A circulação do Globo e o “crowdfunding”

Nesta semana analisarei os números de circulação de O Globo. O esquema é o mesmo: comparação entre os dois últimos trimestres e entre os primeiros trimestres de 2015 e 2016. E também se mantém o aviso/pedido: ainda está aberto o “crowdfunding” para que eu consiga manter este serviço. Se você quiser apoiar, clique aqui – qualquer quantia será recebida com muita gratidão.

Agora, aos números.

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1. O primeiro par tabela/gráfico mostra que o jornal dos Marinho teve um desempenho bem melhor que seus concorrentes paulistas nos seis meses compreendidos entre outubro de 2015 e março de 2016. Enquanto a circulação total média, de segunda a domingo, do Estado de São Paulo caiu 5,9% e a da Folha, 3,7%, a do Globo ficou praticamente estável (- 0,3%) – de 295.687 para 294.932.

2. Olhando-se mais de perto, por tipo de edição, a digital foi a que assegurou essa estabilidade – invejável no momento atual da imprensa brasileira -, com um crescimento de 10,4%, entre outubro e março (de 61.095 para 67.458), embora já mostrando desaceleração de um trimestre para o outro (de 8,7% para 5%).

3. A edição impressa, se não apresentou estabilidade total, teve uma queda bem pequena no período de seis meses, de menos 2% (de 186.494 para 182.749), bem abaixo da elevação da Folha (1,7%) e próxima à queda do Estadão no período (3,1%). No entanto, ao contrário da digital, a circulação apresentou pequena aceleração de um semestre para outro – de 0%, entre outubro e dezembro, para mais 1,4%, no trimestre seguinte, o que a faz seguir mais de perto a da Folha, no total do período.

4. As assinaturas híbridas (digital+papel) do diário carioca apresentaram um comportamento errático no período estudado. Depois de elevação de 6,5% no trimestre entre outubro e dezembro de 2015 (de 48.098 para 51.214), este tipo de assinatura amargou uma queda de 13,7% (51.801 para 44.725), levando a variação em seis meses a ser negativa em 7%. O desempenho ficou bem abaixo do crescimento da Folha no período (4,8%), mas ainda bem distante da desastrosa queda de 22,4% do Estadão.

 

Vamos, agora, confrontar o desempenho da circulação do Globo nos primeiros três meses de 2015 com o mesmo período de 2016.

O Globo - 1tri-2015x1tri-2016

1. Considerando-se o total da circulação, o jornal carioca apresentou um desempenho bem melhor do que seus concorrentes paulistas, mas, ainda assim, longe de ser confortável. O diário da Irineu Marinho apresentou queda de 8,8% (321.919 para 294.932), na comparação entre março de 2015 e o mesmo mês deste ano, enquanto os números da Folha e do Estado foram, respectivamente, de 15,2% e 16,2%.
2. O problema do jornal dos Marinho é que somente a circulação digital tem aumentado (0,5% no primeiro tri de 2015 e de 4,9% em igual período de 2016), num total de 3,3% de março contra março. Enquanto isso, a circulação impressa caiu de 9,4% (março contra março) e a híbrida, de 17,5%. Assim, a queda, em números absolutos, considerando os dois meses extremos do período foi de 321.919 para 294.932.
3. No comparativo de circulação total de trimestre contra trimestre, no primeiro de 2015, houve uma aceleração de 0,2%, contra uma outra de 0,5% no mesmo período deste ano. Estas duas acelerações combinadas, porém, não foram capazes de inverter a queda geral ocorrida no ano de 2015.

Os dados mostram que, como seus concorrentes paulistas, O Globo alcançou uma estabilidade, nos primeiros meses de 2016, num patamar bem abaixo da circulação de 2015. A edição digital até vem tendo um bom desempenho, mas as reduções nas circulações impressas e, principalmente, híbrida jogam para baixo o total. Assim, a reversão deste quadro só ocorrerá com uma aceleração maior das assinaturas digitais, algo que parece estar um tanto distante.

O “CROWDFUNDING”

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