Foto da Folha leva primeira seletiva do King of the Kings-2017. Equilíbrio marca Troféu Boimate.

A Folha, que colocou foto de uma manifestação de 2016 pelo impeachment de Dilma como se fosse o do fracassado ato do MBL de 26 março passado, venceu a primeira seletiva para o King of the Kings-2017, que escolherá a maior cascata do ano, com 77 dos 544 votos computados (14%). Numa demonstração de que a competição será muito equilibrada em 2017, o Troféu Boimate para a redação que mais procura enganar seu público não teve uma que se destacasse – cinco tiveram um voto (o outro não contou por ser uma cascata geral). O KofK e o Boimate procuram reconhecer aqueles jornalistas e empresas que mais se destacam na busca pelo total avacalhamento do jornalismo praticado no Brasil – a história e a galeria dos premiados estão na faixa lá em cima.

Veja os resultados da seletiva:

1. Folha usa foto de manifestação de 2016 para mostrar que protesto do MBL de 2017 foi um sucesso. (77 votos/14% do total)

2. Maluco conhecido diz ter levado mala de dinheiro para Lula e IstoÉ dá capa. (72/13%)

3. Exame usa exemplo de Mick Jagger para defender reforma da Previdência. (71/13%)

4. Apresentadora da Record diz que índios deviam ficar sem remédios contra malária para morrerem. (61/11%)

5. Delegado da PF diz que não de precisa de provas para prender Lula, apenas “timing” certo. (Veja) (57/10%)

6. PF afirma que carne é enxertada com papelão e vitamina C é cancerígena e veículos publicam sem checar (Vários). (57/10%)

 

As quatro cascatas que não conseguiram classificar-se para a final, a ser disputada em janeiro de 2018, terão nova oportunidade na segunda seletiva. Foram elas:

Estado de São Paulo acusa erradamente juiz do Amazonas de ligação com facção criminosa e ele passa a ser ameaçado por outra.

Site 247 recebe informação de leitor, não checa e publica que presidente do Bird criticou governo por acabar com programas sociais

Procuradores da PGR dão “coletiva em off” para vazar nomes da Lista da Odebrecht. (Vários)

Elio Gaspari defende que Temer deve ficar porque “ruim com ele, pior sem ele”. (Folha e Globo).

O Companheiro Gaspari e a memória

Companheiro Gaspari, em 2002, quem tinha o BNDES nas mãos eram os tucanos, mais especificamente Fernando Henrique Cardoso. Mas o “ProPress” não existiu – o que houve mesmo foi o “ProGlobo” (ou “ProMarinho”), como se pode descobrir com uma simples googlada usando os termos “BNDES Globo 2002” (exemplos aqui, aqui e aqui)

Companheiro Gaspari, em nome dos bons velhos tempos, talvez esteja na hora de considerar a aposentadoria.

Eike e o Companheiro Gaspari

Como assim, companheiro Gaspari? Você sabia que o Eike “Sempre Ele” Batista (não é, Ancelmo?) ia quebrar e não nos avisou ? Sei que somos apenas  meros leitores dos jornais em que você escreve e a maior parte de nós não tem ações de nenhuma das empresas do cara, mas nenhuma dica nesse anos todos, caramba?

Na hora de listar os manés que caíram na esparrela do sujeito, você apontou o dedo  para “sábios da banca que se supõem senhores do Universo e autoridades que se supõem oniscientes”. Beleza, mas não esqueceu de ninguém não? E a imprensa brasileira? Para refrescar a sua memória, olha o que sua querida Veja publicou numa capa de janeiro de 2012:

eike_deng

Agora é mole, virou moda, sacanear o sujeito, mas lá atrás já merecia e era endeusado, né, Companheiro?

Para nós, os meros leitores, fica mais, uma vez, a lição: você pode confiar em qualquer um, mas se acreditar nos veículos de comunicação brasileiros, você é ainda mais idiota do que o Eremildo.

Gaspari e o radicalismo seletivo

O Companheiro Gaspari, esse radical, em sua coluna de hoje, defende que o Brasil expulse um diplomata britânico em represália à prisão do David Miranda. Beleza. Mas por que ele não exigiu também que os seus patrões do Globo publicassem um editorial protestando contra a intimidação de um jornalista, que, inclusive, trabalha em parceria com o jornal? Argumentos, Gaspari tem de sobra: toda a imprensa britânica tomou posição oficial sobre o caso – até o Financial Times falou dele em editorial (cheio de dedos, mas falou). Sem contar, claro, a Folha de São Paulo, outro jornal em que o Companheiro publica suas colunas. Agora, a pergunta: quem vai se posicionar primeiro, o colunista ou O Globo?

P.S.: E o Estadão, hein? Nada…

Combatendo Macunaíma

Numa fase macunaímica em relação ao blog, tive que vencer a preguiça para escrever as mal-digitadas abaixo. Confesso que o impulso decisivo veio dos comentários do Companheiro Gaspari em sua coluna de hoje, ao falar da polêmica sobre a ampliação dos direitos dos empregados domésticos e a respeito do pastor Marcos Feliciano. Assim, lá vão meus pitacos sobre:

1. Domésticas: Além do que disse o Companheiro em sua coluna de hoje, que subscrevo, acrescento que empregado doméstico é luxo em tudo o que é lugar em que a escravidão não faz parte do modo de produção, como nas sociedades da Antiguidade (na Idade Média tinha pouco, tendo sido substituída pela servidão de gleba), no Sul dos EUA até a Guerra Civil e aqui no Bananão.

Nos lugares em que o capitalismo implantou-se como modo de produção, o trabalho doméstico virou “consumo suntuário” e minguou. A razão disso é que o capitalismo necessita do chamado “exército industrial de reserva”, uma massa de trabalhadores que vive no ou à beira do desemprego e serve para segurar o valor do insumo trabalho, que é o verdadeiro gerador do excedente de riqueza da sociedade capitalista por meio da “mais-valia” (basicamente é isso, mas se você quiser se aprofundar recomendo ler O Capital). Resumindo: o trabalho doméstico é estéril, não gera riqueza, daí ser expelido pelo modo capitalista de produção, que é voltado somente para a geração de riqueza a ser apropriada pela burguesia.

Assim, o encarecimento do trabalho doméstico é algo inevitável sob o capitalismo. Aqui, esse processo não aconteceu de repente, como pode parecer a algum desavisado que observe a reação de surpresa das madamas. Há três décadas, no mínimo, os direitos dos empregados domésticos vêm sendo paulatinamente ampliados – numa espécie atualização do que aconteceu no processo de abolição da escravatura, que também foi feito ao poucos, por leis sucessivas. Um caminho que vários economistas – incluindo alguns maridos de madamas ou amigas delas – avisaram que estava sendo trilhado.

Aliás, por falar em economistas e madamas, a reação destas à conquista das empregadas me colocaram numa posição em que, juro, jamais pensei estar: do mesmo lado do Delfim Netto. O czar da economia da ditadura foi um dos tais economistas que, há muito tempo, avisava do que estava ocorrendo e não foi ouvido pelas madamas.

2. Feliciano: Como já tinha dito aqui, Marco Feliciano não é uma excrecência na política brasileira – ele representa uma parcela ponderável da sociedade do país. Na campanha por sua renúncia à Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, que avança, célere, para a derrota, me fixei em dois pontos:

a. Os inimigos do pastor, mesmo no caso cada vez mais improvável de vitória, garantiram-lhe uma montanha de votos nas próximas eleições e um potencial de liderança enorme no meio daquela parcela da sociedade brasileira que citei acima.
b. A lastimável atuação do PSOL no episódio. Um partido que participa de eleições, por definição, aceita que a via parlamentar é o caminho para assumir o poder ou, pelo menos, fazer com que suas ideias virem lei a serem seguidas pela sociedade.
Aceitar a via parlamentar é aceitar a vida no Parlamento e, em qualquer Parlamento desde que essa instituição foi criada, já lá se vão 800 anos, há acordos, que podem ser cumpridos ou traídos, mas são sempre negociados e selados. O PSOL sabe que é assim, mas pode até não participar dos tais acordos parlamentares, mas, se a escolha for essa, não pode atacar um acordo partidário, já que fez questão de não participar de sua negociação.
No caso da Comissão de Direitos Humanos, não se sabe de candidato lançado ou apoiado pelo PSOL (e, aliás, por nenhum outro partido de esquerda, incluindo o PT). Assim, o partido não tem autoridade política para contestar o resultado. Pode atacar a condução da comissão, mas manifestar-se pela retirada do parlamentar escolhido para presidi-la não.

O companheiro Gaspari e a perplexidade oposicionista

Nos quatro primeiros parágrafos do seu artigo de hoje – que li no Globo, mas deve ter sido reproduzido na Folha e outros jornais – o Companheiro Gaspari faz uma ótima análise do porquê a oposição do Brasil está como está – atolada e sem forças para sair do brejo: ela não tem projeto para o país. Entra eleição, sai eleição, a oposição só repete a cantilena, baseada em denúncias criminais e críticas aos projetos da situação, mas sem apresentar nem provas dos primeiros (de resto, sempre fadadas a ficarem na esfera pessoal e não política) e opções para os segundos.

Duas provas da perplexidade em que se encontra a oposição:

1. A proposta de Edmar Bacha de pôr o controle da inflação na Constituição. Ora, não foi essa mesma oposição, na época saindo do PMDB, que disse que a nossa Carta Magna era detalhista e abrangente demais, regulando em demasia a vida do cidadão e da economia? Pois é. E a proposta ainda foi veiculada por um prócer que há décadas forma com Pérsio Arida, Pedro Malan e Armínio Fraga as cabeças pensantes econômicas da oposição, sem que haja qualquer renovação;

2. Falta de renovação essa que e estende à política e fica patente no fato de que a nova esperança das oposicionistas é…um situacionista! No caso, Dudu Campos, do PSB, partido que, até segunda ordem, faz parte do governo.

Apesar do bom começo, o Companheiro Gaspari não mantém o nível no seu artigo. Logo depois de condenar as práticas políticas que levaram à oposição às seguidas derrotas eleitorais, o Companheiro faz o mesmo, apelando para o tal mensalão como arma para a crítica política, chegando a traçar o estranho – mas significativo – paralelo entre o julgamento de um assunto criminal pelo STF – uma questão judicial – e as retumbantes vitórias eleitorais da oposição à ditadura nos anos 1970, um episódio totalmente político.

O maior problema do artigo, porém, é conceitual. O Companheiro Gaspari divide o eleitorado em três fatias: uma tem horror a Lula; outra segue o Nove-Dedos, e uma terceira não tem nada contra ele, mas também nada a favor. É uma boa divisão, mas tem um problema: Gaspari dá a entender que elas são iguais. Mas não são. Até foram, mas hoje não.

A segunda, a que é fã do N-D, atinge, hoje, a algo entre 40% e 45% (há pesquisas indicando que esse percentual e ele explica o sucesso dos postes do Lula). Esse nível foi atingido fazendo o pessoal do muro pular para o lado do PT, convencido pelos fatos de que os governos petistas são, concretamente, melhores do que os da oposição de direita (nem tanto em relação aos parceiros de esquerda, que hoje são meio oposição, como PSB e PDT). Além disso, o pessoal cujo horror ao N-D era por medo à esquerda, já acha que o diabo não era tão vermelho como pintava (e pinta) a mídia conservadora e, mesmo desconfiando, subiu no muro, meio caminho para votar com esquerdistas. Assim, o pessoal que tem horror a Lula (e ao PT) deve variar, hoje, em torno de 20%. Daí as seguidas vitórias petistas e a pequena reverberação social das catilinárias antipetistas que proliferam nas mídias tradicionais e nas chamadas mídias sociais, que, apesar de todo o barulho que fazem, atingem apenas residualmente a imensa população do Brasil.

Assim, do jeito que está, a oposição vai continuar apanhando nas urnas – com uma ou outra vitória pontual – e, nisso, concordo totalmente com o Companheiro Gaspari.

Implausibilidade e polidez

Hilária a maneira polida como o companheiro Gaspari chama hoje a Veja de mentirosa. O companheiro é cuidadoso e diz que a matéria de capa da atual edição é “implausível”.