Joaquinzão, o protegido

O Joaquim Barbosa é protegido das Organizações Globo. Isso é óbvio (cadê a matéria sobre o apartamento dele em Miami?) e conhecido (é só ler essas matérias do excelente “Diário do Centro do Mundo” – aqui, aqui e aqui – e lembrar daquele prêmio maroto que ele recebeu ano passado) e não vai parar. Por quê? Porque apesar da baixa de popularidade, Dilma ainda pode ser reeleita. E se não o for? Ainda assim pode ser um problema. E se a eleita for a Marina e ela resolver honrar sua história e não compuser com os tucanos e demos, além do PMDB, como está previsto? Como é que vai ficar? Alguém vai ter que tirá-la do Planalto em 2018, certo? Aí essa minha análise continuará valendo, só mudando o nome.

Em tempo: a tal matéria sobre o apê do Joaquinzão em Miami (ô coisa cafona!) saiu na Folha. Como não tinha lido, por estar em viagem, fui dar uma olhada. Pensei que iria estar na primeira página – afinal, era tremenda denúncia contra funcionário público, coisa que o jornal dos Frias adora). Não estava. Procura daqui e dali, eis que a descubro – não era nem manchete de página! Estava escondida no pé. Agora, imagine você se fosse um ministro…

Na cara do gol

A onda de boatos sobre o fim do Bolsa Família, ocorrida no fim de semana, é uma bola rolando na área, com o goleiro batido, para a centroavanta Dilmão. Hoje, ela já dominou e, agora, é só ir à TV e, à guisa de acalmar a galera, reafirmar que jamais terminará um programa que foi criado pelo Nove-Dedos e é tão importante para a população brasileira, que elevou o padrão de visa de “x” milhões de pessoas e blábláblá.

Dessa maneira, seria apenas empurrar pro gol. Se quiser estufar a rede, Dilmão pode acrescentar um alerta, dizendo que, pelo momento que o país vai passar até o fim do ano que vem, boatos envolvendo outros programas do governo – como Minha Casa, Minha Vida, Saúde da Família, ProUni, etc etc etc – podem acontecer, mas que não se acredite neles, pois o governo dela tem um compromisso com a melhoria de vida da população, como tinha o do N-D, e blábláblá.

A oposição e a mídia (e tem diferença?) vão esbravejar? E daí? Eles esbravejam contra tudo de qualquer maneira, mas aí já era. Seria um belo torpedo no momento em que o Aécio vai à TV para tentar convencer a galera de que não é antipobre.

Vendo o potencial destrutivo do fato, bonecos de ventríloquo de sempre, como o Noblat, já começaram hoje a dizer que não interessaria à oposição a disseminação do boato. Como não? Seria perfeito – era ele rolar e, à noite, o Aécio aparecer nos anúncios dizendo que o BF estaria seguro com ele também. Uma beleza. Na verdade, essa parece ter sido a ideia, só que algum estagiário deflagrou o disse-que-disse antes do combinado e o tiro está saindo pela culatra.

Mas não só os tucanos e demos têm a lamentar a boquirrotice. Dilma também deveria passar um pito na Maria do Rosário. Não tinha nada que tuitar acusando claramente a oposição – era deixar que a galera somasse 2 + 2. Apesar dessa escorregada da companheira de time, a presidente tem tudo para entrar com bola e tudo nessa.

Orelhas quentes

Primeiro, o Reinaldo Azevedo, mas esse não conta. Na quinta, foi a vez O Globo dar um um piti na página 3 – afinal, por onde anda a oposição? O esporro dos Marinho ficou por conta de nenhum dos oposicionistas ter ido à tribuna comemorar a inflação de 0,86% em janeiro e essa motivação expõe, claramente, a angústia em que vivem os partidos de oposição.

O que O Globo e os outros membros do partido da imprensa não conseguem entender (ou conseguem, mas não querem nem saber) é que comemorar algo que é ruim para o povo tira votos, não os conquista – e como voto é o que decide eleição… O problema, porém, é ainda mais profundo e eu já escrevi aqui algumas vezes – a oposição política brasileira não tem um projeto de país. Não sabe o que quer para o futuro do Brasil depois que suas antigas crenças (das décadas de 80 e 90 do século passado) foram ultrapassadas pelos fatos externos (crise de 2008 em diante) e internos (avanço econômico do país nos últimos 10 anos).

Como não tem projeto ou ideia de que caminho seguir, tucanos e demos (o PSB ainda não sabe nem se é oposição) ficam à mercê dessas descomposturas escritas absurdas. É, absurdas. Afinal, o que apontam os barões de mídia com as cobranças? Querem um diálogo mais ou menos assim entre o candidato tucano em 2014 e um dos 70 milhões de brasileiros que subiram de classe social na última década:

– Bom dia. Meu nome é Aécio Neves e sou candidato a presidente da República. O senhor/a senhora tem um minuto?
– Se for só um minuto…Estou muito ocupado/a.
– Não, é rapidinho. Gostaria de pedir seu voto. Se for eleito presidente, prometo evitar que o senhor/ a senhora continue a melhorar de vida, cortando os planos de inclusão social do atual governo, afrouxando a vigilância sobre os planos de saúde e empresas de telefonia, aumentando os juros para ajudar os bancos  e liberando as tarifas de energia. Farei muito mais, mas como só tenho um minuto…Posso contar com seu voto?

Sentiu o drama? O Sérgio Guerra, presidente do PSDB, até diagnostica bem na matéria de quinta do Globo: a oposição não consegue mexer no imaginário, nos sonhos dos eleitores – e eleição é vender sonhos. O problema está identificado, mas resolvê-lo é conversa bem diferente. Qualquer que seja a resolução da oposição, porém, uma coisa é certa: ela não pode seguir o caminho indicados pelos veículos de comunicação. Se for trilhado, levará a mais uma derrota ano que vem.

(Últimas) notas eleitorais

Encerrando a série sobre o primeiro turno das eleições municipais, seguem mais quatro pitacos:

1. Tragicômica a luta dos coleguinhas para tapar o sol com a peneira e não admitir que o Nove-Dedos já é um dos vencedores do pleito só pelo fato de ter levado o poste Haddad ao segundo turno em São Paulo. Esse desafio à realidade, porém, está para cair por terra com a iniciativa, que já cheira a desespero, do Estadão de especular que N-D poderia ser réu de um julgamento pós-Mensalão. Se essa ideia prosperar, aí é que o prato da balança vai pender de vez pro Haddad, pois ficará provado que o problema é de luta de classes, não tendo nada a ver com o bom combate pela moralidade pública;

2. E agora, Marta? O Haddad foi pro segundo turno e nem precisou de você. No segundo turno, vai ter que fazer mais em troca da colher de chá ministerial.

3. Quanto tempo ainda vai durar o DEM? Aposto que não chega à Copa das Confederações, em junho do ano que vem. Mesmo se ganhar em Salvador. Afinal, que deputado vai ficar num partido que não tem a menor perspectiva de poder? O máximo que os atuais próceres demos podem fazer é realizar uma retirada organizada, impedindo o estouro da boiada. Aí vem outro problema: ir para onde? Pro PSD, do renegado Kassab? Pro PMDB, sócio do arqui-inimigo PT no governo? Pro PSDB para ser tratado como primo pobre que se acolhe em casa por não ter onde cair morto?

4. Alguém viu a Marina Silva por aí? Se a encontrarem, avisem que o PRB e o Russomano já estão chegando pelo Expresso da Neutralidade.

Tirando a escada

Edificante nota na coluna Panorama Político, do Globo, hoje. O colunista afirma que a oposição usou a demonização como estratégia para vencer as eleições municipais e vê, agora, na reta final, os candidatos petistas avançando e ameaçando os candidatos da oposição, prenunciando o fracasso da iniciativa.

É muita cara-de-pau, né? Quem ditou essa estratégia para tucanos, demos e quejandos foram os próprios veículos de comunicação. Os partidos de oposição, coitados, completamente perdidos por não terem projeto, discurso e nem liderança, simplesmente se agarraram a ela como tábua de salvação.

Agora, que a jogada pode não dar certo, os veículos e os coleguinhas estão puxando a escada e deixando a oposição segurando na broxa. Só que a armação ainda pode funcionar depois do carnaval que haverá com a condenação do Zé Dirceu e do Genoino pelo Joaquinzão – especialmente em São Paulo e BH – e aí os malandros voltarão a enaltecer a demonização

A lição é clara: não se pode confiar em barão da mídia e nem em jornalista. A oposição, porém, claro não vai aprendê-la.

Farsa midiática

A senadora Kátia Abreu disse que os membros da CPI do Cachoeira estavam sendo feitos de palhaços por um chefe de quadrilha. É opinião de peso. Afinal, como líder da bancada ruralista, ex-prócer do DEM e atual líder do PSD, de quadrilha a senadora entende muito.

A par disso, não se pode discutir o direito de Carlinhos Cachoeira de ficar calado. Os congressistas sabiam que ele não falaria, exercendo um direito que lhe é concedido pela Constituição, que os parlamentares juraram defender – aliás, em toda Constituição de país civilizado garante esse direito. Ele até avisou, por meio de seus advogados, que ficaria mudo. Quando levaram o malandro para depor, o que os deputados e senadores queriam eram holofotes e os conseguiram, graciosamente cedidos pelos veículos de comunicação.

Tá ficando divertido…

O pau começa a comer na casa de Noca. Depois do Globo (na defesa da Veja e cheio de indiretas), foi a vez do Diário de Natal, do grupo Diários Associados, baixar o cacete na Carta Capital, em defesa do demo Agripino Maia, acusado pela revista de maracutaia nessa matéria aqui. Mino Carta, em editorial, desancou o jornal dos Marinho (aqui), enquanto Leandro Fortes detona Allan Darlyson, o coleguinha potiguar na própria matéria do C-se (aqui).

É o seguinte: eu faço a pipoca, arranjo os tremoços e encomendo o frango á passarinho. Quem leva as cervas e os refris? É bom fazer um bom estoque porque esse UFC jornalístico promete!