Vamos à 3ª seletiva do King of the Kings-2017!

Redações em plena atividade

 

Você vai ficar um tanto decepcionado/a, mas não há tantas cascatas assim para disputar a terceira seletiva do King of the Kings-2017. Há dois motivos básicos para o fato, creio. O primeiro é que, como já mencionei mais de uma vez, meus critérios cascatológicos, desenvolvidos em mais de duas décadas, são extremamente rígidos. Para entrar na lista de concorrentes ao KofK, a cascata precisa ser de muito baixo nível. O segundo motivo é decorrente do primeiro – o jorro de cascatas de baixo nível caiu muito desde que o Golpe de 2016 desandou e os antigos aliados começaram a ser atacados pelos veículos de comunicação, os quais também, vendo que já não detêm um controle absoluto sobre o golpe que comandaram, começaram a passar um paninho, posando, novamente, de “isentos, imparciais e objetivos”. Quem não os conhece que os compre.

Por estes motivos, são apenas dez as cascatas que estarão na disputa por uma vaga para a final de janeiro de 2018. Antes de nomeá-las, vamos às regras:

1. Você pode votar em até cinco concorrentes.
2. As cinco não classificadas voltam para a última seletiva.
3. O pleito segue até dia 19 de novembro, dando, portanto, duas semanas para você ler e votar com calma.

 

Então, vamos às concorrentes!

1. SporTV chama assassinato de torcedor de “fatalidade”.
2. Veja já tem pronta matéria sobre condenações de Lula.
3. IstoÉ usa investigação para acusar senadora que defende governo da Venezuela.
4. IstoÉ afirma que PT tem célula dentro da PGR e domina Lava-Jato.
5. Superinteressante fala da ameaça da Coréia do Norte aos EUA, mas esquece de falar das razões do ódio dos norte-coreanos.
6. O Globo dá foto sobre Malas do Geddel, mas com manchete sobre Lula e Dilma.
7. Folha demite repórter com medo de seguidores de Danilo Gentilli.
8. Míriam Leitão acusa “forças do atraso” que ajudou a pôr no poder pela tentativa de liberação do trabalho escravo.
9. History Channel mente a historiadores para produzir programa que deturpa a História do Brasil.
10. Estadão afirma que Temer não compra Congresso para fugir das acusações de corrupção.

Globonews vence segunda seletiva do King of King-2017. Folha assume liderança no Troféu Boimate.

A notícia, dada em termos festivos, de que a recessão tinha reduzido a inflação e devolvido o poder de compra aos brasileiros deu à Globonews a vitória na segunda seletiva do King of the Kings-2017, com 161 (16%) dos 944 votos computados. O KofK é o único prêmio dedicados aos coleguinhas que mais se destacam na tarefa de avacalhar o jornalismo brasileiro.As seis classificadas para a grande final marcada para janeiro de 2018 foram:

1. Jornalista da GloboNews festeja recessão e desemprego por devolver poder de compra aos brasileiros. (161 votos, 16%)

2. Estudante tem a cabeça quebrada por cassetete empunhado por policial e e Folha diz que foi por “homem trajado de PM”. (139, 14%)

3. Miriam Leitão afirma ter sido agredida por petistas durante voo, mas ninguém vê. (O Globo)  (127, 13%).

4. Veja acusa Lula de usar Dona Marisa para escapar de Moro. (121, 13%)

5. Procuradores da PGR dão “coletiva em off” para vazar nomes da Lista da Odebrecht. (Vários). (105, 11%).

6. Folha usa perito Molina para desqualificar gravações de Joesley Batista que mostram Temer cometendo diversos crimes. (88, 9%).

Com duas cascatas classificadas para a final do Kofk-2017, a Folha assumiu a liderança do Troféu Boimate-2017, que reconhece o esforço coletivo das redações em prol da desmoralização da profissão de jornalista no Brasil, com 3 concorrentes. A colocação do Troféu Boimate, você pode conferir à direita.

Vamos à segunda seletiva do King of the Kings-2017!

O meio do ano já chegou! O tempo voa mesmo, como dizia minha avó. Então, é hora da segunda seletiva para o King of the Kings-2017! Das dez concorrentes desta seletiva, quatro estão na repescagem da primeira e seis são novas. Antes de começar, vamos às regras, como sempre.

1. Você pode votar em até seis concorrentes.

2. Também dessa vez, as quatro não classificadas terão nova chance na próxima seletiva.

3. A votação vai até o próximo domingo, dia 16.

E vamos às concorrentes!

1. Estado de São Paulo acusa erradamente juiz do Amazonas de ligação com facção criminosa e ele passa a ser ameaçado por outra.

2. Site 247 recebe informação de leitor, não checa e publica que presidente do Bird criticou governo por acabar com programas sociais.

3. Elio Gaspari defende que Temer deve ficar porque “ruim com ele, pior sem ele”. (Folha e Globo).

4. Procuradores da PGR dão “coletiva em off” para vazar nomes da Lista da Odebrecht. (Vários).

5. Estadão afirma que 59 milhões de tuiteiros apoiaram Dória em polêmica com Amazon.

6. Jornalista da GloboNews festeja recessão e desemprego por devolver poder de compra aos brasileiros.

7. Estudante tem a cabeça quebrada por cassetete empunhado por policial e a Folha o descreve como “homem trajado de PM”

8. Veja acusa Lula de usar Dona Marisa para escapar de Moro.

9. Miriam Leitão afirma ter sido agredida por petistas durante voo, mas ninguém vê.

10. Folha usa perito Molina para desqualificar gravações de Joesley Batista que mostram Temer cometendo diversos

 

Os deputados e os veículos de comunicação – III (TV)

Assim chegamos à terceira parte da análise da pesquisa da FSB a respeito de como os políticos se informam e qual a influência os meios de comunicação têm sobre eles (as duas primeiras colunas sobre o tema, você pode acessar aqui e aqui). Nesta semana, o foco recai sobre quais os telejornais vistos por suas excelências e os portais que são acessados por eles mais frequentemente.

Antes de começar, aqueles toques metodológicos um tanto chatos:

1.  O universo abrange apenas os deputados federais.
2.  Foram ouvidos 230 parlamentares de 26 partidos, nos dias 8 e 9 de março.
3.  A escolha foi aleatória, mas observou-se a proporcionalidade das bancadas.
4.  Partidos com apenas um representante não fazem parte da amostra por permitirem a identificação dos respondentes.
5.  Por internet, o levantamento abrange mídias sociais, blogs e sites.
6.  Nas perguntas tanto sobre os telejornais quanto sobre os portais foram computadas até três respostas.
7.  Em 2016, as respostas alcançam apenas o primeiro trimestre.

Vamos então ao primeiro gráficos, com a análise em seguida.

relatorio_midia_e_politica_fsb_2016_telejornais

1. No total, os três telejornais nacionais da Globo (Nacional, Globo e Bom dia, Brasil) perderam, em conjunto, 16 pontos percentuais no período considerado. A maior perda de audiência entre os parlamentares foi do JN, com 14 pontos percentuais (de 59% para 45%) e o ganho solitário foi do JG, com 5 p.p (25% para 30%). O Bom Dia, Brasil perdeu 7 p.p. (de 12% para 5%).

2. A Globonews manteve-se quase estável com a perda de apenas 2 p.p. no mesmo período.

3. O maior ganho relativo no período foi do Jornal da Record, que dobrou seu índice, saindo de 5% de audiência para 10%.

4. O Jornal da Band também teve uma queda importante de 4 p.p. (26% para 22%), com o agravante, para o grupo, pela queda concomitante da BandNews de 2% para 1%.

5. O Jornal do SBT também apresentou pequena queda, de 2 p.p. (6% para 4%).

6. A pesquisa aponta um crescimento de 3 p.p. (7% para 10%) em Outros. Não é possível afirmar com certeza, mas, dado os desempenhos dos telejornais nomeados, é possível que boa parte deste ganho seja da RecordNews e do Repórter Brasil, da EBC, este devido à cobertura mais equilibrada do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

7. Dos dados gerais, observa-se a clara perda de importância dos telejornais como foco de consumo de notícias dos deputados federais, pois, com exceção do Jornal da Record e de Outros, houve queda muito significativa nos índices de audiência deste tipo de produto.

 

Sigamos agora para os gráficos (são dois) referentes aos portais e suas análises.

relatorio_midia_e_politica_fsb_2016_portais

1. Apenas dois portais (G1 e UOL) concentram 91% da atenção dos deputados federais.

2. Os dois, porém, estão trilhando, no momento, caminhos diferentes. O G1 é o destaque dos gráficos, por, no decorrer dos nove anos do levantamento, ter crescido nada menos do que 43 pontos percentuais, tendo assumido a liderança e ampliado sua vantagem sobre o segundo colocado (o UOL) de lá para cá.

3. O portal da Folha, ao contrário, depois de crescer 14 p.p. nos anos do levantamento, apresentou uma brusca queda de 12 p.p. nos três primeiros meses de 2016. Há que se observar que esta redução drástica ocorreu no mesmo momento em que o portal passou a apresentar colunistas de extrema-direita como Reinaldo Azevedo e Kim Kataguiri.

4. Diante da vantagem avassaladora dos portais do Grupo Globo e do UOL, sobra pouco para os outros. Mesmo nestes, porém, há uma certa concentração, com o Terra tendo 6% de audiência, contra índices irrisórios dos outros três portais (chegando a zero no caso do iG).

5. Observa-se que o crescimento dos portais vai contra a tendência geral dos veículos que apresentaram queda, com apenas dois apresentando decréscimo nos nove anos de levantamento, sendo que apenas um deles com mais de 5 p.p.

6. Também é notável o mau desempenho dos portais de jornais, especialmente o da Folha de São Paulo, que, nos últimos seis anos perdeu 20 p.p. (22% para 2%) de audiência entre os parlamentares. Lamento a ausência do site Globo.com da pesquisa.
Quem quiser baixar a pesquisa, pode fazê-lo clicando aqui.

Facebook “mistura-e-manda” – I

O facebook tem um monte de problemas, mas um dos que mais me irrita é que não posso (ou não sei e aí a irritação fica com minha burrice) encadear links. Não adianta botar hashtags porque elas ficam perdidas da mesma maneira. Assim, resolvi reviver o “mistura-e-manda”, um tipo de post que escrevia em outras era da Coleguinhas, com o objetivo de pôr links que fazem parte de um (ou mais) temas, pelo menos dentro de minha caótica cachola – sempre com o que escrevi no post.

Para começar, aí vão quatro:
O abraço de tamanduá corporativo no jornalismo
O jornalismo brasileiro veiculado pelos grandes meios não se tornou este desastre de uma hora para outra, e nem devido apenas aos interesses dos seus donos em arranjar dinheiro com um governo ilegítimo que eles puseram no Planalto. O processo vem de longe e este ótimo documentário, exibido em 2009 e que levou três anos para ser produzido, demonstra as raízes do que vivemos em 2016. Vale muito ver (de novo se for o caso) e divulgar.

Aquarius só para maiores
Quem produzir cultura no Brasil nos próximos anos, precisará levar muito a sério a possibilidade de só ter a internet como plataforma para divulgar obras contra o “fascismo light” (leve, por enquanto) que vai assolando o país aos poucos. Pelo menos, aquelas que tiverem o objetivo de atingir um público mais abrangente.

“Manual do Perfeito Empreendedor” ou economia para coxinhas
Está desempregado?! Está empregado, mas o seu patrão é um mala-sem-alça-de-papelão-na-chuva?!
Seus problemas acabaram!
É só seguir o “Manual do Perfeito Empreeendedor”, veiculado pela GloboNews! O MPE não apenas permitirá conseguir o emprego dos sonhos, mas, dependendo apenas de sua ambição, talento e determinação, levá-lo-á à riqueza!
(Se você seguir o MPE e não conseguir sucesso é porque “tu é” um idiota irremediável, sua besta!)

Uma entrevista de emprego na redação

 

#aGlobodedveserdestruida

A pesquisa do Pew Research Center e o mercado de mídia nos EUA

Esta semana vamos dar uma olhada no levantamento do Pew Research Center, mas não em todo ele, pois é enorme e, além disso, completamente focado no mercado dos EUA, diferentemente do realizado pelo Instituto Reuters, que expus semana passada e abrange 26 países. Assim, vou aprofundar apenas o meio jornal, cujo mercado guarda mais semelhança com o nosso – o de TV aberta daqui é distorcido pelo quase monopólio da Rede Globo, enquanto o de TV paga não tem o peso que tem lá. De qualquer forma, você pode baixar o estudo completo e ainda dar uma olhada na base de dados. A geral e a análise serão baseadas na tradução (muito) livre das realizadas pelos autores do relatório, que você pode conferir no original.

Então, vamos lá.

AUDIÊNCIA (IMPRESSO)

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Desde 2008, quando o mundo caiu da última vez, os jornais estadunidenses, sob pressão incessante, tiveram que se virar para manter-se à tona e mudar a maneira de fazer negócios de uma maneira que afetaram os seus leitores, mesmo aqueles que não têm ideia de como se dirige um veículo impresso.

E a coisa não parece estar melhorando: em 2015, os jornais tiveram seu pior ano desde o período imediatamente posterior ao “crash”. A circulação dos veículos diários sofreu um tombo de 7% em relação a 2014, nos dias de semana, o maior declínio desde 2010. A edição impressa caiu 9%, mas a elevação de 2% no acesso às edições digitais deu uma melhorada nesse aspecto. As edições dominicais caíram menos (4%), mas já vinham de outra redução (de 3%), em 2014 – e, como no caso dos dias de semana, o problema concentrou-se na edição impressa (menos 5%), pois as edições digitais até cresceram 4%. Estas reduções cortaram as esperanças dos editores, que, depois de uma redução nas perdas pós-2009, chegaram a ver um crescimento geral em 2013.

A edição impressa é mesmo um problema, pois, apesar do seu declínio, 76% do total da circulação ainda é oriunda do jornal de papel, nos dias de semana, e 86% aos domingos. Estes números demonstram a resiliência do veículo impresso (51% ainda leem jornais somente dessa maneira, conforme gráfico abaixo), mas não contam a história toda – ao contrário de uma década atrás, o jornal impresso não é mais o meio de acesso primário às notícias, perdendo até para o rádio: primariamente, os estadunidenses acessam notícias mais por rádio (20% contra 25%) e fontes digitais (sites e apps) – 28% -, sem contar TV.

201606_State-of-the-News-Media-Report-2016-leitura de jornais

 

 

AUDIÊNCIA (DIGITAL)

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No mundo online, a audiência dos jornais continua caminhando em direção aos aparelhos móveis. Conforme mostra o gráfico acima, os visitantes únicos cresceram em mais da metade dos 50 maiores jornais dos EUA, mas em níveis diferentes para desktops e mobiles. Para 39 dos 50 sites estudados, houve queda entre os desktops – com 28 caindo 10% ou mais -, enquanto os visitantes únicos por meio de smartphones e tablets cresceram em 43 nos mesmos 50, sendo 10% ou mais em 35 deles.

Essa é a notícia boa. A ruim é que o tempo despendido pelos visitantes deste s sites – medida fundamental para os anunciantes – caiu entre os mobiles. No geral, até houve uma elevação do tempo em que os leitores ficaram nos sites em mais da metade dos pesquisados (em 32 houve acréscimo de 10% nas visitas por meio de desktops), no entanto, em 34 foi observada queda entre os aparelhos móveis.

Como dito acima, os acessos aos jornais por meio de aparelhos móveis superam em muito os oriundos pela versão impressa, apesar das pessoas dizerem que preferem ler os veículos impressos. Esta contradição fica muito clara aqui – dos 49 jornais que têm edição dominical (o Wall Street Journal não circula aos domingos), o número de visitantes únicos supera o de assinantes em até 78 vezes, segundo relatórios referentes ao terceiro trimestre de 2015. Esta discrepância mostra claramente o maior desafio dos jornais: transformar aquele internauta que dá com os costados no site por acaso – e por isso não despende muito tempo nele – em assinante, um cara que, em geral, fica mais tempo no sítio, lendo mais do que uma simples matéria.

 

RECEITAS

201606_State-of-the-News-Media-Report-2016-Publicidade_jornais

 

Como a Associação Nacional dos Jornais dos EUA decidiu parar de divulgar as estatísticas de receita dos seus associados em 2013 (me pergunto o motivo…), os pesquisadores do PRC tiveram que usar outros dados para descobrir o faturamento dos jornais. Apelaram então as demonstrações das empresas com ações negociadas em bolsa (que, aliás, caíram de nove para sete nos últimos 10 anos). Estas companhias representam um quarto dos veículos em circulação por lá – não dá para calcular o total de receita, mas pode-se usar como parâmetro para o estudo de tendência.

Com base nestes dados, descobre-se que, em 2015, a indústria de jornais teve a sua maior queda em termos de receita desde o biênio 2008/2009, um tombo de 8% em anúncios (contra 15%, em 2008, e 27%, no exercício seguinte), com um minúsculo aumento de 1% no faturamento vindo da circulação. A situação poderia ter sido pior não fosse o crescimento das receitas de anúncios vindos das edições digitais. Segundo as cinco empresas que desagregam os dados entre estas e as não-digitais nos relatórios para a SEC (a CVM de lá), houve uma queda de 9,9% no faturamento nos anúncios “analógicos” contra redução de 1,7% nos digitais, em 2015. Dessa maneira, a publicidade digital passou a ser responsável por 25% do que entrou nos cofres das companhias nesta rubrica, crescimento de 8 pontos percentuais em cinco anos (gráfico abaixo).

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EMPREGO E NÚMERO DE VEÍCULOS

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Diante deste quadro, não é de espantar que o nível de emprego nas redações estadunidenses tenha caído. Os números com que a Pew trabalha são do censo realizado pela Sociedade Americana de Editores, cujo último levantamento foi realizado em 2014. Neste ano, a redução da força de trabalho foi de 10% em relação a 2013, quando já houvera um decréscimo de 3% em relação ao ano anterior. O número total de postos de trabalho nas redações dos EUA há dois anos atingia 32.900, uma perda de 20 mil postos de trabalho entre 1994 e 2004, representando 39% a menos jornalistas nas redações. O gênero, neste  caso, não fez diferença – as mulheres perderam tanto o emprego quanto os homens (mas continuam como minoria nas redações de lá – cerca de 35% são coleguinhas do sexo feminino. No quesito diversidade, os não-brancos perderam um pouco menos emprego, enquanto a percentagem deles continua em 13% nas redações.

Também era esperado o fechamento de jornais por dificuldades econômicas. Segundo os últimos números disponíveis, de 2014, havia 1.331 jornais com edições em dias de semana nos EUA, contra 1.457, em 2004 (-8,6%), redução que se estendeu àqueles que têm edições de domingo separadas, conforme o gráfico abaixo.

201606_State-of-the-News-Media-Report-2016 - número de jornais

 

 

Basicamente é isso. Como falei, porém, tem muito mais números de onde vieram estes. Dou a maior força para que você baixe o estudo pelo link lá de cima para dar uma estudada, pois, apesar das diferenças marcantes entre o mercado dos EUA e o do Bananão, alguns indicativos e desafios são os mesmos.

 

Banda de patos

Não sou um grande especialista em telecomunicações como os coleguinhas Samuel Possebon, Miriam Aquino, Lia Ribeiro Dias, Luís Osvaldo Grossmann, Fernando Lauterjung ou Lúcia Berbert, mas acompanho a área, com mais ou menos afinco dependendo da época, desde fins dos anos 90 quando vi que o mestre Nilson Lage estava certo (para variar) e a comunicação (jornalismo dentro) ia ser muito influenciada – em alguns casos, guiada – pela área técnica. Por isso, depois de ler os craques acima citados e pesquisar em outras fontes, vou dar pitaco nesta questão do limite de banda internet fixa para tentar esclarecer outros pobres mortais que, como eu, não entendem tanto assim da questão.

Como se sabe, as empresas de telecomunicações que dominam 95% do mercado decidiram estabelecer a limitação de uso da banda larga nas linhas fixas – a Vivo foi a última, no dia 10, enquanto a Oi e a NET já previam esta limitação em contrato há tempos, mas juram que jamais a puseram em prática. Houve uma revolta geral, todo mundo se meteu – até a um tanto desmoralizada OAB – especialmente depois que o presidente da Anatel, João Rezende, disse que a época da internet ilimitada acabou .

A questão que está por trás desse movimento é a explosão do consumo de vídeo por meio da internet. Segundo estudo da Cisco divulgado ano passado,  80% do tráfego da internet em 2019 será de vídeo. Desse total, 66% do consumo será endereçado a dispositivos móveis (cuja banda já é limitada desde os primórdios). Este crescimento exponencial do vídeo vem dos “millenials”, que praticamente abandonaram a TV e passaram a divertir-se e informar-se por meio do You Tube  e de OTTs como Netflix, Hulu e HBO GO (sem contar que ouvem música também em streaming com Sportify, Deezer, Rdio etc, e trocam mensagens e mandam mensagens de texto, voz e vídeo por zapzap, Messenger, Telegram…).

Este é um movimento mundial, mas aqui no Brasil apresenta duas particularidades, que, juntas, deixam o consumidor brasileiro em palpos de aranha (antiga essa, hein?). A primeira, já apontei acima: há um oligopólio no fornecimento de banda larga fixa. A Anatel, como agência reguladora, em teoria, deveria ter impedido isso – SQN, pelo motivo óbvio de que os seus dirigentes foram ou serão empregados quando deixarem a autarquia, no mínimo como consultores, pelas empresas que devem controlar. Dessa forma, o que Oi, NET e Vivo disserem que é em termos de banda larga fixa é o que provavelmente vai ser.

A segunda é que os três grupos que dominam a infraestrutura de banda larga fixa são também dominantes na prestação de serviço de TV por assinatura, com 68,4% do mercado , no total. Assim, elas são concorrentes de You Tube e Netflix (e também serão da HBO GO, que está para chegar aqui) e, obviamente, têm todo o interesse em prejudicar seus concorrentes, que usam banda, ganham uma fortuna e, segundo as operadoras, não têm as mesmas obrigações tributárias que elas  – incluindo o Condecine, que a Ancine (a agência que regula a área audiovisual) está demorando éons para regular em relação às OTTs de vídeo (leia-se Netflix).

Diante desse quadro, as operadoras resolveram partir para a ignorância em cima de nós, a fim de pressionar o governo a tributar as OTTs (as que podem fazer chamadas de voz, tipo zapzap, estão dentro disso) e pressionar estas a pagar um pedágio maior do que nós, seres humanos, a fim trafegar seus pacotes de dados em seus cabos sob o argumento de que usam mais “espaço” (banda) do que nós.

E, no caso do governo, deu certo parcialmente. O governo diz que vai defender o distinto público ao exigir um “compromisso público” das teles de manterem a banda larga fixa ilimitada. Bacana, né? SQN de novo. Se você não entendeu o que Luís Osvaldo Grossmann explica, vou tentar esclarecer.

Digamos que hoje você paga R$ 200 por seu plano. Com a ideia do governo, as teles podem criar planos inferiores, com franquia, custando menos. Aí, vai acontecer uma dessas três coisas:

1. Aos poucos, que nem sapo sendo cozido em água aquecida devagarzinho, você, ao longo do tempo, pagará mais e mais para manter o seu padrão de consumo de internet e ficar vendo conteúdos pelos serviços de streaming (Netflix, HBO GO, You Tube) e mandando mensagens por zapzap, Messenger etc. Resultado: as teles ganham e você perde.

2. Você deixa de assistir conteúdos de vídeo via streaming e volta para TV por assinatura (a queda de consumidores destas é fato notório e constante há meses). Resultado: as teles ganham e você perde.

3. Serão oferecidos planos com “uso gratuito” de aplicativos, como já se faz na telefonia móvel, pois as OTT integrantes do plano pagarão por você. Resultado: a teles ganham e você perde por ter suas poder de escolha limitado.

De todas as formas, de uma maneira ou de outra, o Marco Civil da Internet, um dos melhores marcos legais de internet do mundo e que levou anos para ser construído por toda a sociedade, iria para as cucuias, especialmente seus artigos 2 (incisos III e V) e 7 .

Abre parênteses. Há uma quarta possibilidade, que pode vir em paralelo às de acima: as OTTs passam a recolher os mesmos tributos das TVs por assinatura e são obrigadas a pagar um pedágio maior para trafegar nos cabos. As OTTs precisarão repassar esse custo, claro. Resultado…Ah, você sabe. Fecha parênteses.

Agora, diante do exposto, você já viu quem vai “pagar o pato”, como diz aquela federação patronal golpista, dessa situação toda, certo?

#aGlobodeveserdestruida