Com vocês, o Prêmio Marcos de Castro de melhor reportagem na internet

Como quase todo brasileiro, sou muito de reclamar, mas pouco de apresentar soluções ou apontar exemplos positivos. Tentando mudar um pouco esse hábito, estou instituindo o Prêmio Marcos de Castro de melhor reportagem, com o objetivo de ser um contraponto ao tradicional King of the Kings, que há anos reconhece aqueles coleguinhas que se esforçam para avacalhar o jornalismo brasileiro por meio das cascatas mais descabeladas. O Marcos de Castro – homenagem a um dos jornalistas mais íntegros que conheci e meu mestre na arte, hoje quase perdida, de copidescar matérias jornalísticas-, porém, tem algumas regras diferentes do KofK. Vamos a elas:

1. Só concorrem matérias publicadas na internet, podendo ser em texto, vídeo ou outro tipo de narrativa. Veículos impressos, porém, estão fora. O motivo é tentar igualar os concorrentes, pois um veículo impresso denota maior capacidade econômica.

2. Pelo mesmo motivo, só entram na disputa veículos brasileiros que não tenham ligação com grupos jornalísticos, econômicos ou políticos daqui ou de fora. Poderão ter acordos de parceria para publicação de conteúdo, mas não remuneração direta. As matérias também não poderão fazer parte de projeto que tenha recebido apoio de instituições de quaisquer dos tipos citados.

3. Não há problema se os editores dos sites enviarem sugestões de matérias a serem incluídas para disputar o prêmio, dada a sua natureza positiva. Elas serão julgadas pelos leitores como as outras que vierem de outras fontes.

Espero que vocês colaborem com o Prêmio Marcos de Castro tanto quanto ajudam no King of the Kings (e, por meio deste, com Troféu Boimate, que premia a redação mais cascateira). Por fim, aviso que já estou recebendo inscrições.

Um grande se foi

Morreu Luiz Mário Gazzaneo, meu chefe na editoria de País, do Globo, na década de 80. Me fez muito conhecido na redação, pois berrava “Ivsooooonnn!!!” a cada 15 minutos na redação, estivesse eu na cantina, tomando café, ou ao seu lado, na mesa de edição, que dividia com Lutero Soares, João Rath e Cristina Konder (caramba! Como tendo professores como esses, e ainda Marcos de Castro, eu não me tornei um bom jornalista? Só sendo muito burro mesmo…).

Aliás, depois que o Lutero me chamou para ser redator do Globo, aos 26 anos (enquanto estive lá, fui o mais jovem de toda a redação), com uma frase marcante – “sei que você quer ser repórter, mas a gente tem que comer” -, o Gazza me apresentou ao Marcos:

– Esse é o Ivson. Vai trabalhar com vocês. O texto não é lá essas coisas, mas é rápido. Vê o que você pode fazer.

Como o Zé Sérgio Rocha, eu também aprendi muito sobre política e história do Brasil com o Gazza, a quem homenageei ano passado nesse post, mas, nem que tivéssemos, ambos, dezenas de vidas (algo que, como grande comunista, jamais acreditou, e não aceitaria se fosse verdade), poderia ficar quites com ele.

Vai na paz, meu mestre.