A volta da numeralha favorita: o Digital News Report-2019 (I)

Redes sociais e desinformação no foco

Depois de muito preguiçar, finalmente venci a letargia e me debrucei sobre o Digital News Report de 2019, lançado em junho pelo Reuters Institute. É a oitava edição do levantamento, que dessa vez ouviu, por e-mail ou em pessoa, 75 mil pessoas de 38 países, incluindo o Brasil. Antes de falar daqui, vamos às constatações chaves da pesquisa em nível mundial (com alguns toques sobre o que ocorre aqui) – serei curto e grosso porque, falando francamente, ainda estou um tanto sem saco. Mas vamos lá.

  1. O setor de mídia bem que tem tentado, mas a galera continua pouco a fim de pagar por informação no ambiente digital, seja por assinatura, associação ou doação – a média mundial é de 13% de assinantes, com pico na Noruega e Suécia, com 34% e 27% de pagadores, respectivamente. O Brasil até que não está mal na fita, com 22%, percentual superior, por exemplo, aos EUA (16%), Reino Unido (9%), Portugal (7%) e Argentina (8%).
  2. Como a vida a vida não está fácil pra ninguém em lugar nenhum, o pessoal tem preferido usar seu suado dinheirinho separado para o lazer pagando assinaturas de Spotify, Apple Music ou Netflix do que com notícias, consideradas, no geral, um pé-no-saco. Assim, se tivessem que escolher apenas uma assinatura para fazer, 37% dos respondentes ficariam com vídeo on-line (Netlix, Prime Video, HBO Go…), 15% com app de música e apenas 7% com veículos de notícias on line.
  3. Outra má notícia para os meios tradicionais é que o smartphone está se tornando rapidamente o primeiro meio de contato com as notícias no Reino Unido e nos EUA, tendo inclusive passado a TV no primeiro mercado (28% a 27%) e crescido 6 pontos percentuais (17% para 23%) desde 2016, enquanto a TV caía 3 p.p. (36% para 33%) no mesmo período.
  4. Quando se olha apenas para os meios digitais de acesso às notícias (computador, tablet e smartphone), aí o celular é rei – dois terços dos pesquisados acessaram as novas por ele na semana anterior à pesquisa e 49% o têm como meio preferido para saber o que vai por este mundão de Deus.
  5. Como seria de se esperar, com o crescimento do uso do celular para acessar notícias, as redes sociais foram atrás. Na média de 12 mercados, o Facebook tem 36% deste nicho, mas sofreu um leve decréscimo com as mudanças no algoritmo, ocorridas em fevereiro de 2018. O zap vem crescido seguramente, chegando a 16%, contra 10% do Twitter, que está sendo ameaçado pelo Instagram (9%) – se este passar o passarinho azul, Mister Zuck será o czar das notícias via redes sociais, pois será dono dos três principais pontos de acesso neste mercado.
  6. Se você tem impressão de que mais do que 16% usam o zap como fonte de notícias, está certo/a. No Brasil, esse número é mais do que o triplo – 53% dos 2013 entrevistados no país usaram o aplicativo como fonte de notícias na semana anterior à pesquisa (realizada entre fim de janeiro e começo de fevereiro de 2019), com crescimento de 5 p.p. em relação ao ano anterior. É o maior percentual do mundo, superando Malásia (50%) e África do Sul (49%). O face, porém, está no mesmo patamar, com 54%.
  7. O zap é fundamental para obtenção de notícias em países onde o fornecimento de notícias confiáveis são restritos e as instituições públicas, frágeis, o que inclui os três citados e ainda Argentina, Chile, México, Índia, Turquia e Romênia.
  8. Em termos mundiais, 51% dos usuários do Facebook participam de grupos públicos, mas apenas 14% são sobre notícias ou política. No Brasil, porém, o percentual sobe para 22%.
  1. O percentual que discute política e notícias no zap no Brasil é parecido, 18%, mas nada menos do que 58% participam de grupos com pessoas que não conhecem, contra 12% entre os britânicos por exemplo. Obviamente, isso facilita a difusão de notícias falsas.
  2. Um último ponto (neste primeiro texto) verificado pelo DNR-2019: quem usa os grupos do zap e do Facebook por qualquer motivo confia menos na mídia e tende a postar notícias de sites militantes.

Por enquanto é só. Depois, volto com mais descobertas do DNR-2019. Enquanto isso, se quiser explorar a pesquisa, pode acessá-la aqui .

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