As edições digitais avançam – II

Esta é a segunda vista d´olhos sobre a participação das assinaturas digitais nos principais jornais do país. Semana passada, enfoquei a Folha; nesta, é a vez do Globo, de cuja situação falei de passagem aqui.

Em dezembro de 2014, as assinaturas digitais do principal jornal dos Marinho já respondiam por 42,03% do total, conforme o gráfico abaixo.

 

dez_2014_participação digital_oglobo

A tabela abaixo acompanha a evolução mensal das assinaturas digitais em confronto (vis-à-vis é o cacete) com o total da circulação.

 

tabela_digitalxgeral_jan_dez_2014_oglobo

 

Análise

No Globo, as assinaturas digitais tinham, em dezembro passado, uma participação semelhante à da Folha de São Paulo, no total da circulação (42,88% no diário dos Frias, 42,03% no dos Marinho). A evolução anual foi igualmente sólida, também com um salto significativo (três pontos percentuais) de um mês para outro – a diferença é que, na Folha, este salto deu-se de agosto para setembro, enquanto, no Globo, ocorreu de julho para agosto, um mês antes, portanto.

Importante observar ainda que a evolução da participação das assinaturas digitais sobre a circulação geral ocorreu numa maior velocidade no jornal carioca do que no paulista – No Globo, a participação saiu de 27,81%, em janeiro/2014, para 42,03%, em dezembro, um avanço de 14,22 pontos percentuais, enquanto, na Folha, o aumento foi de 8,23 p.p (de 34,65% para 42,88%).

Esse ritmo faz com que a edição digital possa vir a superar a analógica na circulação geral mais rapidamente no Globo do que na Folha. No jornal dos Frias, a previsão que fiz semana passada é que a ultrapassagem ocorra em algum momento do primeiro semestre de 2018; já no principal jornal do Grupo Globo, esse movimento deve ocorrer entre o final de 2016 e o primeiro trimestre de 2017.

Para que essa previsão se cumpra, porém, é necessário que seja mantido o ritmo de avanço das assinaturas digitais sobre o total da circulação no Globo acontecido em 2014. No ano passado, como um todo, a a edição digital superou a impressa em 11.649 exemplares, o que levaria a ultrapassagem a ocorrer em 17 ou 18 meses, ou seja, em meados de 2016. No entanto, no segundo semestre de 2014, notou-se um arrefecimento desse ritmo (apesar da queda absoluta da circulação geral e a manutenção do ritmo sólido de elevação da edição digital), passando para 9.944 exemplares, o que retardaria o momento da ultrapassagem em alguns meses.

Como no caso da Folha, é preciso ficarmos atentos para ver como se comporta a relação entre as circulações digital e geral para saber quando haverá essa mudança.

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