Os deputados e os veículos de comunicação – VIII (Redes Sociais-3)

E assim, não mais que de repente, chegamos ao fim da análise da pesquisa da FSB o consumo de mídia dos deputados federais.

Mentira – demorou pacas e você não aguentava mais. Mas, enfim, essa é a última coluna sobre o tema, a terceira falando apenas da interação dos nobres parlamentares com as redes sociais – no caso, se compartilham e/ou postam ou não. Como sempre, comecemos recordando os pontos básicos da metodologia usada pela FSB:

1. O universo abrange apenas os deputados federais.

2. Foram ouvidos 230 parlamentares de 26 partidos, nos dias 8 e 9 de março.

3. A escolha foi aleatória, mas observou-se a proporcionalidade das bancadas.

4. Partidos com apenas um representante não fazem parte da amostra por permitirem a identificação dos respondentes.

5. Para 2016, as respostas alcançam apenas o primeiro trimestre.

6. Só duas redes sociais foram enfocadas – Facebook e Twitter.

Sigamos, então:

Gráfico 1

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Gráfico 2

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Análise

1. No caso das postagens, repete-se, com mais vigor, uma observaação algo surpreendente – os deputados mais jovens (abaixo de 40 anos), escrevem menos vezes nas redes do que seus colegas mais velhos – 50% postam “sempre” (18%) ou “às vezes (32%), contra, por exemplo, 56% dos parlamentares com idades acima de 60 anos (32% “sempre”, 24% “às vezes”). O percentual é abaixo também da média geral de 55% (24% e 31%, respectivamente). Os mais jovens, que viveram a maior parte de suas vidas tendo a internet presente, parecem ser mais retraídos em relação ao meio do que seus colegas mais velhos, talvez por terem acompanhado mais de perto, como usuários, os seus problemas.

2. Note-se-se, porém, que o “nunca” em termos de postagem é bem mais consistente em relação as postagens. Das quatro faixas etárias, somente a penúltima (51-60 anos) fica abaixo da média geral, de 17% (13% para ser exato). Este fato parece indicar que, apesar e duvidarem das redes, os deputados não as desprezam mais do que os colegas mais velhos.

3. Já a resposta “sempre” mostra uma discrepância bem maior, com variações de 6 pontos percentuais abaixo da média de 24% (na faixa até 40 anos) a mais 8 p.p., entre os deputados com mais de 61 anos. Pode bem ser que esta diferença indique um esforço dos parlamentares mais antigos (ou de suas assessorias) de fazê-los parecer “mais modernos” aos olhos dos eleitores e também de estar mais perto deles, contornando os meios mais tradicionais.

4. O escrito sobre as postagens, vale para o tema compartilhamento. Também quando se trata dessa ação, os deputados mais jovens menos assíduos, compartilhando 49% no somatório de “sempre” (16%) com “às vezes” (33%), sendo superados por todas as outras faixas etárias, principalmente pela que lhe é imediatamente superior, na qual o percentual chega a 56% (29% mais 27%). Se neste último caso, o percentual é igual à média geral – apesar da composição diferente (24% e 32%, respectivamente) -, é amplamente inferior à faixa de 41 a 50 anos, 7 p.p.

Das três colunas sobre a relação entre os deputados e as redes sociais, percebe-se que, apesar de estarem atentos a elas, os parlamentares ainda lhes dão um peso menor em comparação aos meios tradicionais, até por confiar muito menos nelas do que neles. Dessa forma, a influência das redes, pelo menos no que diz respeito aos congressistas brasileiros, é pequena. Esses números, porém, mudar dentro em pouco, já que estão previstas novas eleições gerais em 2018 e, ainda, com a surpreendente eleição recente de Donald Trump para a presidência dos EUA, numa campanha que não só apoiou-se quase totalmente nas mídias sociais, como até em confronto direto com as mídias tradicionais.

Os deputados e os veículos de comunicação – VII (Redes Sociais-2)

Esta é a segunda parte da análise da pesquisa da FSB sobre o consumo de mídia dos deputados federais no que se refere às redes sociais (ainda haverá mais uma). Nesta semana, o foco recai sobre a importância dada pelos parlamentares à repercussão nas mídias sociais de sua atuação no Congresso e também às menções pessoais, tanto em geral quanto no recorte por idade.

Recordando as notas sobre a metodologia:

1. O universo abrange apenas os deputados federais.
2. Foram ouvidos 230 parlamentares de 26 partidos, nos dias 8 e 9 de março.
3. A escolha foi aleatória, mas observou-se a proporcionalidade das bancadas.
4. Partidos com apenas um representante não fazem parte da amostra por permitirem a identificação dos respondentes.
5. Para 2016, as respostas alcançam apenas o primeiro trimestre.
6. Só duas redes sociais foram enfocadas – Facebook e Twitter.

Vamos lá:

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20161218_relatorio_midia_e_politica_fsb_2016_repercussao_por_idade_wpAnálise

1. A média da repercussão pela atuação política (gráfico 1) é de 5,3 pontos. No entanto, 41% se encontram acima da média, enquanto 28% estão abaixo dela.

2. Já o gráfico 2 (atuação pessoal), a média é levemente superior (5,6 pontos) e o percentual daqueles que se importam mais sobe para 46%, contra 27% abaixo.

3. O gráfico de idade mostra que a faixa que vai de 41 a 50 anos mostra um preocupação acima da média com a repercussão na mídia social, seja sobre a atuação política (5,7%), seja no que se refere às menções pessoais (6%). Os percentuais são significativamente maiores do que os apresentados na faixa seguinte (51 a 60), que ficam em 5% e 5,3%, respectivamente, em ambos os casos abaixo da média geral.

4. O cruzamento dos três primeiros itens aponta para um crescimento da atenção dos parlamentares no que diz respeito às mídias sociais nos próximos anos. A previsão, porém, pode sofrer variações fortes após as eleições gerais marcadas para 2018, quando é prevista uma renovação maciça no Parlamento.

Os deputados e os veículos de comunicação – VI (Redes Sociais-1)

A análise da pesquisa da FSB sobre o consumo de mídia dos deputados federais, no que se refere às redes sociais, será dividida em três colunas devido à sua extensão. Nesta semana, falo sobre a presença dos políticos nas redes sociais e seu uso como forma de acesso às notícias – na semana que vem, o foco ficará na interação, e, por fim, na influência das redes no comportamento de suas excelências.

Antes de começar, uma palinha sobre a metodologia:

1. O universo abrange apenas os deputados federais.

2. Foram ouvidos 230 parlamentares de 26 partidos, nos dias 8 e 9 de março.

3. A escolha foi aleatória, mas observou-se a proporcionalidade das bancadas.

4.Partidos com apenas um representante não fazem parte da amostra por permitirem a identificação dos respondentes.

5.Para 2016, as respostas alcançam apenas o primeiro trimestre.

6.Só duas redes sociais foram enfocadas – Facebook e Twitter.

 

Então, vamos lá:

 

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Análise

1. O Facebook bate com facilidade o Twitter como fonte de informação entre os deputados – 11 pontos percentuais a mais (55% x 44%).

2. Os deputados também estão muito mais presentes na rede de Zuck no que na do pássaro azul: 7% dos parlamentares não possuem perfis no Twitter contra apenas 3% dos que não os possuem no FB, mas do dobro.

3. A análise por faixa etária é mais informativa e necessitará de uma tabela para ser mais bem visualizada. Lá vai:
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a. Algo surpreendentemente, a faixa etária entre 41 e 50 anos mais as redes como fonte de informação do que a que vai até 40 anos. No Facebook, os mais velhos têm 73% fazem uso da rede para informar-se, contra 47% dos imediatamente mais novos, que, na verdade, são a faixa que menos usa a esta rede social pata o fim. No Twitter, a situação se repete, com exceção que a faixa até 40 anos apresenta 1 ponto percentual de vantagem sobre a mais velha (acima de 61).

b. A mesma constatação pode ser feita quando se olha pelo lado da ausência de perfis. No Facebook, a faixa mais nova do levantamento apresenta 7% de ausência contra 0% das duas faixas imediatamente mais velhas e no nível da mais idosa. No Twitter, a situação é um tanto diferente: as faixas até 40 e entre 41 e 50 possuem um nível de ausência semelhante (embora a mais nova ainda seja a mais ausente), contra 0% da faixa 51-60 e 14% da mais velha.

c. Dessa forma, pelos dados obtidos pela FSB, a faixaque mais busca informações por meio das principais redes sociais é que vai dos 41 aos 50 anos, na qual todos os respondentes possuem contas no Facebook e as usam para obter notícias. Mesmo tendo uma ausência de 9% no Twitter, esta faixa etária ainda apresenta um alto índice de uso, com 63% dos deputados procurando informações por ela.

d. Observa-se também que a faixa de 41 a 50 anos também é a única em que o uso das redes como fonte de informação supera, por ampla margem os 50%, tanto no Facebook quanto no Twitter, sendo que, nesta rede, é a única a fazê-lo.

Os deputados e os veículos de comunicação – V (Confiança e Influência)

Qual o grau de confiança que os deputados federais depositam nos veículos que leem e qual o grau de influência que têm sobre os votos que dão sobre as matérias que lhe são apresentadas? Essas pergunta também foram feitas na pesquisa da FSB a respeito de como os políticos se informam e qual a influência os meios de comunicação têm sobre eles. Os resultados seguem abaixo.

 

CONFIANÇA

Farei uma comparação com os dados obtidos pela Secom na última Pesquisa Brasileira de Mídia com a população em geral, publicada em 2015 com dados referentes a 2014 (o segundo gráfico acima). Na PBM, os dados se referem aos usuários que usam os meios, um pressuposto que, creio, a FSB também seguiu no seu levantamento.

 

20161127_relatorio_midia_e_politica_fsb_2016_confianca-nos-meios

 

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1. Como se observa, nos dois casos os jornais são o meio com maior credibilidade. No entanto, é notável a diferença entre a confiança neles depositada pelos parlamentares (70%) em relação à sociedade em geral (58%).

2. A discrepância é menor em relação tanto à TV quanto ao rádio, embora significativa também. Enquanto a TV, na pesquisa da Secom, conta com a confiança de 54%, na da FSB a porcentagem fica em 60%. Já no que se refere ao rádio, a diferença vai a 8 pontos percentuais (52%, na Secom, e também 60%, na FSB).

3.Extraordinária, para mim, é a diferença de percepção entre parlamentares e a sociedade na confiabilidade da internet.

a. Sites: Na pesquisa da FSB, a credibilidade dos sites é de 51% contra 30% na da Secom, uma enorme diferença de 21 p.p.

b. Menor, mas ainda grande (no nível da que ocorre em rádio e TV), é a diferença na avaliação de confiança no que se refere aos blogs: 34% (parlamentares) contra 25% (público em geral).

c. Os dois resultados acima (e também se tomamos em conta os de jornais, rádios e TVs) torna muito notável a inversão de confiança em relação às redes sociais. Enquanto entre 18% e 19% dos parlamentares confiam no Twitter e no Facebook, este índice é de 26% no geral da sociedade. Esta diferença pode estar agravando a erosão da credibilidade do Parlamento, já que as RS têm um alcance enorme e por sua facilidade de acesso faz com que as mensagens nelas postadas atinjam o público em vários momentos por longo tempo.

4. O único meio sobre o qual se pode dizer que parlamentares e seus eleitores concordam é a respeito das revistas semanais: ambos desconfiam muito delas. Apenas 47% creem no que leem nelas, contra 44% da sociedade em geral.

5. A comparação dos resultados dos dois universos mostra que os parlamentares são bem mais crentes na mídia do que a população em geral, um ponto a mais de discrepância entre quem faz as leis e a maior parte dos que devem cumpri-las. Em teoria, esta questão deveria preocupar as empresas de comunicação porque, mais dia menos dia, se nada for feito, a percepção da minoria tende a se aproximar da maioria, algo que já ocorreu, por exemplo, com as revistas semanais.

INFLUÊNCIA

Sabemos, então, o quanto os deputados federais confirma nos veículos que leem/veem/ouvem, mas sobre o quanto eles influenciam em suas decisões, e nas da Congresso como um todo? A resposta obtida pelo levantamento da FSB vai abaixo.

20161127_relatorio_midia_e_politica_fsb_influencia-da-midia-no-voto
Pelo gráfico, a influência do que leem nos meios apresenta uma influência média nos votos dos deputados, com uma média 5,4% nesta pesquisa, 1,2% p.p. abaixo da que tinha em 2014, uma perda de 33% (um terço do poder influência). Quando são instados a dizer o quanto, em sua opinião, o que leem/veem/ouvem nos meios influenciam os membros do Congresso em suas decisões (incluindo aí, penso, embora a FSB não diga claramente, o Senado), os deputados creem que n]ao há uma influência tão grande – apenas 4,3%, pouco menor do que dois anos antes. Isso pode apontar pelo menos uma das razões:

1. Os senadores são menos influenciados pelos meios de comunicação do que os deputados;

2. Fatores como lobbies (de qualquer tipo, inclusive direta das bases) e decisões não individuais (partidárias, de grupos ou de líderes ou das Mesas da Câmara e do Senado) pesam tanto ou mais do que a dos veículos de comunicação.

Essas duas questões deviam ser objeto de perguntas específicas nas próximas pesquisas da FSB.

METODOLOGIA

1. O universo abrange apenas os deputados federais.
2. Foram ouvidos 230 parlamentares de 26 partidos, nos dias 8 e 9 de março.
3. A escolha foi aleatória, mas observou-se a proporcionalidade das bancadas.
4. Partidos com apenas um representante não fazem parte da amostra por permitirem a identificação dos respondentes.
5. Para 2016, as respostas alcançam apenas o primeiro trimestre.

Os deputados e os veículos de comunicação – IV (Revista e Rádio)

Após duas semanas lidando apenas só com palavras, voltemos aos nossos (pelo menos meus) queridos gráficos, retornando à análise da pesquisa da FSB a respeito de como os políticos se informam e qual a influência os meios de comunicação têm sobre eles (as três primeiras colunas sobre o tema, você pode acessar aqui, aqui e aqui). Na quarta parte, a análise concentra-se nas revistas semanais e nas rádios.

Antes de recomeçar, recordemos as coordenadas metodológicas:

1. O universo abrange apenas os deputados federais.
2. Foram ouvidos 230 parlamentares de 26 partidos, nos dias 8 e 9 de março.
3. A escolha foi aleatória, mas observou-se a proporcionalidade das bancadas.
4. Partidos com apenas um representante não fazem parte da amostra por permitirem a identificação dos respondentes.
5. Para 2016, as respostas alcançam apenas o primeiro trimestre.

Vamos então ao primeiro gráfico, com a análise em seguida.

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1. Para começar algo importante: como vimos na primeira coluna sobre o tema, as revistas semanais são a mais baixa forma de vida informativa para suas excelências os deputados federais. Elas foram a principal fonte de informação para apenas 1% deles em 2015, percentual que reduziu-se a 0% no primeiro trimestre de 2016 (ou seja, durante as férias, eles parecem não dado sequer uma olhadinha nelas). Por outro lado, 6% dos nobres parlamentares lê revistas, embora não como principal meio de informação. É bom ter isso em mente ao ler os percentuais acima e a análise que se segue.

2. A revista preferida é a Veja (65%), mas essa preferência caiu de 15 pontos percentuais de 2015 para 2016 (era de 80%), embora tivesse se mantido relativamente estável de 2014 para 2015 (era de 78%).

3. Isto É e Época tiveram variações semelhantes à líder, no período 2015/2016, com quedas, respectivamente de 59% para 44% (IstoÉ) e 60% para 44% (Época). A diferença é que as quedas das duas semanais têm sido mais constantes, ocorrendo desde 2014

4. A Carta Capital também apresentou queda desde 2014 (12 pontos percentuais, de 47% para 35%), mas, diferente das outras três concorrentes, manteve-se estável de 2015 para 2016, demonstrando que seu público, embora bem menor do que as concorrentes, é mais fiel.

5. A penetração da Exame (revista quinzenal) foi incluída na apuração pela primeira vez e atingiu a marca de 26% de leitura, um percentual apreciável, dado que é uma publicação dedicada à economia, tema de atração mais restrita.

 

Muito bem. Agora, passemos aos dados referentes ao meio rádio.

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1. Para começar, lembremos que o rádio é a fonte principal de informação para apenas 6% dos deputados federais, mas que sua importância tem crescido com constância desde 2014, quando era de apenas 1% (2%, em 2015). Há que se ver, porém, que o período da pesquisa (março de 2016) pode ter influenciado este resultado, pois era um momento de volta de férias, quando a tendência é ouvir-se mais rádio para informar-se, já que o meio é portátil e de imenso alcance.

2. Mesmo com esse reparo, a pesquisa mostra que, mesmo que não seja a fonte principal, o rádio integra de maneira consistente a dieta informativa dos deputados federais – 77% deles dizem usar o meio para informar-se.

3. A CBN é a mais ouvida, com 62% de audiência nos três primeiros meses de 2016 (era de 70% nos 12 meses de 2015), seguida pela Band News, com 23% (24% em 2015).

4. Note-se a boa aceitação das emissoras institucionais do parlamento, as rádios Câmara e Senado, com 19% e 13%, em 2016, respectivamente (11% e 1%, em 2015). Talvez este fosse um resultado esperado, mas, ainda assim, é bem interessante, já que a diferença da rádio Câmara não é muito grande em relação à Band News, mas o é em relação à Jovem Pan (quinta colocada na preferência).

5. No mesmo campo, importante também o avanço acentuado da rádio Senado em 2016, de 1% de audiência em 2015, para 13%. Deve-se esperar se este resultado excepcional manter-se-á (também sei usar mesóclise, viu?) durante o ano todo, já que se refere apenas aos primeiros três meses deste ano.

Os deputados e os veículos de comunicação – II (Jornal)

Vamos então à segunda parte da análise da pesquisa da FSB a respeito de como os políticos se informam e qual a influência os meios de comunicação têm sobre eles. A primeira parte da análise entrou na rede semana passada e as próximas se estenderão por mais algumas semanas (ainda não sei quantas). Esta semana veremos os dados sobre a frequência de leitura dos principais jornais pelos parlamentares e por quais canais eles os acessam com maior assiduidade.

Antes de começar, os lembretes metodológicos:

1. O universo abrange apenas os deputados federais.
2. Foram ouvidos 230 parlamentares de 26 partidos, nos dias 8 e 9 de março.
3. A escolha foi aleatória, mas observou-se a proporcionalidade das bancadas.
4. Partidos com apenas um representante não fazem parte da amostra por permitirem a identificação dos respondentes.
5. Por internet, o levantamento abrange mídias sociais, blogs e sites.
6. A pergunta sobre a leitura de jornais locais foi realizada pela primeira vez nos nove anos da pesquisa.

Vamos então ao primeiro par de gráficos e suas correspondentes análise.

relatorio_midia_e_politica_fsb_2016_10_24_II
1. A Folha é, disparado, o jornal mais consultado pelos deputados, com 15 pontos percentuais a mais que o concorrente direto mais próximo. Ponto para o marketing do jornal, que sempre insiste que não dá para não lê-lo, o que, convenhamos, não é verdade há algum tempo, pois não se tem diferenciado pela cobertura de política e economia (os dois assuntos mais importantes para os parlamentares, como veremos) da concorrência.

2. O ponto mais interessante, embora não surpreendente, deste item da pesquisa é a boa colocação dos jornais regionais. Não é possível comparar, pois foi a primeira vez que tais veículos foram inseridos no levantamento, mas, ainda assim, estar n o mesmo nível de jornais ditos nacionais como Globo e Estadão é bem significativo.

3. O Globo tem um resultado algo decepcionante, apesar de 7 em 10 deputados afirmarem que o leem regularmente. Para um jornal que se arvora como nacional não é um resultado entusiasmante, estando 19 p.p. atrás da Folha e 5 p.p. do Estadão. Explicações, que não se anulam: a) o zig-zag do jornal que, nos últimos anos, têm alternado momentos mais regionais e momentos mais nacionais; b) o fato de, nos momentos principais, tem sido apenas caixa de ressonância da TV Globo e mesmo da Época e do portal G1, perdendo, assim, um tanto da personalidade própria.

4. O Valor apresenta um desempenho razoável, com mais da metade dos deputados, lendo um jornal muito setorizado. Creio que haja espaço para crescer ainda um pouco nos próximos anos.

5. O Correio Braziliense é, dos listados, o único que aparece com menos de 50% de leitura. O desempenho é ruim, pois é o jornal de Brasília e parece indicar que, com o passar dos anos, tenda a desaparecer ou tornar-se completamente regional.

6. Essa tendência no que concerne ao Correio fica mais forte quando se observa o segundo gráfico, no qual observa-se ter havido uma queda muito grande no índice de leitura de 2015 para 2016 – na menos do que 10 pontos percentuais.

7. Folha e Globo também variaram para baixo um pouco de 2015 para 2016, mas não de maneira tão forte – Folha, de 91% para 89%; O Globo, de 73% para 70% – e o Estadão chegando a subir de 71% para 74%. O Valor manteve-se praticamente estável (54% para 55%).

 

O segundo par de gráficos é, ao meu ver, um dos mais interessantes de toda a pesquisa da FSB por trazer duas informações algo surpreendentes: queda do papel como suporte de leitura dos jornais e a ascensão dos veículos móveis, especialmente os celulares.

 

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1. Os títulos dos gráficos os explicam bem, mas o que impressiona foi a queda brutal, de 29 p.p., quase um terço, da leitura em papel. Essa alteração brusca, porém, pode ter uma explicação mais prosaica que a mudança tecnológica – a presidência da Câmara, em medida de austeridade, suspendeu a entrega gratuita de assinaturas nos gabinetes das excelências.

2. De qualquer forma, o jornal impresso ainda é a forma favorita dos deputados lerem diários, com 42% da preferência, 10 p.p. acima do celular, que está em segundo com um salto de 14 p.p. de 2015 para 2016.

3. Se contarmos todos os acessos digitais, a leitura via algum dispositivo fica em 57%.

4. O segundo gráfico do par é também tremendamente interessante – e talvez mais significativo – por mostrar que o tipo de acesso muda conforme a idade, com 64% dos parlamentares abaixo de 40 anos acessando jornais por meio de celulares (nada menos que 50%) e tablets (14%), uma maioria que não ocorre em nenhuma outra faixa etária superior.

5. No entanto, se ampliarmos o acesso digital para além dos dispositivos móveis e incluirmos os computadores, apenas na faixa que vai 41 a 50 anos, os veículos impressos são lidos pela maioria dos parlamentares (53%).
Quem quiser baixar a pesquisa, pode fazê-lo clicando aqui.

Os deputados e os veículos de comunicação – I (Fontes principais)

Desde 2008, a FSB, uma das maiores agências de comunicação e lobby do Brasil, realiza pesquisa visando saber a relação que deputados têm com a mídia e como esta influencia (ou deixa de influenciar) suas decisões. Como é um levantamento algo extenso, vou dividi-lo e apresentá-lo ao longo das próximas semanas, como já fiz com outras pesquisas, ok? Para quem quiser meter a mão nos dados logo, pode fazê-lo aqui.

Primeiro, por uma questão de princípios (hahaha), vamos aos pontos metodológicos básicos:

1. O universo abrange apenas os deputados federais.
2. Foram ouvidos 230 parlamentares de 26 partidos, nos dias 8 e 9 de março.
3. A escolha foi aleatória, mas observou-se a proporcionalidade das bancadas.
4. Partidos com apenas um representante não fazem parte da amostra por permitirem a identificação dos respondentes.
5. Por internet, o levantamento entende mídias sociais, blogs e sites.

Sigamos então, começando com o ponto um do levantamento (vou usar a mesma ordem do estudo): por quais meios os nobres parlamentares se informam?

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Análise
1. Não é preciso ser um grande observador para perceber a queda impressionante da leitura de jornais nos anos nove anos em que existe o levantamento. O índice foi de 70% (2008) para 43% (2016), tom o de 27 pontos percentuais. O processo foi de reduções grandes, com pequenas recuperações, seguidas de reduções ainda maiores, configurando uma tendência para um processo que não se sabe se já chegou ao fim ou mesmo estabilizou-se.

2. Em oposição, a internet cresceu 19 p.p. em nove anos, mas observe-se que o crescimento vinha de maneira quase uniforme até 2011, quando houve um salto (de 23% para 34%), seguida de uma queda para o patamar anterior (28%), novo salto em 2014 (41%, patamar superior ao do salto anterior), seguido de queda em 2015 e 2016 (para o patamar de 2012). Observe-se também, porém, que o levantamento foi realizado em início de março, antes do processo de golpe de estado parlamentar e da ascensão do regime golpista. Assim, deve-se esperar para ver o efeito (ou falta dele) dessa mudança política no acesso à internet.

3. Os telejornais dobraram sua penetração entre os parlamentares entre 2015 e 2016, saindo de 8% para 16% de acesso, o maior índice de todo o levantamento. Este desempenho pode ter afetado o da internet e o dos jornais, mas este fato não fica claro na pesquisa. No geral dos nove anos, houve um ligeiro acréscimo de acesso de 4 p.p.

4. Destaque também para a performance do rádio nos últimos anos. De um acesso irrisório de 1% em 2014 (o ponto mais baixo no levantamento), após quedas seguidas em 2012 e 2013, o meio obteve uma recuperação excelente, chegando a 6% em 2016, o maior do levantamento. Como no caso da internet (e também dos telejornais), resta ver se o desempenho se mantém ao longo do ano.

5. O meio revista também surpreende, só que negativamente – e muito. No levantamento referente a 2016, nenhum dos 230 entrevistados lê revistas. Como nos outros casos, há se dar um desconto para o fato de o período abranger apenas os três primeiros meses do ano, mas, olhando-se os percentuais a partir de 2014, fica bem clara a queda de prestígio do meio, que só teve 1% de penetração em 2014 e 2015. Certamente não por coincidência foi a partir de 2014 que as principais revistas semanais deixaram de lado qualquer veleidade de fazer jornalismo e partiram para a campanha política. Esta decisão parece tê-las desmoralizado como fonte de informação principal entre os realmente profissionais.