Peneirando a PBM-2015 (VII) – Confiança (Geral)

Eu disse que esta seria a última coluna sobre os números da PBM-2015, certo? Bem, só que não. É que olhando os dados sobre a confiança depositada pelos usuários de cada meio – é disso que trata uma parte da PBM -, vi que não seria bom tratar tudo num único texto, porque ele ficaria enorme, o que, junto com os tradicionais tabelas e gráficos, o faria ilegível. Assim, haverá uma coluna geral (esta) e uma para cada meio.

Para começar, quatro notas metodológicas (tudo isso, meu Deus?):

1. A PBM utiliza um gradiente que vai do “confia” ao “não confia”. Aqui, resolvi juntar “confia” com “confia muitas vezes” e “não confia” com “confia poucas vezes”, pois, creio que facilita a visualização. Há, é claro, a questão de que, para um meio de comunicação, cujo produto se baseia totalmente na credibilidade, só poderia existir o “confia” ou “não confia”. No entanto, é preciso ver que é cada meio é julgado como um todo e não cada veículo específico, e isso deve ser sempre levado em conta na hora de olhar os números sobre confiança.

2. Da mesma forma, os números sobre confiança referem-se apenas aos usuários de cada meio. Assim, os dados devem ser cruzados com os índices de leitura de cada um deles para ver até que ponto eles são mais ou menos influentes.

3. Diferente das outras, esta coluna fará uma comparação com a PBM-2014 a fim de dar uma contextualização melhor, até porque há algumas mudanças notáveis de um ano para o outro.

4. Nesse campo é importante também dizer que a PBM é de 2015, ano em que foi lançada, mas os números se referem a 2014, assim como os números da versão 2014 foram obtidos em 2013. É meio óbvio isso, mas como, dessa vez, há uma comparação explícita entre as duas pesquisas, resolvi enfatizar isso.

Um último ponto antes de passarmos às tabelas e gráficos (sei que você mal pode se conter de tanta ansiedade, mas aguente ainda um pouco). Dependendo de como andar o ímpeto cascatal dos coleguinhas das redações pode ser que tenha que interromper a numeralha para realizar a sexta seletiva do King of the Kings-2015 – sei que você sentirá tanto quanto eu, mas não posso deixar as cascatas se acumularem, sob pena de termos mais um mês só de cascatas, ok?

Isto tudo posto, vamos aos nossos queridos números, finalmente.

CONFIANÇA NAS NOTÍCIAS ACESSADAS (POR MEIO, EM %)

01_tabela_confiança_geral_confia

02_gráfico_confiança_geral_confia

03_tabela_confiança_geral_nao confia

04_gráfico_confiança_geral_nao confia

Alguns pontos de destaque (também pretensiosamente chamados de análise)

1. O percentual de confiança cresceu em todos os meios de 2013 (PBM-2014) para 2014 (PBM-2015). Suspeito que a cobertura da eleição tenha a ver com isso – como as pessoas procuram se informar mais, eles tendem a crer naquilo que leem/veem/ouvem (não teria sentido ir procurar informação para descrer muito ou totalmente dela). Precisa ver como esses números evoluem com o passar dos anos, o que, de resto, vale para toda a pesquisa PBM.

2. O destaque, em termos aumento de confiança, foi o meio revista, com acréscimo de 14 pontos percentuais em um ano. Um contingente migrou do “confia pouco” para o “confia muito”, que são as categorias contíguas (4 pp), mas não foi a maior parte. É um argumento mercadológico em favor da cobertura cascatal das revistas de informação, mas precisaria ver se foi esse tipo de revista que cresceu na confiança do público. Há ainda o ponto de que o meio, como já vimos, não é muito lido (2% do total da amostra da PBM, na média Brasil), o que faz o seu público ser mais fiel e, portanto, mais crente (como está nos pés da tabela e na nota metodológica 2 – você leu, né? – , o percentual foi tirado daqueles que acessam o meio e não do total geral da amostra). Mesmo com esse salto todo, porém, há mais gente desacreditando no que lê (52%) do que acreditando (44%).

3. Jornal e TV também não fizeram feio no que se refere ao aumento de confiança de 2013 para 2014, com crescimento de 5 pp cada um, contingente este vindo todo de “confia pouco” para “confia muito”. Ao contrário das revistas, porém, mais gente acreditava  no que lia nos jornais em 2014  (58%) e na TV (54%) do que desacreditando – 40% e 45%, respetivamente.

4. A internet, representada aqui por sites, redes sociais e blogs, apenas oscilaram dois ou 3 pontos percentuais de 2013 para 2014.

5. A internet, aliás, sofre de um problema de credibilidade. Na média dos três representantes, o meio teve 24,67% de confiança em 2013, subindo para 27% no ano seguinte, o que, convenhamos, ainda é muito ruim. E desse problema não escapam nem os sites, muitos deles de grandes companhias de mídia. Parece ser uma dificuldade do meio em si.

6. Uma questão a ser observada na comparação entre os níveis de confiança da chamada “mídia tradicional” com a “nova mídia” é que, com exceção dos sites, a internet não “vende” credibilidade propriamente. Ninguém espera que alguém que, a cada 10 posts, fala de seus gatos em cinco e do que comeu de manhã em três, tenha a mesma credibilidade ao analisar o momento político nacional e a questão de gênero nos outros dois. Ao contrário, quando você lê numa edição impressa da Veja ou assiste a um programa da Globonews espera-se exatamente isso – e o fato influencia favoravelmente, em termos de credibilidade, como a pessoa enxerga aquilo que é escrito, lido ou falado em cada um desses suportes. Por outro lado, quando essa expectativa é quebrada, dificilmente se recupera, creio. Enfim, essa questão ainda está à espera de pesquisas e estudos mais aprofundados (alô, pessoal da Academia! Vamos mexer esses traseiros, vamos?) e das próximas PBMs.

7. Por enquanto, o que dá para dizer é que, sim, o meio no qual uma notícia é veiculada importa.

8. Outro ponto são os cortes. Nas próximas colunas, vamos pegar esse viés da PBM-2015 mostrando como anda a credibilidade de cada meio por faixa etária, renda familiar, escolaridade e região. Ora, anime-se! Vai dar um trabalho danado pra ler, eu sei, mas pense no que vou ter organizando tudo. Viu? Podia ser pior.

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