O Extra e sua muralha

No primeiro momento, quando o Extra começou sua campanha contra o goleiro Muralha, do Flamengo, em 1º de setembro passado, colocando um “comunicado” na primeira página (abaixo), achei babaca e desrespeitoso, mas não cheguei a prestar muita atenção, pois ações deste tipo nunca foram raras em redações e, atualmente, são decididamente comuns.

Mesmo na semana passada, quando o jornal voltou a jogar nas mãos do atleta a culpa por mais uma derrota do rubro-negro nos pênaltis – algo comum para todos os clubes –, e a consequente perda do título da Copa do Brasil para o Cruzeiro, apenas achei que algum responsável pela primeira do Extra tinha algo de pessoal contra o jogador, já que no caderno de esportes, a culpa foi atirada sobre Diego (como se houvesse culpa em perder uma cobrança numa decisão e não algo perfeitamente esperado na vida de um jogador como Diego, principal atleta do time e cobrador oficial). A contradição pode ser vista abaixo.

No dia seguinte, porém, soube da situação pré-falimentar do Grupo Abril e os ataques do Extra contra Muralha ganharam algum sentido – não tenho como afirmar, já que não possuo mais acesso aos números do Instituto Verificador de Circulação (IVC), mas passei a suspeitar que as capas contra Muralha indicam que o Extra está sofrendo uma séria queda em sua circulação.

Como se sabe – e pode-se ver claramente nas ruas de qualquer grande cidade brasileira – a crise econômica abalou seriamente as classes C, D e E, o público ao qual o jornal se dirige. O fato de ser feito pensando nessas classes de consumo faz com que o Extra seja um “jornal de banca”, ou seja, ele praticamente não possui as assinaturas que mantêm os chamados quality papers voltados para as classes A e B (que também sofrem com a queda de circulação causada pela fuga dos assinantes, mas esse é outro capítulo da história). Dessa forma, o Extra necessita de chamadas fortes, “quentes”, para capturar a atenção de seus potenciais leitores e levá-los a coçar o bolso.

O jornal sempre atuou desse jeito, claro, com manchetes inteligentes e divertidas, mas, diante de uma queda acentuada como a que o jornal tem sofrido, inteligência não tem tanto efeito quanto o bom e velho sensacionalismo. Assim, a publicação partiu para este caminho com esta capa agressiva e politicamente perigosa (publicada duas semanas antes da primeira contra o jogador).

Compreensivelmente, ela provocou uma chuva de críticas, que, embora certamente não provenientes de seu público alvo, devem ter repercutido na redação. Ademais, declarar o Rio em guerra funciona bem para vender jornal, mas também provoca medo e esse sentimento não pode ser usado sempre, já que tende a provocar um “stress” social talvez incontrolável pelo Grupo Globo como um todo. É necessário dar uma aliviada, mas sem perder o foco na provocação de polêmicas sensacionalistas. Assim, a direção de redação do Extra parece ter resolvido apelar para uma velha técnica para cativar o público menos crítico: criou um vilão.

O vilão é o oposto do herói, obviamente, mas é essencial para que este exista e a luta entre ambos é o que faz uma história funcionar. Essa técnica literária é conhecida de qualquer roteirista de novela ou história em quadrinhos. E foi isso que o Extra fez com Muralha –transformou-o num vilão, mesmo sem um herói definido para enfrentá-lo. Funcionou muito bem por fatores intrínsecos à própria pessoa: o goleiro é realmente fraco tecnicamente (mas sempre o foi e o Extra não criticou sua convocação para a seleção brasileira há precisamente um ano), tem um apelido que é bom marketing para os bons momentos, mas péssimo para os maus, e apresenta uma figura fora do modelo idealizado pela sociedade brasileira – é mulato, corta o cabelo à moicano, é barbudo, um perfeito oposto de Diego, aquele que realmente decretou a derrota no Mineirão, mas foi escondido na parte interna do jornal (e ainda apresentado com um elogio enviesado a sua beleza).

Em suma, da maneira como vejo a coisa, Muralha ser esculachado pelo Extra tem pouco a ver com sua capacidade técnica ou mesmo a importância de suas supostas falhas nas derrotas do Flamengo. Estas apenas forneceram a oportunidade para a direção de redação do jornal alavancar as vendas às custas de ridicularizar publicamente um ser humano. A má notícia agora: o viés do Extra não vai mudar porque a muralha econômica que enfrenta é intransponível enquanto a situação econômica não mudar.

A circulação da IstoÉ e o “crowdfunding”

Enfim chegamos à última análise de números de circulação de jornais e revista, com os dados da IstoÉ. Segundamente (porque, primeiramente Fora Temer!), vamos ao comercial: faltam 15 dias para terminar a minha campanha de crowdfunding. Vou explicá-la de novo: a “vaquinha virtual” é para manter o acompanhamento da circulação, que faço desde 2010 sem custos (tinha uma fonte). Explico tudo direitinho no vídeo que se pode acessar por este link – e você também pode ler no texto abaixo dele. Desde já, agradeço a sua ajuda.

Agora vamos aos números da IstoÉ, que são bem interessantes – gráficos e tabelas primeiro.

Tabela e gráfico 1
20160911_ivc_istoe_4tri_2015-1tri-2016

 

Tabela e gráfico 2

20160911_ivc_istoe_1tri_2015-1tri-2016

 

1. O que salta aos olhos no gráfico 1 é a circulação média de março de 2016, que atingiu 331.591 exemplares, contra uma média de 313.387 nos cinco meses anteriores, resultado 6% maior. O fenômeno se deveu à edição 2413, na qual foram publicadas as denúncias do ex-senador Delcídio Amaral contra a presidente Dilma Rousseff. Esta edição vendeu cerca de 45 mil exemplares a mais do que a anterior e 37 mil a mais do que a seguinte.

2. Esta variação obriga a retirada de março da amostra. Tomando-se esta providência observa-se que, nos cinco meses anteriores, a circulação média mensal da semanal no primeiro trimestre de 2016 variou entre 312,7 mil e 314,4 mil exemplares, mostrando, assim, estabilidade na comparação entre o último trimestre de 2015 (314,7 para 312,5), como ocorreu também com suas concorrentes Veja e Época.

3. Também retirando março de 2016 da série do primeiro trimestre do ano é possível observar que houve uma redução de patamar na média de circulação média na comparação do primeiro tri de 2015 como janeiro e fevereiro de 2016. No entanto, diferentemente de suas concorrentes, a redução da média da IstoÉ foi menor, caindo apenas 3 mil exemplares (1%).

 

O “CROWDFUNDING”

As análises referentes à circulação do primeiro trimestre de 2016 de jornais e revistas terminaram. Se você achar importante este serviço continuar, por favor me ajude a mantê-lo contribuindo na “vaquinha virtual” no Catarse. Vamos lá! Tem recompensa a partir de 20 “real”. É só clicar aqui e colaborar. De novo, agradeço a ajuda desde já.

A circulação da Época e “crowdfunding”

Nesta semana, a análise de circulação será revista semanal do Grupo Globo, a Época, enfocando o primeiro trimestre deste ano, em relação aos primeiro e quarto períodos trimestrais de 2015. Antes, porém, pausa para uma autopromoção. Para manter este serviço, que antes era 0800 graças a uma fonte, preciso pagar. Para recolher fundos, abri uma campanha de “crowdfunding” no Catarse. Se você gostar da que vai ler e achar a manutenção deste serviço importante, é só clicar aqui e contribuir com qualquer quantia até 29 de setembro. Desde já, fico muito grato.

Agora, aos números da Época. O primeiro ponto a ser observado é que a semanal dos Marinho, diferente da Veja, não apresenta assinaturas híbridas (digitais+papel), o que facilita a análise e deixa a nu a irrelevância da circulação digital da revista, que não chega a 2.500 em meio a uma circulação total de mais de 360 mil exemplares. Desta forma, as análises da semanal dos Marinho é bem mais curta do que dos veículos já estudados (que bom, hein?). Por este fato também os pares tabelas/gráficos vão seguidos um do outro e analisados em conjunto.

 

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Circulacao Epoca 1tri_2016-1tri_2015
1. A comparação entre os meses extremos do período de seis meses entre outubro e março (primeiro par tabela-gráfico), aponta uma queda de 1,2% na circulação, indicando estabilidade na circulação geral, o que está em linha com o que aconteceu em todas as publicações impressas, em maior ou menor grau.

2. Já na comparação entre os primeiros trimestres de 2015 e 2016 (segundo par tabela-gráfico), há uma diferença mais notável. Entre janeiro e março do ano passado, a circulação da Época cresceu 1,5%, enquanto apresentou uma pequena queda de 0,3% no mesmo período deste ano.

3. O resultado acima seria melhor se a comparação entre os meses de janeiro não apresentasse uma queda de 4%, indicando uma mudança de patamar (para baixo) da circulação na virada do ano, com uma queda de 5,5% entre dezembro e janeiro.

4. Este fato não é incomum, dado que estes são meses de férias e de pagamento de contas anuais e aquelas contraídas por conta das Festas. O problema mesmo é que a recuperação não chegou com um nível que se poderia esperar, fazendo com que a tendência de queda se mantivesse, embora em níveis menores, mas, ainda assim, invertendo a tendência demonstrada entre janeiro e março de 2015.

5. O grande problema da Época, porém, é mesmo sua fraquíssima inserção digital, que chega a merecer mesmo a qualificação de ridícula. Ela é muito perigosa para a longevidade da publicação, pois ela praticamente não tem presença na mídia digital (internet ou apps) que é para onde caminha o meio revista.
O “CROWDFUNDING”

Gostou da análise? Acha importante a sociedade ter acesso a estes números? Então por favor me ajude a manter o serviço contribuindo na “vaquinha virtual” no Catarse. Vamos lá! Tem recompensa a partir de 20 “real”. É só clicar aqui e colaborar. De novo, agradeço a ajuda desde já.

A circulação da Veja e o “crowdfunding”

Na série sobre o desempenho da circulação dos veículos impressos no primeiro trimestre de 2016, chegou a vez das revistas, começando pela de maior circulação, a Veja. Mas antes de ir aos números e gráficos, mais uma vez lembro da campanha de “crowdfunding” que pus no Catarse, visando manter este serviço que minha fonte no IVC se foi. A campanha entra em seu último mês (termina em 29 de setembro) e, não vou lhe enganar, não vai muito bem, precisando ainda de muita força. Se você puder colaborar, com qualquer quantia que seja, vai ser de grande ajuda. Se quiser conhecer mais do projeto e dar uma força, é só clicar aqui.

Bem, agora vamos aos números da revista que é o carro-chefe, tanque de guerra e pé-de-cabra de cofre público dos Civita.

 

20160828_veja_3tri-2015_1tri-2016



Analisando o primeiro par tabela/gráfico, temos o seguinte (atenção: todos os números se referem à média de circulação das edições de cada mês do período, ou seja, a quatro ou cinco edições mensais e não apenas a uma edição específica):

1. Comparando os meses extremos do período (outubro/2015 com março/2016), temos que houve um decréscimo na circulação total de 3,5%, com uma queda equilibrada nos três tipos de edição (impressa, híbrida e digital): 3,6% (impressa), 3% (híbrida) e 3,5% (digital).

2. Na comparação do primeiro subperíodo de três meses (outubro-dezembro de 2015), a circulação geral caiu bem menos do que no período inteiro, apenas 1,4%, graças a um acréscimo na edição híbrida (de 1,2%) e reduções menores nas edições impressa (-1,8%) e digital (-2,1%).

3. No primeiro trimestre de 2016, no entanto, houve uma reversão forte na edição híbrida, que passou ao campo negativo de maneira muito forte, caindo 3%. Esta reversão impediu os Civita de comemorar uma maior melhoria geral na circulação, que subiu 0,2%, graças à edição impressa que reverteu o resultado, crescendo 0,8% no período, enquanto a digital caía 0,9%, ainda assim em ritmo menor do que no trimestre anterior.

4. Na comparação entre os dois últimos trimestres, pode-se observar que a circulação da Veja vem mostrando uma certa tendência à estabilidade, com o que parece ser uma decisão dos leitores fiéis à quase cinquentenária publicação de definir-se pela edição impressa (em sua maioria) ou pela digital, abrindo mão da possibilidade de ler a revista em dois formatos.

Veja: 1tri-2015_1tri-2016


Passando à comparação de um período maior – 1º trimestre de 2015 com o mesmo período de 2016 -, temos:
1. No confronto entre o subperíodo entre janeiro e março de 2015 e o de janeiro-março de 2016 (já visto no item 3 acima), vemos que houve um crescimento na circulação total de 1% em janeiro-março/2015 (contra um de 0,2% no mesmo período do ano seguinte), com bom desempenho da edição digital (2,6%), acompanhada com mais modestos, na mesma direção, das edições híbrida (1,4%) e impressa (0,9%).

2. Estas boas notícias para os Civita, porém, perderam-se ao longo do ano, como se vê na comparação entre os meses extremos dos dois trimestres. Há uma queda importante, de 5,7%, na circulação geral na comparação entre março de 2015 e o mesmo mês deste ano. Esta redução foi puxada pelo mau desempenho da edição impressa que caiu 7,2% entre os dois meses de março, o que tornou vãos o ótimo desemprenho da edição digital (+ 6,3%) e o bom da edição híbrida (+ 3,1%).

3. Importante observar que a edição impressa da Veja caiu do patamar de 1 milhão de exemplares na passagem de 2015 para 2016. Esta mudança de patamar já acontecera em meados de 2015, mas houver um retorno ao anterior rapidamente, o que não aconteceu em 2016 – no primeiro trimestre do ano, a circulação impressa manteve-se mais de 50 mil exemplares abaixo do milhão de exemplares.
Podemos observar, pelos números acima, que a circulação geral da Veja apresentou uma leve melhora nos primeiros três meses de 2016, num movimento que ainda é necessário observar se é consistente – o que se verá apenas acompanhando mais dois trimestres. Esta ligeira recuperação, porém, ainda está longe de apontar um retorno nem mesmo a 2015, um patamar histórico já baixo para a publicação. Isto ocorre porque o principal motor da circulação, a edição impressa, caiu abaixo de 1 milhão de exemplares e não demonstra força para retomar o antigo desempenho.

O “CROWDFUNDING”

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A circulação do Globo e o “crowdfunding”

Nesta semana analisarei os números de circulação de O Globo. O esquema é o mesmo: comparação entre os dois últimos trimestres e entre os primeiros trimestres de 2015 e 2016. E também se mantém o aviso/pedido: ainda está aberto o “crowdfunding” para que eu consiga manter este serviço. Se você quiser apoiar, clique aqui – qualquer quantia será recebida com muita gratidão.

Agora, aos números.

201608_O-globo_tabela-grafico_3tri2015x1tri2016



1. O primeiro par tabela/gráfico mostra que o jornal dos Marinho teve um desempenho bem melhor que seus concorrentes paulistas nos seis meses compreendidos entre outubro de 2015 e março de 2016. Enquanto a circulação total média, de segunda a domingo, do Estado de São Paulo caiu 5,9% e a da Folha, 3,7%, a do Globo ficou praticamente estável (- 0,3%) – de 295.687 para 294.932.

2. Olhando-se mais de perto, por tipo de edição, a digital foi a que assegurou essa estabilidade – invejável no momento atual da imprensa brasileira -, com um crescimento de 10,4%, entre outubro e março (de 61.095 para 67.458), embora já mostrando desaceleração de um trimestre para o outro (de 8,7% para 5%).

3. A edição impressa, se não apresentou estabilidade total, teve uma queda bem pequena no período de seis meses, de menos 2% (de 186.494 para 182.749), bem abaixo da elevação da Folha (1,7%) e próxima à queda do Estadão no período (3,1%). No entanto, ao contrário da digital, a circulação apresentou pequena aceleração de um semestre para outro – de 0%, entre outubro e dezembro, para mais 1,4%, no trimestre seguinte, o que a faz seguir mais de perto a da Folha, no total do período.

4. As assinaturas híbridas (digital+papel) do diário carioca apresentaram um comportamento errático no período estudado. Depois de elevação de 6,5% no trimestre entre outubro e dezembro de 2015 (de 48.098 para 51.214), este tipo de assinatura amargou uma queda de 13,7% (51.801 para 44.725), levando a variação em seis meses a ser negativa em 7%. O desempenho ficou bem abaixo do crescimento da Folha no período (4,8%), mas ainda bem distante da desastrosa queda de 22,4% do Estadão.

 

Vamos, agora, confrontar o desempenho da circulação do Globo nos primeiros três meses de 2015 com o mesmo período de 2016.

O Globo - 1tri-2015x1tri-2016

1. Considerando-se o total da circulação, o jornal carioca apresentou um desempenho bem melhor do que seus concorrentes paulistas, mas, ainda assim, longe de ser confortável. O diário da Irineu Marinho apresentou queda de 8,8% (321.919 para 294.932), na comparação entre março de 2015 e o mesmo mês deste ano, enquanto os números da Folha e do Estado foram, respectivamente, de 15,2% e 16,2%.
2. O problema do jornal dos Marinho é que somente a circulação digital tem aumentado (0,5% no primeiro tri de 2015 e de 4,9% em igual período de 2016), num total de 3,3% de março contra março. Enquanto isso, a circulação impressa caiu de 9,4% (março contra março) e a híbrida, de 17,5%. Assim, a queda, em números absolutos, considerando os dois meses extremos do período foi de 321.919 para 294.932.
3. No comparativo de circulação total de trimestre contra trimestre, no primeiro de 2015, houve uma aceleração de 0,2%, contra uma outra de 0,5% no mesmo período deste ano. Estas duas acelerações combinadas, porém, não foram capazes de inverter a queda geral ocorrida no ano de 2015.

Os dados mostram que, como seus concorrentes paulistas, O Globo alcançou uma estabilidade, nos primeiros meses de 2016, num patamar bem abaixo da circulação de 2015. A edição digital até vem tendo um bom desempenho, mas as reduções nas circulações impressas e, principalmente, híbrida jogam para baixo o total. Assim, a reversão deste quadro só ocorrerá com uma aceleração maior das assinaturas digitais, algo que parece estar um tanto distante.

O “CROWDFUNDING”

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O “crowdfunding” e o IVC da Folha

Nesta semana, prosseguindo a análise dos números do IVC dos principais meios de comunicação impressos do país, vamos aos resultados da Folha de São Paulo. Antes, porém, um minuto para os nossos comerciais.

A campanha de “crowdfunding” para a manutenção deste serviço continua aberta. Agora que não disponho mais da fonte que fornecia os dados “de grátis”, precisarei pagar por eles e, para isso, preciso de sua ajuda. No momento, o projeto possui seis apoiadores – a quem agradeço de todo o coração -, mas há necessidade de muitos mais. Há tempo ainda, pois a campanha só termina em 29 de setembro. Para colaborar om qualquer quantia, é só clicar aqui. Conto com sua ajuda!

Então, vamos aos números do jornal dos Frias.

20160814_folha_3tri2015_1tri2016
1. O primeiro par tabela/gráfico 1 (4º tri/2015 x 1ºtri/2016) demonstra uma queda
na circulação total de 3,7%% (de 320.230, em outubro/2015, para 308.251, em março deste ano), na média de segunda a domingo bem menor do que o de seu concorrente direto no mercado, o Estadão, cuja redução chegou a 5,9%

2. A queda foi puxada pela edição digital, com uma redução de 9,5% (97.028 para 87.778) diferindo frontalmente com o Estado, cuja assinatura da edição digital cresceu 5,7% no período observado.

3. Por outro lado, as assinaturas híbridas do jornal dos Frias cresceram 4,8% (de 46.033 para 48.237) na comparação do último trimestre de 2015 para o primeiro de 2016, também contrastando com o mesmo tipo de assinatura do jornal dos Mesquita, que teve uma estrondosa queda de 22,4% no período.

4. Também há desacordo nos números entre os dados de circulação dos dois jornais paulistas é quanto à circulação impressa. Enquanto, no caso da Folha, ela subiu 1,7% (169.390 para 172.236), no Estadão, ela caiu 3,1%.
O segundo par tabela/gráfico mostra o confronto entre os dados dos primeiros três meses de 2015 com os do mesmo período deste ano.

20160814_folha_1tri2015_1tri2016

1. A comparação entre os primeiros trimestres dos dois últimos anos reforça a ideia de que há uma estabilidade na base de assinantes da Folha. Enquanto no período, em 2015, houve uma redução da base geral de 0,5% (365.428 para 363.582), em 2016, este percentual foi de apenas 0, 1% (308.596 para 308.251).

2. No entanto, esta estabilidade está sendo obtida num patamar muito mais baixo na comparação com o início de 2015. Assim, em março de 2015, a circulação média total da Folha era de 363.582, mas caiu para 308.251, um ano depois, redução de 15,2%.
3. Nas assinaturas digitais, houve uma aceleração na perda de leitores de -2,7%, no primeiro tri de 2015 (102.894 para 100.029) para -9,5%, no mesmo período deste ano (item 2 referente ao primeiro par tabela/gráfico, acima).

4. Nas assinaturas de jornal impresso, porém, a Folha conseguiu uma reversão. De uma redução de 0,9% nos primeiros três meses de 2015 (de 204.229 para 202.468), o jornal do Frias obteve um crescimento de 1,7%, no mesmo período deste ano, conforme o item 4 da análise do primeiro par tabela/gráfico.

5. Já nas assinaturas híbridas, um fenômeno interessante. Houve aumento na circulação nos primeiros trimestres tanto de 2015 quanto de 2016, e até uma aceleração no mesmo sentido neste ano (elevação de 4,8%, em 2015, e de 6%, em 2016), mas estes percentuais são enganosos. É houve uma enorme queda na base de assinantes deste segmento: em janeiro de 2015, ele era de 58.305, caindo 21,9% no mesmo mês deste ano (para 45.497). O resultado é que, em março do ano passado, o número de assinaturas era de 61.085, mas, no mesmo mês de 2016, era de 48.237, ou seja, menos 21%. Assim, foi este segmento o grande responsável pela queda de 15,2% no patamar geral apontada no item 2 acima.

De todos estes dados, pode-se deduzir que a Folha estabilizou seu número de assinantes gerais, mas num patamar muito abaixo do que estava há pouco mais de um ano. Também pode-se observar que o jornal tem encontrado ainda maior dificuldade de fazer a migração para o digital do que seu concorrente direto, o que não deixa de ser surpreendente dado o marketing da Folha basear-se, há décadas, na contraposição de sua modernidade com o conservadorismo do Estadão.

O “CROWDFUNDING

Bem, e aí? Legal? Gostou das análises? Então me ajude a mantê-la contribuindo na “vaquinha virtual” no Catarse. Vamos lá! Tem recompensa a partir de 20 “real”. É só clicar aqui e colaborar. Novamente agradeço a ajuda.

A circulação do Estadão e o “crowdfunding” no Catarse

Alguns amigos e amigas, que acompanham a Coleguinhas há alguns anos e apoiam a campanha de “crowdfunding” que lancei no Catarse , sugeriram que eu explicasse o que são os números do Instituto de Verificador de Circulação (IVC) e a importância da manutenção de seu acompanhamento por alguém independente dos veículos de comunicação. Dessa forma, argumentaram, quem não é jornalista entenderia a questão e se disporia ajudar. Bem, vou fazer melhor- em vez de explicar, mostrarei um exemplo real. Assim, vamos à análise dos dados do primeiro trimestre da circulação d’O Estado de São Paulo.
Os dados vão ser agrupados de duas maneiras, visando confrontar a variação da circulação do jornal dos Mesquita. Na primeira dupla tabela/gráfico, abaixo, estão os dados comparando a circulação do último trimestre de 2015 com o primeiro tri de 2016; no segundo par, está a comparação entre o primeiro tri de 2015 com o mesmo período deste ano. Ao fim de tudo, vem análise.
Então, vamos lá.

 

Gráfico 1

20160807_grafico_tabela_estadao_3tri2015-1tri2016

 

Gráfico 2

Gráfico Estadão - 1tri-2105x1tri-2016

 

1. O par tabela/gráfico 1 (4º tri/2015 x 1ºtri/2016) indica que a circulação do Estadão sofreu um queda na passagem do ano, com redução de uma média de circulação total de 221.103 exemplares para 208.034 (- 5,9%).

2. A redução foi puxada pelas assinaturas híbridas (digital mais impresso), com – 22,4%, enquanto as digitais puras reduziram 4,9% e as assinatura impressas tenderam à estabilidade, com 3,1%.

3. O segundo par tabela/gráfico mostra que a situação do Estadão deteriorou-se de um ano para cá, com uma queda na circulação total de 16,2%, mas que pode estar chegando a um momento de estabilidade, pois a redução na comparação de trimestres separados por 12 meses foi cerca de três vezes maior que a queda entre os trimestres consecutivos.

4. A boa notícia – a única do levantamento – para o jornal dos Mesquita vem das assinaturas digitais, que, no comparativo entre os primeiros trimestres de 2015 e 2016 apontou uma elevação de 5,7% no número médio desta forma de assinaturas.

5. O desempenho razoável das assinaturas digitais, porém, nem de longe foi capaz de fazer frente à queda das assinaturas impressas, de – 11,6% no confronto entre os dois primeiros semestres dos dois anos, e à desastrosa performance das assinaturas híbridas, que reduziram à metade (menos 51,3%) em um ano.

6. Os números demonstram que o Estadão até vai bem na obtenção de assinaturas digitais, mas não foi capaz de deter a sangria do número de leitores, que abandonaram dm grande número no último ano. O consolo dos Mesquita é que o desempenho dos dois últimos trimestres parece demonstrar que a velocidade da queda reduziu-se, embora a redução não tenha parado.

O “CROWDFUNDING”

Então, gostou? É este serviço que me proponho a manter, se você me ajudar contribuindo na “vaquinha virtual” que iniciei no Catarse semana passada e se estende até 29 de setembro. Vamos lá! Tem recompensa a partir de 20 “real”. É só clicar aqui e colaborar. Desde já, agradeço a ajuda.