A agonia sem fim da Abril

Vocês lembram o que escrevi há seis meses sobre a Abril estar afundando (se não lembra, refresque a memória aqui)? Pois continua. Hoje, os Civita queimaram de vez a sua mais lucrativa operação (bem, a sua única lucrativa operação) e passou o que ainda tinha das ações da Abril Educação para o fundo de investimento Thunnus, gerido pela administradora Tarpon, que, em junho passado, já levara 19,9% e agora terá 40,64%, a diferença de 29,74% tendo sido adquirida por cerca de R$ 1,3 bilhão. Outro acionista significativo da companhia atualmente é o fundo soberano de Cingapura (GIC), dono de 18,5% das ações com direito a voto.

Essa transação é muito significativa porque a Abril Educação tem como seu maior ativo um contrato para fornecimento de livros escolares ao governo federal. Isso mesmo que você leu – os donos da Veja recebem do governo petista uma bolada. Pode se falar o que se quiser desse governo, menos que ele não é republicano…

O tal contrato é pouca porcaria não. À página 118 do último Formulário de Referência enviado pela Abril Educação à CVM, no início de 2014, está escrito que a companhia recebeu, pelo Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), R$ 304,8 milhões em 2013, o equivalente a 59,7% dos cerca de R$ 509 milhões do faturamento total – apontado na página 102 – das editoras Ática e Scipione (os selos da Abril Educação que trabalham no segmento), e 29,4% das receitas líquidas totais de R$ 1,036 bilhão da companhia como um todo. Como se não bastasse, logo abaixo, os dirigentes da empresa afirmam que “o segmento das editoras Ática e Scipione é diretamente afetado pela receitas provenientes do Governo Federal. Nos demais segmentos, as vendas são pulverizadas (…)”.

Assim, não precisa ser nenhum einstein para ver que se você mata sua galinha dos ovos de ouro ou você está completamente louco ou à beira da morte por inanição. Tenho a forte intuição de qual é a situação dos Civita e do negócio que lhes dá realmente poder, a editora Abril.

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