Peneirando a PBM-2015 (IV)

É, mudei o nome para “Peneirando a PBM/2015” para ficar mais direto, embora PBM dizer Pesquisa Brasileira de Mídia, realizada pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República, fosse mais direto ainda – só que para título não dá, né? Enfim, chegamos à quarta peneirada,  a última no que se refere à frequência de acesso aos meios de comunicação, e ela concentra-se nos aspectos regionais. A partir da próxima semana será a vez do recorte por intensidade de uso dos meios, que só abrange Rádio, TV e Internet.

O aspecto regional é, talvez, o mais interessante, de minha perspectiva, pois deixam claras algumas diferenças muito interessantes a respeito do consumo de mídia no país. Quer ver uma? A Região Sul, cujo acesso diário está acima da média Brasil em quatro dos cinco meios, em geral puxada pelos índices do Rio Grande do Sul – a exceção é a internet, na qual, ainda assim, na região fica na média do país (37%), puxada, nesse caso, pelo resultado do Paraná (42%).

Mas vamos às tabelas e gráficos e deixemos as análises para um pouco depois – estas, aliás, serão centrada por região e não por veículo, como normalmente, pois, creio, as diferenças, muitas vezes gritantes, ficarão mais claras.

tabela frequência regiao 7 dias

 

gráfico frequência regiao 7 dias

 

tabela frequência regiao 0 dias

 

gráfico frequência regiao 0 dias

 

Análise

1.Como já observei, o Sul é o destaque em termos de consumo de mídia, ficando acima da média Brasil em quatro dos meios, quando se fala de acesso em todos os dias da semana. Em dois meios, porém, a discrepância é ainda maior – o Rádio tem acesso 15 pp acima da média brasileira (45% a 30%) e os jornais chegam a 11% (1,5 vezes a média do país, que é de 7%). Em ambos os casos, o maior responsável é o Rio Grande do Sul, onde a frequência de acesso ao Rádio nos sete dias da semana chega a 54% (24 pp acima da média do país) e os jornais a 19% (quase três vezes a média Brasil). No que se refere ao acesso ao Rádio, PR (com 42%) e SC (39%) também estão bem acima da média geral, o que não ocorre com os jornais – em ambos os estados 6% da população lê jornais diariamente, um ponto percentual abaixo da média. Quanto as revistas, o índice de leitura diário é o dobro do país, mas nada para animar: apenas 4%.

2.A internet é o único meio em que a Região Sul não se destaca, embora fique na média. Nessa mídia, o Centro-Oeste lidera de longe. A região está 8 pp acima da média brasileira no que se refere ao acesso todos os dias da semana, com 45%, e nada menos de 10 pp abaixo quando se fala em nunca se acessar a Rede (41% contra 51% da média). O CO também é um lugar razoável para jornais e revistas. Os primeiros têm leitura diária apenas 1 pp acima do país (8% a 7%), no entanto ficam 7 pp abaixo do média do país quando se olha aqueles que nunca leem jornal (69% a 76%). Sete pontos percentuais abaixo da média entre os que nunca leem também é o caso da revista (78% no CO, 85% no país), mas o acesso diário é tão indigente na região como no resto do país (3% lá, contra 2% no Brasil todo).

Em todos os casos, o maior responsável por puxar as médias é o Distrito Federal. O percentual de acesso diário a internet chega a 56%, 19 pp acima da média do Brasil, enquanto nos jornais vai a 14% (o dobro do país) e a 5% no caso das revistas (2,5 vezes a média geral). No caso de jornais e revistas, Goiás também dá contribuição significativa, com 9% e 4%, respectivamente.

Um último dado interessante, no que se refere ao CO, é que a TV tem na região o seu pior desempenho, em termos daqueles que nunca a acessam – são 8%, o dobro da média Brasil. Neste caso, o meio vai mal em todos as unidades (9%, no MS, 8% em GO e no DF, e 7% no MT.

3. O Nordeste é o cemitério dos jornais. O meio tem seu pior desempenho regional aqui: fica 4 pp abaixo da média Brasil de leitura diária (3% contra 7%) e 12 pp acima no quando se observa quem nunca lê (88% a 76%). E parece ser um caso bem específico, pois quando se olha as revistas, a região fica na média do país para acesso diário e 4 pp acima entre os que nunca leem. Entre os outros meios, o Nordeste fica na média em acesso diário a TV, 2 pp abaixo ao Rádio e uns bons 7 pp abaixo da média em acesso à internet (30% contra 37%).

Os dados agregados, porém, escondem situações bastante discrepantes. Em Pernambuco, por exemplo, o índice de acesso aos jornais é bem diferente do resto da região – fica 2,5 vezes acima da média (8% a 3%), superando mesmo, embora por pouco, a média Brasil (7%), enquanto na Paraíba, o índice de leitura diária é 7%, também duas vezes superior à média da região e igual à nacional. No acesso à internet, Rio Grande do Norte e Sergipe chegam a 40% de acesso diário, 10 pp acima da média do Nordeste, 3 pp maior que a média do país e superior a estados economicamente muito mais desenvolvidos como Minas (36%), Rio Grande do Sul (35%) e Santa Catarina (34%). Na Bahia, o acesso diário à TV chega a 80%, o terceiro maior percentual do país e 7 pp acima da média da região, que é a mesma do país (73%).

4. O Norte traz aquela que é, para mim, a maior surpresa do recorte regional da PBM-2015: o Amapá. Nesse estado, a leitura diária de jornais é de 19%, mais de 2,5 vezes a média regional de 7% (que é a mesma do país, aliás) e é a maior do Brasil, junto com a do Rio Grande do Sul. O percentual de leitura das revistas nos sete dias da semana é 6%, três vezes a média nacional (de 2%, a mesma da região) e simplesmente a maior do país, superando até o DF, cujo percentual é de 5%.

Mais: o acesso diário a internet é de 44%, 7 pp acima da média Brasil (o não-acesso é de 40%, 11 pp a menos do que a média nacional) e o segundo maior do país, ao lado de MS e perdendo apenas para DF (56%). Não acabou – o Amapá é também a unidade da federação em que mais se assiste TV diariamente: 83%, 9 pp acima da média Brasil e 12 pp maior que a média regional (a segunda colocação também é da região Norte, mais precisamente de Rondônia, com 81%). Até no Rádio, o Amapá se destaca – embora esteja bem na média nacional de acesso diário (30%), fica 7 pp acima do percentual médio da região.

Das duas uma: ou há algum erro na amostra do Amapá ou há um grande acerto dos meios de comunicação de lá. Se for o segundo caso, recomendo expedições de estudo das empresas dos outros estados.

5. Sudeste é a região que menos desvia da média Brasil, com exceção do Rádio, onde 49% dos pesquisados não acessa o meio, contra 44% da média nacional, percentual puxado por Espírito Santo e Rio, ambos com 53%. Dignos de nota o percentual de quem não lê jornal em São Paulo (81%), 5 pp acima da média do país (de 76%) e 7 pp acima da média regional (74%), e de não leitura de revistas do Espírito Santo (90%), 5 pp acima da média nacional. E também os percentuais de acesso diário à internet de São Paulo (43%, 6 pp acima da média Brasil) e Rio (42%, 5 pp acima).