Fora do eixo

Há coleguinhas que, além de serem ruins em aritmética, parecem também não ter muita noção de geometria.

A meta de inflação no Brasil varia entre 4,5% e 6,5%. Neste ano, como no último, ela vai ficar em torno de 5,5%. Imaginemos (quando meus professores de Geometria no Pedro II diziam isso, entrava em pânico, pois nunca tive uma visualização espacial muito boa) que os pontos 4,5 e 6,5 formam um segmento de reta. O centro desse segmento é o ponto 5,5. Não para os coleguinhas, especialmente os de economia. Para eles o centro do segmento é o ponto 4,5, pois ficam dizendo que a inflação está “distante do centro da meta”, quando, na verdade, 5,5% é o centro da meta. Cqd.

Pelo jeito, além das aulas de reforço em português e aritmética, as faculdades de comunicação vão ter que providenciar explicadores da “ciência de Euclides” para seus alunos.

Como a matemática é usada para nos fazer de otários

O livro “Os números (não) mentem – Como a matemática pode ser usada para enganar você”, de Charles Seifer (Zahar, 262 páginas, R$ 42,70, na Saraiva) cumpre o que promete: demonstra, cabalmente, como somos engabelados pelo uso habilidoso (ou nem tanto) de artifícios matemáticos, que servem, no mais das vezes, não para provar uma verdade, mas para acabar com discussões e silenciar o debate (quando não para coisa pior).

O capítulo 4 é o mais interessante dos que li até agora. É dedicado a detonar, sem deixar pedra sobre pedra, as pesquisas de opinião (principalmente eleitorais) e os jornalistas e veículos que acreditam nelas. O que você pode ler abaixo é o fim do capítulo – da linha vermelha pra baixo está uma espécie de resumo do que pensa o autor, professor de jornalismo da Universidade de Nova York e mestre em matemática por Yale.

Pesquisas de opinião são para jornalistas e outros tipos de bobos

Desculpe a minha falha…

O professor de jornalismo do Centro de Educação Superior Norte-RS da Universidade Federal de Santa Maria (RS), José Antonio Meira da Rocha, fez umas contas sobre o post abaixo, apontando um erro meu e expondo ainda mais o do Rolf Kuntz  – leia aqui.

O blog de Meira da Rocha, aliás, é um perigo para chamadas as “boas causas” do Brasil. Outro ponto que achei um barato no blog – ele homenageia um dos livros mais maneiros que já li, de autoria de Malba Tahan,  e que deveria ser leitura obrigatória em todos os colégios do Brasil e também, parece, em todas as faculdades de jornalismo.