Empreiteiras e veículos de comunicação, uma longa relação

Hoje vai ser rápido aqui, mas muito mais longo fora. Não sei se mencionei aqui – no facebook tenho certeza de que sim -, estou lendo “Estranhas catedrais: as empreiteiras brasileiras e a ditadura civil-militar, 1964-1988”, tese de doutorado na UFF de Pedro Henrique Pedreira Campos, professor do Departamento de História e Relações Internacionais da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, editada pela EdUFF.

A pesquisa trata dos primórdios da relação entre as empreiteiras que hoje estrelam a Lava-Jato e o Estado brasileiro no tempo da ditadura civil-militar de 1964 (aquele tempo em que não havia corrupção no país, segundo alguns). Não vou enganá-lo/a – é leitura difícil mesmo, até por ter havido pouco esforço por parte dos editores para apagar as origens acadêmicas da obra. Estou há dois ou três meses capinando sentado em cima dela e só cheguei a cerca de 60% das 444 páginas (é certo, porém, que fiz leituras paralelas que lhe paralisaram o avanço por uns tempos). No entanto, se você quiser não falar muita besteira sobre a relação de odebrechts, queiroz galvões, andrades gutierrez et caterva com as sucessivas administrações do Brasil, a obra é incontornável.

Para os jornalistas, o capítulo 3 é o mais interessante por enfocar as relações entre a imprensa e as empreiteiras. Nesta parte é que encontramos apanhado sobre como os empreiteiros corrompiam – não há outra palavra – os grandes veículos de comunicação. É este subcapítulo que copiei do livro e disponibilizo em pdf aqui. São umas sete páginas que valem a pena ler.

A Coleguinhas, agora, é “di maior”

Daqui a dois dias será oficial: em 27 de maio, terei passado um terço de minha vida mantendo a Coleguinhas na Rede. Serão 18 dos 54 anos que completo hoje, provavelmente um recorde merecedor de Guiness: o cara que passou mais tempo enchendo o saco dizendo coisas desimportantes sobre um mesmo assunto para o maior número de pessoas, ao mesmo tempo. Não que seja tanta gente assim – contando tudo (assinaturas por email, pelo WordPress, pelo Feedburner e visitas) dá 100 por dia, mas a persistência deve contar, né?

Tudo começou para impressionar uma namorada e pode parecer sem sentido hoje (até porque não deu lá muito certo, por culpa minha, evidentemente), mas naquele tempo era uma boa ideia: a internet comercial tinha sido lançada em setembro de 95 por aqui e como não era todo mundo que sabia mexer com o HTML, isso marcava pontos com algumas moças, pode ter certeza. Na verdade, a ideia era manter uma página sobre pintura (uma paixão ainda hoje, embora nada entenda do assunto), mas vi que ia ser complicado arranjar as figuras – não havia museus online e muito menos o wikiart, além dos escâneres serem raros e caros. Assim, resolvi montar uma página (era uma mesmo) sobre algo em que estava envolvido e não me custaria muito manter.

A página fez sucesso – desconfio seriamente que não por alguma qualidade que tivesse, mas pelo fato de ser a única a tratar do assunto na Rede naquele tempo – e acabou se transformando, durante uns anos, num portal de jornalismo, com contatos de colegas que se aventuravam na Rede (tão raros que o amigo luso-brasileiro Luiz Carlos Mansur me disse que eu fora o único dentre os coleguinhas que deixara por aqui que conseguira achar quando procurou, isso em 1999) e até o “Garrafas ao mar”, uma espécie de classificados.

Curiosidade histórica: veja abaixo a home da Coleguinhas em 2001 (de pouco antes do ataque às Torres Gêmeas), quando ainda era hospedada em http://www.geocities.com/CapitolHill/4096 (acabei de pedir do projeto Reocities para tentar recuperar algo mais,quem sabe eles conseguem?). O site teve mais ou menos essa cara até se transformar num blog, por volta de 2003. Desse tempo, todos os textos se perderam, graças à minha desorganização.

 

coleguinhas_09-2001

Retomando…O sucesso, claro, era relativo, já que o assunto único e direcionado a um nicho muito específico não facilitava uma maior difusão, que, de resto, nunca foi o objetivo aqui. Um marco nessa difusão foi a maluquice do Ali Kamel de bater boca comigo, publicamente, aí por volta do ano 2000, por conta de um post que escrevi sobre a demissão de uma colega do Globo por ela ter, inadvertidamente, limado uma indicação no “tijolinho” da programação de teatro de uma amiga do Merval. Este também não gostou, mas foi mais discreto – mandou apenas um emissário para sondar se eu não estava a fim de dar um tempo no site em troca de um possível retorno ao jornal num futuro não definido (educadamente, eu disse não e ficou tudo por isso mesmo). Ali, porém, resolveu escrever uma carta, que obviamente publiquei, com uma resposta, dando uma repercussão desmedida ao assunto. Pior é que ele não aprendeu – anos depois, quando tentou reescrever a história da cobertura da Globo sobre as Direta-Já e eu rebati no Comunique-se, ele voltou a me dar uma força, pedindo uma retratação (nunca feita, já que o que eu disse – que as Organizações Globo tentaram abafar o movimento até quando puderam – era verdade histórica facilmente comprovável) não só no site, como na Coleguinhas.

O C-se (contração que inventei por preguiça de escrever o nome todo e hoje é oficial) também foi importante, mas aí a via foi de mão dupla – a coluna Coleguinhas que assinei lá na época da criação, e por uns dois ou três anos, ajudou a alavancar audiência para o novel site. Mas mais do que divulgação, a passagem no C-se destruiu uma certeza que mantinha até então: a de que os coleguinhas de redação faziam um trabalho ruim por culpa dos patrões, que, vilanescamente, os obrigavam, sob pena de demissão.

No C-se, porém, observei que, apesar de essa pressão realmente existir, ser considerável e importante para o entendimento geral da situação do jornalismo no Brasil, não era incontornável. Já naquela época – fim de 2003, início de 2004, quando a Coleguinhas já abandonara a forma de site e se tornaram um simples blog – estava claro de que havia caminhos fora das redações para os jornalistas que não quisessem trocar sua integridade moral e profissional por um salário melhor e/ou cargo.

Foi um choque descobrir que muitos coleguinhas  estavam dispostos a negociar sua integridade, algo que para mim simplesmente não faz sentido. A descoberta me abalou tanto que encerrei a coleguinhas em março de 2004, com a intenção de não voltar mais (a coluna de despedida foi essa ) . A decisão durou apenas seis meses: em setembro, estava de volta por não aguentar o jorro de  de manipulações – e simples mentiras mesmo – que passou a ser expelido pela redações quase diariamente. Ficar assistindo sem fazer nada me fazia mais mal do que escrever sobre elas. Para lidar com a situação, porém, pago um preço: tornei-me mais cínico (ah, ok, tem uma maneira melhor de ver isso: fiquei mais compreensivo com as fraquezas humanas).

Daquele tempo até outubro do ano passado, não aconteceu nada de excepcional para a Coleguinhas. Foi quando a colaboração de um Alto Conselheiro ensejou o post sobre os efeitos das manifestações ocorridas a partir de junho na redação de O Globo, evidenciando a divisão geracional que existe por lá hoje em dia (aqui). Uma hecatombe – em apenas um dia registraram-se 46.077 visualizações, chegando a 90.942 no mês, a partir de 17 de outubro. Claro que a 99% desse tráfego evaporou-se, mas restou o dobro de acessos (aqueles 100 diários do primeiro parágrafo).

Enfim, é isso. A Coleguinhas atinge a maioridade, mas não parece que vá mudar muito por causa disso. Como se dizia antigamente quando alguém chegava aos 18, a única mudança significativa é, agora, que ela poderá ser colocada na caçapa da patamo.

História bacana

Muito legal a colaboração do bom Orivaldo Perin para a coluna do Ancelmo sobre a edição do histórico “Diccionario de termos graphicos”, de Arthur Arezio da Fonseca, pela Empresa Gráfia da Bahia, petercente ao governo da Boa Terra (veja lá mais abaixo).

E aí fica a sugestão para o pessoal da página de história do Globo: de vez em quando, fazer matérias sobre a área de comunicação. Não só sobre jornalismo, mas também publicidade, rádio, cinema, relações públicas…Sei que já foi feito algo assim antes, mas estou falando de algo mais regular e enfocando gente também, como foi feito, por exemplo, com o Béthencourt da Silva, no outro sábado.


Desculpem o atraso – II

Deixando de lado o fato de que sou fã da página de História do Globo, registro meus humildes parabéns para Roberta Jansen pela matéria, publicada sábado, sobre o arquiteto Béthecourt da Silva. Ela me respondeu uma questão que há anos ficava no fundo de minha mente quando passava pelo colégio Amaro Cavalcanti, no Largo do Machado – “por que ele me lembra o Instituto Benjamin Constant e o CCBB?”. Bacana.

Também tiro o chapéu para Fabíola Gerbase, repórter da Rio do mesmo jornal, pela honesta matéria investigativa sobre a rede de propinas que liga hospitais do Rio aos serviços de ambulâncias. Não vai derrubar ministro e nem ser lembrada em passeata de udenistas 2.0 contra a corrupção, mas, para o carioca comum, é de muita importância. Valeu mesmo.

30 anos esta noite

A falta de tempo me impediu, até agora, de dar os parabéns ao Chico Otávio e à Alessandra Duarte pela série de matérias que recorda os 30 anos da explosão da bomba do Riocentro, com novas revelações. Das matérias publicadas até agora, a que mais gostei foi a de segunda-feira, por mostrar que aquelas lúgubres figuras do passado continuam por aí, prestando favores sombrios, como fabricação de dossiês (alguns dos quais já deram até prêmios a coleguinhas, mas isso é outra história). A primeira matéria da série, a que se baseia no caderninho de endereços do sargento Guilherme Rosário, é bacana, mas, acho, interessa mais a historiadores, por confirmar informações que já tínhamos há 30 anos, com alguns adendos legais, mas que não mudam as convicções que formamos naquela época

O Globo, porém, deu uma forçada de barra ao dizer que foi dele o “furo” de que havia duas bombas no Puma. Essa informação já era conhecida na noite do evento e foi obtida por um repórter do JB, Ubirajara Roulien, do inspetor Humberto Guimarães, o Tatá. Como sei disso? Bem, é que tenho um exemplar da segunda edição do livro “Bomba no Riocentro”, escrito por Belisa Ribeiro, já em 1981, e editado pela Codecri, a editora do Pasquim.

Como recordar é viver – ainda mais fatos que não podem ser esquecidos sob pena de se repetirem -, homenageio os colegas (alguns já falecidos) que participaram daquela cobertura histórica na pessoa do meu ex-chefe e sempre ídolo Luiz Mário Gazzaneo, reproduzindo a primeira página seu depoimento a Belisa (atenção para o título, ele diz muito sobre o grande Gazza).

O grande Gazza

Exemplo de jornalista

Menos, Vasco, menos

Todas as instituições têm seus mitos fundadores, aqueles que os definem como entidades e dão aos seus cidadãos, empregados, torcedores, etc uma história em comum, agem como se fossem os tótens do tempo dos clãs. Tudo bem, faz parte, mas o Vasco anda exagerando. Depois da lendária – e parece que inamovível – história de que foi o primeiro clube a aceitar negros no futebol brasileiro, o clube de São Januário dá um passo a mais e agora vende a versão de que o terceiro uniforme deste ano, baseada na camisa na camisa totalmente negra de 1924, é uma homenagem ao combate ao racismo.

A bem da realidade, mas sem nenhuma esperança de que a verdade histórica seja levada em consideração, conto o que realmente aconteceu, história reconstruída durante o maravilhoso ano e meio que passei, em meados dos 80, como pesquisador de um projeto sobre história do esporte financiado pela Fundação Roberto Marinho, em parceria com a Universidade Cândido Mendes. Nesse tempo, pude ler as atas das reuniões do Conselho Deliberativo do Vasco de boa parte dos anos 20, folheei jornais e revistas e ouvi depoimentos de pessoas ligadas ao clube –  também de outros – na época. O que aconteceu foi o seguinte (conto de memória, por isso não há aqui os muitos detalhes que obtive à época e hoje devem estar perdidos):

1. O “pioneirismo” na luta contra o racismo é a parte básica e o seu exagero é facilmente demonstrado por um dado que é sabido por todos o que trabalharam com história do futebol: o primeiro clube a ter negros em suas fileiras, incluindo na diretoria, foi o Bangu. Isso pelo simples fato de que, entre seus fundadores e primeiros atletas, praticamente todos eram negros, operários da fábrica de tecidos Bangu, que montaram um time (e depois um clube, em 1904) para se contraporem aos engenheiros e administradores ingleses da fábrica.

No que se refere ao Vasco, ter negros no time foi uma necessidade baseada na (já naquela época) histórica rivalidade com o Flamengo, que vinha do tempos das regatas na Lagoa Rodrigo de Freitas  Enseada de Botafogo (obrigado, Jucabala), as quais, no início do século passado, arrastavam multidões.

O Vasco conquistara o título da Segundona de 22 com um time formado, em quase sua totalidade, por rapazes de famílias portuguesas. Não eram craques, longe disso – afinal, a maioria gostava mesmo era de remo -, mas como tinham mais berço (os pais eram comerciantes ou profissionais liberais com boa posição, alguns ricos mesmo) podiam treinar mais que seus pobres adversários dos subúrbios cariocas, como River, Everest, Confiança (o da fábrica do samba do Noel) etc. O problema é que, na Primeirona, o buraco era mais em cima e os dirigentes vascaínos descobriram o fato da pior maneira.

Visando preparar-se para as pugnas de 23, os jovens gajos realizaram amistosos contra times que jogaram a primeira divisão em 22, antes da temporada começar, o que acontecia, em geral, em abril, após o carnaval e quando a temperatura era mais amena. Não encararam Flamengo, Fluminense ou Botafogo, já então papões do futebol carioca, ou o ainda poderoso América, campeão do Centenário da Independência. Enfrentaram adversários mais modestos, o Andaraí e o São Cristóvão, últimos colocados do certame do ano anterior. Foi um desastre – duas derrotas, sendo que para o Andaraí de 4 a 0. O sinal ficou vermelho, alarmes soaram, estridentes, e os dirigentes do clube da Moraes e Silva (a sede ficava nessa rua da Tijuca) viram que tinham que fazer algo para evitar a humilhação diante dos grandes da Zona Sul(e do quase vizinho América), especialmente do Flamengo.

O algo foi aperfeiçoar o “profissionalismo marrom”. De três ou quatro anos antes, os clubes vinham dando “ajudas de custo” aos futebolistas mais bem dotados tecnicamente. Era uma prática ainda restrita porque os jovens de Botafogo, Fluminense e Flamengo eram, em sua maioria, de famílias ricas, não precisando da ajuda. Alguns, mais necessitados, porém, não se faziam de rogados, e esta era a regra em outros clubes, especialmente o América, cujo principal jogador, Floriano (cognominado “Marechal da Vitória”), chegava a se fingir de doente poucos momentos antes das partidas mais importantes, ameaçando não jogar se não garantissem metade do “bicho” antes do jogo (“bicho” era a senha usada para não se falar em dinheiro e fazia alusão ao jogo do bicho).

O Vasco sistematizou e ampliou o método. Os comerciantes portugueses contratavam os bons jogadores dos times de várzea dos subúrbios – a imensa maioria negros e mulatos – como empregados (a exploração do veio das peladas, essa sim foi a grande contribuição vascaína ao futebol do Rio). Eles realmente ficavam uma parte do dia no emprego, mas, antes do expediente e lá pelo fim da tarde, iam para a Quinta da Boa Vista fazer exercícios sob as ordens do uruguaio Ramon Platero, sujeito durão que obrigava os rapazes a correr sem parar, todos os dias pela manhã, da Quinta até a praça Barão de Drummond, em Vila Isabel. Bem preparados, não foi difícil aos vascaínos detonarem quase todos os adversários (só houve uma derrota e logo para quem – Flamengo, por 3 a 2, no segundo turno. Mas dizem que foi roubado). Furiosos com o massacre, os grandes de então acabaram criando uma liga separada do Vasco – Associação Metropolitana de Esportes Athléticos (Amea) -, numa cisão que durou apenas um ano.

2. (É, esse texto enorme aí de cima foi apenas o item 1, mas este vai ser curtinho). Em 1922, Benito Mussolini marchara sobre Roma para obrigar o então rei Victor Emannuelle III a torná-lo primeiro-ministro. O futuro Duce era apoiado por milícias que tinham como uniforme camisas negras. Mussolini tinha muitos e fiéis defensores na colônia portuguesa do Rio, que ajudaram bastante, anos mais tarde, na implantação na terrinha da ditadura de António de Oliveira Salazar, em 1932. Assim, embora eu não tenha provas a respeito, desconfio fortemente que a camisa de 1924 tem menos a ver com o racismo do que com o fascismo.

Mas quem é que vai querer saber disso tudo agora, não é mesmo? A tal história da luta contra o racismo, afinal, é tão mais bacana, mais “sexy”, como diria o Arnoldão Schwarznegger.

Mídia brasileira, entre a internet e a política

Fim ano, tempo de reflexão. No meu caso, tempo pensar em mais bobagens do que normalmente.  Uma divagação me fez ligar uma das teses do livro “A rede da democracia – O Globo, O Jornal e o Jornal do Brasil na queda do governo João Goulart”, que recomendei aqui, com a crise de identidade dos veículos de comunicação, especialmente os jornais, devido à internet.  Vamos lá?

Uma das teses centrais de “Rede da Democracia” – toma o capítulo 3 inteiro – é que os jornais, no início da década de 60, se arvoravam como porta-vozes da opinião pública e que, neste papel, foram os organizadores ideológicos do Golpe de 64. De minha parte, e olhando pelo lado dos veículos de comunicação, eles não estavam exagerando muito.

Encaremos os fatos: a sociedade civil brasileira praticamente não existia naquele início dos anos 60 do século passado. Havia os sindicato, é certo, mas praticamente só eles. Os movimentos sociais quase não existiam. Ok, havia as Ligas Camponesas, mas elas eram restritas ao Nordeste – especialmente Pernambuco – e o que mais? O movimento negro era restritíssimo, onde existia, e o de mulheres e gays…Bem, você deve estar brincando – eram os anos 1960, velho! Assim, não é de admirar que os jornais (a TV era muito novinha para ser importante) se achassem.

Hoje, a sociedade civil brasileira é muito complexa, uma teia de interesses que se modifica continuamente, ao sabor do momento político. Pior (do ponto de vista dos meios de comunicação, claro): esses interesses têm uma mídia pela qual se expressarem chamada internet. Esses dois pontos simplesmente tornam ridícula qualquer tentativa de jornais, revistas, rádios ou TVs apresentarem-se como porta-vozes da opinião pública. Esta não precisa mais de ninguém portando sua voz, pois fala por si mesma.

Como desde…sei lá… Evaristo da Veiga, a mídia brasileira, principalmente os jornais, só operavam do jeito que falei lá em cima, a enrascada é braba. Não se trata apenas de arrumar um jeito de formatar conteúdo para novos aparelhos ou mesmo desenvolver um inédito modelo de negócio. Para a mídia brasileira, o problema é político. Ou seja, muito mais complicado de resolver.