O investimento em publicidade da Petrobras de 2011 a 2016 – IV (Revista)

Confesse: você nem notou que não publiquei a Coleguinhas semana passada. Foi a primeira vez em uns 10 anos, creio, e ninguém notou, o que provou a minha tese de que ninguém realmente presta atenção ao que escrevo. Estou sentido, abalado, triste? Quem pensa assim é que não conhece a minha autoestima e meu ego à prova de bomba H e kriptonita.Confesse? Você nem notou que não publiquei a Coleguinhas semana passada. Foi a primeira vez em uns 10 anos, creio, e ninguém notou, o que provou a minha tese de que ninguém realmente presta atenção ao que escrevo. Estou sentido, abalado, triste? Quem pensa assim é que não conhece a minha autoestima e meu ego à prova de bomba H e kriptonita.

Não houve Coleguinhas semana passada porque me defrontei um problema complicado ao preparar a parte referente ao meio revista. Vi que não adiantaria falar apenas das revistas semanais se quisesse dar uma versão abrangente da relação publicitária da maior estatal brasileira e as editoras do país, no caso representado pelas quatro que editam as principais semanais do Sudão do Oeste (Abril, Carta Capital, Globo e Três)  O alargamento do campo de pesquisa acabou por dar um trabalho do cão, pois precisei olhar o investimento da Petrobras em cada título de cada uma das quatro editoras. E depois comparar a importância das semanais no bolo publicitário destinado a cada uma pela empresa, claro.

Mas, enfim, saiu e o resultado aqui está. Mas, antes de olharmos para eles, como de praxe, vamos às notas metodológicas:

1. Há uma cisão temporal. Até 2013 (inclusive), os dados se referem a valores autorizados – empenhados, em burocratês -, não necessariamente realizados. De 2014 para cá, porém, são os valores efetivamente executados.

2. À primeira vista, manter os dois tipos de dados juntos não seria correto. No entanto, a junção não muda a tendência, , já que o fato de os valores terem sido previstos demonstra a orientação estratégica da Petrobras, a intenção de se investir neste meio e em determinadas empresas e publicações. Ainda assim, no caso de determinadas editoras,  houve uma variações estranhas que podem ter sido causadas pela mudança na metodologia de cômputo dos dados.

3. Como não pedi a relação previsto/realizado no período, não há como se ter uma ideia do percentual médio de execução orçamentária. Ano que vem, solicitarei essa relação.

4. As conclusões não têm o objetivo de esgotar o assunto. Ao contrário, gostaria muito de que outros se debruçassem sobre os dados a fim de extrair deles outras visões. Creio que os que trabalham na Academia poderiam fazer este trabalho com grande proveito para todos. Os dados brutos estão aqui (em arquivo zipado)

5. As conclusões políticas – de existirem – ficam por sua conta e risco, certo?

Agora, vamos lá:

 

 

1. O que mencionei no item 2 das notas metodológicas se pode ver logo aqui. As curvas da Abril, em 2013 (antes da mudança da forma de computar a liberação de verbas), e da Três (em 2015, após a mudança) são iguais, embora os valores sejam muito diferentes. Ainda assim, observa-se – também como pontuado nas notas – que as decisões de investimento publicitário da Petrobras migraram da editora dos Civita para a dos Alzugaray, após uma aproximação em 2014, ainda em favor da Abril.

2. O aumento do faturamento da Três pode ser atribuído ao aumento no número de títulos que a empresa passou a publicar naquele ano – Select, IstoÉ Platinum e IstoÉ 2016 – bem como o investimento em títulos nos quais a Petrobras não investia antes (Istoé Dinheiro e Gente) e que reduziu em 2016 (só permaneceram a IstoÉ e a Istoé Dinheiro).

3. As editoras Globo e Carta Capital não apresentaram variações tão acentuadas quanto as outras duas.

4. O gráfico mostra a disparidade de investimento na Carta Capital em relação às outras, mas isso pode atribuído ao fato de a editora não ter nenhuma outra publicação contemplada pelas verbas de publicidade da petroleira, a não ser a semanal, que apresenta uma circulação muito menor do que as concorrentes , (cerca de 30 mil exemplares, de acordo com o IVC de que disponho, de 2015).

5. Note-se a forte queda de investimento ocorrida de 2015 para 2016 (68,16%), afetando todas as editoras, mas em especial à Três, que sofreu um redução da ordem de 90%.

 

 

O gráfico mostra a progressiva concentração das verbas de publicidade da Petrobras nas quatro principais editoras (na verdade, nas três, já que, como viu no primeiro gráfico, a Carta Capital fica muito abaixo das outras), reproduzindo padrão tradicional do meio TV e também, de alguns anos para cá, dos jornais.

 

 

1. O gráfico de distribuição das verbas de publicidade da Petrobras para as revistas semanais de informação é, de longe, o mais errático que encontrei até o momento, em especial no que se refere à IstoÉ.  Há inclusive, nesse caso, uma quebra em 2013 porque, nos dados enviados pela estatal, naquele ano os dados foram contabilizados para o conjunto da editora, sem discriminar os títulos, ficando, dessa forma, bem problemático apontar um assumir o valor total do ano da Editora Três, apontado na tabela que acompanha o gráfico 1 (R$ 5.045.046,91).

2. De 2015 para 2016, porém, pode-se uma inversão de tendência entre os valores destinados à Veja e à Época em relação à IstoÉ. A primeira teve um acréscimo de 109,39% e a segunda, 16,47%, enquanto a IstoÉ viu o investimento da Petrobras na compra de anúncios cair 84,37%. Aliás, também a Carta Capital sofreu redução de 67,54% na verba publicitária da Petrobras no período.

 

O gráfico mostra como é variável a importância das semanais para o faturamento das editoras Abril e Três no que se refere às verbas de publicidade da Petrobras. Na primeira, em 2015, a Veja foi responsável por 32% do total, percentual que subiu para quase 96% no ano seguinte. Já a IstoÉ, destino de 40% do valor colocado na Três em 2015, saltou para 63% em 2016. Comportamento diferente teve a Época em relação à Editora Globo – houve elevação do percentual, mas ele foi suave (53% para 57,7%). A Carta Capital fica de fora da avaliação já que recebe 100% da publicidade destinada à editora de Mino Carta pela Petrobras.

Investimentos em publicidade da Administração Direta do Governo Federal (2011-2016) – IV (Internet)

Já cansou? Vamos! Está quase chegando ao fim! Nessa semana, o foco vai para o investimento publicitário da Administração Direta do Governo Federal em internet – na próxima, será a vez do rádio, depois do apanhado geral e c‘est fini! Quer dizer…A parte da Administração Direta…Depois haverá os dados da Secom que apareceram miraculosamente após a pentelhação; a Administração Indireta (se os órgãos responderem, o que está longe de ser certo)…Mas não ponhamos a carroça a adiante dos bois, como dizia Vó Sinhá.

Primeiro, os dados sobre a internet, então.

 

Antes da análise, um toque importante: os números englobam as operações na internet atreladas às outras mídias. Por exemplo, no que se refere ao Grupo Globo são dos sites dos Infoglobo e, da Rede Globo (G1 dentro); da Folha, o site do jornal (mas não o UOL) etc.  É meio óbvio, eu sei, mas não custava nada deixar ainda mais claro, né?Então, vamos à análise.

Análise

1. O ano em que a Administração Direta federal “descobriu “ a internet foi 2012. Do ano anterior para este, houve um acréscimo de 99,86%.

2. Nesse duplo carpado, todo mundo se deu bem, mas ninguém como o UOL, que deu suas piruetas para frente e obteve um aumento de 340% (de R$ 316.642,52 para R$ 1.076.403,30 o que pode ser explicado pelo fato de ser o maior portal de língua portuguesa do mundo. Bem também se deram o Terra (+ 108%) e a Folha, que teve um salto percentual de inacreditáveis 545,13%, mas, em termos absolutos, recebeu pouco menos de R$ 64 mil.

3. Na série, o ano de maior investimento foi 2014, ano da Copa do Mundo, com  R$ 9.114.043,62 – 477,18% acima do investido em 2011 e 242,5% mais do que no ano anterior (R$  3.758. 322,15).

4. Neste ano, em termos absolutos, o Grupo Globo foi o maior beneficiado com R$  3.701.147,11 (40,61%), mas, se observarmos que o investimento no GG engloba as operações internet de todos os veículos do grupo, então, proporcionalmente, o mais bem aquinhoado foi o UOL, que, sozinho, abocanhou R$  2.077.539,87 (22,79%) do total.

5. Com o fim da Copa, houve uma queda em 2015 de era de 49,61%, com uma recuperação de 32,56% em 2016, ano de Jogos Olímpicos.

6. No total do período, o Grupo Globo foi o que mais recebeu investimentos em internet do Governo Federal, com um total de R$  10.186.324,07. No entanto, levando-se em consideração o exposto no item 4, o UOL, com 25%, foi o mais beneficiado. O gráfico abaixo mostra a situação geral.

Investimentos em publicidade da Administração Direta do Governo Federal (2011-2016) – III (Revista)

Estou objetivo hoje. Sem mais delongas, vamos aos dados sobre o investimento em publicidade da Administração Direta do Governo Federal entre 2011 e 2016, nas editoras das três principais editoras de revistas do país.

Antes da análise, faço um alerta: o investimento acima não é num título específico, mas nos diversos títulos de cada editora. Assim, a grana que foi para a Abril não quer dizer que tenha ido para a Veja, mas para todo o imenso portfólio da empresa.

ANÁLISE

1. O que salta aos olhos é a diferença entre os investimentos de 2015 e 2016. Percentualmente, o salto foi de 849.14%, tornando o ano o mais profícuo da série para as editoras em sua relação com as AD do Governo Federal, superando o de 2011.

2. Olhando os dados de 2016 mais de perto e separando-se os investimentos do ano em primeiro e segundo semestres, chega-se a esta tabela:

3. Fica bastante claro que o salto aludido no item 1 aconteceu no segundo semestre, cuja variação em relação ao primeiro semestre foi de 1.018,87%.

4. Não é preciso ter uma memória privilegiada para lembrar que a grande mudança no Governo Federal ocorrida entre o primeiro e o segundo semestres de 2016 foi a troca de presidentes. É muito difícil não correlacionar os dois fatos.

5. No período observado, a Abril foi a editora mais bem aquinhoada com as verbas da AD do GF, superando a soma das outras duas grandes do setor no país em 155,10%, conforme a tabela abaixo:

6. Até março deste ano, a distribuição de verbas publicitárias era a seguinte:


7. Sim, nos primeiros três meses do ano o segmento revista da Três Editorial, responsável pela IstoÉ, não recebeu um centavo da AD do GF em investimento publicitário.

A circulação da IstoÉ e o “crowdfunding”

Enfim chegamos à última análise de números de circulação de jornais e revista, com os dados da IstoÉ. Segundamente (porque, primeiramente Fora Temer!), vamos ao comercial: faltam 15 dias para terminar a minha campanha de crowdfunding. Vou explicá-la de novo: a “vaquinha virtual” é para manter o acompanhamento da circulação, que faço desde 2010 sem custos (tinha uma fonte). Explico tudo direitinho no vídeo que se pode acessar por este link – e você também pode ler no texto abaixo dele. Desde já, agradeço a sua ajuda.

Agora vamos aos números da IstoÉ, que são bem interessantes – gráficos e tabelas primeiro.

Tabela e gráfico 1
20160911_ivc_istoe_4tri_2015-1tri-2016

 

Tabela e gráfico 2

20160911_ivc_istoe_1tri_2015-1tri-2016

 

1. O que salta aos olhos no gráfico 1 é a circulação média de março de 2016, que atingiu 331.591 exemplares, contra uma média de 313.387 nos cinco meses anteriores, resultado 6% maior. O fenômeno se deveu à edição 2413, na qual foram publicadas as denúncias do ex-senador Delcídio Amaral contra a presidente Dilma Rousseff. Esta edição vendeu cerca de 45 mil exemplares a mais do que a anterior e 37 mil a mais do que a seguinte.

2. Esta variação obriga a retirada de março da amostra. Tomando-se esta providência observa-se que, nos cinco meses anteriores, a circulação média mensal da semanal no primeiro trimestre de 2016 variou entre 312,7 mil e 314,4 mil exemplares, mostrando, assim, estabilidade na comparação entre o último trimestre de 2015 (314,7 para 312,5), como ocorreu também com suas concorrentes Veja e Época.

3. Também retirando março de 2016 da série do primeiro trimestre do ano é possível observar que houve uma redução de patamar na média de circulação média na comparação do primeiro tri de 2015 como janeiro e fevereiro de 2016. No entanto, diferentemente de suas concorrentes, a redução da média da IstoÉ foi menor, caindo apenas 3 mil exemplares (1%).

 

O “CROWDFUNDING”

As análises referentes à circulação do primeiro trimestre de 2016 de jornais e revistas terminaram. Se você achar importante este serviço continuar, por favor me ajude a mantê-lo contribuindo na “vaquinha virtual” no Catarse. Vamos lá! Tem recompensa a partir de 20 “real”. É só clicar aqui e colaborar. De novo, agradeço a ajuda desde já.

Circulação da IstoÉ mantém o padrão das revistas e também cai

Enfim, chegamos, com inegável atraso, ao fim da retrospectiva 2015 dos dados sobre circulação dos principais veículos impressos do Bananão. Por último, ficou a IstoÉ. Um pouco por ter sido a última, a semanal de informação geral da Editoria Três terá um comentário bem curto, apenas umas linhas sobre o gráfico e a tabela abaixo.

20160508_istoe_tabela-grafico_jan-2014_dez-2015

Não há mesmo muito o que comentar, não é? O gráfico fala por si – como suas concorrentes Veja e Época, a IstoÉ sofreu queda significativa em sua circulação: – 5,25%, nível semelhante ao da edição impressa da Veja (-5,57%), mas bem inferior ao da Época (-8,45%). Uma inversão curiosa aconteceu com a IstoÉ e em relação à Veja. Esta teve uma queda menor no subperíodo janeiro-dezembro de 2014 (-0,84%) e maior no subperíodo seguinte (-4,59%), enquanto a semanal da Três teve redução de circulação maior no em 2014 (-4,24%) e menor em 2015 (-0,79%). Nos dois períodos, a Época manteve uma queda forte: – 4,59% (2014) e -3,97% (2015).

A situação futura da IstoÉ, porém, apresenta-se mais vulnerável do que as suas concorrentes. Diferente destas, ela não apresenta uma edição digital. Se isto significa que seu desempenho global foi melhor do que Veja e Época nos dois anos passados, aponta, porém, que as mudanças estruturais a que o mercado de revistas vem passando nos últimos anos podem atingi-la com mais força do que às outras duas.

Bem, antes de finalizar, uma palavrinha sobre a Carta Capital. Esta semanal não entra nos meus cômputos porque sua circulação é muitíssimo inferior a qualquer uma das outras três, girando por volta de 20.500 exemplares. Dessa forma, seu peso dentro do mercado é quase insignificante, não valendo a pena computá-la.

#aGlobodeveserdestruida