A circulação da Época e “crowdfunding”

Nesta semana, a análise de circulação será revista semanal do Grupo Globo, a Época, enfocando o primeiro trimestre deste ano, em relação aos primeiro e quarto períodos trimestrais de 2015. Antes, porém, pausa para uma autopromoção. Para manter este serviço, que antes era 0800 graças a uma fonte, preciso pagar. Para recolher fundos, abri uma campanha de “crowdfunding” no Catarse. Se você gostar da que vai ler e achar a manutenção deste serviço importante, é só clicar aqui e contribuir com qualquer quantia até 29 de setembro. Desde já, fico muito grato.

Agora, aos números da Época. O primeiro ponto a ser observado é que a semanal dos Marinho, diferente da Veja, não apresenta assinaturas híbridas (digitais+papel), o que facilita a análise e deixa a nu a irrelevância da circulação digital da revista, que não chega a 2.500 em meio a uma circulação total de mais de 360 mil exemplares. Desta forma, as análises da semanal dos Marinho é bem mais curta do que dos veículos já estudados (que bom, hein?). Por este fato também os pares tabelas/gráficos vão seguidos um do outro e analisados em conjunto.

 

Circulacao_Epoca_1tri_2016-4tri_2015.jpg

 

Circulacao Epoca 1tri_2016-1tri_2015
1. A comparação entre os meses extremos do período de seis meses entre outubro e março (primeiro par tabela-gráfico), aponta uma queda de 1,2% na circulação, indicando estabilidade na circulação geral, o que está em linha com o que aconteceu em todas as publicações impressas, em maior ou menor grau.

2. Já na comparação entre os primeiros trimestres de 2015 e 2016 (segundo par tabela-gráfico), há uma diferença mais notável. Entre janeiro e março do ano passado, a circulação da Época cresceu 1,5%, enquanto apresentou uma pequena queda de 0,3% no mesmo período deste ano.

3. O resultado acima seria melhor se a comparação entre os meses de janeiro não apresentasse uma queda de 4%, indicando uma mudança de patamar (para baixo) da circulação na virada do ano, com uma queda de 5,5% entre dezembro e janeiro.

4. Este fato não é incomum, dado que estes são meses de férias e de pagamento de contas anuais e aquelas contraídas por conta das Festas. O problema mesmo é que a recuperação não chegou com um nível que se poderia esperar, fazendo com que a tendência de queda se mantivesse, embora em níveis menores, mas, ainda assim, invertendo a tendência demonstrada entre janeiro e março de 2015.

5. O grande problema da Época, porém, é mesmo sua fraquíssima inserção digital, que chega a merecer mesmo a qualificação de ridícula. Ela é muito perigosa para a longevidade da publicação, pois ela praticamente não tem presença na mídia digital (internet ou apps) que é para onde caminha o meio revista.
O “CROWDFUNDING”

Gostou da análise? Acha importante a sociedade ter acesso a estes números? Então por favor me ajude a manter o serviço contribuindo na “vaquinha virtual” no Catarse. Vamos lá! Tem recompensa a partir de 20 “real”. É só clicar aqui e colaborar. De novo, agradeço a ajuda desde já.

A circulação da Veja e o “crowdfunding”

Na série sobre o desempenho da circulação dos veículos impressos no primeiro trimestre de 2016, chegou a vez das revistas, começando pela de maior circulação, a Veja. Mas antes de ir aos números e gráficos, mais uma vez lembro da campanha de “crowdfunding” que pus no Catarse, visando manter este serviço que minha fonte no IVC se foi. A campanha entra em seu último mês (termina em 29 de setembro) e, não vou lhe enganar, não vai muito bem, precisando ainda de muita força. Se você puder colaborar, com qualquer quantia que seja, vai ser de grande ajuda. Se quiser conhecer mais do projeto e dar uma força, é só clicar aqui.

Bem, agora vamos aos números da revista que é o carro-chefe, tanque de guerra e pé-de-cabra de cofre público dos Civita.

 

20160828_veja_3tri-2015_1tri-2016



Analisando o primeiro par tabela/gráfico, temos o seguinte (atenção: todos os números se referem à média de circulação das edições de cada mês do período, ou seja, a quatro ou cinco edições mensais e não apenas a uma edição específica):

1. Comparando os meses extremos do período (outubro/2015 com março/2016), temos que houve um decréscimo na circulação total de 3,5%, com uma queda equilibrada nos três tipos de edição (impressa, híbrida e digital): 3,6% (impressa), 3% (híbrida) e 3,5% (digital).

2. Na comparação do primeiro subperíodo de três meses (outubro-dezembro de 2015), a circulação geral caiu bem menos do que no período inteiro, apenas 1,4%, graças a um acréscimo na edição híbrida (de 1,2%) e reduções menores nas edições impressa (-1,8%) e digital (-2,1%).

3. No primeiro trimestre de 2016, no entanto, houve uma reversão forte na edição híbrida, que passou ao campo negativo de maneira muito forte, caindo 3%. Esta reversão impediu os Civita de comemorar uma maior melhoria geral na circulação, que subiu 0,2%, graças à edição impressa que reverteu o resultado, crescendo 0,8% no período, enquanto a digital caía 0,9%, ainda assim em ritmo menor do que no trimestre anterior.

4. Na comparação entre os dois últimos trimestres, pode-se observar que a circulação da Veja vem mostrando uma certa tendência à estabilidade, com o que parece ser uma decisão dos leitores fiéis à quase cinquentenária publicação de definir-se pela edição impressa (em sua maioria) ou pela digital, abrindo mão da possibilidade de ler a revista em dois formatos.

Veja: 1tri-2015_1tri-2016


Passando à comparação de um período maior – 1º trimestre de 2015 com o mesmo período de 2016 -, temos:
1. No confronto entre o subperíodo entre janeiro e março de 2015 e o de janeiro-março de 2016 (já visto no item 3 acima), vemos que houve um crescimento na circulação total de 1% em janeiro-março/2015 (contra um de 0,2% no mesmo período do ano seguinte), com bom desempenho da edição digital (2,6%), acompanhada com mais modestos, na mesma direção, das edições híbrida (1,4%) e impressa (0,9%).

2. Estas boas notícias para os Civita, porém, perderam-se ao longo do ano, como se vê na comparação entre os meses extremos dos dois trimestres. Há uma queda importante, de 5,7%, na circulação geral na comparação entre março de 2015 e o mesmo mês deste ano. Esta redução foi puxada pelo mau desempenho da edição impressa que caiu 7,2% entre os dois meses de março, o que tornou vãos o ótimo desemprenho da edição digital (+ 6,3%) e o bom da edição híbrida (+ 3,1%).

3. Importante observar que a edição impressa da Veja caiu do patamar de 1 milhão de exemplares na passagem de 2015 para 2016. Esta mudança de patamar já acontecera em meados de 2015, mas houver um retorno ao anterior rapidamente, o que não aconteceu em 2016 – no primeiro trimestre do ano, a circulação impressa manteve-se mais de 50 mil exemplares abaixo do milhão de exemplares.
Podemos observar, pelos números acima, que a circulação geral da Veja apresentou uma leve melhora nos primeiros três meses de 2016, num movimento que ainda é necessário observar se é consistente – o que se verá apenas acompanhando mais dois trimestres. Esta ligeira recuperação, porém, ainda está longe de apontar um retorno nem mesmo a 2015, um patamar histórico já baixo para a publicação. Isto ocorre porque o principal motor da circulação, a edição impressa, caiu abaixo de 1 milhão de exemplares e não demonstra força para retomar o antigo desempenho.

O “CROWDFUNDING”

Se você gostou desta análise e quer ver outras, por favor, me ajude a manter o serviço contribuindo na “vaquinha virtual” no Catarse. Vamos lá! Tem recompensa a partir de 20 “real”. É só clicar aqui e colaborar. Agradeço a ajuda desde já.

A circulação do Globo e o “crowdfunding”

Nesta semana analisarei os números de circulação de O Globo. O esquema é o mesmo: comparação entre os dois últimos trimestres e entre os primeiros trimestres de 2015 e 2016. E também se mantém o aviso/pedido: ainda está aberto o “crowdfunding” para que eu consiga manter este serviço. Se você quiser apoiar, clique aqui – qualquer quantia será recebida com muita gratidão.

Agora, aos números.

201608_O-globo_tabela-grafico_3tri2015x1tri2016



1. O primeiro par tabela/gráfico mostra que o jornal dos Marinho teve um desempenho bem melhor que seus concorrentes paulistas nos seis meses compreendidos entre outubro de 2015 e março de 2016. Enquanto a circulação total média, de segunda a domingo, do Estado de São Paulo caiu 5,9% e a da Folha, 3,7%, a do Globo ficou praticamente estável (- 0,3%) – de 295.687 para 294.932.

2. Olhando-se mais de perto, por tipo de edição, a digital foi a que assegurou essa estabilidade – invejável no momento atual da imprensa brasileira -, com um crescimento de 10,4%, entre outubro e março (de 61.095 para 67.458), embora já mostrando desaceleração de um trimestre para o outro (de 8,7% para 5%).

3. A edição impressa, se não apresentou estabilidade total, teve uma queda bem pequena no período de seis meses, de menos 2% (de 186.494 para 182.749), bem abaixo da elevação da Folha (1,7%) e próxima à queda do Estadão no período (3,1%). No entanto, ao contrário da digital, a circulação apresentou pequena aceleração de um semestre para outro – de 0%, entre outubro e dezembro, para mais 1,4%, no trimestre seguinte, o que a faz seguir mais de perto a da Folha, no total do período.

4. As assinaturas híbridas (digital+papel) do diário carioca apresentaram um comportamento errático no período estudado. Depois de elevação de 6,5% no trimestre entre outubro e dezembro de 2015 (de 48.098 para 51.214), este tipo de assinatura amargou uma queda de 13,7% (51.801 para 44.725), levando a variação em seis meses a ser negativa em 7%. O desempenho ficou bem abaixo do crescimento da Folha no período (4,8%), mas ainda bem distante da desastrosa queda de 22,4% do Estadão.

 

Vamos, agora, confrontar o desempenho da circulação do Globo nos primeiros três meses de 2015 com o mesmo período de 2016.

O Globo - 1tri-2015x1tri-2016

1. Considerando-se o total da circulação, o jornal carioca apresentou um desempenho bem melhor do que seus concorrentes paulistas, mas, ainda assim, longe de ser confortável. O diário da Irineu Marinho apresentou queda de 8,8% (321.919 para 294.932), na comparação entre março de 2015 e o mesmo mês deste ano, enquanto os números da Folha e do Estado foram, respectivamente, de 15,2% e 16,2%.
2. O problema do jornal dos Marinho é que somente a circulação digital tem aumentado (0,5% no primeiro tri de 2015 e de 4,9% em igual período de 2016), num total de 3,3% de março contra março. Enquanto isso, a circulação impressa caiu de 9,4% (março contra março) e a híbrida, de 17,5%. Assim, a queda, em números absolutos, considerando os dois meses extremos do período foi de 321.919 para 294.932.
3. No comparativo de circulação total de trimestre contra trimestre, no primeiro de 2015, houve uma aceleração de 0,2%, contra uma outra de 0,5% no mesmo período deste ano. Estas duas acelerações combinadas, porém, não foram capazes de inverter a queda geral ocorrida no ano de 2015.

Os dados mostram que, como seus concorrentes paulistas, O Globo alcançou uma estabilidade, nos primeiros meses de 2016, num patamar bem abaixo da circulação de 2015. A edição digital até vem tendo um bom desempenho, mas as reduções nas circulações impressas e, principalmente, híbrida jogam para baixo o total. Assim, a reversão deste quadro só ocorrerá com uma aceleração maior das assinaturas digitais, algo que parece estar um tanto distante.

O “CROWDFUNDING”

Se você gostou desta análise e quer ver outras, por favor, me ajude a manter o serviço contribuindo na “vaquinha virtual” no Catarse. Vamos lá! Tem recompensa a partir de 20 “real”. É só clicar aqui e colaborar. Agradeço a ajuda desde já.

O “crowdfunding” e o IVC da Folha

Nesta semana, prosseguindo a análise dos números do IVC dos principais meios de comunicação impressos do país, vamos aos resultados da Folha de São Paulo. Antes, porém, um minuto para os nossos comerciais.

A campanha de “crowdfunding” para a manutenção deste serviço continua aberta. Agora que não disponho mais da fonte que fornecia os dados “de grátis”, precisarei pagar por eles e, para isso, preciso de sua ajuda. No momento, o projeto possui seis apoiadores – a quem agradeço de todo o coração -, mas há necessidade de muitos mais. Há tempo ainda, pois a campanha só termina em 29 de setembro. Para colaborar om qualquer quantia, é só clicar aqui. Conto com sua ajuda!

Então, vamos aos números do jornal dos Frias.

20160814_folha_3tri2015_1tri2016
1. O primeiro par tabela/gráfico 1 (4º tri/2015 x 1ºtri/2016) demonstra uma queda
na circulação total de 3,7%% (de 320.230, em outubro/2015, para 308.251, em março deste ano), na média de segunda a domingo bem menor do que o de seu concorrente direto no mercado, o Estadão, cuja redução chegou a 5,9%

2. A queda foi puxada pela edição digital, com uma redução de 9,5% (97.028 para 87.778) diferindo frontalmente com o Estado, cuja assinatura da edição digital cresceu 5,7% no período observado.

3. Por outro lado, as assinaturas híbridas do jornal dos Frias cresceram 4,8% (de 46.033 para 48.237) na comparação do último trimestre de 2015 para o primeiro de 2016, também contrastando com o mesmo tipo de assinatura do jornal dos Mesquita, que teve uma estrondosa queda de 22,4% no período.

4. Também há desacordo nos números entre os dados de circulação dos dois jornais paulistas é quanto à circulação impressa. Enquanto, no caso da Folha, ela subiu 1,7% (169.390 para 172.236), no Estadão, ela caiu 3,1%.
O segundo par tabela/gráfico mostra o confronto entre os dados dos primeiros três meses de 2015 com os do mesmo período deste ano.

20160814_folha_1tri2015_1tri2016

1. A comparação entre os primeiros trimestres dos dois últimos anos reforça a ideia de que há uma estabilidade na base de assinantes da Folha. Enquanto no período, em 2015, houve uma redução da base geral de 0,5% (365.428 para 363.582), em 2016, este percentual foi de apenas 0, 1% (308.596 para 308.251).

2. No entanto, esta estabilidade está sendo obtida num patamar muito mais baixo na comparação com o início de 2015. Assim, em março de 2015, a circulação média total da Folha era de 363.582, mas caiu para 308.251, um ano depois, redução de 15,2%.
3. Nas assinaturas digitais, houve uma aceleração na perda de leitores de -2,7%, no primeiro tri de 2015 (102.894 para 100.029) para -9,5%, no mesmo período deste ano (item 2 referente ao primeiro par tabela/gráfico, acima).

4. Nas assinaturas de jornal impresso, porém, a Folha conseguiu uma reversão. De uma redução de 0,9% nos primeiros três meses de 2015 (de 204.229 para 202.468), o jornal do Frias obteve um crescimento de 1,7%, no mesmo período deste ano, conforme o item 4 da análise do primeiro par tabela/gráfico.

5. Já nas assinaturas híbridas, um fenômeno interessante. Houve aumento na circulação nos primeiros trimestres tanto de 2015 quanto de 2016, e até uma aceleração no mesmo sentido neste ano (elevação de 4,8%, em 2015, e de 6%, em 2016), mas estes percentuais são enganosos. É houve uma enorme queda na base de assinantes deste segmento: em janeiro de 2015, ele era de 58.305, caindo 21,9% no mesmo mês deste ano (para 45.497). O resultado é que, em março do ano passado, o número de assinaturas era de 61.085, mas, no mesmo mês de 2016, era de 48.237, ou seja, menos 21%. Assim, foi este segmento o grande responsável pela queda de 15,2% no patamar geral apontada no item 2 acima.

De todos estes dados, pode-se deduzir que a Folha estabilizou seu número de assinantes gerais, mas num patamar muito abaixo do que estava há pouco mais de um ano. Também pode-se observar que o jornal tem encontrado ainda maior dificuldade de fazer a migração para o digital do que seu concorrente direto, o que não deixa de ser surpreendente dado o marketing da Folha basear-se, há décadas, na contraposição de sua modernidade com o conservadorismo do Estadão.

O “CROWDFUNDING

Bem, e aí? Legal? Gostou das análises? Então me ajude a mantê-la contribuindo na “vaquinha virtual” no Catarse. Vamos lá! Tem recompensa a partir de 20 “real”. É só clicar aqui e colaborar. Novamente agradeço a ajuda.

A circulação do Estadão e o “crowdfunding” no Catarse

Alguns amigos e amigas, que acompanham a Coleguinhas há alguns anos e apoiam a campanha de “crowdfunding” que lancei no Catarse , sugeriram que eu explicasse o que são os números do Instituto de Verificador de Circulação (IVC) e a importância da manutenção de seu acompanhamento por alguém independente dos veículos de comunicação. Dessa forma, argumentaram, quem não é jornalista entenderia a questão e se disporia ajudar. Bem, vou fazer melhor- em vez de explicar, mostrarei um exemplo real. Assim, vamos à análise dos dados do primeiro trimestre da circulação d’O Estado de São Paulo.
Os dados vão ser agrupados de duas maneiras, visando confrontar a variação da circulação do jornal dos Mesquita. Na primeira dupla tabela/gráfico, abaixo, estão os dados comparando a circulação do último trimestre de 2015 com o primeiro tri de 2016; no segundo par, está a comparação entre o primeiro tri de 2015 com o mesmo período deste ano. Ao fim de tudo, vem análise.
Então, vamos lá.

 

Gráfico 1

20160807_grafico_tabela_estadao_3tri2015-1tri2016

 

Gráfico 2

Gráfico Estadão - 1tri-2105x1tri-2016

 

1. O par tabela/gráfico 1 (4º tri/2015 x 1ºtri/2016) indica que a circulação do Estadão sofreu um queda na passagem do ano, com redução de uma média de circulação total de 221.103 exemplares para 208.034 (- 5,9%).

2. A redução foi puxada pelas assinaturas híbridas (digital mais impresso), com – 22,4%, enquanto as digitais puras reduziram 4,9% e as assinatura impressas tenderam à estabilidade, com 3,1%.

3. O segundo par tabela/gráfico mostra que a situação do Estadão deteriorou-se de um ano para cá, com uma queda na circulação total de 16,2%, mas que pode estar chegando a um momento de estabilidade, pois a redução na comparação de trimestres separados por 12 meses foi cerca de três vezes maior que a queda entre os trimestres consecutivos.

4. A boa notícia – a única do levantamento – para o jornal dos Mesquita vem das assinaturas digitais, que, no comparativo entre os primeiros trimestres de 2015 e 2016 apontou uma elevação de 5,7% no número médio desta forma de assinaturas.

5. O desempenho razoável das assinaturas digitais, porém, nem de longe foi capaz de fazer frente à queda das assinaturas impressas, de – 11,6% no confronto entre os dois primeiros semestres dos dois anos, e à desastrosa performance das assinaturas híbridas, que reduziram à metade (menos 51,3%) em um ano.

6. Os números demonstram que o Estadão até vai bem na obtenção de assinaturas digitais, mas não foi capaz de deter a sangria do número de leitores, que abandonaram dm grande número no último ano. O consolo dos Mesquita é que o desempenho dos dois últimos trimestres parece demonstrar que a velocidade da queda reduziu-se, embora a redução não tenha parado.

O “CROWDFUNDING”

Então, gostou? É este serviço que me proponho a manter, se você me ajudar contribuindo na “vaquinha virtual” que iniciei no Catarse semana passada e se estende até 29 de setembro. Vamos lá! Tem recompensa a partir de 20 “real”. É só clicar aqui e colaborar. Desde já, agradeço a ajuda.

Circulação da IstoÉ mantém o padrão das revistas e também cai

Enfim, chegamos, com inegável atraso, ao fim da retrospectiva 2015 dos dados sobre circulação dos principais veículos impressos do Bananão. Por último, ficou a IstoÉ. Um pouco por ter sido a última, a semanal de informação geral da Editoria Três terá um comentário bem curto, apenas umas linhas sobre o gráfico e a tabela abaixo.

20160508_istoe_tabela-grafico_jan-2014_dez-2015

Não há mesmo muito o que comentar, não é? O gráfico fala por si – como suas concorrentes Veja e Época, a IstoÉ sofreu queda significativa em sua circulação: – 5,25%, nível semelhante ao da edição impressa da Veja (-5,57%), mas bem inferior ao da Época (-8,45%). Uma inversão curiosa aconteceu com a IstoÉ e em relação à Veja. Esta teve uma queda menor no subperíodo janeiro-dezembro de 2014 (-0,84%) e maior no subperíodo seguinte (-4,59%), enquanto a semanal da Três teve redução de circulação maior no em 2014 (-4,24%) e menor em 2015 (-0,79%). Nos dois períodos, a Época manteve uma queda forte: – 4,59% (2014) e -3,97% (2015).

A situação futura da IstoÉ, porém, apresenta-se mais vulnerável do que as suas concorrentes. Diferente destas, ela não apresenta uma edição digital. Se isto significa que seu desempenho global foi melhor do que Veja e Época nos dois anos passados, aponta, porém, que as mudanças estruturais a que o mercado de revistas vem passando nos últimos anos podem atingi-la com mais força do que às outras duas.

Bem, antes de finalizar, uma palavrinha sobre a Carta Capital. Esta semanal não entra nos meus cômputos porque sua circulação é muitíssimo inferior a qualquer uma das outras três, girando por volta de 20.500 exemplares. Dessa forma, seu peso dentro do mercado é quase insignificante, não valendo a pena computá-la.

#aGlobodeveserdestruida

Circulação da Época segue ladeira abaixo

Depois de alguns desvios, eis que volto aos meus queridos números, tabelas e gráficos. O retorno se dá pela Época, a semanal do Grupo Globo, cujo resultado não surpreende: como sua concorrente Veja, a queda na circulação, entre janeiro de 2014 e dezembro de 2015, é notável, como se pode ver no conjunto gráfico- tabela abaixo.

 

20160501_tabela_grafico_epoca_jan-14_dez_15_variacao_total

 

Em termos absolutos, o tombo atingiu 33.765 exemplares no período observado, o equivalente a 8,5% da circulação total. No subperíodo compreendido entre janeiro e dezembro de 2014, a retração total atingiu 4,56%, enquanto no mesmo período do ano seguinte houve uma leve desaceleração da queda, para 4,07%.

Na aproximação em que se dividem as edições impressa e digital, temos o gráfico e a tabela abaixo.

20160501_tabela_grafico_epoca_jan-14_dez_15
Pelo exposto, observa-se que a redução na circulação da edição impressa, no período janeiro-2014 a dezembro de 2015, chegou a 8,45% (33.326 exemplares). O comportamento nos dois subperíodos seguiu o padrão da circulação geral, com a redução sendo maior no período janeiro-2014/dezembro-2015 (4,59%) do que no seguinte (3,97%).

No que tange à edição digital, a queda geral foi bem mais acentuada, chegando, no período todo, a 17,52%. Observa-se, porém, uma leve elevação de 0,52% na circulação nos primeiros 12 meses do período estudado, mais do que compensado pela queda de 19,3% no período entre janeiro e dezembro de 2015. Esta muito significativa queda, porém, afetou pouco o resultado geral, pois do total da circulação da Época, a edição digital contabilizou apenas entre 0,63% (janeiro de 2014) e 0,57% (em dezembro de 2015).
Esta irrelevância da edição digital no total da circulação da semanal do Grupo Globo é o que mais salta aos olhos e causa estranheza. De maneira bem diferente da Abril, a Editora Globo não parece preocupada em migrar leitores da Época do impresso para o digital, não tendo realizado nenhum esforço nem mesmo para vincular uma edição à outra, pois sequer há uma opção de assinatura conjunta (ou, ao menos, não é contabilizada no IVC).

Desta forma, parece que a Época existe apenas para marcar a posição do Grupo Globo no mercado, embora este seja bastante reduzido (a soma da circulação da Veja com a Época não atinge 1,5 milhão de exemplares, que, mesmo somados aos da IstoÉ, não atinge os 2 milhões) e o custo de produção e distribuição de uma semanal seja considerável. Ainda que com o retorno maciço do dinheiro público, por meio da publicidade que deverá retornar num eventual governo Temer, ainda assim a Época deverá dar ainda um considerável prejuízo ao Grupo Globo.

Um outro ponto interessante observado no gráfico de circulação da Época é a queda abrupta ocorrida entre junho e julho de 2015. A redução foi de 2,61% (9.987 exemplares, em números absolutos), expressiva por si só, para o período de apenas um mês, mas que ganha relevo por ter interrompido uma elevação na circulação que a levara novamente a superar os 380 mil exemplares em fevereiro, o que não ocorria desde setembro de 2014. Até onde se pôde averiguar, essa queda se deu quando a revista assumiu uma atitude mais agressiva no processo de desestabilização do governo Dilma Rousseff, que sempre fora mais discreta do que a da Veja.