Um mês só de cascatas: a 5ª seletiva do King of the Kings-2015

A ideia era dar uma parada nas cascatas e voltar aos números da PBM-2015. Só que aí pensei: “já que estou com a mão na massa, por que não promover o ‘mês da cascata´?”. Achei que era mais uma boa forma de homenagear os coleguinhas que tanto têm labutado para transformar 2015 num ano tão pródigo em armações jornalísticas, no intuito claro de desmoralizar, de modo irremediável, o jornalismo brasileiro.

Assim, eis que vamos à quinta seletiva do King of the Kings-2015! Essas são as concorrentes:

17 PMs são presos por se recusarem a bater em professor no PR  (O Estado de São Paulo)

Vazamento em fogão é confundido com “atentado” a PF (Veja)

Estado de São Paulo “acusa” Camargo Corrêa de ter doado R$ 3 milhões ao Instituto Lula

Itamaraty propõe burlar a lei para proteger Lula (O Globo)

Venezuela veta entrada de senadores brasileiros (O Globo)

Lula pede “habeas corpus“ para não ser preso na Operação Lava-Jato (Folha)

Carlos Alberto Sardemberg culpa Lula e Dilma pela crise da Grécia (CBN)

 

Lembrando as regras.
1. Você pode votar em até três (3) concorrentes. Assim, não vale a desculpa de que “são tantas que não dá para escolher”.
2. Além disso, ainda contra essa desculpa tem o fato de que três das não classificadas voltarão para a repescagem na sexta seletiva.
3. A votação termina no domingo que vem.

Então vamos lá! Vamos votar!

 

“É a reforma política, estúpido!”

Pronto, começou. Lá vem o tema corrupção. Ele é o maior esterilizador do debate político no país nos últimos 60 anos, desde que Carlos Lacerda o usou para tentar derrubar Getúlio Vargas, nos anos 50, tendo atingido seu grande momento com o Golpe de 64. É ele aparecer e tudo o mais é jogado para escanteio.

Atenção, ponto importante. Vai ter até um parágrafo só pra ele, no qual vou tentar ser claro. Preparado? Aí vai:

Eu também sou contra corrupção e acho que ela deve ser combatida por todos, a todo o momento, em qualquer circunstância, em todos os lugares – dos Três Poderes até a fila do cinema e seus furadores.

Fui bem claro, né? Então vamos em frente.

Todo mundo quer combater a corrupção. Só que não é endurecendo a legislação que se vencerá esse combate – embora não haja problema algum em se ter penas duras contra corrupto -, mas por meio da construção de canais políticos que permitam a fiscalização próxima e constante dos órgãos de representação política – Presidência, Governadorias, Prefeituras, Congresso, assembleias, câmaras dos vereadores – e das agências governamentais (ministérios, secretarias,agências reguladoras, empresas estatais).

Assim, o fundamental, de uma importância cósmica, é a reforma política. Mas como chegar a ela? Dilmão propôs um plebiscito para permitir a instalação de uma Constituição exclusiva para tratar do tema. O bom da proposta é que ela permitiria um debate político amplo, aumentando a amplitude da consciência política da população, que , como se viu nas atuais manifestações, é baixa, mas com excelentes perspectivas de crescimento, se for bem cevada. É essa possibilidade de politização em massa  que tanto apavora conservadores e reacionários como Miguel Reale Jr. Marco Aurélio Mello, Merval Pereira e políticos da oposição, que saíram a campo para bombardear a proposta presidencial.

O problema da Constituinte restrita é que ela pode ser ampliada, ser a brecha há tanto tempo esperada por estes mesmos conservadores para derrubar conquistas da sociedade brasileira, como, só para ficar num exemplo da moda, a independência do Ministério Público. É bom lembrar que essas conquistas foram obtidas com extrema dificuldade durante os embates de 87 e 88 com o Centrão, cujas lideranças continuam firmes e fortes no Congresso (é só lembrar do então líder da União Democrática Ruralista e hoje dirigente do DEM, Ronaldo Caiado).

Para contornar esse perigo – e ainda acelerar o processo, que seria um tanto lento via plebiscito – por que Dilmão não baixa uma MP fazendo a reforma com base no projeto de iniciativa popular lançado pela OAB e pelo Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCEE)? ( Leia aqui a íntegra do projeto). Claro que teria que conversar com esses dois atores, mas, creio, eles não se furtarão a dar essa contribuição à democracia brasileira (aliás, podiam até oferecê-lo à presidente). Outro ponto em favor dessa opção é que os conservadores e reacionários não poderão reclamar – afinal, as MPs existem para dar celeridade a decisões sobre temas urgentes e relevantes e não há nada mais urgente e relevante, hoje, do que a reforma política, correto?

De qualquer maneira, seja de que forma for, o essencial é que a reforma política que permita uma participação popular na definição dos destinos do país aconteça agora. Por que se os conservadores e reacionários a impedirem, dificilmente teremos um dia Saúde, Educação e Transporte Público decentes – fora o resto que faz uma nação civilizada.