Numeralha: Pesquisa Brasileira de Mídia 2016 – II (Televisão)

20180325_Jornal Nacional

Como a Pesquisa Brasileira de Mídia (PBM) de 2016, realizada pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom-PR), mudou sua metodologia, também modificarei a sua apresentação aqui. Ela será apresentada um meio por vez, reunindo sob esse guarda-chuva os dados que foram separados no ano passado. Assim, o primeiro meio a ser enfocado é aquele de maior audiência, a TV. Como a Pesquisa Brasileira de Mídia (PBM) de 2016 mudou sua metodologia, também modificarei a sua apresentação aqui. Ela será apresentada um meio por vez, reunindo sob esse guarda-chuva os dados que foram separados no ano passado. Assim, o primeiro meio a ser enfocado é aquele de maior audiência, a TV.

Como vimos semana passada, a TV é o meio pelo qual aos brasileiros, em sua esmagadora maioria recebe informação – 63% tem o meio como fonte primária e mais 26% como fonte secundária. E quais as emissoras mais vistas? Não há surpresa, claro, como você pode ver abaixo:

20180325_gráfico_TV_audiência-por-emissora

No entanto, segundo o levantamento do Kantar Ibope Mídia – o braço de pesquisa de audiência do Ibope, cujo braço de inteligência foi o responsável pela PBM-2016 -, o Jornal Nacional apresenta uma média de 31,4% de audiência domiciliar, não passando de 14% na audiência individual, na média dos 15 maiores mercados do país. A grande força do JN, porém, é que o seu alcance acumulado – ou seja as pessoas que foram impactadas, mesmo que não diretamente (como ouvindo comentário de alguém que assistiu ao programa) – que atinge 48,9%, na média dos 15 mercados.

Voltando ao meio como um todo, o tempo de exposição das pessoas à TV, segundo a PBM-2016, são os seguintes:
a. Por número de dias da semana.

20180325_tabela_TV_numero-de-dias-por-semana

b. Por número de horas por dia.

20180325_tabela_TV_numero-de-horas-por-dia

 

Já no que se refere á confiança nas notícias veiculadas pelo meio, o resultado obtido pela PBM-2016 foi este:

20180325_tabela_TV_confiança

ANÁLISE
Que a TV é o meio pelo qual os brasileiros se informam não é novidade alguma. O mais interessante, ao meu ver, é que a informação propriamente jornalística direta não é tão relevante como se poderia esperar. Aparecer no JN não é mais garantia de que o coração e a mente do público serão atingidos. Há um “contágio” muito grande – cerca de 20 pontos percentuais -, mas, ainda assim, com efeito em apenas metade de uma população que admite informar-se em sua enorme maioria (quase 90%) pelo meio (de passagem, esse dado mostra que a população tem uma visão ampla do que seja informação). Esse dado é ainda mais significativo quando se observa que os brasileiros veem TV todos os dias da semana (77%), entre uma e quatro horas por dia (57%).

No que se refere à confiança, a maioria dos brasileiros confia no que vê na TV, mas uma maioria pouco confortável de 54% contra 46% não confiam. Cortes por idade, região e renda, como foi feito em 2014 e 2015, mas não este ano, é essencial.

Dos dados, pode-se inferir que, se a função informativa/formativa da TV no Brasil perdeu pouco de sua penetração em relação a décadas anteriores, o telejornalismo em si já viu melhores dias.

Os gastos em publicidade do governo federal (2000/2015) – V (Rádio, Mídia Exterior e Cinema)

Ufa! Chegamos ao fim da numeralha sobre o investimento em publicidade do governo federal no período 2000/2015, segundo dados da Secom. Os últimos dados são de Rádio, Mídia Exterior e Cinema. Quatro notas sobre a apresentação:

1. Só faço análise de Rádio e MEx, pois os valores da mídia Cinema são tão irrisórios (jamais ultrapassaram os 0,83% do investimento total) que não fazem realmente diferença. Assim, publico apenas o gráfico e a tabela correspondentes.

2.Nos dois meios que são analisados, o padrão é o de sempre: tabela/gráfico, destaques e análise.

3.No meio Rádio, a Secom disponibilizou uma comparação entre o que foi investido em rádios de capitais e do interior. Tabela e gráfico compõem o item 10 dos destaques.

4. Já tinha escrito no primeiro levantamento, mas alguns comentários na fan page mostraram que algumas pessoas ou não leram, ou não prestaram atenção, e, assim vai de novo: os  números abrangem a administração direta e a indireta. Assim, entram os investimentos provindos do orçamento, via ministérios, por exemplo, e os de empresas que concorrem no mercado, como bancos, empresas de energia e tal, que não proveem do orçamento. Para esses, não vale aquela demagogia do “com tanta criança sem escola e velhinho sem hospital e esse governo corrupto botando propaganda na Globo”. Sem investimento em publicidade, o Banco do Brasil perde mercado pro Itaú e pro Bradesco, lucra menos e a União (nós) recebemos menos da participação acionária, o que, isto sim, se transforma em grana do orçamento no ano seguinte para ser investido no hospital da criancinha e do velhinho (se não se transforma, é outro papo).

Sigamos, então.
RÁDIO

20160612_tabela_grafico_publicidade_governo_direta_indireta_radio

Destaques

1.Maior investimento: R$ 230.037.790,97 (2009)

2.Menor investimento: R$ 109.027.901,08 (2003)

3.Variação entre o maior e menor investimento: 111%

4.Variação entre 2000/2015: – 16,31%

5.Variação entre 2014/2015: – 22,67%

6.Maior variação positiva entre anos consecutivos:

a.Em termos percentuais: 1,64% pp (2000/2001)
b.Em termos absolutos: R$ 79.917.720,00 (2008/2009)

7. Maior variação negativa entre dois consecutivos:

a.Em termos percentuais: 2,80 pp (2006/2007)
b.Em termos absolutos: R$ 77.693.043 (2006/2007)

8.Anos dos cinco maiores investimentos: 2009, 2006, 2010, 2013 e 2001.

9.Anos dos cinco menores investimentos: 2003, 2002, 2015, 2007 e 2000.

10.Evolução dos valores programados para o meio rádio, até 2012 (Capital x Interior):

20160612_Quadro - Evolução dos valores programados -governo federal_rádio
Análise

Nem precisa olhar muito o gráfico para perceber qual a política da Secom para o meio rádio nos 16 anos do período abarcado pelo levantamento: nenhuma. A linha parecendo com a de alguém em pleno ataque cardíaco mostra que a secretaria nunca teve uma estratégia para este meio tão importante para a população do país, especialmente do interior. Aliás, nem mesmo privilegiar as rádios do interior ocorreu, como mostra a tabela do item 10.

Fica ainda mais complicado de entender este descaso com o rádio se for lembrarmos que a Pesquisa Brasileira de Mídia, promovida pela própria Secom, mostra que o meio apresenta o segundo índice de adesão dos brasileiros, com 30% deles ouvindo rádio todos os dias, índice só batido pela TV. Esta falta de foco, muito provavelmente, trouxe problemas sérios para as rádios, pois, do mesmo modo que ocorreu com outros meios tradicionais, houve uma queda percentual no investimento ao longo dos 16 anos (de 16,31%), com a já observada aceleração de 2014 para 2015 (-22,67%), apesar da elevação em termos absolutos de 111% entre 2000 e 2015.
MÍDIA EXTERIOR

20160612_tabela_grafico_publicidade_governo_direta_indireta_midia exterior

Destaques

1.Maior investimento: R$ 205.704.189,68 (2012)

2.Menor investimento: R$ 50.897.432,31 (2000)

3.Variação entre o maior e menor investimento: 304,1%

4.Variação entre 2000/2015: 125,3%

5.Variação entre 2014/2015: – 31,1%

6.Maior variação positiva entre anos consecutivos:

a.Em termos percentuais: 2,66% (2005/2006)
b.Em termos absolutos: 61.570.854,26 (2011/2012)

7.Maior variação negativa entre dois consecutivos:

a.Em termos percentuais: 2,55% (2006/2007)
b.Em termos absolutos: 60.986.058,25 (2006/2007)

8. Anos dos cinco maiores investimentos: 2012, 2013, 2014, 2010 e 2011.

9. Anos dos cinco menores investimentos: 2000, 2002, 2003, 2007 e 2005.

Análise

A mídia exterior não chega a ser uma internet, mas, se as empresas do setor olharem os 16 anos do levantamento, não têm do que se queixar. O crescimento de mais de 300% do investimento governamental no período não é de se jogar fora mesmo. Tudo bem que a queda nos últimos três anos do período quebrou a curva ascendente de cinco anos, mas, ainda assim, não destoou das outras mídias, com exceção da internet.

Em nenhuma outra mídia o efeito dos grandes eventos que tomaram conta do país, em especial do Rio, pôde ser tão sentida. Dá para ver, olhando o gráfico, que o crescimento da MEx se deu entre 2008 e 2012, exatamente quando obras nas vias metropolitanas e em aeroportos elevaram o número de equipamentos urbanos – como paradas de ônibus e painéis moveis- com capacidade de serem usados como pontos de publicidade, sem contar a explosão daquelas TVs que se espalharam por elevadores, corredores de shoppings e ônibus – que também passaram a ser usados como outdoors ambulantes. No subperíodo apontado, a participação da mídia exterior no total geral saiu de 4,79% para 8,34%, 74% de aumento. Também é no período que se encontram todos os cinco anos de maior investimento na mídia no período de 16 anos do levantamento.
CINEMA

20160612_Tabela e gráfico da publicidade do governo_direta e indireta_cinema

 

Os gastos em publicidade do governo federal (2000/2015) – IV (Internet)

…E então chegamos ao quarto post da série sobre os investimentos em publicidade do governo federal de 2000 a 2015. Não faça essa cara – é uma boa notícia. Agora você só vai sofrer por mais uma semana, certo?

Só que vai sofrer um pouco mais desta vez. É que, além do tradicional combo tabela/gráfico, apresento um gráfico maneiro, que Secom foi muito boazinha de publicar, mostrando o investimento programado para o meio internet separando os grandes portais do resto. Na análise, você vai ver porque enxergar esta separação é importante.
Mas não nos precipitemos. Vamos à numeralha primeiro.

20160605_tabela_grafico_publicidade_governo_direta_indireta_internet

 

DESTAQUES

1. Maior investimento: R$ 233.965.988,68 (2015)

2. Menor investimento: R$ 16.507.469,75 (2003)

3. Variação entre o maior e menor investimento: 1317,33%

4. Variação entre 2000/2015: 1.090,22%

5. Variação entre 2014/2015: 11,64%

6. Maior variação positiva entre anos consecutivos:

a. Em termos percentuais: 4,02% pp (2014/2015)
b. Em termos absolutos: R$ 44.814.526,00 (2008/2009)

7. Maior variação negativa entre dois consecutivos:

a. Em termos percentuais: 0,15 pp (2003/2004)
b. Em termos absolutos: R$ 5.016.560,00 (2009/2010)

8.Anos dos cinco maiores investimentos: 2011, 2012, 2013, 2014 e 2015.

9.Anos dos cinco menores investimentos: 2003, 2000, 2002, 2004 e 2001.

10. Evolução dos valores programados para o meio internet (até 2012):

20160605_ Gráfico evolução dos valores programados - meio internet
ANÁLISE

Deseja ver com clareza o que levou os grandes veículos de comunicação a fazerem um pacto a fim de derrubar o projeto de país que se instalou em 2003, nem que fosse através de um golpe de estado, parlamentar ou armado? Pois é só estudar com atenção as tabelas e gráficos lá de cima em conjunto com o do item 10, e ter na cabeça a estrutura da mídia no Brasil.

O crescimento do meio internet na distribuição de verbas publicitárias federais cresceu mais de 1300% em 13 anos. Como jornais, revistas e TVs sempre consideraram as verbas de publicidade do governo federal um feudo, o avanço do novo meio, com sua capacidade de absorver tudo o que toca (atenção: vou voltar a este assunto assim que terminar esta numeralha, na semana que vem), era intolerável por atingir aquele dinheirinho certo do fim do mês.

O pior é que, como demonstra o segundo gráfico, houve mudanças importantes na distribuição de verbas no interior do próprio meio internet. Já em 2011, os grandes portais deixaram de ser a destinação principal das verbas, e, embora tenha havido uma reação em 2012, dificilmente a tendência teria mudado a ponto de a distribuição ter voltado ao que era início dos anos 2000, mesmo que, como se vê no combo tabela/gráfico 1, no período 2012/2015, tenha havido um crescimento de mais 7 pontos percentuais na distribuição das verbas para o meio.

Esta perda relativa de verbas dos grandes portais é importante porque entre eles contam gigantes pertencentes aos grupos de mídia tradicionais como UOL (Folha/Hypermarcas), Globo.com e Estadao.com concorrendo com outros pertencentes a companhias de fora do oligopólio – IG (Ongoing) e Terra (Telefônica) – e, claro os tratores Google e Facebook. Ou seja, menos dinheiro para dividir com gente muito grande, uma equação à qual as Seis Famílias que dominam a mídia no Brasil não estavam acostumadas e não gostaram nem um pouco de aprender.

É certo que a tendência de crescimento do investimento publicitário em internet deveria crescer nos próximos anos – afinal, como mostram os dados do levantamento da Secom sobre a frequência de acesso aos meios de 2015, os 12,5% destinados ao meio no ano passado estavam muito abaixo dos 37% de audiência que ele mantinha no mesmo período. E com um adendo: como mostra a tabela do link acima (você seguiu o link, né?), a maior parte dos acessos ao meio vem de gente com menos de 35 anos e que, na faixa 16-25 (ou seja, de gente que nasceu por volta do ano 2000), já está nos calcanhares da própria TV. Esta tendência, que parece irreversível, é desastrosa para o oligopólio que domina a atual estrutura de mando na mídia brasileira. Assim, não é de admirar o apoio que as Seis Famílias estão dando ao golpe parlamentar ora em curso no país.

#aGlobodeveserdestruida

Os gastos em publicidade do governo federal (2000/2015) – III (Revista)

Esta semana não tem meu pé me dói. Vamos direto aos números das distribuição de verbas publicitárias do governo federal para as revistas. Hmm…Bem, talvez uma pequena explicação para não fugir ao hábito: não há aquele PDF colocado no Slide Share esta semana porque a Secom não diferenciava os investimentos no meio entre semanais, quinzenais e mensais. O fato talvez seja explicado pelo fato de os investimentos serem quase totalmente dirigidos às primeiras. Infelizmente, essa hipótese não pode ser aferida, já que faltam os dados.

Enfim, vamos lá!

20160522_tabela_grafico_publicidade_governo_direta_indireta_revista

Destaques

1. Maior investimento: R$ 206.128.724,20 (2009)

2. Menor investimento: R$ 66.392.627,64 (2015)

3. Variação entre o maior e menor investimento: – 67,8%

4. Variação entre 2000/2015: – 50,6%

5. Variação entre 2014/2015: -44,1%

6. Maior variação positiva entre anos consecutivos:

a. Em termos percentuais: 2002/2003, 1,3 pontos percentuais.
b. Em termos absolutos: 2008/2009: R$ 79.161.112,00

7. Maior variação negativa entre dois consecutivos:

a. Em termos percentuais: 2005/2006: – 2,6% p.p.
b. Em termos absolutos: 2014/2015: R$ 50.522.517,00

8. Anos dos cinco maiores investimentos: 2009, 2012, 2011, 2005 e 2010.

9. Anos dos cinco menores investimentos: 2015, 2014, 2003, 2002 e 2000.

 

ANÁLISE

A situação dos jornais foi muito afetada pela concorrência da internet, ok, mas, em comparação com a das revistas, os diários enfrentam apenas uma chuvarada em vez de um furacão. O meio revista agoniza em praça pública – em especial o segmento das semanais, que, em teoria deveriam dar uma visão de profundidade maior sobre os assuntos da semana, o que não ocorre porque, com a velocidade imposta pela internet, os temas são dissecados, triturados e reconstruídos em questões de horas, não de dias.

O resultado é o aferido pela PBM-2015 – a média de leitura entre os brasileiros não passa de 2%, com concentração entre os de mais alta escolaridade e renda. Esta concentração, provavelmente, foi que fez com que o meio ainda chegasse a ter uma participação superior nas verbas publicitárias do governo federal do que o seu “market share” (3,56%, em 2015), apesar de uma queda acentuadíssima nos Anos Dilma (2011-2015) – dos 7,87% pontos percentuais de redução na participação das verbas, nada menos do que 5,43% ocorreram no governo de Dilma Rousseff. É muito provável que esta redução abrupta tenha contribuído para a selvageria dos ataques das três principais semanais do país ao governo da presidente reeleita em 2014 e, no momento, sofrendo um processo de golpe de Estado.

#aGlobodeveserdestruida

Os gastos em publicidade do governo federal (2000/2015) – II (Jornal)

Depois de capinar sentado na semana anterior fazendo aquela tabela gigante, base da série de colunas com os títulos acima, esta semana foi moleza, em comparação. Assim, vamos à variação dos investimentos do governo em publicidade em jornais, no período 2000/2015. Aliás, o número de colunas vai aumentar das três anteriormente planejadas para cinco, pois jornais, revistas e internet merecem análises separadas (rádio, mídia exterior e cinema ficarão juntos na última).

Antes de passarmos aos números dos jornais, porém, ainda uma palavrinha sobre a coluna da semana passada.

No item 10 dos destaques de TV (o último), pus um link para o pdf da distribuição de verbas no período estudado, por emissora. Deveria ter esmiuçado, é verdade, mas estava esgotado e sem tempo para recuperação antes da publicação da coluna, e, por isso, botei os dados brutos. Ainda assim, não custava nada seguir o atalho e olhar os números. Só que muita gente não o fez. Beleza, direito de cada um. O chato é quando isso acontece e o/a cara pergunta algo que estava no link, como ocorreu muito na fan page. Assim, meu caro, minha cara, por favor, além de ler o texto todo (são grandes, eu sei, e, ao que parece, qualquer texto maior do que três parágrafos na internet, especialmente no facebook, irrita os brasileiros, embora não os gringos), siga os links. Eles são numerosos, às vezes, mas estão ali para agregar informação importante ao texto que você está lendo, ou apenas ao seu conhecimento sobre o assunto em geral. Sobre o tal item 10, para que a preguicinha não ataque de novo, segue o pdf que botei no Slide Share.

Bem, depois do esporro, vamos aos números dos jornais (só há um link, ânimo!).

20160522_tabela_grafico_publicidade_governo_direta_indireta_jornal

DESTAQUES

1. Maior investimento: 311.792.958,50 (2000).

2. Menor investimento: 89.089.333,63 (2015).

3. Variação entre o maior  e menor investimento: – 71,4%.

4. Variação entre 2000/2015: – 71,4%.

5. Variação entre 2014/2015: -51,3%.

6. Maior variação positiva entre dois anos consecutivos: 2003/2004, 2,51 pontos percentuais em relação ao total geral (77,3% em termos absolutos).

7. Maior variação negativa entre dois anos consecutivos:

a. Em termos percentuais: 2000/2001: – 6,29% p.p.
b. Em termos absolutos: 2014/2015: -42,2%.

8. Anos dos cinco maiores investimentos: 2000, 2001, 2009, 2004 e 2005.

9. Anos dos cinco menores investimentos: 2015, 2003, 2014, 2012 e 2006.

10. Distribuição dos investimentos entre jornais de capitais e do interior.

ANÁLISE

A perda de prestígio dos veículos impressos em tempos de internet e mídias sociais refletiu-se, como não poderia deixar de ser, na distribuição de verbas publicitárias aos jornais. O meio perdeu cerca de 17 pontos percentuais em relação ao investimento total em publicidade do governo federal nos últimos 16 anos – sendo quatro deles desde 2011. Muito provavelmente por isso os veículos tenham sido tão virulentos em sua campanha contra os governos petistas, especialmente desde 2008, quando as verbas começaram a cair mais acentuadamente. Uma pesquisa acadêmica que pudesse desmentir ou confirmar a hipótese seria bem-vinda – números para embasá-la há, como se vê.

A questão é que não poderia ter sido de outra forma, pois, como apontou a pesquisa da Secom sobre o consumo de mídia pelos brasileiros,  há relativa falta de importância do jornal como veículo publicitário, dado que não conta com mais do que 7% de audiência, na média. Haveria motivo de queixa em 2015, quando o montante destinado chegou a apenas 4,8% do total, mas não antes. Reservar um percentual maior do que 7% das verbas de publicidade para jornais seria malversação dos dinheiros públicos e a imprensa é contra isso, pois não?

Aliás, a existência da pesquisa de hábitos de consumo da mídia da Secom, realizada pela primeira vez em fins de 2013 e repetida um ano depois, e que, de maneira inédita, deu ao governo federal um instrumento estatístico de análise que não viesse das mãos do próprio mercado publicitário, pode ter sido a gota que faltava para fazer transbordar o pote de mágoa das empresas de comunicação com o governo. Infelizmente, a pesquisa não foi repetida em 2015 e dificilmente o será agora no governo do Novo Brasil, o qual, entre seus primeiros atos, extinguiu a Secom.

#aGlobodeveserdestruida

Os gastos em publicidade do governo federal (2000-2015) – I

Desde 2000 (ou seja, ainda durante o tucanato), em algum momento de abril ou maio, a Secretaria de Comunicação da Presidência da República divulga os gastos do governo federal com publicidade. Com a extinção da Secom, porém, é muito provável que este saudável hábito de transparência administrativa seja extinto junto, ressurgindo a caixa-preta do século passado.

Assim sendo, já que provavelmente assistimos o seu funeral, darei um tratamento especial, diferente do que fiz em 2014, ao levantamento deste ano, dividindo a análise dos dados em três colunas – a primeira, unindo o Total Geral e a TV; a segunda, Jornal e Revista; a terceira, Rádio, Internet, Mídia Exterior e Cinema. Esta divisão se explica, principalmente, pelo fato da enorme preponderância da participação da TV na distribuição das verbas de publicidade, com o meio abocanhando, em 13 dos 16 anos do levantamento, mais de 60% do total de verbas (tabela e gráfico 2).

Outro ponto da coluna desta semana é que, além do total geral, apresento também a divisão das verbas pelas administrações direta e indireta, como faz (ou fazia) a Secom, mas sem mais comentários, já que os meus neurônios derreteram durante o processamento dos dados antes de chegar neles (quem quiser acesso aos dados originais, eles podem ser encontrados no site da Secom, junto com muitos outros, pelo menos até hoje – aconselho a baixar tudo, como eu fiz).

As seguintes explicações estarão na primeira tabela, mas para não correr o risco de você não vê-las, vão aqui:

• Os valores correntes de investimentos em Mídia (veiculações) foram obtidos pelo processamento de cópias de pedidos de inserção (PIs) e indexados pelo índice IGPM-FGV: índice médio, ano a ano. Índice médio do ano base 2015: 586,426.

• A base de dados fornecida pelo IAP (Instituto para Acompanhamento da Publicidade), atualizada em 20/04/2016. (N. da C: Até 2011, os dados de programação eram abertos pelo IAP (exemplo), mas, infelizmente, a partir deste ano, os dados são acessados apenas pela Secom, via web. Como a secretaria foi extinta, seria interessante saber a cargo de quem ficará o acesso a estes dados);

• Os valores não incluem: publicidade legal, produção e patrocínios.

• Os valores de 2015 são correntes (nominais).

Tudo entendido? Então vamos lá, mas com calma, que dá uma certa canseira. Primeiro, o gráfico e a tabela do total geral.

20160515_tabela_grafico_publicidade_governo_direta_indireta_total geral

Agora, os destaques do total geral:

1. Maior investimento: R$ 2.616.069.081,00 (2013).

2. Menor investimento: R$ 1.148.613.046,00 (2003).

3. Diferença entre o menor e o maior investimento: R$ 1.467.456.035,00

4. Diferença entre o menor e o maior investimento em termos percentuais: 127,75%

5. Dos cinco anos com maiores investimentos, três (2013, 2012 e 2014) ocorreram nos cinco anos do período Dilma, e dois (2009 e 2010) nos oito anos do período Lula.

6. A maior redução de investimento de um ano para o outro aconteceu de 2014 para 2015 – R$ 591.470.711,00 (- 24%)

Agora, gráfico e tabela da TV:

20160515_tabela_grafico_publicidade_governo_direta_indireta_TV_total geral

Os destaques:

1. Em 13 dos 16 anos do levantamento, a parcela de TV superou os 60% dos investimentos totais em mídia.

2. A maior participação ocorreu em 2014 (66,7%) – muito provavelmente devido à Copa do Mundo; a menor, em 2000 (54,4%)

3. O maior investimento, em termos absolutos, foi realizado em 2013 (R$ 1.692.423.230,71).

4. O menor investimento, em termos absolutos, ocorreu em 2003 (R$ 700.005.221,46).

5. A diferença percentual entre o maior e menor investimento foi de 141,8%.

6. Dos cinco anos com maior participação da TV no total geral de investimentos em mídia, quatro ( 2014, 2015, 2013 e 2012) estiveram no período Dilma.

7. A maior redução de investimento de um ano para o outro aconteceu de 2014 para 2015 – R$ 408.920.027,00 (- 25%).

20160515_grafico_publicidade_governo_direta_indireta_TV_variacao investimento

8. A redução do investimento em TV de 2014 para 2015 (R$ 408.920.027,00) equivaleu a 69% do total da redução ocorrida em todas as mídias no mesmo período (R$ 591.470.711,00).

9. Como os governos, de 2003 a 2014, liberaram cerca de 45% das verbas investidas em TV para a TV Globo, pode-se calcular que a Estrela da Morte tenha perdido, de 2014 para 2015, cerca de R$ 185 milhões. Se partimos de 2013 – ano com o maior dispêndio com mídia de todo o período com o meio (R$ 1.692.423.230,71) -, a redução de receita atingiu mais de R$ 200 milhões.

10. Quadro dos investimentos por emissora disponibilizados pela Secom (dados disponíveis até 2012).

Análise

Em geral, neguinho reclamava da preponderância da TV nos planos de mídia dos governos do PT. É uma queixa justa se você parte de um ponto de vista – o de que era preciso desconstruir a hegemonia dos meios de comunicações tradicionais (aviso: eu parto desse ponto de vista). O problema é que os governos na Era PT não se coadunaram com esta proposta, mas pelos tais “critérios técnicos”, sempre defendidos pela mídia tradicional.

Pior (pelo menos do meu ponto de vista). Os governos petistas criaram um, para mim (sou paranoico, lembra?), estranho Comitê de Negociação, que, como o nome diz, negociava as verbas de publicidade com representantes de veículos. Democrático, certo? Mais ou menos. É que este comitê não era aberto ao público e nem suas atas (se é que existiam) publicadas e, assim, há grande a probabilidade de esse comitê ter se transformado num canal de lobby, institucionalizado, mas sem regulação. Tão esquisito quanto esse comitê foi a falta de interesse (talvez até mesmo de conhecimento) de associações, coletivos e veículos que sempre clamaram por mudanças na distribuição de verbas publicitárias governamentais em questionarem a existência dele ou, ao menos, seus métodos de trabalho.

Diante desse quadro, não há muito o que reclamar que a distribuição da grana da publicidade fosse, em sua maior parte, para o meio TV, que é mesmo o que atinge maior público. E, se você for olhar com cuidado, há até uma sub-representação do meio em relação às verbas. Estudos como este mostram que, somadas TV aberta e fechada, o meio tem 72% do “share” da publicidade, o mesmo que a PBM-2015 encontrou, em termos de audiência, na pesquisa referente a 2014 (deve ser outra pesquisa importante a morrer no governo do “Novo Brasil”).

Por fim, os links para as outras tabelas, segmentadas em órgãos da administração. Divirta-se você também com os números. Eles são gente boa.

Direta

20160515_tabela_total_geral_direta

Indireta

20160515_tabela_total_geral_indiretas_empresas de mercado

 

#aGlobodeveserdestruida

Peneirando a PBM-2015 (XIII) – Confiança, por escolaridade, veículos internet

Parafraseando o hino do Maior Clube de Todos os Universos, “quem insiste, sempre alcança”. Assim, finalmente, depois de sete meses (a primeira postagem foi de 12 de abril), acabei de peneirar a Pesquisa Brasileira de Mídia de 2015 (PBM-2015), realizada pela Secom da Presidência da República e cujos dados brutos você pode ver (e baixar) aqui. A última numeralha refere-se à confiança em sites, blogs e redes sociais, por escolaridade. Mas não espere muita folga de números e tabelas não – já tenho outras engatilhadas, sem contar, claro, que, se houver uma PBM-2016, ela será devidamente escovada ano que vem.

Assim, vamos à escovadela final !

24_tabelas e gráficos_sites_confiança_escolaridade
Entre os meios de internet, os sites são os que apresentam maior credibilidade, mas isso não quer dizer muito – a Média Brasil é de apenas 30%. Há, porém, uma notável diferença em relação a blogs e redes sociais, os outros dois veículos de mídia, no que se trata da escolaridade: entre a faixa que cursou apenas até a 4ª série do Ensino Fundamental, a credibilidade dos sites fica em 27%, 5 pontos percentuais abaixo do aferido entre os que possuem curso superior, a única faixa que supera a média, ainda assim dentro da margem de erro da pesquisa (que varia de 2% a 4%).

Em outro ponto, porém, os sites se igualam a blogs e redes – entre os tem até o 4º Fundamental, 11% não sabem ou não quiseram responder se confiam ou não nas notícias que veem. Constata-se, mais uma vez, que os que possuem escolaridade mais baixa ainda estão avaliando que bicho é esse de internet.

 

25_tabelas e gráficos_blogs_confiança_escolaridade

Os blogs estão bem abaixo dos sites em termos de confiança do público (25% x 30% na média), os blogs, porém, contam com maior desconfiança entre o público de maior escolaridade. Enquanto os sites obtêm a confiança de 32% entre os que possuem curso superior, esse percentual desaba para apenas 23% no que se refere aos blogs. Em comparação, a diferença é de 5 pp na faixa logo abaixo (Ensino Médio) – 25% x 30% – e 3 pp na faixa até 4º Fundamental (23% a 27%).

 

26_tabelas e gráficos_redes_confiança_escolaridade

Em termos de confiança, as redes sociais não se diferenciam dos blogs – as RS possuem credibilidade de 26% em média (blogs 25%), com variação de apenas 2 pp entre a primeira e a última faixa (entre os blogs, é ainda menor, 1 pp, sendo maior na faixa mais baixa, ao contrário do que ocorre nas redes).