Peneirando a PBM (VI) – Intensidade x região

Oba! Depois de semanas me afogando em cascatas, eis que consigo retornar aos números da Pesquisa Brasileira de Mídia. Esta será a penúltima coluna da série, até porque, já nos próximos meses o governo deverá realizar a rodada de 2016. Então, vejamos a intensidade por região, que me parece bem abrangente e rica.

(Atenção: diferentemente do que fiz no caso da intensidade por faixa etária, os dados vêm mesmo em horas e minutos, como na pesquisa da Secom).

Comecemos com as tabelas e os gráficos

Intensidade de acesso p/ mídia p/ região (seg/sex)*

06_tabela_intensidade por regiao_seg-sex

 

07_gráfico_intensidade por regiao_seg-sex

 

Intensidade de acesso p/ mídia p/ região (sáb/dom)*

08_tabela_intensidade por regiao_sab-dom

09_grafico_intensidade por regiao_sab-dom

 

Agora, vamos à dissecação:

1. Primeiro, os números de segunda a sexta.

a. A internet é a mídia acessada com mais intensidade em todas as regiões, com a TV sempre em segundo.

b. O Sudeste é a região com a maior intensidade de acesso à internet (5 horas e 24 minutos) e o Norte, a menor (4 horas e 11 minutos).

c. A TV possui a maior intensidade de acesso também no Sudeste (4h42min), apenas dois minutos acima do Nordeste. A menor também é no Norte (4h07min.)

d. A situação é diferente no rádio – o Sudeste apresenta a maior intensidade (4h02min, a única região em que as quatro horas são superadas), mas é no Nordeste que o rádio tem menor intensidade de uso de segunda a sexta, com 2h26min, a menor entre todas as mídias nos dias de semana.

e. A menor diferença de intensidade de acesso entre internet e TV verifica-se na região Norte, apenas quatro minutos. A maior, 50 minutos, está no Sul e no Centro-Oeste.

f. A média do Brasil para TV (4h31min) é superada apenas no Nordeste e no Sudeste.

g. Já a de internet (4h59min) só não é superada no Norte.

h. No rádio, a média Brasil (3h42min) só é superada no Sudeste (4h02min), mas o Centro-Oeste (3h41min) quase a alcança.

2. Seguindo com a numeralha do fim de semana.

a. A média de intensidade de uso de todas as mídias cai no fim de semana. A maior redução é do rádio (1h09min) e a menor, a da TV, 17 minutos. A internet atinge 35 minutos.

b. A queda da média do rádio é puxada pelas regiões Centro-Oeste (menos 1h27min) e Sudeste ( menos 1h14min). No Nordeste, a queda irrisória: apenas 2 minutos.

c. A redução da internet é mais homogênea – vai de 28 minutos, no Centro Oeste, a 40 minutos no Sudeste.

d. Na TV, a maior queda ocorre no Nordeste (44 minutos); a menor, no Sul: 4 minutos.

e. O Sudeste mantém a primazia na intensidade de acesso na Internet, com 4h47min, mas o Centro-Oeste ultrapassa do Sul, na segunda colocação (4h41min contra 4h30min).

f. Na TV, o Sudeste também lidera no fim de semana (4h33min), mas o Sul ultrapassa o Nordeste na segunda colocação (4h16min contra 3h56min).

g. No Rádio, há a redução mais impressionante: no Centro-Oeste, ela é de 1h27min (para 2h14min), que faz com que a região saia da segunda colocação, no meio de semana, para a quarta, apenas dois minutos acima da última colocada, o Norte. O Sudeste, apesar da redução também expressiva de 1h14min, mantém a liderança, com 2h48min.

3. Por fim, algumas observações e hipóteses.

a. O Norte é a única região em que o acesso à internet fica abaixo de cinco horas diárias nos meios de semana, e abaixo de quatro horas nos fins de semana. A relativa pouca penetração do meio na região é a hipótese para explicar o fato. Seria interessante ver a distribuição capital x interior para ter uma ideia mais precisa.

b. A inversão de colocações entre Sul e Centro-Oeste (e a magnitude da redução no tempo de acesso na primeira) sugere que o pessoal do Sul acessa muito do trabalho, o que deve ocorrer principalmente no Paraná, onde os dados apontam que há uma queda de mais de uma hora (4h32min nos dias úteis para 3h38min nos fins de semana).

c. A redução da intensidade de uso do rádio no Centro-Oeste e Sudeste, de mais de uma hora, sugere que o meio seja muito usado nos carros, durante os congestionamentos.

d. A queda nessas duas regiões foi a responsável pela redução de mais de uma hora na média de intensidade no uso do rádio.

e. A TV é superada pela internet em todas as regiões, tanto no meio quanto no fim de semana. Essa é a má notícia. A boa é que a diferença de acesso entre os dois momentos da semana na TV é metade do que na outra mídia, o que mostra ao menos uma menor resiliência do meio (e também que a importância do acesso nos locais de trabalho é mais importante para a internet do que para a TV).

f. Será preciso ver com o decorrer das outras pesquisas (espero que sejam mantidas por longo tempo) para ver a evolução do acesso de TV e internet. Com os dados de hoje, parece que a TV chegou a um ponto de estabilidade, com queda futura (se houver) menor do que a que já ocorreu. Já a internet tende a crescer, como se pode observar do fato de que o acesso supera cinco horas, em todas as regiões, com exceção do Norte. Essa possibilidade se reforça com o cruzamento com os dados de faixa etária e também com a tendência do aumento do uso dos dispositivos móveis, especialmente smartphones, que facilitam o acesso.