Estadão, Folha, O Globo e os acessos via web

Não tinha planos de mostrar os dados de acesso web, como fiz com as edições impressas e digitais, pois acho que este tipo de acesso não é suficientemente consistente para dar qualquer indicação realmente útil sobre a fidelidade dos leitores e a atenção que eles prestam ao conteúdo, os objetivos finais dos veículos (ou deveriam ser). Servem quando muito, com sua grandiloquência, para ajudar publicitário a impressionar cliente. Ainda assim, devido a algumas dúvidas e comentários demonstrando certa confusão de conceitos, seguem abaixo os números e acessos web dos três grandes jornais.

Antes, porém, recomendo dar uma olhada nas normas técnicas do IVC, especialmente nos artigos 13, 14 e 15 (páginas 10 e 11), para ver o que significam “unique browser” e “visitas” (além de “page impressions”, métrica que não uso aqui). Para quem estiver com preguiça, “unique browser” conta o número de máquinas que acessam um servidor, enquanto “visitas” é a contagem de quantos acessos houve a um ou mais arquivos, de um ou mais servidores de um domínio, no período máximo de 30 minutos.

Já dá para ver o problema, né? Se Zezinho acessa o site do jornal A pelo smart, no café da manhã, e, pouco antes de sair pro almoço, acessa de novo pela máquina do trabalho, ele conta duas vezes, seja como UB, seja como Visitas. Mas se, ao voltar para casa, no engarrafamento, Zezinho voltar a acessar pelo smart, terá visitado três vezes o site, mas por apenas duas máquinas. Agora, se um dos outros irmãos dele, o Huguinho (do outro esqueci o nome…), tiver acessado também três vezes, mas todas pelo smart, a diferença é ainda maior. Se milhares de Zezinhos e Huguinhos tiverem comportamentos parecidos, lá se vai qualquer utilidade nos dados, a meu ver.

Assim, tentando fazer com eles algo que possa ser útil para quem não for atendimento encarregado de engabelar cliente, vai junto os acessos médios por aparelho (que o vulgo chama de “device”). Mas antes de ir para este e os outros números, duas explicações:

1. Se você for daquelas raras pessoas que presta atenção nas coisas, verá que a série da Folha começa em junho, enquanto do Globo e do Estado se inicia em fevereiro. É que o jornal dos Frias começou depois mesmo (não me pergunte o porquê).

2. Nos gráficos de variação de acessos, usei o parâmetro maior (90 mil), da Folha, para manter a escala – afinal, não sou o Carlos Alberto Sardemberg e sei o quanto me custou de estudo obter aquele diploma de técnico em estatística na ENCE.

Então vamos aos números de acesso aos sites de Globo, Folha e Estadão.

Globo

Gráfico 1

20160305_grafico_web_oglobo_2015

 

Gráfico 2

20160306_grafico_web_aparelhos_unique browsers_2015

Gráfico 3

20160306_grafico_web_aparelhos_visitas_2015

 

Comentários
1. Os acessos (gráfico 1) caíram nos últimos dois meses de 2015, fazendo com que terminassem 27,49% abaixo de fevereiro, quando começou a contabilização. Como a série é muito pequena, não dá para saber se a queda foi sazonal ou tendência mesmo (o que também vale para os outros).

2. Em termos de aparelhos de acesso (gráficos 2 e 3), os desktops respondem por 54,73% das máquinas, com os smartphones ficando com 40,07% e os tablets bem atrás, com apenas 4,88%. Hipótese para esta distribuição: os leitores digitais do Globo tenderam, ano passado, a acessar do trabalho ou de casa, não em deslocamento.

 

Estadão

Gráfico 1

20160305_grafico_web_estado_2015

 

Gráfico 2

20160306_grafico_estado_web_aparelhos_unique browsers_2015

 

Gráfico 3

20160306_grafico_estado_web_aparelhos_visitas_2015

 

Comentários

1. O jornal é o que tem menos acessos via web (54% a menos que O Globo, 66% a menos que a Folha, em números de dezembro) – gráfico 1. Este fato não é necessariamente ruim, já que, como vimos em outras colunas, o Estadão foi o que teve maior acréscimo de assinaturas digitais nos últimos dois anos. Ou seja, é um leitor fiel e que já aderiu ao digital.

2. Em termos de acesso, há equilíbrio em “unique browsers” entre desktops e smarts (46,68% x 46,35%) – gráfico 2 -, com diferença maior quando se olha pelo lado das visitas – a desktops com 49,21% e smarts com 43,39% (gráfico 3), apontando que os leitores acessam mais de casa e do trabalho do que em trânsito, mas não tão mais assim, o que indicaria, também, maior adesão de assinantes, por meio do mobile..

 

Folha

Gráfico 1

20160305_grafico_web_folha_2015

 

Gráfico 2

20160306_grafico_web_aparelhos_visitas

Gráfico 3

20160306_grafico_web_aparelhos_visitas

Comentários

1. Começou a contagem quatro meses mais tarde que os concorrentes e pode ser por isso seja o único que terminou 2015 em curva ascendente (gráfico 1)– em relação a junho (primeiro mês contabilizado), o acréscimo em dezembro foi de 21,93%. O fato também pode ser explicado (ou explicado conjuntamente) pela queda de assinaturas já anotada em outras colunas – as pessoas deixaram de assinar, mas ficam lendo via web, enfrentando o paywall do jornal.

2. Os acessos por tipo de aparelho apresenta uma distribuição parecida com a do Globo, com 56,15% por meio de desktops e 38,22% por smartphones (gráficos 2 e 3).

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