Notas eleitorais – É o maior, mas…

“1. Vence Haddad: N-D é entronizado como o maior político brasileiro desde o Bacharel de Cananéia.”

Quando escrevi isso, em junho, em meio àquela doideira que foi a negociação do apoio do Maluf (recorde aqui) juro que não acreditava no que aconteceu hoje: Fernando Haddad vencer a eleição em São Paulo. Sim, considero N-D o mais importante político brasileiro da segunda metade do Século XX (Vargas o foi da primeira), mas, assim mesmo, homem de de pouca fé que sou, não cria. Só que não considerei bem três fatos:

1. A profundidade da liderança do sujeito.
2. O tamanho da falta de confiança que os paulistanos têm em José Serra.
3. A rejeição deles a Gilberto Kassab.

Assim, ao subir no salto 10 que inevitavelmente – e com muito direito – calçará após essa magnífica vitória política, N-D deveria, com seus botões, considerar que, sim, ele detectou com perfeição o desejo de mudança e renovação de lideranças que a maior parte da população de São Paulo está vivenciando – de resto, uma necessidade do quadro político como um todo -, mas vencer ficou mais fácil porque os adversários, especialmente no segundo turno, eram ruins à beça.

(Últimas) notas eleitorais

Encerrando a série sobre o primeiro turno das eleições municipais, seguem mais quatro pitacos:

1. Tragicômica a luta dos coleguinhas para tapar o sol com a peneira e não admitir que o Nove-Dedos já é um dos vencedores do pleito só pelo fato de ter levado o poste Haddad ao segundo turno em São Paulo. Esse desafio à realidade, porém, está para cair por terra com a iniciativa, que já cheira a desespero, do Estadão de especular que N-D poderia ser réu de um julgamento pós-Mensalão. Se essa ideia prosperar, aí é que o prato da balança vai pender de vez pro Haddad, pois ficará provado que o problema é de luta de classes, não tendo nada a ver com o bom combate pela moralidade pública;

2. E agora, Marta? O Haddad foi pro segundo turno e nem precisou de você. No segundo turno, vai ter que fazer mais em troca da colher de chá ministerial.

3. Quanto tempo ainda vai durar o DEM? Aposto que não chega à Copa das Confederações, em junho do ano que vem. Mesmo se ganhar em Salvador. Afinal, que deputado vai ficar num partido que não tem a menor perspectiva de poder? O máximo que os atuais próceres demos podem fazer é realizar uma retirada organizada, impedindo o estouro da boiada. Aí vem outro problema: ir para onde? Pro PSD, do renegado Kassab? Pro PMDB, sócio do arqui-inimigo PT no governo? Pro PSDB para ser tratado como primo pobre que se acolhe em casa por não ter onde cair morto?

4. Alguém viu a Marina Silva por aí? Se a encontrarem, avisem que o PRB e o Russomano já estão chegando pelo Expresso da Neutralidade.

A Conselheira estava certa

A Alta Conselheira estava certa em sua suspeita do porquê O Globo meio que escondeu o grave acidente do metrô de São Paulo, que feriu mais de uma centena de pessoas. A explicação circunstanciada é do Ricardo Kotscho.