Sobe e desce: mídia no Brasil, 2007-2017

Este é um pequeno estudo sobre a variação do número de empresas ligadas à informação, com 20 ou mais pessoas ocupadas, nos últimos 11 anos e é fruto de minha primeira exploração do manancial de dados do Sistema IBGE de Recuperação Automática (Sidra). Engloba rádios, TVs (aberta e fechada), agências de notícias, editoras de livros, jornais e revistas – neste último caso, a lista estatística do IBGE não faz uma desagregação, apesar da lista da Classificação Nacional de Análises Econômicas (CNAE) do próprio IBGE fazer essa diferenciação no Grupo 58.1, da Divisão 58, da Seção J (Informação e Comunicação).

Os gráficos e a tabela, montados com base nas tabelas da Pesquisa Anual de Serviços, são estes e as observações vão embaixo.

  1. Os “anos incríveis” para a mídia brasileira foram de 2012 a 2014, com o pico em 2013, quando o número de empresas que empregavam 20 ou mais pessoas chegou a 1.100, um aumento de 31,9% em relação a 2007.
  2. Neste subperíodo, o maior salto percentual aconteceu entre agências de notícias/outros – o que engloba os sites: 74 para 124, um salto de 67,6% desde 2011, subperíodo em que a participação do setor subiu de 7% para 12% do total.
  3. Em termos absolutos, o rádio teve o maior crescimento, com 35 empresas abertas até 2013, mas sua participação oscilou 1 ponto percentual para baixo no subperíodo.
  4. A queda do número de empresas de rádio, porém, foi abrupto. Se em 2013, contavam-se 507, um ano depois não passavam de 461, menos 9,1%, o que fez a participação do setor no total cair 3 p.p. No final do período inteiro, a queda foi de 11 p.p. (50%, em 2007, para 39%, onze anos depois).
  5. Em termos de participação no total, o desempenho das editoras, no subperíodo 2007-2014, foi significativo, saindo 15%, em 2007, para 21%, em 2014, permanecendo no patamar até 2017.
  6. Também observando-se o período inteiro (2007-2017), houve um crescimento geral de 11,7%, (834 para 932), com destaque para agências de notícias e outros, que mais do que dobraram seu número – 53 para 126, 137,7% a mais, o que aumentou a participação do setor no total em 8 p.p. (de 6% para 14%).
  7. O número de editoras – que, como vimos, engloba livros, jornais e revistas – também teve crescimento significativo no período (54,8%), com a elevação na participação total de 6 p.p.
  8. O meio TV apresentou comportamentos diferentes. Enquanto a TV por Assinatura mantinha participação constante de 2%, com o aumento de apenas 5 empresas no período todo, a TV Aberta caiu 6 p.p. no subperíodo 2007-2013 – de 27% para 21% -, recuperando-se gradativamente até atingir 24%, em 2017, retornando ao patamar de 2008.
  9. A provável causa para o crescimento do total de empresas no subperíodo 2007-2014 foi a Copa do Mundo. O indicativo mais forte da correção dessa hipótese é que o processo se inicia em 2008, um ano após o país ter sido escolhido pela Fifa (30/10/2007).
  10. O primeiro setor a reagir foi o de publicações impressas, cuja participação subiu 4 p.p. (15% para 19%) entre 2007 e 2009, tendo elevação incremental a partir daí, até atingir 21%, em 2016 e 2017.
  11. Agências de notícias/outros demoraram mais para avançar no mesmo ritmo, só o fazendo de 2011/2015, passando de 7% de participação para 12%. Este crescimento deveu-se, fundamentalmente à ampliação do acesso à internet, ocorrido no período, como mostra esta tabela.
  12. A redução de 28,8% no número de rádios no país, acabou por ser a maior responsável pela queda de 15,3% no total de empresas de mídia, do pico de 2013 até 2017, mas não foi a única. Todos os setores apresentaram redução, causada, muito provavelmente, pela crise econômica.

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