Todo-poderoso da Infoglobo perde o emprego

Marcello Moraes, todo-poderoso da Infoglobo, depois de liderar os diversos “passaralhos” nas redações, perdeu ele mesmo o emprego. Em seu lugar, assume Frederic Kachar, diretor-geral da Editora Globo e presidente da ANER (Associação Nacional dos Editores de Revistas). Moraes teria sido ejetado por deixar melar a venda do prédio que os Marinho estão construindo ao lado daquele que fica na Marquês de Pombal, na Cidade Nova.

O negócio era no valor de R$ 100 milhões – uma grana de não se jogar fora, ainda mais na situação atual das empresas de comunicação – e estava certo. Desandou porque Moraes deu mole e não preparou os documentos necessários a fim de fechá-lo, dando oportunidade ao grupo pretendente (o nome não consegui apurar em fonte fidedigna), que já não estava muito interessado no negócio diante da queda generalizada dos preços os imóveis, de desfazê-lo (e ainda recebendo o sinal de volta, ó pá!). Vamos convir que uma lambança desse nível torna justa uma demissão. O prédio? Tem grande chance se tornar um elefante branco, parente próximo de algumas arenas erguidas para a Copa, tão criticadas pelo Globo.

Frederic Kachar… Ele é o tipo de executivo que “entrega resultados” – ou seja, faz o que for preciso para dar lucros aos acionistas, ou reduzir-lhe os prejuízos, o que, em determinadas situações, dá no mesmo. Dentro dessa perspectiva, há possibilidade de ele levar a Editora Globo para dentro do Globo. Sobre seus pensamentos a respeito da crise que assola os veículos, pode-se ter uma ideia lendo uma matéria de 2013 sobre o assunto. Para quem quiser se dar bem com o novo homem forte, uma dica.

Um comentário sobre “Todo-poderoso da Infoglobo perde o emprego

  1. Por que a culpa não é só da Dilma
    A linha editorial do Globo é clara: quase tudo de ruim que acontece hoje no Brasil é culpa da presidenta Dilma Rousseff – mas nem tudo é bem assim.
    No início deste ano a Infoglobo (O Globo e Extra) demitiu 200 profissionais. Agora em Setembro mais 400 pessoas estão sendo desligadas. Todo mundo sabe que há uma crise global na mídia impressa, e por aqui, uma crise econômica que afeta o resultado das empresas.
    Este tem sido o discurso da família Marinho para justificar essas volumosas demissões. Mas será só isso mesmo? Todo mundo que acompanha as desastradas decisões empresarias da Infoglobo sabem que não!!
    Há 1 ano e meio o resultado das receitas (venda de exemplares e publicidade) encolheu muito mais do que o mercado brasileiro de jornais. Basta consultar o projeto Intermeios, coordenado pela jornal Meio & Mensagem, e percebe-se que a Infoglobo caiu bem mais do que a média dos jornais de todo o país em 2014, e segue assim em 2015. O motivo: em 2014 foram trocados os comandos das áreas de comerciais (circulação e comercial) por executivos que não entendem nada dos temas que estão liderando. Na Circulação (venda de exemplares) saiu um profissional de 20 anos neste setor e de reconhecidos resultados (Claudio Furtado), para a entrada de um gestor que nunca atuou na área (Marcelo Correa ) que veio da área de Educação (Ibmec). Na área da Publicidade a troca foi ainda mais radical. O Diretor Mario Rigon, com 15 anos no mercado, foi substituído por Felipe Goron, um profissional praticamente sem experiência em negociações e que não conhece nada do Rio de Janeiro e nem dos jornais da Infoglobo (por ser gaúcho e morar em S Paulo). As equipes de vendas foram desmobilizadas e os que ficaram não acreditam em seus líderes. Os gestores demitidos foram logo contratados pela concorrência – Claudio Furtado pelo Estadão e Rigon pela Rede TV. Mas a Infoglobo preferiu arriscar com nomes inexperientes numa hora de crise. Resultado: as vendas despencaram e os jornalistas (e profissionais de outras áreas) pagarão com os seus empregos pelos erros dos “acionistas” -como os Marinhos agora preferem ser chamados.

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