Peneirando a PBM (V) – Intensidade x idade

Por pouco não deixo de voltar à PBM-2015 esta semana. É que já tenho cascatas suficientes para realizar a quarta seletiva do King of the Kings—2015. No entanto, pensei que se não escrevesse sobre a pesquisa de mídia realizada pela Secom no fim do ano passado por mais uma semana, corria o risco de não voltar mais à série. Assim, a nova seletiva para o maior (único) prêmio do jornalismo brasileiro dedicado aos coleguinhas que desmoralizam a profissão no país fica para a semana que vem.

No retorno da PBM, a abordagem muda. Agora, em vez da frequência com que o público lê, vê ou ouve um meio, aborda-se a intensidade com que o faz, ou seja, quanto tempo as pessoas dedicam ao meio. Essa abordagem acaba por restringi-los a três – TV, rádio e internet. É fácil entender o porquê: uma pessoa pode, comumente, ficar horas vendo TV, ouvindo rádio ou navegando pela internet, mas é bem mais raro passar um longo tempo lendo jornal ou revista – talvez só num domingo chuvoso em que as crianças estejam com os avós e/ou o (a) namorada (a), marido ou esposa em viagem, ou ainda numa pós-DR.

Por fim, uma nota metodológica minha: a PBM usa o tempo dividido em horas e minutos, mas preferi transformar tudo em minutos porque pareceu-me mais fácil de os gráficos serem entendidos (Ah… Ok…Também porque é mais fácil para fazer as contas).

Como no caso da frequência, começou a parte da intensidade pelo viés da faixa etária, com as tabelas e os gráficos abaixo.

 

01_tabela_intensidade por faixa etária_seg-sex

01_gráfico_intensidade por faixa etária_seg-sex

02_tabela_intensidade por faixa etária_fimde

02_gráfico_intensidade por faixa etária_fimde

 

Análise

1. Começando pelo óbvio: a intensidade de acesso é maior, na média, durante a semana do que fim de semana em todos os meios. A maior diferença é do rádio (-31,1%) e menor na TV (-6,27%). Já internet fica em 11,71 em favor da semana comercial.

2. Lembra do claro viés de idade do consumo de mídia apontado no corte por frequência? Pois ele fica ainda mais evidente aqui, principalmente durante a semana. Nas faixas que vão de 16 a 45 anos, a intensidade de consumo da internet é maior do que as de TV e rádio, especialmente no que diz respeito à faixa de 16 a 25 anos, quando a internet chega a 351 minutos diários, contra 259 minutos da TV e 203 minutos do rádio. A diferença nessa faixa (35,52%) é que faz com que a intensidade de consumo da internet supere a de TV em 10,33% na média Brasil no meio de semana.

No fim de semana, há uma mudança nessa distribuição: a TV já supera a internet na faixa que vai dos 36 aos 45 anos (254 x 236 minutos). Ainda assim, na média, a internet ainda leva vantagem sobre a TV, em 3,9%, também graças à vantagem que possui entre os mais jovens, que é até maior do que no meio de semana (38,89%) – ou seja, os jovens são mais fiéis ao seu meio favorito do que os mais velhos ao deles. A vantagem da TV na faixa 36/45 anos, no fim de semana, talvez se deva ao futebol e aos filmes (estes na TV paga) e à capacidade gregária da TV (apontada em outra parte da PBM), capaz de juntar família e amigos num mesmo espaço, algo que não ocorre com a internet.

3. Esse viés de intensidade com relação à idade é tão forte que até o rádio vence a internet ( 220 x 173 , durante a semana; 154 x 150, no fimde) na faixa acima de 65, e mesmo levando em conta o fenômeno apontado no item 5.

4. A TV mostra uma curiosidade no que diz respeito ao meio de semana. A intensidade se mantém estável na faixa que vai de 16 a 45 anos, caindo apenas 3 minutos entre os extremos das faixas, mas sobe rápido (7,03%) na faixa 46-55 em relação à anterior (gráfico abaixo, que destaquei dos que estão acima). O normal seria ir subindo gradativamente, como ocorre quando se olha para o fim de semana. Por que não se comporta assim no meio de semana? Não tenho ideia (mas tenho certeza de que uma meia dúzia de meus espertos leitores têm).

03_gráfico_intensidade por faixa etária_seg-sex_TV

5. Um mistério ainda maior, para mim, é o que acontece com a audiência do rádio nas faixas etárias mais altas. Dê uma olhada nos gráficos (em azul, dá conta da semana comercial; em vermelho, do fim de semana).

04_gráfico_intensidade por faixa etária_seg-sex_rádio

04_gráfico_intensidade por faixa etária_fimde_rádio

Viu? A intensidade cai repentinamente na faixa acima de 65 anos, especialmente no fim de semana, quando a queda chega a 15,9% em relação à faixa anterior. Não sei por que os maiores de 65 ouvem tão menos rádio do que as outras duas faixas acima de 46 anos, voltando mesmo (no caso do meio da semana) ao nível da faixa 26-45.

6. A internet, por seu turno, é mais comportada em relação a sua evolução, como mostra o gráfico abaixo, com dados de segunda a sexta – o meio segue a trajetória decrescente inversa esperada na relação intensidade x idade, o que também ocorre no fim de semana.

05_gráfico_intensidade por faixa etária_seg-sex_internet