Os deputados e os veículos de comunicação – I (Fontes principais)

Desde 2008, a FSB, uma das maiores agências de comunicação e lobby do Brasil, realiza pesquisa visando saber a relação que deputados têm com a mídia e como esta influencia (ou deixa de influenciar) suas decisões. Como é um levantamento algo extenso, vou dividi-lo e apresentá-lo ao longo das próximas semanas, como já fiz com outras pesquisas, ok? Para quem quiser meter a mão nos dados logo, pode fazê-lo aqui.

Primeiro, por uma questão de princípios (hahaha), vamos aos pontos metodológicos básicos:

1. O universo abrange apenas os deputados federais.
2. Foram ouvidos 230 parlamentares de 26 partidos, nos dias 8 e 9 de março.
3. A escolha foi aleatória, mas observou-se a proporcionalidade das bancadas.
4. Partidos com apenas um representante não fazem parte da amostra por permitirem a identificação dos respondentes.
5. Por internet, o levantamento entende mídias sociais, blogs e sites.

Sigamos então, começando com o ponto um do levantamento (vou usar a mesma ordem do estudo): por quais meios os nobres parlamentares se informam?

relatorio_midia_e_politica_fsb_2016_14_16-I
Análise
1. Não é preciso ser um grande observador para perceber a queda impressionante da leitura de jornais nos anos nove anos em que existe o levantamento. O índice foi de 70% (2008) para 43% (2016), tom o de 27 pontos percentuais. O processo foi de reduções grandes, com pequenas recuperações, seguidas de reduções ainda maiores, configurando uma tendência para um processo que não se sabe se já chegou ao fim ou mesmo estabilizou-se.

2. Em oposição, a internet cresceu 19 p.p. em nove anos, mas observe-se que o crescimento vinha de maneira quase uniforme até 2011, quando houve um salto (de 23% para 34%), seguida de uma queda para o patamar anterior (28%), novo salto em 2014 (41%, patamar superior ao do salto anterior), seguido de queda em 2015 e 2016 (para o patamar de 2012). Observe-se também, porém, que o levantamento foi realizado em início de março, antes do processo de golpe de estado parlamentar e da ascensão do regime golpista. Assim, deve-se esperar para ver o efeito (ou falta dele) dessa mudança política no acesso à internet.

3. Os telejornais dobraram sua penetração entre os parlamentares entre 2015 e 2016, saindo de 8% para 16% de acesso, o maior índice de todo o levantamento. Este desempenho pode ter afetado o da internet e o dos jornais, mas este fato não fica claro na pesquisa. No geral dos nove anos, houve um ligeiro acréscimo de acesso de 4 p.p.

4. Destaque também para a performance do rádio nos últimos anos. De um acesso irrisório de 1% em 2014 (o ponto mais baixo no levantamento), após quedas seguidas em 2012 e 2013, o meio obteve uma recuperação excelente, chegando a 6% em 2016, o maior do levantamento. Como no caso da internet (e também dos telejornais), resta ver se o desempenho se mantém ao longo do ano.

5. O meio revista também surpreende, só que negativamente – e muito. No levantamento referente a 2016, nenhum dos 230 entrevistados lê revistas. Como nos outros casos, há se dar um desconto para o fato de o período abranger apenas os três primeiros meses do ano, mas, olhando-se os percentuais a partir de 2014, fica bem clara a queda de prestígio do meio, que só teve 1% de penetração em 2014 e 2015. Certamente não por coincidência foi a partir de 2014 que as principais revistas semanais deixaram de lado qualquer veleidade de fazer jornalismo e partiram para a campanha política. Esta decisão parece tê-las desmoralizado como fonte de informação principal entre os realmente profissionais.

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2 comentários sobre “Os deputados e os veículos de comunicação – I (Fontes principais)

  1. Oi, Ivinho. A pergunta foi qual o principal meio de informação, que não é necessariamente o único, não é isso?

    • Oi!
      Sim, tem uma pergunta sobre isso no estudo todo. Não cheguei colocar o link, né? Boto semana que vem.

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