Rufem os tambores! Que comece a eleição da maior cascata de 2016!

Não, meu caro/minha cara, 2016 ainda não acabou – sobrou um compromisso importante a ser quitado: a eleição da maior cascata do ano. Esta é a nona vez que o pleito é realizado de maneira seguida (em era anterior da Coleguinhas, era realizado de maneira esporádica). O King of the Kings – desculpe a falta de modéstia – é único no cenário do jornalismo brasileiro por não haver outro que reconheça o esforço e a determinação dos coleguinhas na busca pela completa desmoralização da própria profissão, quebrando aquele contrato tácito de que o jornalista deveria apenas contar a verdade da melhor maneira que pudesse a fim de que o leitor fizesse seu julgamento. Caso você tenha interesse em ver os premiados desde 2008 e a origem do nome do prêmio é só ir em “Hall da Infâmia do King of the kings”, aí na aba superior.
Este ano, são 28 cascatas na disputa e as regras e dicas para a eleição são as seguintes:

1. Você pode votar em até 14 concorrentes. Não é proibido de votar em menos, mas, francamente, creio que você vai é achar o número bem limitado, dada a qualidade das cascatas (e a consequente falta de vergonha na cara das matérias).

2. Como é uma final – o que obriga a uma responsabilidade maior no ato de votar -, o prazo normal de uma semana será estendido para duas, a fim de que você pese com calma antes sufragar suas escolhidas. Assim, a eleição termina em 29 de janeiro.

3. Caso você tenha alguma dúvida sobre uma ou mais cascatas específicas, os links para elas estão aqui do lado direito.

Então, vamos lá! Vote! Premie aqueles que mais tentaram engabelá-lo/a com mentiras, meias-verdades e manipulação.

O “crowdfunding” e o IVC da Folha

Nesta semana, prosseguindo a análise dos números do IVC dos principais meios de comunicação impressos do país, vamos aos resultados da Folha de São Paulo. Antes, porém, um minuto para os nossos comerciais.

A campanha de “crowdfunding” para a manutenção deste serviço continua aberta. Agora que não disponho mais da fonte que fornecia os dados “de grátis”, precisarei pagar por eles e, para isso, preciso de sua ajuda. No momento, o projeto possui seis apoiadores – a quem agradeço de todo o coração -, mas há necessidade de muitos mais. Há tempo ainda, pois a campanha só termina em 29 de setembro. Para colaborar om qualquer quantia, é só clicar aqui. Conto com sua ajuda!

Então, vamos aos números do jornal dos Frias.

20160814_folha_3tri2015_1tri2016
1. O primeiro par tabela/gráfico 1 (4º tri/2015 x 1ºtri/2016) demonstra uma queda
na circulação total de 3,7%% (de 320.230, em outubro/2015, para 308.251, em março deste ano), na média de segunda a domingo bem menor do que o de seu concorrente direto no mercado, o Estadão, cuja redução chegou a 5,9%

2. A queda foi puxada pela edição digital, com uma redução de 9,5% (97.028 para 87.778) diferindo frontalmente com o Estado, cuja assinatura da edição digital cresceu 5,7% no período observado.

3. Por outro lado, as assinaturas híbridas do jornal dos Frias cresceram 4,8% (de 46.033 para 48.237) na comparação do último trimestre de 2015 para o primeiro de 2016, também contrastando com o mesmo tipo de assinatura do jornal dos Mesquita, que teve uma estrondosa queda de 22,4% no período.

4. Também há desacordo nos números entre os dados de circulação dos dois jornais paulistas é quanto à circulação impressa. Enquanto, no caso da Folha, ela subiu 1,7% (169.390 para 172.236), no Estadão, ela caiu 3,1%.
O segundo par tabela/gráfico mostra o confronto entre os dados dos primeiros três meses de 2015 com os do mesmo período deste ano.

20160814_folha_1tri2015_1tri2016

1. A comparação entre os primeiros trimestres dos dois últimos anos reforça a ideia de que há uma estabilidade na base de assinantes da Folha. Enquanto no período, em 2015, houve uma redução da base geral de 0,5% (365.428 para 363.582), em 2016, este percentual foi de apenas 0, 1% (308.596 para 308.251).

2. No entanto, esta estabilidade está sendo obtida num patamar muito mais baixo na comparação com o início de 2015. Assim, em março de 2015, a circulação média total da Folha era de 363.582, mas caiu para 308.251, um ano depois, redução de 15,2%.
3. Nas assinaturas digitais, houve uma aceleração na perda de leitores de -2,7%, no primeiro tri de 2015 (102.894 para 100.029) para -9,5%, no mesmo período deste ano (item 2 referente ao primeiro par tabela/gráfico, acima).

4. Nas assinaturas de jornal impresso, porém, a Folha conseguiu uma reversão. De uma redução de 0,9% nos primeiros três meses de 2015 (de 204.229 para 202.468), o jornal do Frias obteve um crescimento de 1,7%, no mesmo período deste ano, conforme o item 4 da análise do primeiro par tabela/gráfico.

5. Já nas assinaturas híbridas, um fenômeno interessante. Houve aumento na circulação nos primeiros trimestres tanto de 2015 quanto de 2016, e até uma aceleração no mesmo sentido neste ano (elevação de 4,8%, em 2015, e de 6%, em 2016), mas estes percentuais são enganosos. É houve uma enorme queda na base de assinantes deste segmento: em janeiro de 2015, ele era de 58.305, caindo 21,9% no mesmo mês deste ano (para 45.497). O resultado é que, em março do ano passado, o número de assinaturas era de 61.085, mas, no mesmo mês de 2016, era de 48.237, ou seja, menos 21%. Assim, foi este segmento o grande responsável pela queda de 15,2% no patamar geral apontada no item 2 acima.

De todos estes dados, pode-se deduzir que a Folha estabilizou seu número de assinantes gerais, mas num patamar muito abaixo do que estava há pouco mais de um ano. Também pode-se observar que o jornal tem encontrado ainda maior dificuldade de fazer a migração para o digital do que seu concorrente direto, o que não deixa de ser surpreendente dado o marketing da Folha basear-se, há décadas, na contraposição de sua modernidade com o conservadorismo do Estadão.

O “CROWDFUNDING

Bem, e aí? Legal? Gostou das análises? Então me ajude a mantê-la contribuindo na “vaquinha virtual” no Catarse. Vamos lá! Tem recompensa a partir de 20 “real”. É só clicar aqui e colaborar. Novamente agradeço a ajuda.

Lição de desonestidade

Primeiro, por favor, leia essa matéria.

Obrigado. Você deve ter contado três fontes na matéria – Edmar Bacha, Regis Bonelli e Mônica de Bolle. Pois lamento dizer que você foi enganado, pois só há duas fontes realmente.

O truque do Estadão foi apresentar duas das fontes  como se elas não estivessem ligadas, como de fato estão. Mônica de Bolle ((guarde bem o nome dessa moça. Você ainda vai ouvir falar muito dela) é apresentada como “economista da Galanto Consultoria e diretora executiva do Instituto de Estudos de Política Econômica Casa das Garças”, o que ela é. Já Edmar Bacha é descrito apenas como economista, não sendo mencionado que é também diretor da mesma Casa das Garças, da qual, aliás, é fundador  (veja aqui).

Para quem conhece os meandros dos economistas, especialmente no Rio, como os repórteres do Estadão, a relação é sabida, mas quantos dos que leram a matéria lá de cima no jornal dos Mesquita estão de posse dessa informação? Esses foram feitos de otários.

E assim se passaram 10 anos de impunidade

Para registrar que não esqueci o assassinato de Sandra Gomide por Pimenta Neves, leia aqui vai o texto que escrevi na época, quando era colunista do C-se (apelido que dei ao Comunique-se, para irritação do Rodrigo Azevedo,  mas hoje já assumido.)