Oitava (e última) seletiva para a final do King of the Kings – 2015

Esperei até o último momento, pois já teve ano que os coleguinhas arrumaram uma cascata braba em 27 de dezembro, mas eis que chegamos à última seletiva para as concorrentes à maior cascata de 2015, mas adiantei a publicação em um dia por ter que viajar logo mais. Com a edição da Lei 13.188, da do Direito de Resposta, ocorreu um fenômeno nada surpreendente: o número cascatas caiu drasticamente. Ainda, assim cinco estão aqui, mas antes, vamos recordar as regras, que, dessa vez, se reduz a apenas duas:

1. Você pode votar em até três (3) concorrentes.

2. A votação termina no domingo que vem (03/01/2016), ao meio-dia.

Assim, caros e caras, vamos às últimas pré-candidatas ao King of the Kings!

Globo confunde Merval com FHC

Bill Gates processa a Petrobras (Vários)

Barriga de Lauro Jardim provoca admissão de erro do Globo na primeira página

Folha republica barriga da Veja sobre filho de Lula

Merval prevê “caminho livre para golpe” e STF, SQN

 

 

Congresso em Foco joga luz sobre o MP

Os coleguinhas do site Congresso em Foco às vezes exageram em sua louvável e honesta cruzada em prol da limpeza da política brasileira, mas isso é natural e não empana, de forma nenhuma, a importância da missão. Prova de que eles estão no caminho certo é a matéria que publicaram semana passada sobre os descaminhos do Ministério Público.

Baseada num artigo assinado por Eugênio José Guilherme de Aragão, corregedor-geral do MP e aspirante ao Supremo, desencavado em um livro quase desconhecido, a matéria (que você pode ler aqui) enfoca as críticas do procurador à conduta dos seus colegas, especialmente à mania de colocarem os governos e entidades públicas como ser fossem vilões de histórias em quadrinho e eles mesmos como superherois desse mesmo gênero literário (é, gênero literário. Pronto, falei), a fim de emparedar os governos e fazerem com estes mantenham – e ampliem – seus privilégios funcionais.

Era (é) uma pauta que há anos está caindo de podre para ser feita, mas que os coleguinhas de redação jamais fizeram (ou farão) por terem um acordo tácito com os procuradores: esses fornecem às redações dossiês sobre investigações a fim de que elas baseiem matérias escandalosas que farão a sua fama e permitirão o achaque poder público por parte do próprio MP e dos veículos de comunicação, dando um naco de fama também aos coleguinhas, tudo em nome do sacrossanto interesse público.

Bom, se você não quiser ler a matéria do CemF e preferir direto aos artigos do corregedor Eugênio José Guilherme de Aragão, clique aqui, para a prrimeira parte, e aqui, para a segunda.

Valeu, nerd!

Após a grande vitória no STF, presto humilde homenagem a personagens esquecidos da luta contra o racismo no Brasil: os “nerds” do Vale do Silício e seus congêneres espalhados pelo resto do mundo.

Estranhou? Então me acompanhe.

Talvez você tenha lido lá no meu currículo que fiz o técnico em Estatística na Escola Nacional de Ciências Estatísticas do IBGE. A Ence era uma escola à moda antiga – durona. Tanto que, em 1979, me preparava para o vestibular, mas o que me aterrorizava mesmo era ser reprovado lá – no vestibular, tinha certeza de passar; na Ence, não.

Para você ter uma ideia de como era a coisa, nesse ano, o Alcides, professor de Estatística, resolveu dar uma trabalho valendo metade da nota da prova final, antes de sairmos para as férias de julho. O motivo do tempo dilatado era que o tal trabalho versava sobre regressão estatística. E o que é isso? Bem grosseiramente é você fixar uma variável (que se torna, obviamente, uma constante) e ir mudando outras variáveis em volta. Exemplo: manter como constante a cor de uma pessoa (digamos, negra) e ir mudando outras variáveis – digamos renda familiar, região de moradia, sexo e faixa etária.

Esse método tinha um problema seriíssimo – os cálculos davam um trabalho do cão. Fácil de entender. Digamos que, no exemplo acima, as faixas de renda fossem cinco; as regiões de moradia, três; sexo, claro, dois; e a faixa etária, quatro. O desgraçado do pesquisador teria que fazer cálculos para 120 combinações diferentes! Já imaginou o tempo que isso consumia, correto? Para minimizar essa pedreira, o Alcides dividiu a turma em grupos de quatro ou cinco. Ainda assim não funcionou – depois de perder 15, 20 minutos de cada aula ouvindo nossas dúvidas e corrigindo nossos cálculos e abordagens, em outubro ele desistiu do trabalho e fizemos só uma prova comum. Graças a Deus.

O inestimável auxílio dos “nerds” é que, ao criarem os computadores, desenvolveram suas capacidades e softwares que as aproveitassem, eles permitiram que os pesquisadores fizessem cálculos com muito mais variáveis em muito menos tempo e, assim, flagrassem, com grande nitidez, fenômenos que antes poderiam ser ocultados ou, pelo menos, desconversados. Foi o que ocorreu com o racismo no Brasil. Os racistas sempre defenderam que não ele havia no Bananão e era difícil provar que eles estavam errados – afinal, temos carnaval, casamentos interraciais, não temos Ku Klux Klan, apartheid oficial ou campo de concentração com câmaras de gás. Uma beleza de democracia racial. A estatística, movida a computadores, acabou com a balela – as contas deixaram claro que os negros sempre estavam por baixo da pirâmide social, quaisquer que fossem as variáveis consideradas – e até quaisquer que fossem as pirâmides sociais inventadas. Isso abriu o caminho para a política de cotas, a sua contestação pelo DEM (quem mais seria, né?) e a goleada histórica no STF.

Valeu, nerd!