Estudo do Reuters Institute dá uma geral de como anda a mídia no mundo

Eu juro. Juro que ia publicar um textinho leviano (como dizia aquele jogador de futebol) sobre uma coisa bem engraçada que acontece na fan page da Coleguinhas, após cinco semanas de numeralha hard. Só que aí, na mesma semana, o Reuters Institute e o Pew Research Center lançaram, respectivamente, o Digital News Report e o State of the News Media, os dois mais importantes estudos anuais sobre mídia do mundo. Então, o que eu, um fraco, poderia fazer?

É muito número, vou dizer a vocês. Por isso, vou começar me concentrando no estudo da Reuters por ele ser muito mais abrangente – apresenta dados de 26 países, inclusive o Brasil -, enquanto o da Pew é restrito ao mercado dos EUA, e por isso vai ficar pra semana que vem. Bom, então começo com os toques:

1. No Brasil, o DNR abrange apenas as áreas urbanas, ou seja, os números não dizem respeito ao total da população, mas a cerca de 85% dos 203 milhões (segundo a PNAD/2015 do IBGE) – os 172 milhões que vive em áreas urbanas.

2. Outro ponto é que, como o nome indica, o estudo é sobre consumo de notícias com foco na mídia digital, ou seja, só conta quem tem acesso à internet, o que, no Bananão, quer dizer 58% dos tais 172 milhões, o que é igual a 99 milhões.

3. Assim, no que tange ao Brasil, o estudo não é tão abrangente como parece ser no que se refere a países com maior penetração da internet. De qualquer forma, merece atenção e reflexão.

4. Como é uma numeralha do caramba, vou me restringir a dissecar o Brasil, mas passando, lá embaixo, o link para quem quiser se aprofundar no estudo em nível mundial.

5. Os links dão acesso também à parte do Brasil, à base de dados (para quem quiser se divertir fazendo cruzamentos novos) e para o hot site do estudo.

. E para facilitar a minha vida para escrever (também sou filho de Deus, qual é?) e a sua para ler, vou fazer como aí em cima e mandar ver os principais pontos em tópicos.

Então vamos lá.

Brasil

• Os cinco veículos tradicionais (TV, rádio e jornal) mais acessados como fonte de informação durante a semana e como fonte principal (em %):

20160619_tabela_gráfico_veícculos tradicionais

 

• Os cinco veículos on line mais acessados como fonte de informação durante a semana e como fonte principal.

20160619_tabela_gráfico_veículos online

• Como dá para notar, a TV é, individualmente, a maior fonte de notícias (79%), com as redes sociais chegando perto com 72%, mas, se contarmos todas as fontes on line, incluindo as RS, estes passam à frente, com 91%. A má notícia é para os jornais: são consultados como fonte primária de informação por apenas 40% das pessoas.
20160619_fontes de notícias por mídia

 

• O Facebook é a rede social em que maior parte das pessoas busca notícias (69%), com o zapzap, que também pertence ao Mark, ficando em segundo (39%) e o You Tube logo atrás, com 37%.

• O nível de confiança dos respondentes com as recebem atinge 58% (o terceiro maior nível entre os 26% países pesquisados, atrás apenas de Finlândia (65%) e Portugal (60%)).

• Já o nível de confiança da população é um pouco menor no que se refere às organizações de mídia em si (56%), percentagem que se reduz quando se refere aos profissionais (54%)

• Também no que se refere à confiança, 36% dos pesquisados acreditam que os jornalistas não recebem pressões políticas (ou seja, 64% acham que recebem) e 35% creem que eles estão livres de pressões por parte de interesses econômicos (65% acham que sim).

ANÁLISE
Bom, de cara dá para perceber que embora seja verdade que a internet e as redes sociais abriram um campo de disputa contra o oligopólio das empresas de comunicação, especialmente, contra a Globo, esta ainda mantém amplo domínio do consumo de mídia já que nada menos do que 32% dos respondentes da amostra (que, aliás, é de 2001 pessoas) afirma que a TV Globo ou o jornal O Globo são suas fontes principais de informação, sendo que a primeira é consultada como fonte por 53% ao menos uma vez por semana, e o segundo, por 32%.

No campo da internet propriamente dita, o equilíbrio é maior, mas, ainda aqui, o Grupo Globo – por meio dos sites da TV/G1 e do jornal – são fonte de consulta principal por 24% (quase 1 em cada 4 pessoas), embora, individualmente, o UOL lidere com 16%, ficando ainda com o segundo lugar em termos de consulta semanal, com 49%, perdendo por pouquinho para a dupla TV Globo/G1.

As redes sociais avançam avassaladoramente como fonte de informação, tendo subido 25 pontos percentuais em apenas quatro anos, já mordendo os calcanhares da TV. Do outro lado, os jornais perderam 10 p.p. no mesmo período. Neste quadro, vantagem para Mark, que é dono das duas mais consultadas fontes de informação entre as redes sociais.

Por fim, no que se refere à confiança com as notícias recebidas, organizações de mídia e jornalistas, os percentuaisdo levantamento da Reuters são consistentes com os realizados nos últimos por outras instituições nos últimos anos, rodando em torno de 60%. No entanto, interessante é que os jornalistas, como profissionais estão cotados bem abaixo no índice de confiança, pois quase dois terços dos entrevistas acreditam que eles são influenciados por interesses políticos e /ou econômicos. Definitivamente não é uma boa notícia para os profissionais, mas que pode ser atribuída ao momento de polarização política pela qual passamos.

Por fim, vamos aos links:

Relatório sobre o Brasil (assinado pelo coleguinha e analista financeiro Rodrigo Carro)
Relatório internacional
Base de dados

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