Investimentos em publicidade da Administração Direta do Governo Federal (2011-2016) – VI (por meio)

Agora sim, acaba a série sobre os investimentos em publicidade da Administração Direta do Governo Federal. Neste último post, vamos ver o recorte por meio, que dá uma amarrada nos cinco anteriores. Por falar nisso, um toque: os números abaixo englobam todos os veículos e não apenas alguns como os posts anteriores (na TV, por exemplo, não conta só a Globo, Record, SBT e Band).

Bom, então vamos aos gráfico e tabela principais:

 

ANÁLISE

1. Para começar, no que diz respeito à AD do Governo Federal, o mercado publicitário pode queixar-se amargamente. Apesar do total dos investimentos ter crescido 29,98%, a inflação medida pelo IPCA foi de 51,55% – ou seja uma perda de mais de 20 pontos percentuais.

2. No entanto, dos cinco grandes meios (na contagem não entram cinema, mídia exterior e mídia alternativa, seja lá o que for essa última), três tiveram desempenho superior à inflação, sendo que a internet deu um salto triplo carpado para frente, como você pode constatar no gráfico abaixo:

3. Dá pra ver que quem realmente se deu mal no período, em termos relativos, foi o meio TV, com queda real de 2%. Os jornais também não têm do que se orgulhar, com seus 14% de crescimento.

4. Ainda assim, a TV levou mais de metade do investimento da AD do GF em publicidade em 2016 (54,99%). No entanto, não se engane, esse não foi um bom resultado, pois o meio, em 2011, tinha abocanhado 73,06% na mesma rubrica – ou seja, queda de pouco mais de 18 p.p. de participação em cinco anos.

5. O que me surpreendeu nem foi o crescimento exponencial da internet, muito condizente com a migração da publicidade para o meio, mas o das revistas, meio comprovadamente em decadência, que, ainda assim, subiu quase 40 p.p. acima da inflação no período.  A tabelinha abaixo mostra a participação de cada meio no bolo total em 2011 e em 2016:

6. Em 2017 (até maio, último dado disponível), a situação se apresentava assim:

7. Se a situação se mantiver até o fim do ano, a TV voltará ao patamar de 2011, tirando verba de todos os outros meios, como se vê na tabela abaixo, que se refere ao gráfico acima:

 

Assim, termina essa série de posts, mas não se anime muito – ela deve voltar no início do ano que vem, com os números totais de 2017. Até lá, cuidaremos de outros dados, com muitos gráficos e tabelas. Até a próxima, se Deus assim o permitir.

Investimentos em publicidade da Administração Direta do Governo Federal (2011-2016) – IV (Internet)

Já cansou? Vamos! Está quase chegando ao fim! Nessa semana, o foco vai para o investimento publicitário da Administração Direta do Governo Federal em internet – na próxima, será a vez do rádio, depois do apanhado geral e c‘est fini! Quer dizer…A parte da Administração Direta…Depois haverá os dados da Secom que apareceram miraculosamente após a pentelhação; a Administração Indireta (se os órgãos responderem, o que está longe de ser certo)…Mas não ponhamos a carroça a adiante dos bois, como dizia Vó Sinhá.

Primeiro, os dados sobre a internet, então.

 

Antes da análise, um toque importante: os números englobam as operações na internet atreladas às outras mídias. Por exemplo, no que se refere ao Grupo Globo são dos sites dos Infoglobo e, da Rede Globo (G1 dentro); da Folha, o site do jornal (mas não o UOL) etc.  É meio óbvio, eu sei, mas não custava nada deixar ainda mais claro, né?Então, vamos à análise.

Análise

1. O ano em que a Administração Direta federal “descobriu “ a internet foi 2012. Do ano anterior para este, houve um acréscimo de 99,86%.

2. Nesse duplo carpado, todo mundo se deu bem, mas ninguém como o UOL, que deu suas piruetas para frente e obteve um aumento de 340% (de R$ 316.642,52 para R$ 1.076.403,30 o que pode ser explicado pelo fato de ser o maior portal de língua portuguesa do mundo. Bem também se deram o Terra (+ 108%) e a Folha, que teve um salto percentual de inacreditáveis 545,13%, mas, em termos absolutos, recebeu pouco menos de R$ 64 mil.

3. Na série, o ano de maior investimento foi 2014, ano da Copa do Mundo, com  R$ 9.114.043,62 – 477,18% acima do investido em 2011 e 242,5% mais do que no ano anterior (R$  3.758. 322,15).

4. Neste ano, em termos absolutos, o Grupo Globo foi o maior beneficiado com R$  3.701.147,11 (40,61%), mas, se observarmos que o investimento no GG engloba as operações internet de todos os veículos do grupo, então, proporcionalmente, o mais bem aquinhoado foi o UOL, que, sozinho, abocanhou R$  2.077.539,87 (22,79%) do total.

5. Com o fim da Copa, houve uma queda em 2015 de era de 49,61%, com uma recuperação de 32,56% em 2016, ano de Jogos Olímpicos.

6. No total do período, o Grupo Globo foi o que mais recebeu investimentos em internet do Governo Federal, com um total de R$  10.186.324,07. No entanto, levando-se em consideração o exposto no item 4, o UOL, com 25%, foi o mais beneficiado. O gráfico abaixo mostra a situação geral.

Investimentos em publicidade da Administração Direta do Governo Federal (2011-2016) – III (Revista)

Estou objetivo hoje. Sem mais delongas, vamos aos dados sobre o investimento em publicidade da Administração Direta do Governo Federal entre 2011 e 2016, nas editoras das três principais editoras de revistas do país.

Antes da análise, faço um alerta: o investimento acima não é num título específico, mas nos diversos títulos de cada editora. Assim, a grana que foi para a Abril não quer dizer que tenha ido para a Veja, mas para todo o imenso portfólio da empresa.

ANÁLISE

1. O que salta aos olhos é a diferença entre os investimentos de 2015 e 2016. Percentualmente, o salto foi de 849.14%, tornando o ano o mais profícuo da série para as editoras em sua relação com as AD do Governo Federal, superando o de 2011.

2. Olhando os dados de 2016 mais de perto e separando-se os investimentos do ano em primeiro e segundo semestres, chega-se a esta tabela:

3. Fica bastante claro que o salto aludido no item 1 aconteceu no segundo semestre, cuja variação em relação ao primeiro semestre foi de 1.018,87%.

4. Não é preciso ter uma memória privilegiada para lembrar que a grande mudança no Governo Federal ocorrida entre o primeiro e o segundo semestres de 2016 foi a troca de presidentes. É muito difícil não correlacionar os dois fatos.

5. No período observado, a Abril foi a editora mais bem aquinhoada com as verbas da AD do GF, superando a soma das outras duas grandes do setor no país em 155,10%, conforme a tabela abaixo:

6. Até março deste ano, a distribuição de verbas publicitárias era a seguinte:


7. Sim, nos primeiros três meses do ano o segmento revista da Três Editorial, responsável pela IstoÉ, não recebeu um centavo da AD do GF em investimento publicitário.

Investimentos em publicidade da Administração Direta do Governo Federal (2011-2016) – II (Jornal). Ou “é pentelhando que se recebe” .

O que não faz uma pressãozinha exercida por um chato de galochas, né? Você deve lembrar que tenho cortado um dobrado há dois meses para obter os dados sobre a publicidade do Governo Federal fornecidos pela Secom desde o ano 2000. Usando a Lei de Acesso à Informação (LAI), fiz o pedido dos dados e a secretaria disse que só era responsável pela programação da Administração Direta (Presidência e ministérios), me chutando para os demais órgãos se eu quisesse mais informações. Recorri até a CGU, que pediu uns 70 dias para obter as informações. Pois bem. Na terça-feira, tive uma sensação e fui olhar de novo o lugar em moravam as planilhas e…voilá! Lá estavam os dados que a Secom dissera que não era obrigação dela obter. Aliás, tem até mais: o investimento publicitário das empresas que não concorrerem no mercado (ou seja, fora BB, Caixa, Petrobras e Correios, basicamente) e a AD.

No entanto, não vou interromper a numeralha do investimento da Administração Direta do Governo Federal, que comecei semana passada. Os motivos são dois:

1. Gosto de terminar o que começo.
2. Os dados de investimento que estou usando remetem ao que foi concretizado, em termos de anúncios. Já os que agora, após a empentelhação, a Secom disponibilizou, referem-se ao que foi programado para ser gasto – o que, na Administração Pública, chama-se empenho -, mas que pode ou não ter sido realmente efetivado. Esses dados servem para análises mais estratégicas, para saber, por exemplo, se o governo está gastando menos em jornais do que em internet, como se poderia esperar dada a queda de audiência e alcance dos primeiros e o crescimento concomitante da segunda mídia.

Para obter o que equivalente dos números da AD que estou mostrando na Administração Indireta – principalmente empresas estatais -, aproveitei o mole da Secom de ter escrito que devia procurar as empresas, já comecei a pedir dados iguais a elas. Até o momento, BB, Caixa e Petrobras, a primeiras felizardas, não se dignaram a responder, mas eu, claro, continuarei pentelhando.

Dito tudo isso, vamos aos dados de investimento em publicidade da AD federal nos três principais jornais do país, entre 2011 e 2016.

20170604_tabela_jornais

20170604_gráfico_jornais

Análise
1. Salta aos olhos a queda ocorrida de R$ 1.804.228,30 para R$ 718.786,40 entre 2012 e 2013 – cerca de 60%.

2. Esse novo – e muito mais baixo – patamar foi mantido até 2015, apesar da recuperação parcial de R$ 400.092,46, em 2014, que reduziu a perda de publicidade da Folha, Estado de São Paulo e O Globo para 38% do valor de 2012.

3. A recuperação total veio apenas em 2016, quando o valor total até superou o ano-base (2012) – R$ 1.839.431,24 contra R$ 1.804.228,30.

4. O maior dado da série é o de 2011, quando o investimento em publicidade da AD federal nos três maiores jornais do país atingiu R$ 1.919.224,43. Esse montante deve ser superado em 2017, pois, como mostra a tabelinha abaixo – apenas nos primeiros três meses do ano em curso, o montante já atingiu R$ 1.241.470,52, ou seja 64,7% do total de 2011 (e 67,5% do total de 2016).

20170604_tabela_jornais_1tri_2017

5. Tomando-se o ano com o patamar mais alto da série (2011) e comparando-o com o mais baixo (2013), o jornal que mais perdeu, percentualmente, foi O Estado de São Paulo, com 67,1% de redução, seguido pelo Globo (- 65,3%) e Folha, com -54,3%.

6. Já na retomada 2015/2016, o jornal dos Frias foi o mais beneficiado, com uma elevação 227,77%, com o dos Mesquita ficando com 168,33%, enquanto o dos Marinho teve de contentar-se com um crescimento “apenas” na casa de dois dígitos (81,62%).

7. Apesar de ter severas dúvidas sobre uma ligação mecânica entre as verbas publicitárias e os fatos políticos, não há como que os dados sugerem essa ligação de uma maneira mais forte nos jornais do que nas TVs. No período 2013-2015, quando a verba publicitária destinada aos três grandes jornais do país caiu drasticamente, estes elevaram em muito sua agressividade contra o governo federal, ao passo que, na retomada de 2016, ano transcorrido em sua maior parte sob o governo #ForaTemer, Folha, Estado e O Globo foram bem mais suaves em relação ao Governo Federal.

Investimentos em publicidade da Administração Direta do Governo Federal (2011-2016) – I (TV)

Muito bem. Conforme prometido, vamos à numeralha da verba de publicidade do governo federal, no que tange à Administração Direta, ou seja, Presidência e ministérios. Antes, alguns comentários:

1. Normalmente, começo do geral para o específico. Dessa vez, porém, para mudar um pouco, farei o contrário, indo do específico – ou seja, de cada meio – para o geral. Assim, só no fim veremos os números por empresa (nem comecei a calcular ainda).

2. É sempre bom lembrar que o grosso da publicidade federal vem da Administração Indireta, especialmente das empresas de economia mista. Assim, só quando tiver os dados, que estou há meses pedindo à Secom por meio da LAI, saberemos se a participação por meio e empresa são correspondentes nos dois tipos.

3. Reuni os números de 2011 a 2016 (os que estão na base de dados da Secom aberta ao público), deixando 2107 separado porque só há números disponíveis até março.

4. Sugiro cautela se alguém quiser tirar conclusões políticas dos dados. É importante ter em mente o item 2 e também que as atitudes e ações políticas são determinadas por outros fatores tão poderosos quanto o dinheiro sonante – às vezes até mais.

Bem, então vamos lá. Começarei com o meio TV e as grandes redes nacionais. Primeiro, os totais anuais investidos no meio.

20170528_tabela_secom_tv

Análise

1. O ano de maior investimento foi 2013, com R$ 76,3 milhões.
2. O menor foi 2016, com R$ 49,7 milhões.
3. Confrontados os anos de 2013 e 2016, houve queda de 34,82% no investimento.
4. No período 2013-2016, a maior redução ocorreu entre 2014 e 2015, com uma queda de 28,06%. O fato deveu-se, muito provavelmente, ao drástico corte de gastos patrocinado pelo então ministro da Fazenda, Joaquim Levy.
5. Até 2016, o investimento em publicidade da AD ainda não havia recuperado o nível de antes de 2013. Pelo contrário – em relação a 2015, o ano passado apresentou redução de 7,44%.
6. Em relação ao início da série (2011), a redução em 2016 foi de 20,80%.

 

Agora, vamos ver a participação no bolo publicitário da AD por rede de TV, entre 2011 e 2016.

20170528_graficos_secom_tv

Análise
1. Como seria de se esperar, a Rede Globo, por ser a mais assistida, detém a maior participação, com 50% ou mais do bolo em cinco dos seis anos. A exceção foi 2014, quando ficou com 49%, fato surpreendente, já que, em ano de Copa do Mundo, seria mais provável que o percentual se mantivesse acima dos 50% por ser a Globo a rede dominante na transmissão no esporte nacional, influindo mesmo, diretamente, sem seu gerenciamento.
2. O percentual da Globo só voltou a superar os 50% em 2016, retornando ao patamar de 55% de 2013, mas ainda inferior ao pico de 58% atingido em 2012.
3. Nota-se claramente que à queda 6 pontos percentuais (55% para 49%) de participação da Globo, em 2013, correspondeu avanço quase idêntico da Record, de 21% para 26%.
4. A diferença, em termos percentuais, para a Globo, entre o pico de 2013 e o vale de 2015, foi de 37,11%, muito superior às perdas das outras redes, conforme se pode observar na tabela abaixo:

20170528_tabela_secom_AD_variacao_globo

 

Por fim, o gráfico comparativo da participação das emissoras na verba publicitária nos primeiros trimestres de 2016 e 2017.

20170528_secom_AD_comparacao_globo-2017_1tri_2016_1tri

Observa-se a queda de 4 p.p. da participação da Globo, com o crescimento de 8 p.p. do SBT e 3% da Bandeirantes.

Gastos com publicidade? Isso é LAI de sua conta, cidadão? (Horrível, hein?)

Há um mês, capino sentado para conseguir os dados sobre os dispêndios de publicidade do governo federal em 2016. Como você talvez lembre, fazia um acompanhamento bem pormenorizado desse tipo de uso do dinheiro público usando dados da Secom, que o tornava públicos desde o ano 2000. Para surpresa de ninguém, o governo golpista interrompeu essa divulgação, o que me obrigou a recorrer à Lei de Acesso à Informação (LAI).
O primeiro pedido aconteceu no dia 6 de abril e recebeu a seguinte resposta:

“Prezado senhor, em atenção ao pedido de acesso à informação cadastrado sob o número 00077.000427/2017-71, esclarecemos que a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República – SECOM não é responsável pela informação sobre os gastos de publicidade de cada órgão do Governo Federal (administração direta e indireta), mas tão somente das atividades de sua responsabilidade e que foram realizadas pelas agências de propaganda devidamente contratadas. Ressaltamos que as agências de propaganda foram contratadas pela SECOM, após processo licitatório, para a prestação de serviços de publicidade previstos na Lei nº 12.232/2010. Sendo responsáveis pela contratação de fornecedores de serviços de produção e da compra de espaços publicitários junto aos veículos de comunicação. As agências atuam por ordem e conta da SECOM, nos termos da Lei 4.680/1966. As informações sobre pagamentos efetuados pela SECOM aos veículos de comunicação e os fornecedores de serviços de produção, por intermédio das agências de propaganda estão disponíveis em http://sistema1.planalto.gov.br/secomweb2/demanda/execucaocontratual. Nesse ambiente, é possível gerar arquivos excel que permitem a aplicação de filtros para facilitar a ordenação e agrupamento de dados conforme seu interesse. Portanto, temos que entre as competências da SECOM, para a gestão da comunicação social do Poder Executivo Federal, estabelecidas pela Lei n° 10.683/2003 (art. 2°-B, incisos I e V) e pelo Decreto n° 6.555/2008 (art. 6°, incisos I a XVI), não estão previstas atribuições para produzir, controlar, custodiar ou centralizar dados referentes às ações de publicidade dos demais órgãos (administração direta e indireta). Essas informações podem ser obtidas mediante solicitação direta a cada um dos órgãos. Não obstante ao descrito acima, a SECOM disponibiliza dados em PDF de valores investidos em veiculação de todos os órgãos, no endereço http://www.secom.gov.br/atuacao/midia/acoes-programadas. Esses dados são fornecidos pelo Instituto para Acompanhamento da Publicidade (IAP), que considera os valores constantes nos Pedidos de Inserção (PI) fornecidos voluntariamente pelas agências de propaganda contratadas por integrantes da administração direta e indireta do Poder Executivo Federal. PI é o documento emitido pela agência de propaganda ao veículo de comunicação confirmando a compra do espaço publicitário. Tal metodologia de apuração pode suscitar inconsistências de informação ou falhas em dados dos veículos, todas de integral responsabilidade do Instituto responsável pela consolidação das informações. Diante do exposto, deve-se reiterar que a base de dados em questão não representa as ações efetivamente desenvolvidas pelos diversos órgãos do Governo Federal e, consequentemente, nem os gastos totais pagos aos veículos. As informações acima foram disponibilizadas pelo Diretor do Departamento de Mídia da Secretaria Especial de Comunicação Social da Secretaria-Geral da Presidência da República. Salientamos que, de acordo com o art. 15 da Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527/2011) e com o art. 21 do Decreto nº 7.724/2012, há possibilidade de recurso no prazo de 10 (dez) dias, que deverá ser dirigido ao Secretário de Publicidade e Promoção da Secretaria Especial de Comunicação Social da Secretaria-Geral da Presidência da República. Destacamos ainda que dispomos de um canal de comunicação direto com o cidadão, o “”Fale com a Secom””, disponível no endereço http://www.secom.gov.br/fale-com-a-secom, em que também podem ser solicitadas informações sobre temas de competência da Secretaria. Atenciosamente, Serviço de Informações ao Cidadão Palácio do Planalto – http://www.planalto.gov.br/acessoainformacao”

É um belíssimo exemplo de caô burocrático:

1. A Secom realmente não é legalmente “responsável pela informação sobre os gastos de publicidade de cada órgão do Governo Federal (administração direta e indireta), mas tão somente das atividades de sua responsabilidade e que foram realizadas pelas agências de propaganda devidamente contratadas”. Só que sempre foi assim e, não obstante, a Secretaria fazia a divulgação do resultado consolidado desde 2000, como está no link lá de cima.
2. Até aquele desagradável barro vermelho de Brasília sabe que nenhum órgão da Administração Direta ou Indireta dispende um centavo em publicidade sem o “de acordo” da Secom.
3. “Não obstante ao descrito acima, a SECOM disponibiliza dados em PDF de valores investidos em veiculação de todos os órgãos, no endereço http://www.secom.gov.br/atuacao/midia/acoes-programadas. Esses dados são fornecidos pelo Instituto para Acompanhamento da Publicidade (IAP), que considera os valores constantes nos Pedidos de Inserção (PI) fornecidos voluntariamente pelas agências de propaganda contratadas por integrantes da administração direta e indireta do Poder Executivo Federal”.
Essa afirmação é falsa como uma nota de três reais, pois a Secom disponibiliza coisa alguma via IAP e quem diz isso é o próprio instituto em seu site: “Os dados processados pelo IAP só são disponíveis para consultas procedidas pela SECOM. Tais dados não podem ser publicados nem fornecidos a outras entidades. (…)”

Como sou chato pra caramba, recorri, mas também como sou burro que nem uma porta, o fiz diretamente ao ministro da Casa Civil, quando ainda tinha que passar pelo superior do cara que me negou o pedido, ainda na Secom (o que me foi gentilmente esclarecido por um rapaz, cujo nome esqueci, que me ligou de Brasília no dia da Greve Geral). Assim, refiz o segundo pedido e a resposta foi a seguinte:

“Prezado cidadão, em atendimento ao recurso de 1° Instância interposto ao pedido de informação registrado sob o NUP 00077.000427/2017-71, encaminhamos anexo arquivo em PDF, contendo resposta ao recurso interposto por Vossa Senhoria. As informações acima foram prestadas pelo Secretário de Publicidade e Promoção da Secretaria Especial de Comunicação Social da Secretaria-Geral da Presidência da República. Informamos que, de acordo com o art. 15 da Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527/11) e com o art. 21 do Decreto nº 7.724/2012, há possibilidade de recurso no prazo de 10 (dez) dias, que será dirigido ao Ministro da SecretariaGeral da Presidência da República. Atenciosamente, Serviço de Informações ao Cidadão Palácio do Planalto – http://www.planalto.gov.br/acessoainformacao.”

Obviamente recorri e agora só me resta esperar a CGU dizer que é isso mesmo e o cidadão que vá se queixar ao Chico I. Caso queira saber como correu todo esse palpitante ping-pong burocrático, clique aqui.

Porém, como dizia Vó Sinhá, “quem não tem cão, caça com gato”. Por isso, a partir da semana que vem, vou seguir o conselho da Secom e passarei a publicar os dados referentes aos gastos em publicidade da Administração Direta. Eles são ínfimos, se comparados ao despendido pela Administração Indireta (empresas de economia mista e aquelas que concorrem no mercado), mas servirão como indicativo da forma com que está sendo gasto nosso dinheiro em publicidade.
Não, não pense que vou desistir mesmo que sejam negados todos os recursos, partirei para os principais órgãos, como foi sugerido pela própria Secom (“Essas informações podem ser obtidas mediante solicitação direta a cada um dos órgãos”). Aí veremos no que dará.

Os gastos em publicidade do governo federal (2000/2015) – V (Rádio, Mídia Exterior e Cinema)

Ufa! Chegamos ao fim da numeralha sobre o investimento em publicidade do governo federal no período 2000/2015, segundo dados da Secom. Os últimos dados são de Rádio, Mídia Exterior e Cinema. Quatro notas sobre a apresentação:

1. Só faço análise de Rádio e MEx, pois os valores da mídia Cinema são tão irrisórios (jamais ultrapassaram os 0,83% do investimento total) que não fazem realmente diferença. Assim, publico apenas o gráfico e a tabela correspondentes.

2.Nos dois meios que são analisados, o padrão é o de sempre: tabela/gráfico, destaques e análise.

3.No meio Rádio, a Secom disponibilizou uma comparação entre o que foi investido em rádios de capitais e do interior. Tabela e gráfico compõem o item 10 dos destaques.

4. Já tinha escrito no primeiro levantamento, mas alguns comentários na fan page mostraram que algumas pessoas ou não leram, ou não prestaram atenção, e, assim vai de novo: os  números abrangem a administração direta e a indireta. Assim, entram os investimentos provindos do orçamento, via ministérios, por exemplo, e os de empresas que concorrem no mercado, como bancos, empresas de energia e tal, que não proveem do orçamento. Para esses, não vale aquela demagogia do “com tanta criança sem escola e velhinho sem hospital e esse governo corrupto botando propaganda na Globo”. Sem investimento em publicidade, o Banco do Brasil perde mercado pro Itaú e pro Bradesco, lucra menos e a União (nós) recebemos menos da participação acionária, o que, isto sim, se transforma em grana do orçamento no ano seguinte para ser investido no hospital da criancinha e do velhinho (se não se transforma, é outro papo).

Sigamos, então.
RÁDIO

20160612_tabela_grafico_publicidade_governo_direta_indireta_radio

Destaques

1.Maior investimento: R$ 230.037.790,97 (2009)

2.Menor investimento: R$ 109.027.901,08 (2003)

3.Variação entre o maior e menor investimento: 111%

4.Variação entre 2000/2015: – 16,31%

5.Variação entre 2014/2015: – 22,67%

6.Maior variação positiva entre anos consecutivos:

a.Em termos percentuais: 1,64% pp (2000/2001)
b.Em termos absolutos: R$ 79.917.720,00 (2008/2009)

7. Maior variação negativa entre dois consecutivos:

a.Em termos percentuais: 2,80 pp (2006/2007)
b.Em termos absolutos: R$ 77.693.043 (2006/2007)

8.Anos dos cinco maiores investimentos: 2009, 2006, 2010, 2013 e 2001.

9.Anos dos cinco menores investimentos: 2003, 2002, 2015, 2007 e 2000.

10.Evolução dos valores programados para o meio rádio, até 2012 (Capital x Interior):

20160612_Quadro - Evolução dos valores programados -governo federal_rádio
Análise

Nem precisa olhar muito o gráfico para perceber qual a política da Secom para o meio rádio nos 16 anos do período abarcado pelo levantamento: nenhuma. A linha parecendo com a de alguém em pleno ataque cardíaco mostra que a secretaria nunca teve uma estratégia para este meio tão importante para a população do país, especialmente do interior. Aliás, nem mesmo privilegiar as rádios do interior ocorreu, como mostra a tabela do item 10.

Fica ainda mais complicado de entender este descaso com o rádio se for lembrarmos que a Pesquisa Brasileira de Mídia, promovida pela própria Secom, mostra que o meio apresenta o segundo índice de adesão dos brasileiros, com 30% deles ouvindo rádio todos os dias, índice só batido pela TV. Esta falta de foco, muito provavelmente, trouxe problemas sérios para as rádios, pois, do mesmo modo que ocorreu com outros meios tradicionais, houve uma queda percentual no investimento ao longo dos 16 anos (de 16,31%), com a já observada aceleração de 2014 para 2015 (-22,67%), apesar da elevação em termos absolutos de 111% entre 2000 e 2015.
MÍDIA EXTERIOR

20160612_tabela_grafico_publicidade_governo_direta_indireta_midia exterior

Destaques

1.Maior investimento: R$ 205.704.189,68 (2012)

2.Menor investimento: R$ 50.897.432,31 (2000)

3.Variação entre o maior e menor investimento: 304,1%

4.Variação entre 2000/2015: 125,3%

5.Variação entre 2014/2015: – 31,1%

6.Maior variação positiva entre anos consecutivos:

a.Em termos percentuais: 2,66% (2005/2006)
b.Em termos absolutos: 61.570.854,26 (2011/2012)

7.Maior variação negativa entre dois consecutivos:

a.Em termos percentuais: 2,55% (2006/2007)
b.Em termos absolutos: 60.986.058,25 (2006/2007)

8. Anos dos cinco maiores investimentos: 2012, 2013, 2014, 2010 e 2011.

9. Anos dos cinco menores investimentos: 2000, 2002, 2003, 2007 e 2005.

Análise

A mídia exterior não chega a ser uma internet, mas, se as empresas do setor olharem os 16 anos do levantamento, não têm do que se queixar. O crescimento de mais de 300% do investimento governamental no período não é de se jogar fora mesmo. Tudo bem que a queda nos últimos três anos do período quebrou a curva ascendente de cinco anos, mas, ainda assim, não destoou das outras mídias, com exceção da internet.

Em nenhuma outra mídia o efeito dos grandes eventos que tomaram conta do país, em especial do Rio, pôde ser tão sentida. Dá para ver, olhando o gráfico, que o crescimento da MEx se deu entre 2008 e 2012, exatamente quando obras nas vias metropolitanas e em aeroportos elevaram o número de equipamentos urbanos – como paradas de ônibus e painéis moveis- com capacidade de serem usados como pontos de publicidade, sem contar a explosão daquelas TVs que se espalharam por elevadores, corredores de shoppings e ônibus – que também passaram a ser usados como outdoors ambulantes. No subperíodo apontado, a participação da mídia exterior no total geral saiu de 4,79% para 8,34%, 74% de aumento. Também é no período que se encontram todos os cinco anos de maior investimento na mídia no período de 16 anos do levantamento.
CINEMA

20160612_Tabela e gráfico da publicidade do governo_direta e indireta_cinema