Peneirando a PBM-2015 (IX) – Confiança (internet)

Calma, que está quase acabando…Esta é a última parte do escovamento da parte da PBM-2015 que fala da confiança nos meios e é sobre a internet. IMHO (quem está na Rede há algum tempo sabe o que significa o acrônimo; quem não é, deve procurar na wikipedia para elevar o nível de ilustração internética) é a parte mais fraca da pesquisa por que ela junta, em apenas três categorias – sites, blogs e redes sociais –, uma miríade de nichos e possibilidades de cruzamentos.

De que tipo de sites estamos falando? De empresas jornalísticas tradicionais? Daquelas nativas da internet (tipo Vox, Gawker, Huff Post, Vice etc)? De sites de portais? E blogs? Daqueles, tipo Coleguinhas, mantidos por um sujeito metido a gato mestre, ou daqueles com grife, de cabeças coroadas do jornalismo e apoio de equipe? Redes Sociais? Mas se elas têm funções e públicos alvos diferentes, tipo Facebook, zap-zap, Instagram, Snapchat, Twitter… Complica fazer análise, né?

Mesmo com todos esses senões, dá para constatar que a internet, como um todo, não goza de muita confiança do distinto. Talvez esse fato fosse de se esperar para um meio tão novo e mutante, mas, creio, ficou exacerbado aqui no Bananão pelo fato de que esta pesquisa foi realizada logo depois do final daquela carnificina midiática que foi o processo eleitoral do ano passado -e que continuou este ano, assim, teremos oportunidade de fazer uma comparação interessante com a PBM de 2016 (se é que ela vai haver, com os cortes do Levy), e não só no meio internet.

Bem, então vamos aos gráficos.

09_tabelas e gráficos_sites

Os sites são, na média, um pouco mais confiáveis do que os blogs e as redes, muito provavelmente pela inclusão dos sites de empresas jornalísticas, tradicionais ou não. Eles devem ter feito subir para 30% o índice de confiabilidade.

Nos sites aparece um ponto que é ainda mais forte nos resultados de blogs e redes: quanto mais idosa a faixa, mais há não respondentes sobre confiança. Assim, na faixa acima de 65 anos, apenas 86% responderam ao questionário (32% confiam/confiam muito, 56% não confiam/confiam pouco), ou seja 12% deixaram de opinar sobre suas crença (ou falta de) nos sites – para efeito de comparação, sobre o meio jornal houve apenas 2% de não respondentes. O fato parece indicar que as pessoas mais idosas não sabem bem o que pensar desse bicho chamado internet.

10_tabelas e gráficos_blogs

Blogs têm a confiança de apenas 25% na média (mas 29% entre os acima de 65 anos, quase alcançando o índice dos sites). O índice de não respondentes ao questionário é ainda maior do que o encontrado no que se refere aos sites – chegando a 16% na faixa acima de 65 anos.

 

11_tabelas e gráficos_redes

 

Sobre as redes sociais, os respondentes da PBM-2015 têm uma opinião mais firme – em todas as faixas o índice de resposta está abaixo de 10% -, mas ela é tão ruim quanto àquela referente aos blogs: apenas 26%, na média, confiam no que leem (e, possivelmente, no que veem) na rede. Também na faixa acima dos 65, a índice de não respondentes atingiu 16%.

 

No geral, pode-se inferir que as más notícias para internet são boas para os meios tradicionais, lhes dando um fôlego a mais na luta pela sobrevivência. Mas só poderíamos ter certeza maior disso com o cruzamento com outras pesquisas do gênero, e, claro, com a melhora da clareza neste campo da PBM-2016, se ela vier mesmo a ocorrer.

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2 comentários sobre “Peneirando a PBM-2015 (IX) – Confiança (internet)

  1. Fiquei de cara com a pesquisa apontar baixa confiança nas redes sociais! 99% dos meus amigos concordam com tudo que sai nas redes sociais, inclusive conheço (muitos!) advogados que confiam mais nelas do que nos seus próprios conhecimentos de Direito. Ultimamente tenho dito que se sair no Facebook que comer cocô é bom no dia seguinte 99% dos meus amigos vão postar suas fotos sorridentes com seu pratinho de merda na mesa, e em uma semana não faltarão os apreciadores de “merda gourmet”…

    • As pessoas acreditam naquilo em que já acreditam, até porque escritas por gente que tem a mesma opinião. É o “efeito bolha”. Agora, na hora da informação sem viés é diferente – pode até ser um primeiro ponto de “apuração”, mas, depois, vão para sites mais sérios e, principalmente, para os veículos tradicionais. Teste bom é perguntar pra quem acredita no que sai em rede social se ele/ela investiria as economias numa dica vinda do Facebook. 😉

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