Peneirando os meios – III

Vamos peneirar novamente os números da Pesquisa Brasileira de Mídia-2015, da Secom, dessa vez enfocando a frequência de acesso aos meios por escolaridade.

tabela frequência escolaridade 7 dias

 

gráfico frequência escolaridade 7 dias

 

 

tabela frequência escolaridade 0 dias

gráfico frequência escolaridade 0 dias

Análise

1. Não há surpresas no recorte por escolaridade. A TV mantém-se como o veículo de maior penetração em todas as faixas, embora com uma queda forte, de 11 pontos percentuais, do estrato de maior penetração (localizado entre os que estão entre a quarta e a oitava séries) e a de menor (com curso superior), indicando, assim, que os tais formadores de opinião estão se afastando do meio – ainda assim, porém, quase dois terços deles veem TV todos os dias da semana. A questão, como expus ao comentar os outros pontos do levantamento, é que não se sabe é se a definição de TV inclui os OTTs (Netflix) ou não (mas inclui a TV por assinatura, como veremos lá na frente, se tudo der certo).

2. Como acontece em outros recortes, a internet é quase o oposto da TV, mas com tintas mais fortes. A diferença de acesso entre os que chegaram apenas à quarta série é 19 pp menor do que estão na faixa imediatamente acima e astronômicos 67 pp menor do que estão no estrato com curso superior. A diferença dos que nunca acessam a Grande Rede no estrato mais baixo da amostra é 79 pp maior do que no estrato mais alto – sendo que aqueles com menor escolaridade e não acessam à internet são 40 pp acima da média Brasil. Esses números apontam para a importância do Plano Nacional de Banda Larga e da migração para TV Digital, uma importante janela para a inclusão digital no país, dada a penetração do meio TV. No entanto, governo já fraquejou diante do lobby das teles no caso da migração, podendo ter desperdiçado uma oportunidade de ouro.

3. Os jornais, como seria de esperar, são lidos com mais frequência pelos mais estudados (quatro vezes mais do que pelos menos). No entanto, sua penetração, mesmo no seu estrato mais forte, é muito baixa – apenas 15% – e, mesmo naqueles que alcançaram um nível educacional superior, 56% simplesmente não leem jornal. Esses dados podem explicar porque a capacidade de mobilização política do meio é tão reduzida, como têm demonstrado, seguidamente, as campanhas eleitorais.

4. A situação dos jornais é ruim, mas a das revistas é bem pior. Como já mostraram outros recortes, o meio revista agoniza. O percentual dos que não leem publicações do gênero chega a dois terços dos que têm nível superior – e esse é o seu melhor resultado na amostra. O percentual dos que não leem revista nunca chega a 95% entre os que chegaram apenas à quarta série – o maior percentual do levantamento computando-se todos os parâmetros. Assim, a influência das revistas na sociedade tende a ser ínfima.

5. O rádio tem uma posição sólida, segundo a PBM-2015. Pelo menos um quarto dos entrevistados com curso superior ouve rádio todos os dias, resultado que atinge pouco mais de um terço (35%) entre chegaram apenas à quarta série. No outro extremo, vai a 48% aqueles com curso superior que não escutam rádio, o que demonstra que pelo menos 52% o fazem pelo menos uma vez por semana.