Circulação Globo, Estadão e Folha – Comparações

Essa numeralha vai ser grandinha, vou logo avisando, para dar tempo de você escapar ileso/a.

Ainda aí? Então não diga que não avisei.

A ideia é comparar os três mais importantes jornais do país, depois de ter analisado os dados de cada um separadamente. Creio que, nesse recorte, dará para ver a situação de cada um em relação ao geral e os caminhos que tomaram nos últimos dois anos. Para ter uma ideia mais clara – e para dessazonalizar os dados, muito influenciados por grandes eventos como Copa do Mundo e eleição presidencial em 2014 – há um recorte com a evolução dos três tipos de assinaturas (impressa, digital e híbrida – digital+impressa) comparando de 2014 com 2015 para cada veículo.

Vamos lá.

Tabela/gráfico 1

20160221_gráfico_variação_absoluta _geral_ jan-dez-14_jan-dez-15

Tabela/gráfico 2

20160221_gráfico_variação_percentual_geral_ jan-dez-14_jan-dez-15

 

Análise

1. O primeiro gráfico (com sua respectiva tabela) mostra que, em números absolutos, a queda na circulação média, de domingo a domingo, impressa na Folha, no período jan-14/ a dez/15, foi de pouco mais de 41 mil exemplares, o que representou menos 19% de assinantes para o jornal dos Frias (segundos gráfico e tabela) – assim, quase 1 em cada 5 leitores deixou de assinar o impresso do jornal no período. Esse resultado ficou bem acima dos seus concorrentes, que também caíram – seguindo uma tendência mundial -, mas em termos absolutos e percentuais bem inferiores: O Globo (menos 30 mil exemplares, menos 13,86%) e Estadão (menos 25.627, menos 14,65%).

2. A situação da Folha fica ainda mais desconfortável quando vamos para a tabela de assinaturas digitais puras. Embora tenha crescido cerca de 22 mil assinaturas (33,61%), no período entre janeiro de 2014 e dezembro de 2015, o diário da Barão de Limeira ficou bem atrás de seus dois maiores concorrentes, pois o Globo elevou a circulação de assinaturas digitais em 36.049 exemplares (116,37%) e o Estadão em estratosféricos 250, 70% (a 30.826), embora, em números absolutos, apenas 8 mil a mais que o seu maior concorrente na cidade.

3. Este espetacular desempenho do Estado de São Paulo não se repetiu nas assinaturas híbridas. Bem ao contrário. Em relação aos seus dois concorrentes, o jornal dos Mesquita foi muito mal ao perder 18.226 assinaturas (menos 39,41%), enquanto a Folha caía apenas 2.644 (redução de 5,43%) e O Globo ainda menos – 1.483 (- 2,81%).

4. Com os resultados acima, no fim das contas, O Globo mostrou-se o jornal mais firme. Não apenas não caiu, mas como aumentou a circulação no período janeiro de 2014 a dezembro de 2015, com mais 4.231 exemplares ( crescimento de 1,41%), enquanto os dois jornais paulistas amargavam queda percentual total de 5,58% (Estado, com menos 13.027 exemplares) e 6,63 (Folha, redução de 12.019 exemplares).

5. A razão para o crescimento, ainda que praticamente vegetativo do Globo (o crescimento da população fluminense, a base geográfica do jornal, tem sido por volta de 1% ao ano, segundo o IBGE) tem muito a ver com o fato de o jornal dos Marinho não ter concorrentes em sua faixa no estado, como ocorre com os paulistas, além de contar com o poderio do Grupo Globo, especialmente da TV, algo que nem a Folha e nem o Estado podem contar (embora os Frias tenham o UOL para ajudar também).

Os resultado acima, bem díspares, principalmente no caso da Folha de São Paulo, me levou a dessazonalizar os dados, dividindo-os entre em dois períodos – janeiro a dezembro de 2014 e janeiro a dezembro de 2015 – a fim de compará-los, jornal a jornal, e ter uma melhor visão da dinâmica da evolução das assinaturas. Ficou assim:

O Globo

20160221_gráfico_variação_percentual_o globo_jan-dez-14 vs jan-dez-15

Nesta visão, o crescimento do Globo no período janeiro/14 – dezembro/15 perde bastante de seu brilho, especialmente devido à enorme queda no incremento das assinaturas digitais, que caíram de 121,24%, em 2014, para apenas 1,73%, no ano passado, e também a reversão das assinaturas híbridas, que aumentaram respeitáveis 52,89%, em 2014, e caíram 6,51%, no ano seguinte. Como o impresso manteve a queda em aceleração ( menos 5,38%, em 2014, menos 7,64%, em 2015), O Globo tende a deixar para trás a posição relativamente confortável que se encontrou até o fim do ano passado.

Estado de São Paulo

20160221_gráfico_variação_percentual _folha_ jan-dez-14 vs jan-dez-15

O jornal dos Mesquita parece ser, dos três grandes do eixo Rio-SP, o que melhor vem se adaptando ao digital. Pelo menos foi o único a manter crescimento neste tipo de assinaturas nos dois períodos, apesar da enorme queda nas “puras” ( de 137,74% para 13,03%) e nas híbridas (menos 2,97% para menos 37,66%). Essa reversão fez com que o jornal não conseguisse manter a elevação do total que obtive em 2014 (1,72%), amargando queda de 8,9%, em 2015.

A diferença do desempenho da digital pura me chamou a atenção. Apurando descobri que o jornal realizou uma modificação muito grande em seu aplicativo móvel, tornando-o leiáute mais moderno e com uma atualização mais ágil, além de permitir a leitura off-line (ver uma tela de abertura abaixo). O redesenho foi tão bem-sucedido que está disputando o Pixel Awards – prêmio estadunidense com 10 anos de existência – na categoria Notícias, pelo voto popular, contra pesos-pesados como Reuters TV, Huff Post e TMZ. Pelo que apurei, o app foi muito bem recebido pelos leitores também e o acesso por ele tem crescido.

mobilie estadao

Folha de São Paulo

20160221_gráfico_variação_percentual _folha_ jan-dez-14 vs jan-dez-15

O jornal da Barão de Limeira me levou a fazer as contas desta seção por ter apresentando uma reversão completa no período 2014/janeiro 2015. Esse cavalo de pau fica patente na tabela e nos gráficos acima. Não encontrei uma explicação puramente estatística para o que aconteceu com as assinaturas digitais, tanto “puras” quanto híbridas. A única explicação que me restou foi a de que o leitor da Folha simplesmente brigou com o jornal, hipótese que se reforça com a aceleração brusca da queda das assinaturas impressas, que cresceu quase 7 vezes de um ano para o outro em termos percentuais (de menos 2,42% para 14,08% negativos).

Seja o que for que tenham feito, os Frias ofenderam profundamente seu público e vão ter que cortar um dobrado para recuperar a confiança deles.

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2 comentários sobre “Circulação Globo, Estadão e Folha – Comparações

  1. Desculpe, eu não acompanho o blog…Gostaria de saber: qual é a fonte das informações de circulação dos jornais?

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