Numeralha: Pesquisa Brasileira de Mídia 2016 (III) – Jornal

 

Depois de uma parada, volto à numeralha da Pesquisa Brasileira de Mídia – 2016 para revolta de alguns/algumas. Mas isso é importante, juro. É a forma de ver como a informação chega ao distinto público em geral e não apenas a nossa bolhinha. Considere o caso do meio jornal. Em princípio, todo mundo leva a sério este meio, mas será ele tão fundamental assim? Pelos dados tabulados na PBM, nem tanto, se considerarmos quantitativamente.

Antes de começar, uma informação metodológica: a base de respondentes é de 4.665 pessoas, aquelas que leem jornais entre o total de 15.050 entrevistados.

Agora, vamos às tabelas e gráficos, começando por recordar a que mostra por quais meios a população chega às informações:

 

Como dá para notar, o jornal é o quarto meio em importância em termos de consumo de informação, sendo a fonte principal de apenas 3 em cada 100 pessoas, menos da metade do terceiro colocado, o rádio, proporção que se mantém mesmo quando consideramos ambos como fonte secundária (12% contra 30%).

A força do meio jornal é a confiança que inspira em seu público. Como se vê na tabela abaixo, os leitores de jornal são os que mais confiam nos veículos de sua preferência, com 59% (“confia” somada a “confia quase sempre”) contra 54% da TV e 57% do rádio.

 

 

Entre os leitores de jornal, a edição impressa é ainda amplamente dominante, com dois terços dos leitores. Infelizmente, o levantamento Secom/Ibope não desce ao detalhe de dividir os acessos digitais por aparelho, juntando dispositivos móveis (celular e tablet) com computador.

 

Em termos de local de compra dos exemplares, metade dos leitores da versão impressa o faz em bancas de jornais, cabendo às assinaturas cerca de 16%, perdendo até para os que filam as gazetas de outros para ler (20%). No entanto, este resultado, bem como em parte o da venda em banca, deve estar influenciado pelos jornais populares, que vendem muito mais e sempre em banca, e são os mais filados também.

 

Análise

Como acontece em outros mercados, o meio jornal vem perdendo leitores a cada ano. Ainda assim, em termos do que em mídias sociais se chamaria engajamento, o meio apresenta um desempenho admirável no Brasil, com 59% confiando na maior parte das vezes nas notícias que lê. Infelizmente, o levantamento Secom/Ibope não faz um recorte dessa confiança em termos de faixa etária e de renda e região do país.

Este tipo de recorte – especialmente o por faixa etária – seria fundamental para saber até que ponto o predomínio da edição impressa permanecerá, pois, em outros mercados, há até a previsão que ela deixe de existir em uma década. De qualquer forma, a redução absoluta no número de leitores já afeta as bancas, apesar de elas ainda serem os locais prediletos para a compra de jornais – elas passaram a ser pequenas lojas de conveniência que vendem diversos tipos de produtos, não apenas as gazetas (algumas, inclusive, sequer as comercializam).

Também seria bom que, nas próximas edições, viesse uma questão, pelo menos, sobre o compartilhamento de notícias por meio dos leitores do meio jornal (e dos outros meios também), como o próprio Ibope faz em seus levantamentos sobre TV. O compartilhamento não seria apenas por mei0 digital (redes sociais, por exemplo), mas também naquela na copa, no almoços de domingo, no churrasco etc.

 

O Extra e sua muralha

No primeiro momento, quando o Extra começou sua campanha contra o goleiro Muralha, do Flamengo, em 1º de setembro passado, colocando um “comunicado” na primeira página (abaixo), achei babaca e desrespeitoso, mas não cheguei a prestar muita atenção, pois ações deste tipo nunca foram raras em redações e, atualmente, são decididamente comuns.

Mesmo na semana passada, quando o jornal voltou a jogar nas mãos do atleta a culpa por mais uma derrota do rubro-negro nos pênaltis – algo comum para todos os clubes –, e a consequente perda do título da Copa do Brasil para o Cruzeiro, apenas achei que algum responsável pela primeira do Extra tinha algo de pessoal contra o jogador, já que no caderno de esportes, a culpa foi atirada sobre Diego (como se houvesse culpa em perder uma cobrança numa decisão e não algo perfeitamente esperado na vida de um jogador como Diego, principal atleta do time e cobrador oficial). A contradição pode ser vista abaixo.

No dia seguinte, porém, soube da situação pré-falimentar do Grupo Abril e os ataques do Extra contra Muralha ganharam algum sentido – não tenho como afirmar, já que não possuo mais acesso aos números do Instituto Verificador de Circulação (IVC), mas passei a suspeitar que as capas contra Muralha indicam que o Extra está sofrendo uma séria queda em sua circulação.

Como se sabe – e pode-se ver claramente nas ruas de qualquer grande cidade brasileira – a crise econômica abalou seriamente as classes C, D e E, o público ao qual o jornal se dirige. O fato de ser feito pensando nessas classes de consumo faz com que o Extra seja um “jornal de banca”, ou seja, ele praticamente não possui as assinaturas que mantêm os chamados quality papers voltados para as classes A e B (que também sofrem com a queda de circulação causada pela fuga dos assinantes, mas esse é outro capítulo da história). Dessa forma, o Extra necessita de chamadas fortes, “quentes”, para capturar a atenção de seus potenciais leitores e levá-los a coçar o bolso.

O jornal sempre atuou desse jeito, claro, com manchetes inteligentes e divertidas, mas, diante de uma queda acentuada como a que o jornal tem sofrido, inteligência não tem tanto efeito quanto o bom e velho sensacionalismo. Assim, a publicação partiu para este caminho com esta capa agressiva e politicamente perigosa (publicada duas semanas antes da primeira contra o jogador).

Compreensivelmente, ela provocou uma chuva de críticas, que, embora certamente não provenientes de seu público alvo, devem ter repercutido na redação. Ademais, declarar o Rio em guerra funciona bem para vender jornal, mas também provoca medo e esse sentimento não pode ser usado sempre, já que tende a provocar um “stress” social talvez incontrolável pelo Grupo Globo como um todo. É necessário dar uma aliviada, mas sem perder o foco na provocação de polêmicas sensacionalistas. Assim, a direção de redação do Extra parece ter resolvido apelar para uma velha técnica para cativar o público menos crítico: criou um vilão.

O vilão é o oposto do herói, obviamente, mas é essencial para que este exista e a luta entre ambos é o que faz uma história funcionar. Essa técnica literária é conhecida de qualquer roteirista de novela ou história em quadrinhos. E foi isso que o Extra fez com Muralha –transformou-o num vilão, mesmo sem um herói definido para enfrentá-lo. Funcionou muito bem por fatores intrínsecos à própria pessoa: o goleiro é realmente fraco tecnicamente (mas sempre o foi e o Extra não criticou sua convocação para a seleção brasileira há precisamente um ano), tem um apelido que é bom marketing para os bons momentos, mas péssimo para os maus, e apresenta uma figura fora do modelo idealizado pela sociedade brasileira – é mulato, corta o cabelo à moicano, é barbudo, um perfeito oposto de Diego, aquele que realmente decretou a derrota no Mineirão, mas foi escondido na parte interna do jornal (e ainda apresentado com um elogio enviesado a sua beleza).

Em suma, da maneira como vejo a coisa, Muralha ser esculachado pelo Extra tem pouco a ver com sua capacidade técnica ou mesmo a importância de suas supostas falhas nas derrotas do Flamengo. Estas apenas forneceram a oportunidade para a direção de redação do jornal alavancar as vendas às custas de ridicularizar publicamente um ser humano. A má notícia agora: o viés do Extra não vai mudar porque a muralha econômica que enfrenta é intransponível enquanto a situação econômica não mudar.

Três é demais: mais um passaralho no Globo

Mais um passaralho no Globo, o terceiro em um ano. Para quem leu a Coleguinhas desta semana, e também aquela em que falava da chegada de Frederic Kachar à presidência do Infoglobo, não deve ter se surpreendido. Os números mostram que o Globo vem tendo tremenda dificuldade para fazer a passagem para o digital – não é um processo fácil para nenhuma publicação, mas para o jornal dos Marinho é ainda mais complicado e está fracassando estrondosamente.

A empresa não tem dinheiro – já era curto, devido ao investimento num parque gráfico num momento em que as publicações impressas já estavam agonizando, e ficou ainda mais com a pra lá de estranha negociação envolvendo o novo prédio – e, claramente, não tem capacidade gerencial para dirigir a mudança de paradigma para outro que é, de per si, muito mais dinâmico do que aquele em que o jornal foi criado e se desenvolveu. Sem contar que, recentemente, os Irmãos Marinho decidiram usar seus veículos – não apenas o jornal – integralmente como parte de sua estratégia política, fazendo deles suas pontas-de-lança na busca que visa voltar a mamar nas tetas do governo federal, via verbas publicitárias.

Num quadro como esse faz sentido colocar Kachar como principal executivo do Infoglobo. Sempre pensando em encher o bolso no próximo ano fiscal e não, necessariamente, na sustentabilidade do negócio no longo prazo, os Marinho transferiram o sujeito da Agência Globo para fazer o que ele sabe: promover sinergia cortando custos, a começar de salários. Assim, ele fará com que a redação do Extra se encarregue de manter o dia a dia das editorias de Rio e Esporte, talvez com repórteres especiais do Globo realizando matérias especiais mais aprofundadas para fins de semana (e/ou digital), a fim de dar uma diferenciada no produto. Também vai anexar a sucursal de São Paulo com a sede da revista Época (e, provavelmente, o contrário no Rio).

No médio prazo, esse movimento poderá atingir o Valor, uma associação com os Frias. Estes gostariam da junção da economia da Folha (e os Marinhos, a do Globo, et pour cause) com o Valor, um projeto que emularia (e até aperfeiçoaria) o que faz o Estado de São Paulo há anos om a Agência Estado e o Broadcast, o serviço em tempo real para o mercado financeiro, cujo concorrente mais direto é Valor PRO, serviço que tem apenas uns três anos de existência. Não será fácil , mas também não impossível – é caso de negociar e arrumar um desenho que permita manter pelo menos uma aparência de independência editorial de cada veículo.

Enfim, de qualquer maneira, uma coisa parece certa – este não é o último passaralho a atingir O Globo. No máximo, o próximo demorará mais de um ano para acontecer.

A lista dos demitidos que consegui apurar até o momento do fechamento (21 horas): Paulo Roberto Araújo, Clarice Spitz, Matheus Carrera, Alessandro LoBiaco, Gustavo Stefan, Iuri Totti, Thais Mendes, Carlos Ivan, Chico de Goés (BSB) e Regina Alvarez (BSB).

Atualização (21h50): Liane Thedim, Fábio Seixo, André Machado, Cássio Bruno e Luiz Antônio “Mineiro” Novaes (pediu pra sair, mas conta).

Atualização (23h35): Cláudio Nogueira e Suzana (não sei o sobrenome, só que era do vídeo).

Atualização (9 de dezembro, 11h45): Waleska Borges e Solange Duart

Atualização (9 de dezembro, 14h): Carlos Albuquerque e Olívia (secretária do Bairros).

Atualização (9 de dezembro, 22h40): Silvio Essinger.

Há rumores de mais 8 ou 10 nomes nas redações de Globo e Extra e um total de 140 na empresa inteira.

Os números do Infoglobo

Minhas fontes também devem andar um tanto injuriadas com os passaralhos. Só encontro essa explicação para a rapidez com que responderam ao pedido de informações sobre como anda a circulação dos principais veículos do Infoglobo e da EdGlobo (para efeito de comparação), elas que são sempre tão reservadas e lentas. Aqui estão eles e, logo abaixo de cada, uma análise – rápida porque não precisa ser analista de cenário para ler os gráficos e tabelas, cujos números e curvas são quase autoexplicativos.

 

Circulação O Globo (agosto/2012 - julho/2015)

 

Circulação Extra (agosto/2012 - julho/2015)

 

1. Nos últimos 36 meses (agosto/2012 a julho/2015), a circulação somada dos dois principais jornais do Infoglobo caiu 25% (perda de 1 a cada 4 leitores em três anos), de 438.423 para 328.576, com viés de queda constante, especialmente no caso do Globo. Esse quadro explicaria a decisão de Frederic Kachar de fazer com Ascânio Seleme (O Globo) e Octávio Guedes (Extra) reportem-se diretamente a ele, o que, certamente, limitará a autonomia de ambos, se não de imediato, no médio prazo.

2. O caso mais grave é do Extra, com redução de 32% (menos 1 a cada 3 leitores), de 199.993 (agosto/2012) para 135.815 (julho/2015). Essa forte queda talvez explique a ordem para que Octávio Guedes dedique-se exclusivamente ao jornal, deixando sua função na CBN.

3. Embora melhor, a situação do Globo não se mostra nada confortável. Houve uma queda de 21,6% ( defecção de 1 a cada 5 leitores), de 248.430 para 194.761 (menos do que o Extra há três anos), no período enfocado. Outro fator a considerar: olhando a curva, observa-se que a queda do Globo é mais constante do que a do Extra, que ainda comporta alguns picos, embora não cheguem a alterar significativamente a trajetória de queda.

 

 

Circulação Época (julho/2012 - junho/2015)
4. Dentro deste quadro, a Época pode ser considerada um caso de sucesso – talvez por isso, Frederic Kachar tenha sido transferido da EdGlobo para a Infoglobo: a queda foi de apenas 2,5%, de 389.698 para 380.018 exemplares, tomando-se por base o período de 36 meses entre julho de 2012 e junho de 2015. No entanto, há que se observar dois pontos:

a. A resiliência dos leitores de revista é maior em comparação com os de jornal no momento de abandonar a publicação – traduzindo: quem compra revista demora mais a deixar de lê-la do que os de jornal, especialmente quando se trata de cancelar assinaturas.

b. Olhando-se a tabela e a curva mais de perto, observa-se que entre o pico de novembro de 2013 (412.265 exemplares) e o final do período (junho/2015) a queda de circulação acentuou-se, chegando a 7,8% .

Os 10 mais nos sítios

Para variar está meio complicado arranjar as métricas de circulação das revistas – parece que elas estão tendo alguma dificuldade de se adaptar às novas diretrizes do IVC, como fizeram os jornais (aqui) e, por isso, até o momento, não apresentaram sequer seus números de janeiro. Para não me deixar de mãos abanando, um dos Honoráveis Conselheiros enviou com o ranking dos sites dos veículos.

Antes, de apresentar gráfico e tabelas referentes a janeiro e fevereiro, porém, um esclarecimento importante. Você deverá sentir falta do UOL, Globo.com, IG e do Terra no levantamento. É que esses portais são auditados por outros institutos que não o IVC. Ainda assim, alguns veículos que fazem parte deles estão na lista do Instituto, com O Dia (IG) e Click RBS (Globo.com).
Agora, aos números dos 10 mais:

tabela sites_jan_fev-2014grafico sites_jan-fec-2014

Os dez mais

Como a Folha anunciou (aqui), e creio que só ela, o IVC mudou a contabilização da circulação, dando mais força às assinaturas digitais. Essa modificação foi significativa para a própria Folha (et pour cause) e O Globo. Desde a ENCE, sempre odiei mudanças de base histórica (os professores faziam para nos tirar da zona de conforto e para nos dar rasteiras) e dessa vez não é diferente. Mas como não adianta reclamar (também não adiantava na escola), após, uma troca de emails com dois Honoráveis Conselheiros (sem um saber quem era o outro, evidente), resolvemos começar de novo.

Assim, para marcar o recomeço, segue o ranking dos 10 jornais de maior circulação no país, em tabela e gráfico.

jan/14 dez/13
Folha de S. Paulo 332.354 289.451
O Globo 299.821 274.302
Super Notícia (MG) 292.988 291.799
O Estado de S. Paulo 233.415 233.145
Daqui (GO) 215.671 148.081
Extra 203.537 204.163
Zero Hora 181.772 182.277
Diário Gaúcho 150.214 151.543
Correio do Povo 134.998 135.327
Aqui (MG) 129.674 132.090

Circulação - Ranking, 01/2014

Como se observa, a Folha e o Globo se deram bem com a mudança de critérios do IVC. Muito provavelmente isso deve ter ocorrido porque o Instituto aumentou a fatia das assinaturas digitais que pode ser contabilizada para fins de circulação, passando de 21%para 50%. Assim, a Folha, que tem hoje 34,6% de sua circulação em digital, beneficiou-se muito, o mesmo ocorrendo, em menor escala, com O Globo (27,8%). O Estadão apresenta algo parecido ao Globo (25%), mas deve ter sido atingido pela mudança nos critérios dos descontos – agora, podem ser contabilizadas assinaturas que tenham até 85% de desconto em relação ao cobrado nas assinaturas analógicas. Como os descontos da Folha e do Globo são maiores do que os do Estadão, mais assinaturas passaram a ser contadas.

Fiquei espantado (e, creio, você também, caso tenha prestado atenção) com o salto que o Daqui, jornal popular de Goiânia pertencente à J.Câmara, dona também de O Popular (34º no ranking), de dezembro para janeiro – nada menos de 45,6%. No entanto, é pouco provável que o fenômeno tenha se dado por conta das mudanças de critérios do IVC. O mais certo é que tenha sido uma promoção particularmente bem-sucedida, tendendo a circulação, dessa forma, a voltar aos patamares normais nos próximos meses.

Por falar em próximos meses, os HCs prometeram acompanhar a evolução dos principais jornais, mas, para dar mais consistência aos dados, só pretendo voltar ao assunto lá pelo meio do ano. Eles também acreditam podem arrumar os dados das revistas com mais facilidade do que da outra vez – você deve estar lembrado da luta que foi obter as informações no fim do ano passado. Vamos ver.

O Globo e o metrô de São Paulo

Alta Conselheira reflete sobre a pouca importância concedida pelo Globo para o acidente no metrô de São Paulo, que feriu 103 pessoas, ontem.

“Você viu o espaço ridículo que O Globo destinou hoje ao acidente no metrô de São Paulo? Não valeu nem primeira página. Imagine o carnaval que a Folha e o Estadão fariam se tivesse acontecido no Rio… Mas a verdade é que, para além da mania da imprensa paulista de supervalorizar as desgraças do Rio, esse acidente tem uma dimensão como notícia bem maior do que O Globo enxergou. Essa miopia pode ser mais um sintoma do excessivo regionalismo a que o jornal se confinou nos últimos anos, tão excessivo que a zona norte do Rio é quase São Paulo na atual visão editorial vigente na Irineu Marinho. No entanto, tema para você pensar na Coleguinhas: não teria também a ver com o fato de o metrô de SP ser estadual e estar, portanto, há 20 anos nas mãos dos tucanos?”

Minha resposta à Alta Conselheira:

“Olha, creio que são as duas coisas. O Globo, há alguns anos, decidiu focar sua cobertura no Rio, por contenção de despesas e também como espécie de rendição à internet.

Só que o Rio do Globo acaba na Glória – vai até o Centro, no máximo, para shows na Lapa e desabamentos, e a Niterói em caso de crimes. O resto é território do Extra (tem até matérias assinadas pelos repórteres de lá, quando algum crime mais excepcional acontece neste sertão carioca).

No caso de São Paulo, há, sim, enorme cuidado em noticiar qualquer coisa negativa – isso quando noticiam. Muitas vezes descubro algum descalabro administrativo ou desastre maior quando olho, por acaso, a Folha ou Estado”

A Conselheira ainda ficou em dúvida. “Mas sabe que me pergunto também se não foi mera incompetência…”

Eu de novo:

Não acredito. Acho que foi de caso pensado. Pelo que aprendemos na faculdade, a primeira colisão de trens no maior metrô do Brasil, com 103 feridos é mais importante do que uma tetraplégica que move, pela primeira vez, por meio de impulsos cerebrais, um braço mecânico, em Rhode Island (aliás, o local da Universidade de Brown não está na matéria. Tive que ver no Google).”