O investimento em publicidade da Petrobras de 2011 a 2016 – VI (Internet)

Finalmente chegamos – com dois dias de atraso – ao último post da série sobre os investimentos da Petrobras em publicidade no período de 2011 a 2016. E o pior ficou por último. Eu achava que não haveria nada pior do que a montagem dos dados de rádio. Tolinho eu. Perto da pulverização das verbas da internet, a do rádio é fichinha. Precisei garimpar os dados de 21 veículos para conseguir extrair os cinco que mais receberam, o que já seria bem trabalhoso mesmo que a distribuição da estatal petrolífera no meio não fosse tão errática.

Mas não coloquemos o carro adiante dos bois, como dizia Vó Sinhá. Vamos primeiro à notas metodológicas de sempre:

1. Há uma cisão temporal. Até 2013 (inclusive), os dados se referem a valores autorizados – empenhados, em burocratês -, não necessariamente realizados. De 2014 para cá, porém, são os valores efetivamente executados.
2. À primeira vista, manter os dois tipos de dados juntos não seria correto. No entanto, a junção não muda a tendência, já que o fato de os valores terem sido previstos demonstra a orientação estratégica da Petrobras, a intenção de investir em determinadas empresas e publicações daquele meio.
3. Como não pedi a relação previsto/realizado no período, não há como se ter uma ideia do percentual médio de execução orçamentária. Ano que vem, solicitarei essa relação.
4. As conclusões não têm o objetivo de esgotar o assunto. Ao contrário, gostaria muito de que outros se debruçassem sobre os dados a fim de extrair deles outras visões. Creio que os que trabalham na Academia poderiam fazer este trabalho com grande proveito para todos.
5. As conclusões políticas – de existirem – ficam por sua conta e risco, certo?

Afinal, agora vamos lá.

1. Logo de cara dá para ver que a Petrobras, no período analisado, não tinha uma estratégia para utilizar a publicidade no meio. O sobe-e-desce e os saltos na distribuição das verbas pelos veículos mostra o fato com clareza.

2. Dentro da irregularidade, destaca-se o Facebook, que cresceu 2.122,99% de 2012 para 2013 (verba empenhada, não necessariamente despendida) e de 363,06% de 2014 para 2015 (verba despendida), caindo a zero em 2016.

3. O Twitter também deu um triplo carpado para frente de 2014 para 2015, saltando 1.405,90%.

4. Outro salto extraordinário foi do Globo.com, que nada teve de verba empenhada em 2013 e quase R$ 2 milhões em 2014, de verba efetivamente paga.

5. MSN e R7 também variaram muito, mas, em comparação, não tanto assim.

6. O Google não teve aporte da Petrobras em nenhum ano.

 

Este gráfico mostra o quão pulverizado foi a distribuição de verba publicitária da Petrobras no meio internet, no período. O nível de concentração máximo ocorreu em 2015, quando os cinco principais veículos ficaram com 38,61% da verba empregada no meio pela Petrobras. Para comparação, no mesmo ano, as quatro maiores redes de TV tiveram 87,33% da verba do meio; os cinco jornais mais bem aquinhoados obtiveram 54,08%; as quatro principais editoras de revistas, 78,52%; e as cinco maiores redes de rádio, 49,63%.

Os 10 mais nos sítios

Para variar está meio complicado arranjar as métricas de circulação das revistas – parece que elas estão tendo alguma dificuldade de se adaptar às novas diretrizes do IVC, como fizeram os jornais (aqui) e, por isso, até o momento, não apresentaram sequer seus números de janeiro. Para não me deixar de mãos abanando, um dos Honoráveis Conselheiros enviou com o ranking dos sites dos veículos.

Antes, de apresentar gráfico e tabelas referentes a janeiro e fevereiro, porém, um esclarecimento importante. Você deverá sentir falta do UOL, Globo.com, IG e do Terra no levantamento. É que esses portais são auditados por outros institutos que não o IVC. Ainda assim, alguns veículos que fazem parte deles estão na lista do Instituto, com O Dia (IG) e Click RBS (Globo.com).
Agora, aos números dos 10 mais:

tabela sites_jan_fev-2014grafico sites_jan-fec-2014