As edições digitais avançam – III

Este é o último post sobre a crescente importância das assinaturas digitais para os principais jornais brasileiros e enfoca o Estado de São Paulo. Antes de entrar no tema, aviso que pretendo fazer o mesmo com as revistas, mas, como sempre, obter os números delas é mais difícil, e também as empresas retardam o mais possível a divulgação deles. Enfim, vamos à situação do Estadão.

O jornal dos Mesquita apresentava, em dezembro de 2014, a seguinte distribuição entre assinaturas digitais e analógicas:

dez_2014_participação digital_estadão

A tabela abaixo acompanha a evolução da participação das edições digitais, em relação ao total da circulação:

tabela_digitalxanalógico_estadao_jan_dez_2014

Análise

O Estadão começou a contagem das edições digitais, em janeiro do ano passado, apenas um pouco abaixo do Globo (25,08% para os Mesquita, 27,81% para os Marinho), ambos bem atrás da Folha (34,65%). Diferente do jornal carioca, porém, o Estadão não tirou a desvantagem em relação ao seu concorrente direto no mercado paulista (veja a evolução das edições digitais ao longo de 2014 do Globo aqui e da Folha aqui). Ao contrário, ela ampliou-se dois pontos percentuais, de 9,57% p.p. para 11,67 p.p. Assim, dos três maiores jornais do país, o jornal dos Mesquita é o que tem menor penetração de edições digitais entre seus leitores (atenção: no meio dos três, em termos de circulação geral, há o Supernotícias, de BH, em terceiro, mas estou falando dos chamados “quality papers”, o que, no Brasil, quer dizer aqueles que não exibem constantemente mulher pelada na capa).

A evolução da participação das edições digitais de pouco mais de 6 p.p. de janeiro a dezembro de 2014 (contra 8 p.p. da Folha e quase 15 p.p. do Globo no mesmo período) não tem uma explicação muito clara. Meu palpite é que, ao contrário do Globo, o Estado tem um concorrente forte no mesmo nicho de mercado e a sua linha conservadora séria faz com que ele não conquiste nem os “moderninhos” paulistas e não consiga sensibilizar muito os direitistas que “babam na gravata”, estilo Roger, Gentili e Constantino, que preferem beber seu fel apenas da Veja, o que não acontece com seus êmulos cariocas que possuem a opção de Merval, Dona Miriam et caterva nas páginas do jornal dos Marinho.

Ainda assim, a previsão do momento em que as edições digitais terão maior participação do que as analógicas na circulação do Estadão ficam em linha com as dos seus dois concorrentes. A previsão se baseia não apenas na elevação do número absoluto da circulação digital (de 26,78%, inferior aos 78% do Globo e mesmo aos 38% da Folha), mas à queda da circulação da edição impressa, que atingiu 6,6%, um pouco superior ao Globo (-5,4%) e bem maior do que a da Folha (-2,4%). No fim, os números se equilibram e, assim como no caso dos outros, o jornal dos Mesquitas deverá ter uma circulação digital maior do que a analógica em algum momento do primeiro semestre de 2016. Mas, também como no caso dos concorrentes, os ritmos de queda do papel e de crescimento do digital terão que se manter. Mas pretendo fazer esse acompanhamento ao logo de 2015.

3 comentários sobre “As edições digitais avançam – III

  1. O faturamento com essas assinaturas digitais (mensalidade+publicidade) é representativo?

    • Essa resposta eu não tenho, mas deduzo que sim, pelo menos para a primeira parcela, já que ela é crescente. Já no caso da publicidade, creio que ela está para tornar-se representativa, se já não o é, mas num nível abaixo do que a publicidade da edição impressa, já que o mundo internet é muito mais pulverizado que o outro.

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