O “crowdfunding” e o IVC da Folha

Nesta semana, prosseguindo a análise dos números do IVC dos principais meios de comunicação impressos do país, vamos aos resultados da Folha de São Paulo. Antes, porém, um minuto para os nossos comerciais.

A campanha de “crowdfunding” para a manutenção deste serviço continua aberta. Agora que não disponho mais da fonte que fornecia os dados “de grátis”, precisarei pagar por eles e, para isso, preciso de sua ajuda. No momento, o projeto possui seis apoiadores – a quem agradeço de todo o coração -, mas há necessidade de muitos mais. Há tempo ainda, pois a campanha só termina em 29 de setembro. Para colaborar om qualquer quantia, é só clicar aqui. Conto com sua ajuda!

Então, vamos aos números do jornal dos Frias.

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1. O primeiro par tabela/gráfico 1 (4º tri/2015 x 1ºtri/2016) demonstra uma queda
na circulação total de 3,7%% (de 320.230, em outubro/2015, para 308.251, em março deste ano), na média de segunda a domingo bem menor do que o de seu concorrente direto no mercado, o Estadão, cuja redução chegou a 5,9%

2. A queda foi puxada pela edição digital, com uma redução de 9,5% (97.028 para 87.778) diferindo frontalmente com o Estado, cuja assinatura da edição digital cresceu 5,7% no período observado.

3. Por outro lado, as assinaturas híbridas do jornal dos Frias cresceram 4,8% (de 46.033 para 48.237) na comparação do último trimestre de 2015 para o primeiro de 2016, também contrastando com o mesmo tipo de assinatura do jornal dos Mesquita, que teve uma estrondosa queda de 22,4% no período.

4. Também há desacordo nos números entre os dados de circulação dos dois jornais paulistas é quanto à circulação impressa. Enquanto, no caso da Folha, ela subiu 1,7% (169.390 para 172.236), no Estadão, ela caiu 3,1%.
O segundo par tabela/gráfico mostra o confronto entre os dados dos primeiros três meses de 2015 com os do mesmo período deste ano.

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1. A comparação entre os primeiros trimestres dos dois últimos anos reforça a ideia de que há uma estabilidade na base de assinantes da Folha. Enquanto no período, em 2015, houve uma redução da base geral de 0,5% (365.428 para 363.582), em 2016, este percentual foi de apenas 0, 1% (308.596 para 308.251).

2. No entanto, esta estabilidade está sendo obtida num patamar muito mais baixo na comparação com o início de 2015. Assim, em março de 2015, a circulação média total da Folha era de 363.582, mas caiu para 308.251, um ano depois, redução de 15,2%.
3. Nas assinaturas digitais, houve uma aceleração na perda de leitores de -2,7%, no primeiro tri de 2015 (102.894 para 100.029) para -9,5%, no mesmo período deste ano (item 2 referente ao primeiro par tabela/gráfico, acima).

4. Nas assinaturas de jornal impresso, porém, a Folha conseguiu uma reversão. De uma redução de 0,9% nos primeiros três meses de 2015 (de 204.229 para 202.468), o jornal do Frias obteve um crescimento de 1,7%, no mesmo período deste ano, conforme o item 4 da análise do primeiro par tabela/gráfico.

5. Já nas assinaturas híbridas, um fenômeno interessante. Houve aumento na circulação nos primeiros trimestres tanto de 2015 quanto de 2016, e até uma aceleração no mesmo sentido neste ano (elevação de 4,8%, em 2015, e de 6%, em 2016), mas estes percentuais são enganosos. É houve uma enorme queda na base de assinantes deste segmento: em janeiro de 2015, ele era de 58.305, caindo 21,9% no mesmo mês deste ano (para 45.497). O resultado é que, em março do ano passado, o número de assinaturas era de 61.085, mas, no mesmo mês de 2016, era de 48.237, ou seja, menos 21%. Assim, foi este segmento o grande responsável pela queda de 15,2% no patamar geral apontada no item 2 acima.

De todos estes dados, pode-se deduzir que a Folha estabilizou seu número de assinantes gerais, mas num patamar muito abaixo do que estava há pouco mais de um ano. Também pode-se observar que o jornal tem encontrado ainda maior dificuldade de fazer a migração para o digital do que seu concorrente direto, o que não deixa de ser surpreendente dado o marketing da Folha basear-se, há décadas, na contraposição de sua modernidade com o conservadorismo do Estadão.

O “CROWDFUNDING

Bem, e aí? Legal? Gostou das análises? Então me ajude a mantê-la contribuindo na “vaquinha virtual” no Catarse. Vamos lá! Tem recompensa a partir de 20 “real”. É só clicar aqui e colaborar. Novamente agradeço a ajuda.

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Um comentário sobre “O “crowdfunding” e o IVC da Folha

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