promover a cultura da região”. Novo aviso: sou suspeito – o criador do site, Paulo Oliveira, é amigo de mais de 30 anos e um dos jornalistas que mais admiro.

Mulheres 50+ : AzMina é bacana, mas, como elas mesmo apregoam, se dirige às moças até 40 anos (provavelmente porque todas as suas mantenedoras têm menos do que essa idade). Só que, obviamente, a vida das mulheres (e nossa também, embora ninguém tenha me perguntado a respeito) não acaba aos 40 – alguns dizem mesmo que começa exatamente nessa idade, mas aí é exagero. Mulheres 50+ cobre a lacuna com competência e sensibilidade. Outro aviso: sou muito suspeito com esse aqui também – das sete mantenedoras do site, tive a imensa honra de trabalhar com seis, sendo fã de todas.

Nexo: É um dos meninos grandes da vizinhança, junto com a Agência Pública, mas, diferente desta, não especifica de onde vem a grana (desculpe, mas não dá para manter aquela estrutura de pessoal, administração e tecnologia na base do pinga-pinga de assinatura). Apresenta um conteúdo bem acima da média não só dos independentes como até mesmo da maioria dos jornalões, mas me chateia em dois pontos, que são interligados: a arrogância típica dos paulistas da USP e da Poli, na linguagem e abordagem dos temas, e a mania de tacar gráficos cheios de bossa na cara dos leitores sem contextualização, de uma maneira que só gente com alguma base de estatística consegue ler (e com dificuldade, às vezes).

Projeto Colabora: Também sou meio suspeito pra falar desse aqui por ser amigo de metade da direção e conhecer a outra metade, sem falar de um monte de colaboradores (há um monte muito maior). O foco é em sustentabilidade e inclusão social, mas faz incursões por outras áreas bacanas, sempre “com um olhar + criativo, tolerante e generoso”.

Como avisei antes – e dá para notar pelo número de suspeições -, é uma lista bem pessoal. Dou força para que você faça a sua, partindo ou não desta lista ou das publicadas pela Agência Pública e pela mexicana Factual. Com um pouco de paciência, ao fim do processo, você terá acesso a um conteúdo jornalístico de qualidade e sob medida, pelo qual poderá pagar sem se arrepender (Ei! Jornalista tem supermercado e condomínio para pagar também, amigo/a!).

FÉRIAS!
Após quase 21 anos, resolvi dar férias da Coleguinhas para vocês. Ao longo destes anos, sempre arranjei uma maneira de publicar algo aos domingos, estivesse em Londres, Curitiba, Istambul, Recife, Santorini ou São Miguel do Gostoso. Dessa vez, porém, resolvi parar mesmo e só retornar em março, após o Carnaval. Então, fique na paz e até a volta!