Chegou a hora! Escolha a maior cascata de 2015!

Após um ano inteiro e oito seletivas, das quais participaram 38 concorrentes de altíssimo (ou baixíssimo) nível, finalmente você terá a oportunidade de escolher a maior cascata de 2015. Ela conquistará o King of the Kings, único prêmio a reconhecer os coleguinhas que, arduamente, dia a dia, se esfalfam para esculhambar o jornalismo brasileiro.
Como sempre, antes da lista das finalistas, vamos às regras, que são bem simples:

1. Você poderá escolher até 15 (quinze) concorrentes.
2. A votação terminará domingo que vem, dia 17.

Antes da apresentação oficial, uma dica da organização: normalmente, as cascatas mais recentes levam certa vantagem por estarem mais fresquinhas na cabeça. Para equilibrar um pouco, tente lembrar do impacto (ou não) que a cascata teve quando você a leu e como ela repercutiu à época.

Então (rufar de tambores!), aqui estão as finalistas do King of the Kings-2015!

  1. Corrupção desviou R$ 88 bilhões da Petrobras (Folha)
  2. Lula está com metástase (UOL)
  3. Petrobras cria empresa de fachada para construir gasoduto (O Globo)
  4. Reuters pede aprovação de FHC para publicar que a corrupção na Petrobras começou no governo dele
  5. Repórter assedia adolescente sobrinho de Lula (Veja)
  6. Manchete do Globo de 16 de março (O Globo)
  7. Coleguinhas “esquecem” de ouvir advogada da Odebrecht que encontrou ministro (Todos)
  8. Tinta vermelha de ciclovia mancha carros em São Paulo (TV Globo)
  9. Lula forçou Petrobras a patrocinar escolas de samba do Rio (Valor)
  10. Sonegação da Operação Zelotes é maior que a corrupção na Petrobras, mas mídia não está nem aí (Todos)
  11. CBN tenta culpar Haddad por denúncia sobre irmão de secretário de Alckmin
  12. Irmãos Marinho tentam mostrar que Globo não ajudou a Ditadura de 64 (Valor)
  13. Lula confessa a Mujica que sabia do Mensalão( O Globo)
  14. Ciência sem Fronteiras não paga bolsa de estudantes (TV Globo)
  15. MP investiga Lula por fazer lobby no BNDES  (Época)
  16. Carlos Alberto Sardemberg culpa Lula e Dilma pela crise da Grécia (CBN)
  17. Lula pede “habeas corpus“ para não ser preso na Operação Lava-Jato (Folha)
  18. Venezuela veta entrada de senadores brasileiros (O Globo)
  19. Romário tem conta escondida em banco suíço (Veja) 
  20. Época diz que problemas políticos de Dilma se devem à falta de sexo
  21. Lula tem tríplex no Guarujá dado por empreiteira da Lava-Jato (O Globo)
  22. Escondendo Cunha (Folha)
  23. Barriga de Lauro Jardim provoca admissão de erro do Globo na primeira página
  24. Merval prevê “caminho livre para golpe” e STF, SQN  (O Globo)
  25. Bill Gates processa a Petrobras (Vários)

Vamos à segunda seletiva do King of the Kings-2015!

Estamos chegando a abril apenas e já vamos para a segunda seletiva do King of the Kings-2015, prêmio que reconhece os coleguinhas que, com suas cascatas, dão inestimável contribuição para o avacalhamento do jornalismo brasileiro.

Dessa vez são oito novas concorrentes, mas como organizador, presidente sumo-sacerdote, júri e boy do KofK, resolvi oferecer a chance de repescagem para as duas concorrentes que não se classificaram na primeira seletiva, ocorrida em fevereiro e que classificou as três candidatas à finalíssima que estão aí ao lado. Assim, são 10 as aspirantes, das quais as seis mais votadas qualificam-se para a final de janeiro de 2016. A cédula eleitoral segue abaixo da lista e você pode votar em até seis das concorrentes.

Uma dica: para os que estão chegando agora e quiserem saber o que é o King of the Kings, basta ir na aba “Hall da infâmia do KofK”, na qual está a explicação do nome do prêmio e a lista dos vencedores de 2008 para cá.

Agora, senhoras e senhores, às candidatas!

Coleguinhas esquecem de ouvir advogada da Odebrecht que encontrou ministro (Todos)

Repórter assedia adolescente sobrinho de Lula (Veja)

Mãe de Taylor Swift proíbe filha de fazer show no Brasil (O Globo)

Tinta vermelha de ciclovia mancha carros em São Paulo (TV Globo)

Manchete do Globo de 16 de março

Lei Rouanet aparece na lista do HSBC (O Globo e UOL): Essa merece uma explicação. Segundo Fernando Rodrigues (aqui), a divulgação dos nomes da lista do HSBC obedeceria aos melhores critérios jornalísticos. Se é assim, o que faz a menção à Lei Rouanet nesse texto? Há provas de que o dinheiro da Lei foi desviado pelos artistas para as contas numeradas? Não. Então por que publicar? A conclusão é inelutável: bom jornalismo é o que Fernando Rodrigues diz que é.

Reuters pede aprovação de FHC para publicar que a corrupção na Petrobras começou no governo dele

Lula desmente manchete do Estado de São Paulo (Estado de São Paulo)

Lula forçou Petrobras a patrocinar escolas de samba do Rio (Valor)

Sabesp já tem plano para aplicar racionar água em São Paulo (Folha)

Podemos sobreviver à Marina (mas o melhor seria evitar…)

Ante Scriptum: Sabe que não é tão complicado ficar desligado do mundo? Estou em Lauro de Freitas, na região metropolitana de Salvador, e bastou não ver telejornais, não ler jornais e limitar os acessos às rede sociais para que ficasse desconectado. O texto abaixo foi, assim, escrito sem saber o que vai pela campanha eleitoral na útima semana – situação que pretendo preservar na próxima.

 

 

Não há muita dúvida de que Marina Silva, caso eleita, fará um governo desastroso. Sem um partido organizado para dar-lhe suporte, portanto sem base parlamentar, sem habilidade e temperamento para negociá-la e mesmo um programa sobre o qual conversar com outras forças políticas, Marina é uma ótima receita para crises. Essa é a má notícia. A boa é que nós, brasileiros, somos catedráticos em lidar com governos desastrosos, mesmo aqueles que nós elegemos.

Depoimento pessoal. Tenho 54 anos e contava 14 quando Ernesto Geisel assumiu a guarda do Planalto. Diga o que disser o Companheiro Gaspari, foi um governo horroroso. O cara achou que a crise do petróleo iria durar um ano ou dois e determinou que mantivéssemos o pé no acelerador do crescimento, mesmo contra as recomendações do seu próprio ministro da Fazenda, Mário Henrique Simonsen. Tinha medo de perder a legitimidade que o “milagre econômico” dava à ditadura. Deu no que deu: o “milagre” foi pro brejo da mesma forma e a ditadura o seguiu, depois de agonizar por um tempo.

Depois de Geisel pegamos pela proa João Batista de Figueiredo, o general que dizia que prenderia e arrebentaria quem se opusesse à abertura política, mesmo aquela “lenta, gradual e segura” preconizada pelo colega de farda que rendera na guarda planaltina, e, no fim, meteu o rabo entre as pernas após o Caso Riocentro e saiu dizendo que o esquecessem – muitos concederam-lhe o pedido. Foi substituído por …. José Sarney! O sujeito que cometeu o maior estelionato eleitoral de todos os tempos, o Plano Cruzado. Foi a época dos “fiscais do Sarney” e de “laçar boi no pasto”, lembra? Não? Então recorde – e você, garoto/garota, saiba – como era a nossa vida nos anos 80, na voz de Rita Lee (a música é de 79, mas  já então  não era difícil saber para onde nossa vaca estava caminhando).

 

 

Ruim? Era, mas nada que não pudesse piorar. E piorou com Fernando Collor de Mello. O “caçador de marajás”, que, apoiado pelas Organizações Globo e todo o resto da mídia, convenceu a maior parte de nós e derrotou o Nove-Dedos dizendo que este confiscaria a poupança de todos – e no seu primeiro ato de governo…confiscou a poupança de todos. Por isso, e, principalmente, por ter ido com disposição demais às burras do empresariado, por meio do finado PC Farias, foi chutado do Planalto, sendo substituído pela figuraça Itamar Franco, presidente fotografado, num camarote da Sapucaí, ao lado de Lilian Ramos, jovem que hoje seria chamada de periguete e nada usava por baixo do vestido curtinho.

 

O que a gente já viu na política brasileira...

O que a gente já viu na política brasileira…

 

Aí veio FHC. O cara gostaria de ser lembrado como o “pai do Real”, mas a maior parte de nós recorda-o mesmo como o presidente que chamou aposentado de vagabundo, vendeu patrimônio público para pagar dívidas do país, mas quebrou-o duas vezes (em 97 e 98), viu o seu presidente do Banco Central sair algemado do Senado e, para encerrar dois períodos de governo com chave de ouro, levou o país a racionar energia por falta de planejamento. Por isso, toda vez que sai a público para apoiar um candidato, este cai nas pesquisas (a vítima da vez é Aécio).

Agora, faça as contas. Foram nada menos de 28 anos seguidos de desastres. E o que aconteceu? Nós estamos aqui! Sobrevivemos! Ora, se vencemos quase três décadas de governos desastrosos e desastrados, o que seriam mais quatro anos de Marina? (Ou mesmo cinco, já que ela prometeu não tentar reeleger-se e propor apenas um lustro de mandato, sem reeleição, na sua proposta de reforma política, se é que não voltou atrás nisso também). Claro que seria muito melhor usar a cabeça, votar direito e não passarmos mais perrengues, mas, diante de nossa enorme – e, repito, vitoriosa – experiência nesse campo, não temo: se tivermos que encarar mais um desastre, vai ser mole pra nós.

O caminho de Dona Míriam

Dona Míriam afirma que o Brasil precisa de que novas propostas sejam postas na roda na eleição de 2014. Mas as tais “novas propostas” vão ser aquelas apresentadas por Edmar Bacha e sua pupila Monica De Bolle no  convescote do Globo, cujo teor foi publicado na semana passada? Ué, mas elas são as mesmas de 1994! Você não sabe quais são? Bem, é só ler “O Príncipe da Privataria”, de Palmério Dória. Nele está tudo o que Bacha, De Bolle  e Dona Míriam acreditam ser o caminho para o país.