Circulação da Época segue ladeira abaixo

Depois de alguns desvios, eis que volto aos meus queridos números, tabelas e gráficos. O retorno se dá pela Época, a semanal do Grupo Globo, cujo resultado não surpreende: como sua concorrente Veja, a queda na circulação, entre janeiro de 2014 e dezembro de 2015, é notável, como se pode ver no conjunto gráfico- tabela abaixo.

 

20160501_tabela_grafico_epoca_jan-14_dez_15_variacao_total

 

Em termos absolutos, o tombo atingiu 33.765 exemplares no período observado, o equivalente a 8,5% da circulação total. No subperíodo compreendido entre janeiro e dezembro de 2014, a retração total atingiu 4,56%, enquanto no mesmo período do ano seguinte houve uma leve desaceleração da queda, para 4,07%.

Na aproximação em que se dividem as edições impressa e digital, temos o gráfico e a tabela abaixo.

20160501_tabela_grafico_epoca_jan-14_dez_15
Pelo exposto, observa-se que a redução na circulação da edição impressa, no período janeiro-2014 a dezembro de 2015, chegou a 8,45% (33.326 exemplares). O comportamento nos dois subperíodos seguiu o padrão da circulação geral, com a redução sendo maior no período janeiro-2014/dezembro-2015 (4,59%) do que no seguinte (3,97%).

No que tange à edição digital, a queda geral foi bem mais acentuada, chegando, no período todo, a 17,52%. Observa-se, porém, uma leve elevação de 0,52% na circulação nos primeiros 12 meses do período estudado, mais do que compensado pela queda de 19,3% no período entre janeiro e dezembro de 2015. Esta muito significativa queda, porém, afetou pouco o resultado geral, pois do total da circulação da Época, a edição digital contabilizou apenas entre 0,63% (janeiro de 2014) e 0,57% (em dezembro de 2015).
Esta irrelevância da edição digital no total da circulação da semanal do Grupo Globo é o que mais salta aos olhos e causa estranheza. De maneira bem diferente da Abril, a Editora Globo não parece preocupada em migrar leitores da Época do impresso para o digital, não tendo realizado nenhum esforço nem mesmo para vincular uma edição à outra, pois sequer há uma opção de assinatura conjunta (ou, ao menos, não é contabilizada no IVC).

Desta forma, parece que a Época existe apenas para marcar a posição do Grupo Globo no mercado, embora este seja bastante reduzido (a soma da circulação da Veja com a Época não atinge 1,5 milhão de exemplares, que, mesmo somados aos da IstoÉ, não atinge os 2 milhões) e o custo de produção e distribuição de uma semanal seja considerável. Ainda que com o retorno maciço do dinheiro público, por meio da publicidade que deverá retornar num eventual governo Temer, ainda assim a Época deverá dar ainda um considerável prejuízo ao Grupo Globo.

Um outro ponto interessante observado no gráfico de circulação da Época é a queda abrupta ocorrida entre junho e julho de 2015. A redução foi de 2,61% (9.987 exemplares, em números absolutos), expressiva por si só, para o período de apenas um mês, mas que ganha relevo por ter interrompido uma elevação na circulação que a levara novamente a superar os 380 mil exemplares em fevereiro, o que não ocorria desde setembro de 2014. Até onde se pôde averiguar, essa queda se deu quando a revista assumiu uma atitude mais agressiva no processo de desestabilização do governo Dilma Rousseff, que sempre fora mais discreta do que a da Veja.

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