Invasão da grande área

Uma movimentação muito importante aconteceu na semana passada. A Turner Broadcasting System (TBS) comprou a programadora Esporte Interativo, que, como o nome diz, é especializada em esporte. O negócio é importante porque, além de veicular sua programação esportiva pela TV paga, pela Banda C (parabólica) e por OTT (está na grade do Netflix), o EI também transmite na TV aberta, por meio de uma geradora pertencente à TV Eldorado, empresa do Grupo Estado de São Paulo, localizada em Santa Inês, Maranhão (é isso mesmo, os Mesquitas ganharam uma geradora na terra do Sarney no tempo do FHC), que transmite para 22 cidades, inclusive para São Paulo capital, o maior mercado publicitário do país.

Não foi preciso nem 24 horas para a Abert, presidida por Daniel Slavieiro, diretor-geral do SBT em Brasília, botar a boca no trombone afirmando que a compra é ilegal. A alegação é que o artigo 22 da Constituição não permite que estrangeiros detenham mais do que 30% das ações de empesas de empresas de comunicação que detenham concessões de TV aberta. A Turner responde que ela não é dona de uma empresa assim, mas de um canal de esportes, como é da Warner ou da CNN, por exemplo – a TV Eldorado, a geradora, continua dos Mesquita.

Agora a situação está nas mãos do Ministério das Comunicações, ou seja, do ministro Ricardo Berzoini, aquele que tem prometido quebrar o monopólio da mídia. Ele, por exemplo, pode argumentar com a Abert que esta é uma ótima oportunidade de regulamentar de vez o artigo 222 da Constituição, tão ciosamente defendida pela entidade, que, no entanto, há 25 anos consegue impedir que a parte referente ao combate ao monopólio e à regionalização da programação do mesmo artigo seja regulamentada.

Essa pendenga vai ser realmente divertida de acompanhar.

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